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terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

O derrube da fortaleza avense


O Sport Lisboa e Benfica encerrou a 22ª jornada da Liga NOS depois da longa deslocação a Istambul, contra um Desportivo das Aves que sob o comando técnico de Augusto Inácio, tinha ganho três dos últimos quatro jogos, e que mostrou desde o início que pretendia complicar a nossa tarefa ao máximo. Como tal, Bruno Lage não arriscou e apostou no melhor onze que tinha à disposição para este jogo.

O CD Aves tem apresentado um modelo de jogo bastante defensivo, com marcações homem-a-homem em todo o campo, e jogando num sistema com 5 defesas: Diego Galo, Carlos Ponck e Jorge Felipe no centro, e Rodrigo Soares e Victor Costa nas alas; seguindo com Vítor Gomes e Braga no miolo, Mama Baldé e Luquinhas a extremos e Derley a ponta-de-lança.

A estratégia do Benfica para contrariar o sistema defensivo avense passava por fazer uma circulação de bola paciente, de modo a atrair os médios do Aves e abrir mais o espaço entre linhas, depois com Rafa, Pizzi e João Félix a fazer trocas posicionais de modo a causar desequilíbrios à equipa adversária no seu momento defensivo.

A equipa do Benfica inauguraria o marcador logo aos 3 minutos, com Samaris a assistir Seferovic com maestria e o avançado suíço a fazer um amortie sobre o guarda-redes Bernardeau. Estava inaugurado o marcador na Vila das Aves. Aos 9 minutos, Rafa é lançado em profundidade e, marcado por Jorge Felipe, assiste para João Félix que remata contra as malhas laterais. Aos 15 minutos, surgiu nova ocasião de perigo com João Félix a obrigar Bernardeau a aplicar-se, com as recargas de Seferovic e Rafa a embaterem no muro defensivo da equipa da casa.

No momento ofensivo, a equipa de Augusto Inácio procurava bombear bolas longas de modo a explorar a profundidade das "motas" Luquinhas e Mama Baldé. Já a nossa equipa jogava com índices de agressividade mais baixos, quiiçá em gestão de esforço após o jogo na Turquia, permitindo à equipa da casa chegar com a bola jogável no nosso meio-campo. Aos 28 minutos, a equipa avense teve a primeira ocasião de perigo num livre lateral de Victor Costa a testar a atenção de Vlachodimos.

Numa altura em que a equipa avense tinha mais posse de bola, a nossa equipa acabou por aumentar a vantagem. Aos 36 minutos, numa combinação entre Pizzi, Grimaldo, João Félix e Rafa, o extremo ribatejano acabou por rematar colocado, deixando a nossa equipa partir para o intervalo com um resultado mais tranquilo. Ainda antes do término da primeira parte, Vlachodimos seria novamente chamado a intervir a um remate de meia-distância de Rodrigo Soares.

A abrir a segunda parte, o Benfica podia ter logo aumentado a vantagem, com João Félix a testar os reflexos de Bernardeau. Seria aos 59 minutos que o Benfica marcaria o terceiro golo através de um pontapé-de-canto. Após uma saída em falso do guarda-redes adversário, Ferro marcaria golo num chapéu às três tabelas, marcando assim o segundo golo no seu segundo jogo no campeonato. Logo no minuto seguinte, a nossa equipa poderia ter marcado o quarto, com Pizzi a fazer um chapéu que saiu ligeiramente ao lado do poste direito da baliza avense.

Aos 64 minutos, após um passe a isolar Derley, o antigo ponta-de-lança do Benfica acaba por ser travado à entrada da área por Ferro, num lance em que o árbitro Hugo Miguel não hesitou e mostrou cartão vermelho directo (e bem) ao central formado no Benfica. Foi a imaturidade a falar mais alto. No livre que serviu para cobrar a falta, Rodrigo Soares voltou a não conseguir bater Vlachodimos.

Apesar da desvantagem numérica, a nossa equipa manteve o controlo das operações, jogando com serenidade e rapidez nos processos, dispondo de uma nova oportunidade para aumentar a vantagem aos 82 minutos, com João Félix a rematar ligeiramente ao lado, instantes antes deste ser substituído por Zivkovic.

Em terrenos complicados, a eficácia diz tudo. E a nossa equipa soube ser competente e objectiva, marcando golo nas alturas certas, conseguindo aqui uma vitória tranquila sem carregar muito no acelerador, terminando o jogo com 60% de posse de bola. Samaris foi na minha opinião, o jogador em maior evidência. Formando uma dupla cada vez mais sólida com Gabriel, o internacional grego fez a sua melhor exibição desde que regressou ao onze titular, contabilizando 11 recuperações de bola e uma assistência primorosa para Seferovic. Vlachodimos mostrou elevados índices de concentração nas três ocasiões em que foi chamado a intervir. E João Félix voltou a ser essencial a jogar entre linhas.

Seguem-se dois jogos seguidos em casa, a anteceder a deslocação ao Dragão. Carrega Benfica!




sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

O dilema dos avançados do Benfica


O mercado de Inverno já fechou e o último dia foi agitado para os lados da Luz. O clube encarnado acabaria por se destacar dos rivais por não ter contratado nenhum jogador, garantido apenas a contratação do extremo brasileiro Caio Lucas para a próxima temporada. Já o último dia em particular, ficaria marcado pelas saídas dos avançados contratados no Verão: Nicolas Castillo e Facundo Ferreyra.

Quem me conhece, sabe a minha opinião em relação a ambos os jogadores e vou colocá-la de parte para este texto. A saída dos dois avançados que acabaram por ter um rendimento decepcionante nas poucas oportunidades que tiveram, sem que houvesse alguém a ser contratado para os seus lugares gerou uma forte contestação por parte dos adeptos. Eu próprio, desejei a contratação de mais um avançado, visto que nenhum dos pontas-de-lança da equipa B me tem convencido.

No entanto, parei para pensar e depois de ter puxado pela minha memória, relembrei-me que esta situação não é inédita no Benfica e que nas últimas temporada, o nosso plantel tem tido quase sempre 3 avançados, sendo que em grande parte das épocas desta década, temos jogado em 4-4-2. Mas para clarificar melhor os factos, pegando no tweet que postei há bocado, irei aqui relembrar o ataque de cada uma das épocas do Tetracampeonato.



Época 2013/2014 - Lima, Rodrigo, Cardozo e Funes Mori


Com aquele que é na minha opinião, o melhor plantel do Benfica dos últimos 30 anos, o Benfica iniciou a época com três avançados: Lima, Rodrigo Moreno e Óscar Cardozo, sendo que o paraguaio esteve grande parte da pré-temporada sem comparecer no Seixal devido ao diferendo com o clube causado pelo incidente com Jorge Jesus no na final da Taça de Portugal. Após um pedido de desculpas público, Óscar Cardozo voltaria a treinar no CFC, sendo reintegrado na equipa mais tarde. Pelo meio, seria contratado o argentino Rogelio Funes Mori ao River Plate a troco de 2 milhões de euros.

A época oficial iniciaria com Lima a assumir a titularidade, com a posição de segundo avançado a ser alternada entre Rodrigo, Markovic e Djuricic, até Cardozo recuperar a condição física, assumindo a titularidade no jogo da 4ª jornada contra o Paços de Ferreira. Depois de desatar a marcar golos, em Novembro contraiu uma lesão que o deixaria no inactivo durante mais de dois meses. Daí para a frente, Lima e Rodrigo viriam a formar a dupla atacante da equipa.

Depois de recuperar, Cardozo viria a ficar no banco de suplentes, alternando com Lima e Rodrigo nos jogos das Taças e da Liga Europa. Funes Mori jogou grande parte da época na equipa B, realizando apenas cinco jogos pela equipa principal. E praticamente com três avançados, ganhámos três títulos e chegámos a uma final europeia.



Época 2014/2015 - Lima, Derley, Jonas e Nelson Oliveira/Jonathan Rodriguez


Óscar Cardozo foi vendido ao Trabzonspor e Funes Mori foi emprestado ao Eskisehirspor. Derley foi contratado ao CS Marítimo após ter sido o segundo melhor marcador do campeonato na época anterior e Nelson Oliveira regressou à equipa após ter sido emprestado ao Rennes. 

No início da época, o médio ofensivo Anderson Talisca jogou a segundo avançado no apoio a Lima. Jonas chegou ao Benfica em Setembro, depois de ter rescindido contrato com o Valência, estreando-se em Outubro no jogo da 7ª jornada contra o FC Arouca. 

Daí para a frente, Jonas formou dupla atacante com Lima, excepto na Champions visto que chegou ao clube já depois do fecho das inscrições. Juntos, marcaram 41 golos nesse campeonato, com Derley a ser a alternativa e Talisca a recuar para o meio-campo. Entretanto, Nelson Oliveira jogaria apenas dois jogos, ambos como suplente utilizado e seria emprestado em Janeiro ao Swansea City. No mesmo mês, seria contratado o uruguaio Jonathan Rodriguez ao Peñarol, mas este só jogou cerca de 10 minutos no jogo da 28ª jornada contra a Académica, jogando mais na equipa B.



Época 2015/2016 - Jonas, Mitroglou, Jiménez e Jovic


Derley foi emprestado ao Kayserispor. Lima jogou no jogo da pré-temporada contra o PSG e pouco depois foi vendido ao Al-Ahli. Nelson Oliveira e Jonathan Rodriguez também fizeram a pré-temporada com a equipa principal, mas acabaram por ser emprestados ao Notthingam Forest e Deportivo da Coruña, respectivamente.

Poucos dias antes da Supertaça, o Benfica anunciou a contratação de Konstantinos Mitroglou, a título de empréstimo do Fullham. Uma semana depois, foi contratado Raúl Jiménez. Os dois avançados alternariam a titularidade entre si na primeira metade da época. Na segunda metade da época, o grego assumiu a titularidade ao lado de Jonas, enquanto o mexicano afirmou-se como a arma secreta da equipa a partir do banco. Pelo meio, seriam contratados no mercado de inverno as jovens promessas sérvias Igor Saponjic e Luka Jovic. Saponjic não passou da equipa B e Luka Jovic fez dois jogos pela equipa principal, ambos como suplente utilizado.



Época 2016/2017 - Jonas, Mitroglou, Jiménez, Gonçalo Guedes e Jovic


Kostas Mitroglou foi contratado a título definitivo a troco de 7 milhões de euros. O gestão inicial dos avançados manteve-se com Mitroglou e Jiménez a alternarem entre si consoante a forma de cada um. Após a primeira paragem para as selecções, os quatro avançados estavam lesionados, o que fez com que a dupla atacante no jogo da 4ª jornada do campeonato contra o FC Arouca fosse formada por Rafa e Gonçalo Guedes e no jogo seguinte para a Champions contra o Besiktas, fosse formada por Cervi e Guedes.

Entretanto, Gonçalo Guedes assumiu o lugar de Jonas durante a sua lesão e seria vendido ao PSG em Janeiro. Daí para a frente, seria Rafa a jogar a segundo avançado enquanto o brasileiro estava indisponível, enquanto Jonas e Jiménez continuavam a alternar, com algumas lesões do mexicano pelo meio. Luka Jovic passaria a época na equipa B, jogando apenas dois jogos como suplente utilizado na equipa principal.


Actualmente, o ataque do clube está entregue a um jovem em ascensão no futebol e a um jogador que está a fazer a melhor época da sua carreira e ao Jonas que mesmo não estando saudável, é capaz de dar um ar da sua graça (isto, meses depois de muitos benfiquistas terem pedido a cabeça do presidente devido à sua possível saída). Infelizmente, Castillo e Ferreyra eram jogadores bem remunerados e não corresponderam às expectativas. E reitero: acho que devíamos ir buscar mais alguém, mas são estes que cá temos e com os quais vamos à luta e como tal, são estes que vamos apoiar.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Regresso de mão cheia


Aguardava este jogo com alguma expectativa. Não só por ser o primeiro jogo em casa em mais de três semanas, mas também porque, em quase um mês a treinar a equipa principal, este seria o jogo que Bruno Lage teria mais tempo para preparar. Do outro lado, estava uma equipa que tinha acabado de sofrer uma chicotada psicológica, com Jorge Couto a assumir o comando técnico da equipa axadrezada antes da chegada de Lito Vidigal.

A nossa equipa entrou com vontade de pegar e assumir o jogo, mas seria o Boavista FC a criar a primeira ocasião flagrante de perigo aos sete minutos, com Tahar a rematar ao poste após um brinde de Gabriel. Tudo não passou de um grande susto, até porque dois minutos depois, os encarnados iriam inaugurar o marcador, com João Félix a finalizar de cabeça após um livre batido por Pizzi.

O golo galvanizou a equipa encarnada, que daí para a frente assumiu o controlo do jogo, procurando três momentos de jogo: ou explorando os cruzamentos devido às fragilidades dos axadrezados no jogo aéreo. ou explorando os momentos de transição ofensiva ou as bolas longas em profundidade, explorando o espaço nas costas da defesa adversária. Os lances de bola parada também tiveram um papel importante, com Rúben Dias a cabecear uma bola à barra a meio da primeira parte, após mais um livre lateral batido por Pizzi.

Acabaria por ser com naturalidade que a equipa de Bruno Lage chegaria com naturalidade aos 28 minutos, num momento de transição ofensiva em que Seferovic foi isolado com um passe em trivela de Rafa e a rematar para defesa de Helton Leite e com Pizzi a encostar para o segundo golo. Daí para a frente, o Benfica continuou a dominar o jogo, destacando-se sobretudo pela pressão sufocante após a perda da bola, fazendo com que a equipa axadrezada não conseguisse sair da zona de pressão para partir em transição ofensiva.

Já a equipa do Boavista, sendo incapaz de dar três toques seguidos na bola, era forçada a recorrer ao chuveirinho para conseguir chegar com a bola ao meio-campo adversário. Num desses lances, acabaria por conseguir sacar uma falta. Através desse livre, conseguiu um canto. E nesse pontapé de canto, a má coordenação da nossa equipa permitiu aos axadrezados reduzir a desvantagem aos 42 minutos por intermédio de Talocha, um golo marcado às três tabelas.

O golo da equipa visitante a fechar a primeira parte confirmou o resultado enganador que se verificava ao intervalo. Contudo, este golo sofrido deixou-me chateado, mas não preocupado. Pois estava convicto de que se a equipa se mantivesse fiel à sua estratégia, mantendo a dinâmica e a agressividade, estaria sempre mais perto de marcar um golo do que de sofrer.

No início da segunda parte viu-se um Boavista com mais atitude e mais presença no nosso meio-campo. No entanto aos 54 minutos, numa das poucas vezes que conseguem enviar a bola para a área, a transição ofensiva dos encarnados voltou a fazer estragos. Após a recuperação de bola, Pizzi para para João Félix, que faz uma arrancada fenomenal e tira um passe a régua e esquadro para Seferovic finalizar.

Depois do 3-1, Bruno Lage começou a mexer na equipa. Aos 61 minutos, Zivkovic rendeu Rafa, com este a ser reconfortado por Rui Costa após a sua saída. Aos 73 minutos viria o quarto golo, com os protagonistas do segundo a trocarem de papéis: Pizzi a rematar para defesa do guarda-redes e Seferovic e encostar na recarga. Se é que ainda houvesse dúvidas, a vitória já não fugia mais. Aos 86 minutos, chegaria a mão cheia com Alex Grimaldo a marcar um daqueles golos de levantar o Estádio, com um remate de fora da área a fazer um arco, contornando o guarda-redes adversário. Até ao final, ainda houve tempo para Vlachodimos ser herói, ao defender uma grande penalidade cobrada pelo veterano Mateus após falta de Samaris.

Foi uma vitória de mão cheia no regresso ao Estádio da Luz, naquela que foi a exibição mais bem conseguida desde a promoção de Bruno Lage, com João Félix e Pizzi em particular evidência. Seferovic marcou dois golos e desperdiçou outros tantos. Tratando-se de um avançado com pouca qualidade técnica, muitas vezes precisa de mais um toque para ter a bola controlada. E muitas vezes, esse toque a mais pode ser o suficiente para um golo certo se transformar numa oportunidade desperdiçada, principalmente contra um guarda-redes com grande envergadura e sentido posicional como Helton Leite. No entanto, o suíço não deixa de ser um jogador preponderante na equipa, pela forma como abre espaços na defesa adversária com as suas movimentações.

Outro aspecto positivo foi a melhoria do comportamento da equipa nos lances de bola parada, que se deve a dois aspectos: primeiro, Pizzi bate as bolas de forma muito mais tensa, ao contrário da forma amorfa como batia os lances, fazendo com que a bola chegasse "morta" à área, tornando-se numa presa fácil para os adversários; segundo, enquanto antes os jogadores mais perigosos no jogo aério ficavam "presos" no coração da área, agora aparecem de trás para ganhar balanço. Reparem no posicionamento do Félix no início do lance do primeiro golo.

Seguem-se dois jogos seguidos contra o Sporting CP, que darão para ver onde esta equipa podrá realmente chegar. Carrega Benfica!

sábado, 12 de janeiro de 2019

Festa nos Açores


Esta temporada ficou marcada pelo regresso do Santa Clara à Primeira Liga. Como tal, pela primeira vez em muito tempo, a equipa principal do Benfica voltou a jogar em São Miguel (a última vez tinha sido em Novembro de 2002), sendo recebida na ilha em clima de grande festa. Por isso, era uma obrigação que a equipa de Bruno Lage desse uma boa resposta a um grupo de adeptos que esperou muito tempo para os voltar a ver em acção ao vivo e a cores.

Quanto ao jogo, a equipa do Benfica apresentou-se novamente em 4-4-2, mas desta vez com Gabriel a oito e descaído para a ala direita, e com Zivkovic na ala esquerda no lugar de Cervi, mas já falarei melhor dessas mudanças. No início do jogo, a equipa mostrou algumas dificuldades em penetrar no bloco adversário, que jogava com as linhas muito juntas, sendo que o vento e a chuva também dificultavam a prática de um futebol mais apoiado. Com isso, a equipa vestida de preto e branco explorou mais as transições e as bolas longas numa fase inicial do jogo. Foi daí que resultou a primeira ocasião de perigo, num pontapé de ressaca de Seferovic por cima, e foi por aí que o Benfica marcou o primeiro golo aos 22 minutos, com André Almeida a recuperar a bola e fazer um passe longo em profundidade, onde uma má abordagem dos centrais Fábio Cardoso e César Martins permitiu a Seferovic aproveitar o espaço nas suas costas e a mostrar frieza no cara-a-cara com o guarda-redes Serginho. Estava inaugurado o marcador nos Açores.

A equipa do Santa Clara sempre mostrou bastantes dificuldades na construção de jogo, muito graças à coesão da nossa equipa, que jogava com uma estrutura defensiva em 4-4-2 clássico mais junta e com um curto espaço entre sectores. Aí, a equipa de Bruno Lage optou por controlar o jogo do adversário fechando o espaço central, de modo a não desmontar o posicionamento defensivo da equipa, criando aberturas que o adversário poderia explorar. Esta situação forçou a equipa de João Henriques a encaminhar o jogo para as alas, onde a nossa equipa já fazia uma alta pressão sobre o adversário.

A primeira parte ficaria ainda marcada pela expulsão de Fábio Cardoso por vermelho directo, num lance polémico onde o VAR entendeu que a falta do defesa-central sobre Pizzi foi feita fora da área. Devo também assinalar que o árbitro João Capela demorou sete minutos a retomar o jogo após o lance. Não é de admirar que o nosso campeonato seja aquele com menos tempo útil de jogo na Europa.

A segunda parte abriu com o segundo golo da nossa equipa por intermédio do capitão Jardel. Num pontapé de canto, Jardel apareceu por trás e balanceado, cabeceou certeiro à baliza defendida por Serginho. Depois deste golo, a equipa ganhou confiança e jogou com uma maior dinâmca e fluidez no ataque, beneficiando também da sua vantagem numérica, criando várias situações de perigo que podiam ter dilatado margem no marcador.

Como referi acima, a equipa do Santa Clara teve muitas dificuldades em explorar o espaço central devido à coesão da nossa estrutura defensiva. As únicas ocasiões em que os açorianos criaram perigo foram em lances de bola parada ou em jogadas em profundidade, explorando aí sobretudo o corredor direito através das incursões de Ukra e Pineda.

Aos 70 minutos, Bruno Lage fez a primeira substituição no jogo ao trocar Zivkovic por Salvio numa mexida que a meu ver, se deveu a um erro de leitura de jogo do treinador. Ao fazer esta substituição, Pizzi passou a ficar descaído na esquerda, com Grimaldo a tomar conta de todo o corredor, sendo que era por esse lado que a equipa do Santa Clara atacava e procurava criar perigo. Para além disso, houve várias ocasiões em que Salvio não acompanhou a equipa na pressão ao portador da bola. Não sei se isto são ainda os velhos hábitos da era Rui Vitória, ou acomodamento pela renovação de contrato, mas Bruno Lage precisa de lhe dar um puxão de orelhas.




Após essa substituição, a equipa não deixou de criar oportunidades de golo, mas revelou maior dificuldade em controlar o jogo com bola, situação que deixou a nossa equipa numa situação um pouco delicada, mas que em nada comprometeu o desfecho do jogo. Destaque ainda para a entrada de Castillo, após durante a semana este ter sido dado como certo no América do México.


Terminado o encontro, o Benfica consegue uma vitória justa e uma exibição bem conseguida. A reedição da táctica que levou o Benfica ao Tricampeonato deu outra solidez e estabilidade táctica à equipa. Gabriel foi o jogador com mais passes certos e recuperações de bola, sendo que a sua capacidade física também assume particular evidência em jogos disputados em relvados pesados. Já Pizzi descaído na ala direita, teve liberdade para flectir para espaços interiores sem grande marcação, oferecendo à equipa outra variante na construção de jogo no último terço do terreno.

É verdade que jogámos uma parte inteira contra dez jogadores e desperdiçámos muitas ocasiões, mas convém também lembrar que apesar da vantagem de dois golos, a equipa manteve a atitude em busca de mais golos e mais importante que isso, teve a dinâmica necessária de modo a chegar à área com vários elementos, coisa que não se via há muito tempo. No final, regressámos ao segundo lugar, e fomos apenas a terceira equipa nesta época a não sofrer golos do Santa Clara.

Na conferência de imprensa após o jogo, o treinador Bruno Lage voltou a fazer referência aos aspectos negativos da equipa que precisam de ser melhorados, nomeadamente os últimos 20 minutos do jogo em que a equipa perdeu algum controlo no jogo, enaltecendo também a reacção fantástica que os adeptos tiveram ao ver a equipa.

A equipa continua a mostrar sinais positivos que nos fazem acreditar em dias melhores no futuro, mas ainda há muito trabalho a fazer. Vêm aí testes mais exigentes nos próximos tempos e a equipa terá de responder a altura. Mas certamente, estamos mais perto disso do que há 10 das atrás.

Carrega Benfica!


terça-feira, 9 de outubro de 2018

UEFA Futsal Champions League - o caminho para a Final Four


Na semana passada, a equipa de futsal do Benfica carimbou o apuramento para a Ronda de Elite da UEFA Futsal Champions League, tendo terminado na liderança do seu grupo com sete pontos conquistados. O sorteio para a Ronda de Elite decorre na próxima sexta-feira dia 12 de Outubro.

Como tal, creio que me compete explicar como se decorre o procedimento daqui para a frente.

Para quem não sabe, a partir da época passada, os três países melhor classificados no Ranking da UEFA passam a ter dois representantes na competição: o campeão e o vice-campeão nacional. Nesta época, visto que o Inter Movistar é o actual campeão espanhol e campeão europeu, e nenhum país pode ter três representantes na competição, o Cazaquistão, 4º classificado do Ranking da UEFA, teve também dos representantes na UEFA Futsal Champions League.

No formato antigo da competição, os clubes mais cotados no coeficiente do Ranking da UEFA eram automaticamente apurados para a Ronda de Elite. No formato actual isso acabou, sendo que todos os clubes terão de passar pela Main Round, mas já lá vamos.

De 28 de Agosto a 2 de Setembro realizou-se uma Fase Preliminar pelos 34 clubes menos cotados no coeficiente, divididos em nove grupos. Os vencedores de cada grupo apuraram-se para a Main Round.

A Main Round disputada na semana passada, foi disputada por 32 equipas divididas em oito grupos numerados de 1 a 8, separados por dois caminhos. O caminho A constituído pelos grupos de 1 a 4, é onde se encontram as equipas mais cotadas no coeficiente de clubes do Ranking da UEFA. Os três primeiros classificados destes grupos apuram-se para a Ronda de Elite. No caminho B, constituído pelos grupos de 5 a 8, apenas o primeiro classificado de cada grupo se apura para a Ronda de Elite.


Na condição de líder do grupo 1, o Benfica integrará o pote 1 no sorteio da próxima sexta-feira e evitará desde já o Barcelona, que ficou em segundo lugar no seu grupo; e o Inter Movistar, Gasprom Ugra Yugorsk e Kiarat Almaty, que lideraram os restantes grupos do caminho A. Devo também informar que na UEFA Futsal Champions League não há protecção de país, o que significa que clubes do mesmo país poderão integrar o mesmo grupo, ao contrário do que acontece no futebol de onze até à primeira fase a eliminar da Liga dos Campeões e da Liga Europa.

Depois, como todos aqueles que acompanham a modalidade devem saber, a Ronda de Elite é composta por quatro grupos com quatro equipas cada, sendo que apenas o primeiro classificado se apura para a Fnal Fuor da competição, que será disputada em finais de Abril, em casa de uma das equipas participantes.

Estando no pote 1, o Benfica irá defrontar um dos segundos classificados dos restantes grupos do caminho A (excepto do seu), um dos terceiros classificados dos grupos do caminho A e o líder de um dos grupos do caminho B.

Como tal, dá para perceber que foi muito importante a equipa de Joel Rocha ter liderado o seu grupo, graças ao facto de ter obtido uma diferença de golos maior que a do Barcelona. E aqui, a opinião poderá variar bastante, mas na minha opinião, dentro da conjuntura do sorteio, o grupo mais complicado seria este.

- SL Benfica
- Sporting CP
- Sibiryak (vice-campeão russo)
- Aqua & Sapone (campeão italiano)

Sexta-feira, veremos se a sorte ficará do nosso lado...

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Não há pior inimigo do Benfica do que o seu próprio adepto!


Hoje venho aqui escrever uma cartilha especialmente dedicada aos especialistas da bola que já andam a rotular o Ferreyra de flop.

Facundo Ferreyra chegou ao Benfica após se ter tornado o melhor marcador do campeonato ucraniano na época passada, com 21 golos marcados, registos que deixam os benfiquistas com expectativas elevadas.

A verdade é que após uma pré-temporada em que o argentino teve alguns problemas físicos e após três jogos oficiais em branco, os entendidos na matérias já andam pelas redes sociais a dizer que ele é um cepo que se irá tornar num barrete. Há também quem diga que ele não rende num sistema táctico de 4-3-3. Nada mais falso!. No Shakhtar Donetsk ele também era a única referência ofensiva da equipa.

Quem percebe de futebol, consegue ver que o problema não está no sistema táctico, mas sim no facto do estilo de jogo da nossa equipa não ser o que mais o favorece. Facundo Ferreyra é um finalizador nato, não é um avançado de transição nem de distribuir jogo. É um avançado mais fixo e posicional na área, que também é inteligente a movimentar-se no campo e a ocupar os espaços, mas não lhe peçam para recuar no terreno e fazer os movimentos que o Jonas faz. As suas características não permitem tal coisa.

Ajustando isso a um modelo de jogo, ele no Shakhtar jogava numa equipa que explorava mais o jogo interior, que explorava mais os espaços abertos e as triangulações entre os avançados (Ferreyra, Bernard e Marlon), tinha muito mais apoio. No Benfica, ele é treinado por um treinador que teima em canalizar o jogo pelas alas e joga num modelo de jogo onde os médios interiores (Pizzi e Gedson) recuam muito no terreno para receber a bola, aumentando mais o buraco entre o meio-campo e o ataque (desde o jogo contra o Vitória SC já houve melhorias nesse aspecto). Eu não estou a dizer que Ferreyra não seja capaz de vingar neste modelo. Simplesmente, tendo em conta o seu perfil e o estilo de jogo da equipa, irá precisar de mais tempo para se adaptar e se entrosar com os novos colegas.

Para quem se quiser dar ao trabalho, aconselho-vos a irem ver os registos do Óscar Cardozo na sua primeira época no Benfica. Ao fim da décima jornada do campeonato 2007/2008, o ponta-de-lança paraguaio tinha apenas três golos marcados, dois deles de penalty. Acabaria a época com 22 golos marcados. E na quarta época se tornaria o melhor marcador estrangeiro da história do clube.  Já agora, podem também ver os registos do Mitroglou nas duas épocas em que cá esteve. Em ambas as época, ele teve um rendimento bem melhor na segunda volta do que na primeira.

Sejam pacientes!


terça-feira, 7 de agosto de 2018

As notas da pré-temporada do Benfica


A pré-temporada acabou e os jogos oficiais estão prestes a começar. E há notas que devem ser tiradas. E Benfica mexeu-se com tempo no mercado, colmatando algumas das lacunas no plantel. Temos mais profundidade na defesa com Conti, Lema e Yuri Ribeiro; e no meio-campo com Gedson Fernandes e Alfa Semedo. Vlachodimos também parece dar garantias na baliza, mas ainda é cedo para concluir se será um guarda-redes que garante pontos. Castillo deixou impressões positivas e Ferreyra foi assolado por alguns problemas físicos. Ambos ainda estão a adaptar-se à nossa equipa.

A chegada de jogadores como Lema, Gedson, Alfa Semedo e Castillo também deram mais capacidade/física à equipa do que nas últimas duas épocas. Mas ainda estamos a uns furos abaixo da equipa do FC Porto nesse aspecto. A chegada de um box-to-box iria ajudar muito...

Antes de mais, devo dizer que eu sou do tempo em que o Benfica dos Torneios do Guadiana para matar a fome de títulos. Por isso, o facto do Benfica ganhar ou não troféus na pré-época é-me completamente irrelevante. Em termos de resultados, esta terá sido a melhor pré-temporada do Benfica na era Rui Vitória. Em termos de processo de jogo, também é melhorias em relação à época passada, com a equipa a mostrar sinais positivos, tanto em 4-3-3 como em 4-4-2.

No entanto, esta pré-temporada também me fez perceber que existe um problema que persiste desde o início e que irá sempre perdurar enquanto Rui Vitória estiver no Benfica. É assim: o modelo de jogo de Rui Vitória está muito assente nos aspectos defensivos: a pressão alta sobre o adversário, a linha defensiva subida, o espaço entre linhas, a reacção à perda de bola, a circulação de bola de forma apoiada desde a zona defensiva até à zona de criação.

O problema é que Rui Vitória não treina um modelo de jogo ofensivo. Rui Vitória deixa a manobra ofensiva da equipa entregue à qualidade individual dos seus executantes (principalmente dos extremos) e espera que se faça magia. Isto pode resultar problemas em vários jogos. Em jogos contra equipas que jogam mais fechadas na defesa, pode originar dificuldades em chegar com critério à área contrária, fazendo com que muitas vezes, a solução acaba por ser o chutão para a frente. Em jogos contra equipas grandes ou na Champions, a equipa até pode chegar várias vezes à área contrária, mas na maioria delas, irá mostrar pouca clarividência, seja na tomada de decisão, ou a finalizar.

Outra questão aqui é que se Rui Vitória teima tanto em canalizar a manobra ofensiva da equipa nos extremos, é necessário um extremo completo, que seja desequilibrador (tanto pela ala, como flectindo para zonas interiores), que tinha boa visão de jogo, que seja bom a finalizar e que seja forte física e/ou mentalmente. Nós não temos nenhum extremo na equipa principal que cumpra todos esses requisitos. Cervi é muito fraquinho fisicamente. Salvio toma muitas más decisões. Rafa e Zivkovic são os que estão mais perto disso, mas são fracos a finalizar. Carrillo até poderia ser esse extremo completo, mas para isso precisava de um cérebro. O único extremo completo sénior que temos é João Filipe.

Outra teima de Rui Vitória é a sua insistência em lateralizar o jogo, principalmente quando joga em 4-3-3, onde na época passada se viu a equipa explorar muito as triangulações entre Grimaldo, Cervi e Krovinovic/Zivkovic. E nesta temporada ficou mostrado que o jogo interior neste 4-3-3 é praticamente nulo. Isto porque quando a equipa começa a construir jogo a partir de trás, Pizzi e Gesdon Fernandes (os dois médios mais adiantados) recuam até ao seu meio-campo defensivo para receberem a bola, passando-a depois para os extremos, o que origina um grande buraco entre o meio-campo e o ataque.

Quem deveria receber a bola nessa zona do terreno deveria ser o trinco e os laterais, com Pizzi e Gedson a criarem linhas de passe  em zonas mais adiantados do terreno de jogo, de modo a depois poderem fazer combinações com os extremos (que exploram as zonas interiores do terreno) e os laterais (que ficam encarregues de todo o seu corredor, dando profundidade à equipa). É assim que um 4-3-3 funciona no futebol moderno.

Na defesa também ainda residem alguns problemas, nomeadamente na linha média da equipa que fica sempre desajustada com a linha defensiva, muito graças à pouca disponibilidade defensiva de jogadores como Pizzi e Gedson. Uma linha média desajustada e afastada da linha defensiva é meio caminho andado para os avançados adversários criarem linhas de passe nas suas costas e ao receberem a bola, terem apenas a defesa para enfrentar. Essa situação está melhor explicada aqui:

https://www.lateralesquerdo.com/2018/08/01/no-mar-a-deriva/

https://www.lateralesquerdo.com/2018/08/02/linha-media-do-benfica-a-nao-defender/


Resumindo, estes problemas fazem de Rui Vitória um treinador curto e limitado para o Benfica. Atenção! Eu não estou a dizer que não possamos ser campeões nem chegar à Fase de Grupos da Champions. Já conquistámos 6 títulos a jogar desta forma, e nada garante que não ganhemos mais. No entanto, estes problemas deixam uma coisa bem clara: ganhe os títulos que ganhar, Rui Vitória irá sempre deixar a impressão de que a equipa poderia jogar muito melhor.

Venham de lá os jogos oficiais!


segunda-feira, 2 de julho de 2018

Esboço do Benfica 18/19 - Defesas-centrais



Neste momento, a posição de defesa-central é uma daquelas onde há mais incertezas.

Depois de na época passada, a posição ter sido marcada por alguns problemas físicos e pela ascenção meteórica de Rúben Dias, restam ainda algumas dúvidas de quem serão os defesas-centrais que irão integrar o plantel principal.

Ora vejamos, neste momento, existem seis defesas-centrais na equipa principal. Rúben Dias tem ganho pretendentes na Europa, mas a meu ver, acho que vai permanecer no clube por mais um ano, até porque não tem jogado no mundial. Luisão, ao que tudo indica, irá renovar por mais uma temporada. A meu ver, esta renovação não faz muito sentido, mas falarei disso quando a renovação se confirmar.

Entretanto, o Benfica contratou os dois defesas-centrais que integraram o melhor onze do campeonato argentino na última temporada: Gernán Conti, capitão do Colón e Cristian Lema oriundo do Belgrano. São dois defesas-centrais de características diferentes. Conti é um daqueles defesas-centrais modernos com qualidade técnica e que gosta de sair a jogar. Lema é um central mais possante e agressivo. Ambos também são jogadores com uma grande apetência nos lances de bola parada.

As minhas previsões são que Luisão irá renovar contrato, mas ficará como um jogador de balneário. Rúben Dias irá permanecer no Benfica pelo menos mais uma época e irá reeditar a dupla titular com Jardel, sendo que Lema é o que tem mais possibilidades de se intrometer nesta luta, até porque Rúben Dias poderá regressar apenas pouco antes da 3ª pré-eliminatória da Champions.

Quanto a Germán Conti, acho que deve neste primeiro ano ser submetido a um trabalho físico intenso, de modo a juntar alguma massa muscular a toda a altura que tem (1,93m e 70Kg). Resta ainda Francisco Ferreira, que é o sexto defesa-central do plantel principal. O central formado no Benfica só deverá ficar na equipa principal caso Rúben Dias seja vendido. Caso este permaneça no plantel, Francisco Ferreira fará a pré-temporada pela equipa principal e será emprestado já em Agosto, depois de Rúben Dias regressar e reintegrar o plantel.

Restam ainda os casos de Lisandro López, Kalaica e Lystcov.
Lisandro López veio de um empréstimo ao Inter de Milão e ao que tudo indica, não entra nos planos de Rui Vitória para a nova época, tendo mercado em Espanha e Itália. Quanto a Kalaica, que foi superado na hierarquia por Rúben Dias e Ferro, fala-se que poderá ser emprestado ao GD Chaves. Já Lystcov, é um defesa-central com potencial, mas será praticamente impossível chegar à equipa principal devido à forte concorrência. Como tal, o seu futuro passará pela venda ou por um empréstimo para valorizar.




quinta-feira, 28 de junho de 2018

Esboço do Benfica 2018/2019 - Defesas-laterais


Com o regresso da equipa aos trabalhos, irei agora fazer o exercício de quais serão os laterais-direitos para a nova época.

Na época passada, o dossier dos laterais-direitos ficou marcado por mais uma peripécia daquela estrutura que supostamente, está 10 anos à frente da concorrência. Com a venda de Nelson Semedo ao Barcelona, o clube pretendia apostar no regressado Pedro Pereira para o substituir. Se no papel a aposta prometia ser correcta, a verdade é que o lateral resgatado à Sampdoria esteve seis meses sem jogar e apresentou-se na pré-temporada completamente fora de forma.

Como se não bastasse, o lateral alentejano ainda ficou mais uns meses a ser queimado até ser emprestado ao Génova. Entretanto ainda no Verão, o Benfica iria ao mercado à procura de um lateral-direito. Prestes a fechar o mercado, acabaria por se confirmar a chegada do brasileiro Douglas. A altura tardia em que ele chegou mostra que o jogador emprestado pelo Barcelona não era a primeira opção do clube, mas sim aquela que estava mais à mão.

As prestações do brasileiro foram o descalabro. Em contra-partida, André Almeida assuiu a titularidade e fez a sua melhor época de águia ao peito, marcando dois golos e fazendo nove assistências. Mas só André Almeida era curto par todas as exigências de uma época longa que vai ter sete jogos já em Agosto.

Como tal, em Janeiro foi garantida a contratação do nigeriano Tyronne Ebuehi, oriundo a custo zero dos holandeses do Ado Den Haag. Apesar do seu percurso ser pouco apelativo visto que vem de um clube do meio da tabela da liga holandesa, mas eu acredito muito no potencial a médio prazo deste jogador.

A meu ver, Ebuehi é um lateral com um perfil semelhante ao de Nelson Semedo. Um lateral com potencial físico e com uma grande apetência ofensiva, mas que ainda tem muito a melhorar no aspecto defensivo, o que é normal tendo em conta o campeonato de onde vem. Só jogando num patamar competitivo mais elevado é que ele poderá aprimorar as suas valências defensivas.

A meu ver, haverá uma disputa bastante acesa pela titularidade na lateral-direita, mas de momento, creio que André Almeida tem uma ligeira vantagem.


Na lateral-esquerda, Grimaldo voltou a ser assolado por problemas físicos no início da época, mas em 2018, fez todos os jogos e recuperou a consistência exibicional. A partir de uma certa altura, a sua venda neste Verão foi dada como certa pela imprensa.

Eliseu cedo deixou de fazer parte dos planos de Rui Vitória e a sua saída neste Verão era mais que previsível. Espero que o clube se lembre de lhe dar uma despedida digna. Para o seu lugar, o clube anunciou o regresso de Yuri Ribeiro após uma época emprestado ao Rio Ave FC, onde se exibiu a muito bom nível.

Pelo menos nesta temporada, o lateral formado no Seixal ficará na sombra. Resta saber quem será o titular. A venda de Grimaldo continua a ser uma forte possibilidade, mas enquanto cá estiver será titular indiscutível, apesar do clube já ter alguns nomes em mira para a sucessão. De qualquer maneira, a sua presença é uma mais-valia, veremos o que vai acontecer...

terça-feira, 26 de junho de 2018

Esboço do Benfica 18/19 - Guarda-redes


O regresso aos trabalhos da equipa de futebol do Benfica está quase a chegar e já se começa a tirar as primeiras impressões quando ao plantel que o Sport Lisboa e Benfica irá ter na nova época. Nos próximos dias irei fazer um exercício de qual será o plantel do Benfica na temporada 2018/2019, posição a posição. Irei começar com a posição de guarda-redes, que é aquela que provavelmente, levanta mais incertezas.

Na temporada passada, o dossier dos guarda-redes foi gerido com um amadorismo gritante.
Poucos das após a conquista da Taça se Portugal, seria anunciada a venda de Ederson Morais ao Manchester City, o que obrigaria o clube a ir ao mercado à procura de um guarda-redes.

Rapidamente se percebeu que para a sucessão, a estrutura do Benfica pretendia um guarda-redes jovem para potenciar e valorizar, com o intuito de render mais um bom encaixe financeiro dentro de alguns anos. Ao fim de uns tempos, tornou-se público qual o nome que o Benfica pretendia: André Moreira.

A escolha do Benfica deixou muitos adeptos desconfiados. André Moreira correspondia ao perfil de jovem promissor, mas vinha de um ano e meio sem jogar de forma competitiva após uma lesão grave contraída quando jogava na União da Madeira. Para além do mais, o jovem guardião pertencia aos quadros do Atlético de Madrid, clube com o qual o Benfica já tem um longo historial de negociatas.

O que estava avançado pela imprensa era que André Moreira seria contratado a título definitivo a troco de 10 milhões de euros (valores completamente absurdos) e quando o acordo ficou fechado, André Moreira começou a treinar no Seixal. Porém, por motivos alheios aos adeptos, o acordo expirou e André Moreira acabaria por ser emprestado ao Sporting de Braga.

Luís Filipe Vieira esclareceria depois na Assembleia Geral realizada no dia 29 de Setembro, que o que estava inicialmente acordado com o Atlético de Madrid era a compra de 50% do passe de André Moreira por valores que não foram revelados, só que no dia em que ele ia assinar contrato e tornar-se oficialmente jogador do Sport Lisboa e Benfica, o clube colchonero voltou atrás no acordo, dizendo que queria vender apenas 30 ou 40% do seu passe. LFV não terá gostado da desfeita do Atlético de Madrid e abortou a transferência. Não sabemos se isto que o presidente é contou é verdade. Mas independentemente de o ser ou não, a verdade é que este caso espelhou o quão amadora foi a gestão do guarda-redes.



O plano que o Benfica tinha era apostar no André Moreira como guarda-redes titular. Júlio César seria uma alternativa que dava experiência e estabilidade. Enquanto isso, Paulo Lopes iria pendurar as luvas e o terceiro guarda-redes seria Bruno Varela, que no meio desta novela, seria resgatado ao Vitória de Setúbal.

No final, André Moreira rumou a Braga e Paulo Lopes ficou mais um ano e o Benfica tinha de ir ao mercado procurar outro guarda-redes. Foram muitos os nomes falados pela imprensa, mas a opção recaiu sobre mais um jovem promissor: o belga Mile Svilar, um guarda-redes bastante promissor, mas que nunca ainda se tinha estreado como profissional.

Como se não bastasse, os problemas físicos de Júlio César voltaram a aparecer e o lendário guardião brasileiro acabaria por rescindir contrato em Novembro, alegando que já não se sentia em condições físicas e anímicas para dar o seu melhor contributo à equipa. No final, aquele que era suposto ser o terceiro guarda-redes da equipa, acabou por ser o titular. O resto, já vocês sabem...

Como tal, esta posição precisa de uma pequena revolução na nova época. Ainda na primeira metade da época 17/18, o clube anunciou a contratação do guarda-redes alemão Odysseas Vlachodimos, oriundo do Panathinaikos e campeão europeu de sub-21 no ano passado. Ao que me parece, é um guarda-redes cujas opiniões têm sido bastante divididas.

Pessoalmente, eu gosto bastante da escola alemã. Por norma, os guarda-redes alemãs são bastante frios e concentrados e apresentam uma boa postura entre os postes. Um aspecto em que ele tem clara vantagem em relação a Varela e Svilar, É que tendo em conta o clube e o campeonato de onde vem, trata-se de um guarda-redes que está habituado a jogar em ambientes de grande hostilidade.

https://www.youtube.com/watch?v=77GQGJJIWhs

Quanto aos que temos por cá, Paulo Lopes irá mesmo pendurar as luvas desta vez, tornando-se no treinador de guarda-redes da equipa de sub-23. Para o seu lugar, pretende-se que o 3º guarda-redes seja alguém formado no clube, devido ao contributo que pode dar nas inscrições para as competições europeias. Apesar de há algum tempo se ter falado no regresso de Moreira, tudo indica que a aposta irá recair no jovem André Ferreira, que vem de uma boa época no Leixões SC.

Quanto aos que nós temos, Bruno Varela mostrou ser um guarda-redes muito curtinho para o Benfica e a sua permanência no plantel não é certa. Quanto a Mile Svilar, por aquilo que ele trabalha e pela sua mentalidade, não tenho dúvidas que se vai tornar num grande guarda-redes, mas ainda está muito verde para o Benfica. Precisa de rodar em clubes de menor dimensão onde possa jogar com regularidade, amadurecer enquanto atleta e aprimorar o seu jogo fora dos postes. Eu diria que ainda vai levar pelo menos uns dois anos a ter condições para ser titular do Benfica.

Entre Varela e Svilar, um deles há-de sair. Estando o brasileiro Renan Ribeiro na calha, creio que ainda não é uma possibilidade descartada contratar outro guarda-redes. Tudo dependerá do que Vlachodimos irá mostrar na pré-temporada. Mas pelo pouco que vi dele até agora, acho que tem condições para assumir a titularidade.





segunda-feira, 4 de junho de 2018

Mais dois para o pacote, ou para chegar à equipa principal?


Nos últimos dias, o Sport Lisboa e Benfica anunciou as contratações de Chiquinho e João Amaral. O médio ofensivo oriundo da Académica e o extremo oriundo do Vitória de Setúbal assinaram contrato com o nosso clube, mas a verdade é que dificilmente, irão chegar à nossa equipa principal.

Uma prática comum do nosso clube nos últimos anos, tem sido a contratação de vários jogadores com o intuito destes rodarem noutros clubes (em Portugal ou no estrangeiro) para estes jogarem com regularidade, valorizaram e assim, poderem dar lucro ao clube sem nunca jogarem pela equipa principal.

Esta tem sido uma forma prática para alguns clubes fazerem dinheiro e também é aplicada por alguns outros clubes na Europa (como o Chelsea, por exemplo). No entanto, é uma política bastante contestada pelos adeptos encarnados.

Existem casos de jogadores que derem lucro ao clube sem terem jogado pela equipa principal, como foi o caso de Daniel Candeias. Existem também casos de jogadores que começaram por ser emprestados e acabaram por jogar na nossa equipa principal como os casos de Jan Oblak e Pizzi. Porém, o dinheiro que gastam todos os anos nestes jogadores poderia ser utilizado para contratar um jogador de qualidade indiscutível para entrar de imediato no onze titular, ou para aumentar o salário a algum jogador influente que esteja a ser bastante cobiçado no estrangeiro.

Aquando do anúncio das contratações de Chiquinho e João Amaral, foi esta política de contratações que veio logo à cabeça de muitos adeptos, e com razão. Mas será assim nestes casos?

Na época passada, foram vários os jogadores que assinaram contrato com o Benfica mas que nem sequer foram apresentados oficialmente. Quando esta situação acontecia, sabíamos logo de antemão que o jogador em questão iria ser emprestado e não iria para a equipa principal. Nesta temporada, já se verificaram progressos nesse aspecto, mas mesmo assim, com algumas diferenças.

Vlachodimos, Ebuehi, Conti e até mesmo o regressado Yuri Ribeiro tiveram direito a uma apresentação com toda a pompa e circunstância: fotografias com o presidente, fotografias no estádio, fotografias nas bancadas, etc. Chiquinho e João Amaral tiveram apenas direito a uma fotografia durante a assinatura do contrato. Mas afinal, quais serão as hipóteses de ambos.


Chiquinho foi nesta temporada um dos melhores jogadores da Liga Ledman Pro. O médio ofensivo de 22 anos foi o joker da Briosa, tendo sido alvo de comparações a Deco, pela sua qualidade técnica, habilidade na condução de bola e capacidade de leitura de jogo. Na minha opinião, Chiquinho tem qualidade para jogar na equipa principal, mas não para já. Na minha opinião, Chiquinho deverá rodar durante uma ou duas temporadas, para aprimorar os seus atributos técnicos e físicos perante adversários de maior tarimba. Se os empréstimos correrem bem, ele terá tudo para agarrar um lugar na equipa principal.

Quanto a João Amaral, a situação já me parece ser mais complicada. O extremo que há dois anos foi recrutado ao Campeonato Nacional Prio foi o jogador que mais se evidenciou num clube que teve uma época tormentosa. João Amaral destaca-se por ser um jogador bastante rápido e desequilibrador, sabendo explorar o espaço nas costas da defesa. É também um jogador inteligente sem bola, sabendo movimentar-se no terreno de jogo de modo a abrir espaços na defesa adversária para os seus colegas aproveitarem.

No entanto, para que este tenha capacidade para jogar na equipa principal do Benfica, João Amaral tem de aprender a jogar numa equipa que pratique um futebol mais apoiado e com um maior controlo da posse de bola. Numa equipa que queira assumiu o domínio de jogo, não basta ter capacidade para criar desequilíbrios. Também é necessário ter capacidade para tomar a decisão certa na hora exacta. E é esse atributo que ele precisa de desenvolver antes de chegar à equipa principal do Benfica, e só o conseguirá jogando numa equipa como o Rio Ave, por exemplo.

Por último, deixo aqui uns links sobre ambos os jogadores:

https://www.lateralesquerdo.com/2018/04/20/tratar-bem-a-menina-e-uma-obrigacao-chiquinho/

https://www.lateralesquerdo.com/2018/05/25/joao-amaral/

Saudações Benfiquistas!

segunda-feira, 28 de maio de 2018

O futuro está assegurado!


No último dia 19 de Maio, a nossa equipa de júniores conquistou o seu 24º título de campeão nacional no escalão, título esse que foi consumado com uma vitória sobre o Leixões SC por 3-1, na antepenúltima jornada da Fase de Apuramento do Campeão nacional.

Este título foi conseguido cinco anos após o último campeonato ganho no escalão, em 2012/2013, com aquela que ainda hoje é uma das melhores gerações de sempre do Caixa de Futebol Campus, que contava com Bruno Varela, João Cancelo, Fábio Cardoso, João Teixeira, Bernardo Silva, Hélder Costa e Sancidino Silva.

Daí para a frente, a política dos escalões jovens mudou, principalmente da equipa de júniores. Daí para a frente, a conquista do título de sub-19 deixou de ser uma prioridade. A partir dessa altura, o clube começou a dar uma maior importância à evolução individual de cada jogador, promovendo-lhes a competição necessária para que pudessem continuar a evoluir. Com isso, os jogadores de uma certa geração com maior potencial "queimavam etapas" e eram promovidos aos escalão seguinte.

Com esta nova política, a equipa de júniores foi a que mais ficou prejudicada, porque tendo em conta que a equipa B era a etapa de formação em que os nossos jovens jogadores estabeleciam o primeiro contacto com a realidade do futebol sénior profissional, os juniores de maior potencial eram promovidos para a equipa B e jogavam apenas pelo seu escalão nos jogos da Youth League e num ou noutro jogo do campeonato.

Nesta temporada, que ficou marcada por mudanças na direcção do CFC, com Nuno Gomes a ser substituído por Pedro Mil-Homens, a política mudou. Na Fase de Apuramento do Campeão, João Tralhão fez regressar João Félix, João Filipe e Nuno Santos da equipa B e mais tarde, Florentino Luís e Gedson Fernandes seguiram o mesmo caminho. Isto, numa temporada em que os adversários directos começaram a adoptar a mesma política: o FC Porto promoveu Diogo Costa, Diogo Dalot, Diogo Leite e Diogo Queirós; o Sporting CP promoveu Tiago Djaló, Miguel Luís e Rafael Leão; o Sporting de Braga promoveu Francisco Trincão.

Na 1ª fase da Zona Sul, a política manteve-se. João Tralhão acolheu a talentosa geração de 2000, que contava com jogadores como Pedro Álvaro, Gonçalo Loureiro, Diogo Capitão, Tiago Dantas, Rodrigo Conceição, Kevin Csobooth, Luís Lopes e o ainda juvenil Úmaro Embaló, bem como o montenegrino Vukotic, recrutado ao Vitória de Setúbal.

Sem João Félix e companhia, a espinha dorsal da equipa de júniores na Zona Sul era maioritariamente constituída por júniores de primeiro ano. E apesar de termos perdido os dois jogos contra o Sporting (0-2 no Seixal e 2-1 em Alcochete), terminámos a Zona Sul como líderes isolados (algo que não tinha acontecido nas últimas duas temporadas), muito graças aos 16 golos marcados por Luís Lopes.

Já na Fase de Apuramento de Campeão tivemos um percurso praticamente irrepreensível, que nos valeu o título nacional a duas jornadas do fim. Farei agora aqui uma análise a alguns dos jogadores e posições desta equipa:

Diogo Garrido e Celton Biai - Diogo Garrido foi um dos poucos júniores de 2º ano titulares na Zona Sul. No entanto, problemas com lesões acabariam por entregar as nossas redes a Celton Biai, ainda júnior de 1º ano. Mas a verdade é que a meu ver, nem um num o outro mostram o potencial necessário para aspirarem por um lugar na equipa principal no futuro. Foram o elo mais fraco da equipa;

Luís Pinheiro e Nuno Tavares - ambos júniores de primeiro ano, foram os donos das laterais direita e esquerda, respectivamente. Ambos mostraram ser jogadores bastante competentes ao longo da época, sólidos a defender e eficientes a atacar. São dois jogadores a observar num futuro próximo;

Pedro Álvaro, Gonçalo Loureiro e Miguel Nóbrega - os três ainda são júniores de primeiro ano. O primeiro já foi habitual titular nos júniores na época passada e já se estreou na equipa B. Os três alternaram entre si as duas vagas no centro da defesa. Ambos mostram boas qualidades a nível físico e técnico. Porém, na posição em que jogam precisam de ser mais agressivos. Essa lacuna foi particularmente visível nos jogos da Youth League, mas o talento e o potencial estão lá;

Diogo Capitão - foi o pronto-socorro da equipa. é médio-defensivo de origem, mas também tem sido aposta a defesa-central e lateral-direito, mostrando ser um jogador bastante seguro em ambas as posições. Outro jogador a observar;

Ilija Vukotic - um achado. Não tem muita qualidade técnica, mas é inteligente a ler o jogo, sabendo colocar-se no sítio certo para recuperar a bola. Também foi um grande auxilio à defesa, devido à sua grande estampa física e agressividade. Poderá estar aqui o derradeiro sucessor de Ljubomir Fejsa;

Tiago Dantas - teve o infortúnio de se lesionar com gravidade já na fase de apuramento do campeão. Comecei a observá-lo na época passada quando ainda era juvenil e vi que está ali um nº 10 puro. Tem aquele toque de bola que só pertence aos craques e é capaz de resolver um jogo com um simples gesto técnico. Se evoluir fisicamente como Bernardo Silva evoluiu, tem tudo para se tornar num caso muito sério no futebol português;

David Tavares - foi resgatado ao Sporting e na época passada, foi um dos poucos jogadores que sobressaiu no campeonato, destacando-se como um extremo tecnicista e desequilibrador. Nesta temporada, parecia estar a perder-se ao ter sido apenas duas vezes titular até Janeiro, sendo que numa dessas vezes foi expulso aos 15 minutos de jogo. No entanto, já nesta segunda fase ele apareceu no onze titular no meio-campo. Dono de uma capacidade física acima da média para a sua idade, David Tavares alia a qualidade técnica e uma grande entrega ao jogo, tornando-se num dos jogadores mais importantes na conquista do título. Excelente trabalho de João Tralhão ao transformar este extremo num box-to-box;

Luís Lopes - chegou ao Benfica a meio da época passada e rapidamente mostrou os seus dotes de goleador. Foi o artilheiro da Zona Sul, mostrando-se como um avançado bastante completo. Um avançado bastante móvel, tecnicista, bom no jogo aéreo e também um bom executante de livres directos;

João Felix - dos jogadores que vieram da equipa B, é o único de que irei falar. Isto porque antes, ele tinha jogado preferencialmente a médio ofensivo ou a extremo, onde já mostrava um grande potencial. Mas ao regressar aos juniores assumiu-se como a principal referência ofensiva da equipa, e de que maneira! O menino de 18 anos é um autêntico quebra-cabeças para as defesas adversárias com a sua técnica inteligência de jogo acima da média e a sua capacidade de progredir no terreno de jogo com a bola coladinha ao pé não deixa ninguém indiferente. Na próxima época, no mínimo fará a pré-temporada na equipa principal.


Agora, há aqui outra coisa que quero falar. Como referi acima, nesta temporada, os juniores que jogavam na equipa B foram despromovidos para disputar a Fase do Apuramento de Campeão. Mas afinal, o que é que levou o clube a reverter essa política?

A resposta é simples: Youth League. Ao contrário do campeonato, a Youth League tem sido uma competição onde a nossa equipa de júniores tem apostado forte. Em cinco edições disputadas, a nossa equipa foi finalista vencida em duas e chegou aos quartos-de-final noutras duas. Só nesta temporada a equipa não conseguiu passar a Fase de Grupos devido a um golo mal anulado no jogo da última jornada.

Como todos devem saber, cada clube cuja equipa senior consegue apurar-se para a Fase de Grupos da Champions, a sua equipa de júniores entra automaticamente na Youth League, jogando contra os mesmos adversários da equipa sénior. O que muitos ainda não sabem, é que existe uma ronda
"alternativa" da Youth League, onde se disputam os campeões de juniores dos respectivos países.


Esta ronda foi criada a partir da temporada 2015/2016, sendo apelidada de Caminho dos campeões nacionais. A ronda funciona da seguinte forma:

Este caminho dos campeões nacionais é composto pelos clubes campeões nacionais de júniores dos 32 países melhor classificados no ranking da UEFA. Caso uma desses clubes já tenha conseguido o apuramento para a competição através da sua equipa sénior, esses clubes irão disputar o caminho da UEFA Champions League, ou seja, irá disputar a Fase de Grupos; sendo que a sua vaga será ocupada pelo campeão nacional júnior do país seguinte mais bem classificado (se houver uma equipa campeã na Fase de Grupos, irá o campeão do júnior do 33º classificado do ranking e assim sucessivamente).

Estas 32 equipas que entram no Caminho dos Campeões disputam-se em eliminatórias a duas mãos. Sendo o Caminho dos Campeões composto por duas eliminatórias, no final das mesmas irão sobrar oito equipas.

Posteriormente, as oito equipas que sobreviveram ao Caminho dos Campeões irão disputar um play-off contra os segundos classificados da Fase de Grupos. Esse play-off é decidido em apenas uma mão e é sempre disputados em casa das equipas que passaram pelo Caminho dos Campeões.

No final, as equipas que saírem vencedoras desse play-off irão disputar os oitavos-de-final com um dos primeiros classificados da Fase de Grupos.


Ora, como todos também devemos saber, Portugal teve recentemente uma queda no ranking da UEFA que fez com que nesta temporada, apenas o campeão nacional tenha acesso directo à Fase de Grupos. Ora, tendo em conta queda no ranking e também a época menos conseguida que a nossa equipa principal vinha a fazer, o clube decidiu precaver-se desta forma de modo a conseguir apurar-se para a Youth League.

Como tal, a nossa equipa de júniores já tem a vaga garantida através do Caminho dos Campeões, mas caso a nossa equipa sénior consiga carimbar o apuramento para a Fase de Grupos da Champions no início da próxima época, a nossa equipa de juniores disputará a Fase de Grupos e a sua vaga será atribuída a um campeão nacional júnior de outro país.

E se as coisas correrem bem, muitos destes campeões nacionais de juniores irão disputar a UEFA Champions League daqui a uns aninhos...


quarta-feira, 23 de maio de 2018

A essência das equipas B



A Segunda Liga acabou e a nossa equipa B terminou o campeonato no 12º lugar. Apesar da manutenção só ter sido assegurada nesta última jornada, a equipa nunca esteve numa situação realmente alarmante que tornasse a despromoção num cenário muito provável.

Há umas semanas atrás, a imprensa noticiou que Hélder Cristóvão estaria de saída do Benfica no final da temporada. Pouco depois, o próprio confirmou a sua saída numa entrevista ao jornal "A BOLA", considerando que está na hora de fechar este ciclo e de dar o passo seguinte na sua carreira.
Como tal, sintome na necessidade de falar aqui da política das equipas B, visto que este é um assunto que está longe de gerar consensualidade, e também porque Hélder Cristóvão era provavelmente, o treinador do Benfica que mais adeptos queriam que fosse escorraçado do clube.

Quem me conhece, sabe que não sou um fã incondicional dele no aspecto técnico-táctico e que já defendi a sua saída. Porém, após a época vergonhosa em que a nossa equipa B quase desceu de divisão, aprendi também a perceber a essência das equipas B e que acima de tudo, na formação, os resultados colectivos são importantes, mas não são imprescindíveis. E como tal, quero esclarecer aqui uns pontos quanto à equipa B e ao Hélder.

1) Política
Uma coisa que muitos adeptos teimam em entender, apesar desta já estar inserida no escalão sénior, a equipa B é uma etapa de formação. É uma etapa que permite aos nossos jovens jogadores terem um primeiro contacto com o futebol profissional, que lhes permita continuarem o seu crescimento, e também servir de rampa de lançamento para patamares competitivos mais elevados.
Ora, quem acompanha a nossa equipa B desde o seu início na temporada de 2012/2013, deve ter percebido logo que o principal objectivo desta equipa era o desenvolvimento e potencialização dos nossos jogadores, como se verificou pelo facto de jogadores como João Concelo e Fábio Cardoso na altura ambos com idade de júnior) fizeram mais de 20 jogos pela equipa B nessa época.
Isto mostra que a política de formação do nosso clube passa por promover aos nossos jovens patamares competitivos que lhes permitam crescer e evoluir, daí promoverem os jogadores de maior potencial de cada escalão para o escalão seguinte. Outra coisa a verificar é que época após época, a média de idades da nossa equipa B tem vindo a ser cada vez mais baixa;

2) Saída de Hélder
Se Hélder Cristóvão saísse do Benfica pelos reulstados, era sinal que o nosso presidente estaria a ser extremamente incoerente. Se houvesse uma altura certa para ele sair por esse motivo, seria há duas épocas atrás quando a equipa B quase desceu de divisão.
Hélder revelou na entrevista que recebeu uma convite de fora para abraçar um novo desafio e este convite é um sinal de reconhecimento do seu trabalho, pelo desenvolvimento e potencialização dos jovens que estão agora a dar cartas na equipa principal e até no estrangeiro e que renderam milhões aos cofres do clube;

3) Critérios de avaliação
Outra coisa que muitos benfiquistas teimam em entender, é que os critérios de avaliação de um treinador de um escalão de formação são diferentes dos critérios de avaliação de um treinador de uma equipa sénior.
Um treinador de uma equipa principal é avaliado pelo desempenho desportivo da sua equipa, tal como se sucede com Rui Vitória, José Ricardo, Pedro Nunes, Joel Rocha, José Jardim, Carlos Resende, Paulo Almeida, Bruno Fernandes...
Já um treinador de formação é avaliado pela evolução dos atletas que recebe e que treina na sua equipa. Assim também se verifica com João Tralhão, Renato Paiva, Luís Nascimento, etc. E é nesse critério que Hélder Cristóvão tem nota máxima;

4) Trabalho de uma equipa B
Hélder Cristóvão é provavelmente, o treinador de futebol do Benfica com o trabalho mais dificultado. O próprio Hélder Cristóvão referiu na entrevista que um quem treina uma equipa B tem de lidar com constantes entradas e saídas de jogadores. Hélder sempre lidou com isso, e nesta temporada, esse cenário acentuou-se nesta segunda metade da temporada. Com o regresso de João Félix, João Filipe, Nuno Santos e Gedson Fernandes aos júniores, as constantes chamadas de Keaton Parks e Willock ao plantel principal, chamadas de jogadores para treinarem com a equipa principal e também algumas lesões, fizeram com que Hélder Cristóvão tivesse trabalhado ultimamente com um grupo de jogadores mais restrito. E em parte, a quebra de rendimento da equipa nesta segunda volta também se deve a isso;

5) "Ah e tal se eles já eram bons nas camadas jovens é normal que também sejam nos séniores."
Quem acompanha futebol sabe perfeitamente que infelizmente, as coisas não são assim tão lineares. Se assim fosse, não haveriam as chamadas promessas adiadas no futebol mundial. Refiro aqui dois exemplos no Benfica:
Diego Lopes foi uma das primeiras pérolas do Caixa de Futebol Campus. Foi craque em todos os escalões onde passou, até que no seu segundo ano de júnior, foi emprestado ao Rio Ave e nem chegou a passar pela equipa B. Actualmente, regressou ao Rio Ave em Janeiro após passagens pela Grécia e pela Turquia. Em contra-partida, Bernardo Silva só começou a dar nas vistas no seu último ano de júnior e após um ano na equipa B, convenceu um clube francês a pagar 15 milhões de euros por ele;

6) "Qualquer treinador da Primeira Liga consegue fazer o que o Hélder está a fazer."
Outro mito que não passa de um autêntico disparate. O futebol que melhor explora as potencialidades dos jovens jogadores e faz com que estes evoluam é aquele futebol de posse e apoiado, que permite aos jogadores que consigam recriar-se com a bola nos pés.
Existem treinadores na Primeira Liga que implementam essa ideia de jogo, como o Luís Castro e o Miguel Cardoso. No entanto, também existem os apologistas do autocarro e do anti-jogo. E quem acha que os jovens jogadores conseguem crescer e evoluir com uma táctica de autocarro percebe tanto de futebol como eu de física quântica.

7) A importância dos resultados
a) FC Porto B 2015/2016
Como muitos se devem lembrar, a equipa B do FC Porto treinada por Luís Castro venceu a Segunda Liga em 2015/2016. Analisemos a época de 17/18 de alguns jogadores dessa equipa:

- Raúl Gudiño => 7 jogos no APOEL Nicosia (2 no campeonato)*
- Víctor García => 21 jogos no Vitória de Guimarães (13 no campeonato)
- Maurício => depois de 48 jogos e três golos no Marítimo, joga agora nos japoneses do Urawa Reds (30 jogos e 4 golos)*
- Rafa Soares => 3 jogos no Fullham mais 11 jogos no Portimonense*
- Chidozie => 23 jogos e um golo no Nantes (22 no campeonato)
- Diogo Verdasca => 29 jogos no Saragoça (27 no campeonato)
- Pité => 7 jogos no Tondela (6 no campeonato)
- Francisco Ramos => 23 jogos no Vitória de Guimarães (14 no campeonato)
- João Graça => 12 jogos no Feirense (9 no campeonato)
- Tomás Podstawski => 32 jogos e um golo no Vitória de Setúbal (25 no campeonato)
- Omar Govea => 36 jogos e 4 golos no Mouscron
- André Silva => 39 jogos e 10 golos no AC Milan (23 jogos e 2 golos no campeonato)
- Ismael Díaz => 12 jogos e 6 golos no Deportivo B
- Leonardo Ruiz => 21 jogos e um golo no Boavista (19 no campeonato)
*saiu a equipa B do FC Porto a meio da época

Estes eram os jogadores mais influentes da equipa B que conquistou a Segunda Liga há duas épocas atrás. E como se pode ver, nem todos jogam futebol ao mais alto nível nem jogam com regularidade nos respectivos clubes.

b) Real Madrid Castilla 2006/2007




A equipa B do Real Madrid desceu da segunda para a terceira divisão espanhola na temporada 2006/2007. Aqui deixo alguns jogadores que pertenciam a essa equipa e onde se encontram actualmente:

- Juan Manuel Mata => actualmente no Manchester United. 41 internacionalizações e 10 golos pela selecção espanhola. Conquistou o Mundial em 2010, A Champions League e o Campeonato da Europa em 2012, e a Liga Europa em 2013;
- Álvaro Negredo => actualmente no Besiktas. 31 internacionalizações e 10 golos pela selecção espanhola. Conquistou o Campeonato da Europa em 2012 e a Premier League em 2014;
- Javi Garcia => actualmente no Real Betis. Duas internacionalizações pela selecção espanhola. Foi campeão português em 2010, campeão inglês em 2014 e campeão russo em 2015;
- Esteban Granero => actualmente no Espanyol. Campeão espanhol em 2012;
- Borja Valero => actualmente no Inter de Milão. Uma internacionalização pela selecção espanhola;
- Daniel Parejo => capitão do Valência. Uma internacionalização pela selecção espanhola;
- José Callejón => actualmente no Nápoles. Cinco internacionalizações pela selecção espanhola. Campeão espanhol em 2012;
- Kiko Casilla => actual suplente de Keylor Navas no Real Madrid após quatro épocas ao serviço do Espanyol. 1 internacionalização pela selecção espanhola.

Como podem verificar, nenhum deste jogadores conseguiu mais do que ser uma segunda linha na equipa principal merengue (casos de Casilla, Granero e Callejón). No entanto, esta descida de divisão que consumaram quando começaram as suas carreiras séniores, não os impediu de construírem carreiras sólidas no futebol espanhol e europeu, fazendo carreira em campeonatos de topo e sendo internacionais pela roja.


Moral da história: não existe nenhuma correlação directa entre a evolução de um jovem jogador e os resultados desportivos que a sua equipa obtém. Na formação, os resultados são importantes, mas não são imprescindíveis. E a prova viva disso é que o Cristiano Ronaldo nunca foi campeão nacional na sua formação e isso não o impediu de chegar onde chegou. E eu apoio a 100% a política de meter os nossos jovens de maior potencial a jogar num escalão superior para terem um estímulo competitivo que lhes permita crescer e evoluir.




segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Tempo de reflectir


Alguns meses depois, estou de volta ao blog. Acho justo voltar, tendo em conta as publicações que tenho em mente. E depois de um mês bastante inconsistente da nossa equipa de futebol após o nulo no clássico, está na hora de eu falar aqui de cada um dos jogos que o Benfica realizou após a prestação absolutamente vergonhosa na Liga dos Campeões.

SL Benfica 3-1 GD Estoril-Praia
Foi a partir deste jogo que deixei de fazer análises. E começou precisamente neste jogo porque sinceramente, foi um jogo no qual tive alguma dificuldade em perceber o que poderia retirar. Após alguns dias de reflexão e de ler alguns artigos sobre este jogo, a conclusão a que cheguei foi que este jogo mais pareceu um jogo do Brasileirão: um jogo tacticamenter anárquico, onde todos atacavam e ninguém defendia.
Á equipa da Amoreira jogava com uma atitude positiva, mas sem critério. A linha defensiva subida da equipa de Ivo Vieira não fazia pressão sob o portador da bola, o que sabia como mel para o trio ofensivo da nossa equipa. Já o nosso meio-campo era um óasis. Pizzi a defender foi uma nulidade, Krovinovic recua no terreno para buscar jogo e sai na pressão aos centrais, mas ainda falha no timing para recuperar defensivamente. Este buraco no meio campo permitiu a Lucas Evangelista fazer o que queria. Caso houvesse mais acerto na finalização por parte de ambas as equipas, poderíamos aqui assistir a um resultado inédito.

Rio Ave FC 3-2 SL Benfica - Taça de Portugal
Depois do que aconteceu no jogo contra o Estoril, estava bastante apreensivo em relação a este jogo, contra aquela que na minha opinião, é a equipa do campeonato que joga o futebol mais atractivo. Ao ter visto o jogo, posso dizer que, se houve algum jogo nesta época em que podemos dizer que não fomos felizes, foi este. A equipa jogou com atitude, com vontade de vencer e lutou até ao fim. Acabou o jogo em desvantagem numérica e a jogar com apesas 2 defesas de raíz.
Por outro lado, os golos da equipa da casa resultaram de erros clamorosos da nossa defesa. O segundo golo deixou-me particularmente irritado. Estavam quatro jogadores nossos em cima do Rúben Ribeiro, que é o joker da equipa e, sabendo da sua imprevisibilidade, nenhum deles teve tomates para meter o pé à bola. Enfim...

CD Tondela 1-5 SL Benfica
Um dos poucos jogos nesta época em que se viu uma exibição à Benfica. A equipa marcou o primeiro golo, a seguir marcou o segundo, e depois o terceiro... Vimos uma equipa com atitude, que andou continuamente à procura do golo e não adormeceu após ter marcado.
Sem Luisão, a nossa linha defensiva pode jogar mais subida no terreno, encurtanto assim o espaço entre linhas e aumentando as possibilidades de recuperar a bola no meio-campo adversário. Em contra-partida, mais um golo sofrido num erro infantil.

SL Benfica 2-2 Portimonense SC - Taça da Liga
Um jogo que foi um dejá vu daquilo que temos visto tantas e tantas vezes nesta época. Mas desta vez, com as agravantes de termos desperdiçado uma desvantagem de dois golos e de ser num jogo em que a vitória era urgente. Se por um lado, sem Luisão em campo, a equipa joga de forma mais asfixiante, com um menor espaço entre linhas; por outro lado, perdemos capacidade de liderança na defesa, como ficou mostrado pela descoordenação da nossa equipa nos lances de bola parada que resultaram nos dois golos da equipa alvarvia. Lisandro López não é nem nunca será um líder e Rúben Dias ainda é muito jovem para liderar a defesa sozinho.
E assim, mais uma competição foi com os cães, mas como diz o outro, a vida é mesmo assim...



Ora, o que podemos retirar destes úlltimos jogos? Antes demais, devo dizer que nem tudo é mau.

Primeiro que tudo, desde o jogo contra o Vitória FC Para a Taça de Portugal que a equipa tem melhorado o seu desempenho nos lances de bola parada, principalmente nos cantos, onde na era Rui Vitória a equipa sempre tinha sido fraca. Já não está tão previsível nem tão insistente em lançar a bola para o Luisão. Não sei se é coincidência ou não, mas ao menos é sinal que houve treino.

Depois, outras melhorias vieram com a alteração do sistema táctico. A mudança para o 4-3-3 promoveu a entrada tardia de Krovinovic no onze titular. Com isto, a equipa ganhou mais qualidade e critério na definição dos lances. Para além do mais, o médio croata não é um criativo que se limita a distribuir jogo (tipo Djuricic), também o sabe procurar, colocando-se no sítio certo para receber a bola, estabelecendo a ligação entre sectores. Embora, como referi acima, ainda tenha de melhorar no
posicionamento defensivo.

Depois, a principal questão que se colocava quanto à mudança do sistema táctico, seria quanto ao rendimento de Jonas, muitos questionavam se Jonas teria o mesmo rendimento jogando sozinho na frente. As suas exibições falam por si.
Antes de mais, num 4-3-3 dinâmico e bem trabalhado no plano ofensivo, o avançado não está sozinho na frente, a equipa ataca sempte em conjunto. Depois, a ausência de uma referência ofensiva fixa na área faz com que o espaço entre a linha media e a linha ofensiva seja menor. E um jogador como Jonas pode muito bem tirar partido da sua inteligência para fazer combinações com os extremos que desmontem a linha defensiva adversária.
Com isso, a produtividade ofensiva aumentou e jogadores como Salvio melhoraram o seu desempenho.

Já o negativo, para além de passar pelos contantes erros infantis que resultam em golos adversários e pelas deficiências defensivas do nosso miolo, o principal problema resume-se ao gritante défice de atitude que a equipa tem tido na maioria dos jogos desta época, com a equipa adormecer após marcar um golo.
Esta situação é particularmente preocupante. Nesta temporada, o Benfica já deixou escapar vantagens no marcador por seis vezes, três das quais em jogos em casa. E apenas por uma vez conseguimos dar a volta a uma desvantagem no marcador (contra o Portimonense para o campeonato). Esta situação leva-me a acrditar cada vez mais que a equipa não está com o treinador, mas deixarei esse assunto para um post em que falarei exclusivamente de Rui Vitória.

Agora, é rezar para que as férias tenham feito bem à nossa equipa.
Saudações Benfiquistas!

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