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sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Não há pior inimigo do Benfica do que o seu próprio adepto!


Hoje venho aqui escrever uma cartilha especialmente dedicada aos especialistas da bola que já andam a rotular o Ferreyra de flop.

Facundo Ferreyra chegou ao Benfica após se ter tornado o melhor marcador do campeonato ucraniano na época passada, com 21 golos marcados, registos que deixam os benfiquistas com expectativas elevadas.

A verdade é que após uma pré-temporada em que o argentino teve alguns problemas físicos e após três jogos oficiais em branco, os entendidos na matérias já andam pelas redes sociais a dizer que ele é um cepo que se irá tornar num barrete. Há também quem diga que ele não rende num sistema táctico de 4-3-3. Nada mais falso!. No Shakhtar Donetsk ele também era a única referência ofensiva da equipa.

Quem percebe de futebol, consegue ver que o problema não está no sistema táctico, mas sim no facto do estilo de jogo da nossa equipa não ser o que mais o favorece. Facundo Ferreyra é um finalizador nato, não é um avançado de transição nem de distribuir jogo. É um avançado mais fixo e posicional na área, que também é inteligente a movimentar-se no campo e a ocupar os espaços, mas não lhe peçam para recuar no terreno e fazer os movimentos que o Jonas faz. As suas características não permitem tal coisa.

Ajustando isso a um modelo de jogo, ele no Shakhtar jogava numa equipa que explorava mais o jogo interior, que explorava mais os espaços abertos e as triangulações entre os avançados (Ferreyra, Bernard e Marlon), tinha muito mais apoio. No Benfica, ele é treinado por um treinador que teima em canalizar o jogo pelas alas e joga num modelo de jogo onde os médios interiores (Pizzi e Gedson) recuam muito no terreno para receber a bola, aumentando mais o buraco entre o meio-campo e o ataque (desde o jogo contra o Vitória SC já houve melhorias nesse aspecto). Eu não estou a dizer que Ferreyra não seja capaz de vingar neste modelo. Simplesmente, tendo em conta o seu perfil e o estilo de jogo da equipa, irá precisar de mais tempo para se adaptar e se entrosar com os novos colegas.

Para quem se quiser dar ao trabalho, aconselho-vos a irem ver os registos do Óscar Cardozo na sua primeira época no Benfica. Ao fim da décima jornada do campeonato 2007/2008, o ponta-de-lança paraguaio tinha apenas três golos marcados, dois deles de penalty. Acabaria a época com 22 golos marcados. E na quarta época se tornaria o melhor marcador estrangeiro da história do clube.  Já agora, podem também ver os registos do Mitroglou nas duas épocas em que cá esteve. Em ambas as época, ele teve um rendimento bem melhor na segunda volta do que na primeira.

Sejam pacientes!


segunda-feira, 22 de maio de 2017

Há que saber distinguir as coisas


Uma das cenas marcantes do jogo da última jornada do campeonato no último sábado, foi o facto da direcção do Boavista ter proibido a entrada de adereços do Sport Lisboa e Benfica nas bancadas destinadas aos adeptos axadrezados, barrando assim muitos adeptos do Benfica do estádio, situação que deixou muitos benfiquistas revoltados.

Antes de mais, devo dizer que isto é recorrente em jogos do Benfica nos estádios das equipas históricas (Alvalade, Restelo, Guimarães, etc.). E no entanto, acho que esta situação é dramatizada por muitos benfiquistas, e passo a explicar porquê.

Como devem saber, esta interdição é aplicada somente nas bancadas destinadas aos adeptos das equipas visitadas. E eu parto do princípio que, os stewards mandam os adeptos do Benfica com bilhetes para essas bancadas retirarem os seus adereços ligados ao clube, com o intuito de evitar que estes pudessem ser abordados no interior do estádio por adeptos adversários mal intencionados.

Como tal, acho esta interdição uma atitude compreensível. Por outro lado, a atitude do clube axadrezado também foi de muita má fé. Porque, tendo em conta que ele avisaram da interdição dos adereços assim que divulgaram a venda dos bilhetes, eles poderias ter o bom senso de aconselhar os adeptos do Benfica a não comprarem bilhetes para as bancadas destinadas aos adeptos axadrezados.

O problema é que o Boavista não tem adeptos suficientes para encher aquelas bancadas. E como tal, tal como muitos clubes pequenos fazem. aproveitaram-se da dimensão do Benfica para fazerem dinheiro. Como resultado, houve muitos adeptos (crianças inclusive) que pagaram 50/60 euros pelo bilhete e que se viram forçados e livrarem-se das suas camisolas e cachecóis.

Moral da história: acho esta situação da interdição dos adereços compreensível. O que me revoltou nesta situação foi a garganeirice dos dirigentes do Boavista. É nestas alturas que eu desejo que pudessem descer 10 equipas de divisão.
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