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quarta-feira, 14 de junho de 2017

Gestão desportivo-financeira para totós


Como devem saber, André Silva foi vendido ao AC Milan por 38 milhões de euros. E o que mais me deixou estupefacto no meio disto tudo, foi ver benfiquistas escandalizados pelo facto do André Silva ter custado mais dinheiro que o Lindelof.

Quem acompanha o mercado, sabe perfeitamente que por norma, os extremos/avançados custam mais dinheiro que os defesas, pois têm de justificar o investimento com golos e assistências. E o mais curioso é que se lembram que o André Silva custou mais dinheiro que o Lindelof, mas não se lembraram que o André Silva custou menos dinheiro que o guarda-redes Ederson Moraes.

Isto é só conversas da treta vinda de benfiquistas que só sabem falar mal e que só vêm aquilo que lhes dá jeito. E há várias páginas de apoio ao Benfica repletas de gente desse género, cheias de demagogia no seu estado mais puro.

Neste ano de 2017, o Benfica já lucrou cerca de 100 milhões de euros em vendas: Gonçalo Guedes (30M), Hélder Costa (15M), Ederson Moraes (20M) e Lindelof (35M). E quase de certeza que o Nelson Semedo se irá juntar a estes quatro. Já o FC Porto anda desesperado por facturar 115M em vendas e anda à rasca para os conseguir.

E já agora, será que não há por aí nenhum especialista da bola a questionar o porquê do André Silva ter sido vendido antes da Taça das Confederações? Aquando da venda do Renato Sanches antes do Europeu houve especialistas desses às paletes. Mas quando ele foi vendido, o campeonato ainda estava por acabar e não se sabia qual era a lista dos convocados que iria representar Portugal no Europeu, sendo que a presença de Renato Sanches na mesma não era uma certeza.

terça-feira, 13 de junho de 2017

Tack för allt!



No sábado à noite, foi confirmado por ambos os clubes a transferência do defesa-central sueco Victor Lindelof para o Manchester United por um valor de 35 milhões de euros mais 10 milhões por objectivos. Destes 35 milhões de euros, 4,1M irão para o Vastreas, correspondentes a 10% do valor da venda e também à verba de compensação da formação imposta pela FIFA.

Ora, Victor Lindelof deu seguimento à tradição sueca no nosso clube. Depois de Glenn Stromberg, Mats Magnusson, Jonas Thern e Stefan Schwartz, o central de 23 anos foi o seguinte, e numa situação muito diferente. Os outros quatro jogadores vieram dos melhores clubes suecos (Stromberg veio do IFK Gottemborg e Magnusson, Thern e Schwartz do Malmo), e Lindelof veio de um modesto clube da 3ª divisão sueca com 17 anos e subiu o seu estatuto a pulso até se tornar num dos favoritos dos adeptos.

Será que era a altura certa para dar o saldo? Sinceramente, acho que ainda era um bocadinho cedo. Se formos a ver, não é qualquer defesa-central jovem que consegue pegar de estaca num clube de topo, num clube que aposte forte em todas as frentes. No entanto, da mesma forma como ele me surpreendeu quando assumiu a titularidade já numa fase relativamente avançada da época, pode muito bem voltar a fazê-lo em Terras de Sua Majestade.

Mas o que mais me deixa estupefacto quanto a esta venda é que há adeptos entre os nossos que não se contentam com estes 35 milhões. São adeptos que não sabem dar valor ao dinheiro. É muito fácil andar atrás de um teclado a dizer que 35 milhões de euros é pouco, dizer que é possível esticar o valor, dizer que é possível segurar o jogador na equipa e blá blá blá.

Como se fosse fácil segurar um jogador na equipa e mantê-lo satisfeito. Se vocês não sabem o que é ter um jogador contrariado, vejam o caso do Adrien esta época. Quando estava tudo acertado para a sua transferência para o Leicester City, o Sporting cortou-lhe as pernas e como resultado, o médio campeão europeu realizou uma época à quem das expectativas. Se na época passada ofereciam 35 milhões por ele. esta época terão muita sorte se aparecer alguém a oferecer dos 20 milhões para cima.

Já disse isto vezes sem conta: vivemos num país exportador de jogadores, a realidade é esta!

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Porque adoro esta altura do ano?


Sabem porque adoro esta altura do ano?
Porque é a altura do ano em que me delicio a ver as teorias dos especialistas em gestão desportiva e financeira, que nesta altura do ano em que o Benfica não joga, se espalham por tudo o que é rede social.

Agora com a venda do Ederson, esses Profetas da Desgraça meteram-se logo a dizer que este negócio foi um péssimo acto de gestão e/ou que esta venda é o início da destruição de uma equipa e que assim, podemos esquecer o Penta.

Gosto de ver esta gente a falar de gestão financeira como se percebesse tanto ou mais do assunto como pessoas que andam nesta área há décadas. Falam como se houvessem guarda-redes a serem vendidos por 40 milhões de euros todos os dias.

E já agora, quem critica o facto do Jorge Mendes ter direito a 10% do dinheiro das nossas vendas deve trabalhar de borla. Cada transferência de um jogador de um para outro clube tem um empresário a funcionar como intermediário entre os dois clubes e como tal, E cada empresário cobra uma taxa por essa comissão de serviços.

É fácil andar atrás de um ecrã de computador ou de telemóvel a dizer que o Benfica podia muito bem comprar os 30% do passe do Ederson que pertenciam ao Rio Ave, mas será que só a vontade do Benfica é que conta? Vamos lá raciocinar um bocadinho:

Ederson Moraes representou o Rio Ave entre 2012 e 2015. Nessa altura, já a Gestfute detinha 20% do seu passe. Entretanto, aquando da venda do Ederson ao Benfica, o Rio Ave vendeu apenas 50% do seu passe porque os dirigentes do clube vilacondense sabiam que ele iria valorizar muito mais no Benfica. E depois, tendo em conta o crescimento e evolução do guarda-redes brasileiro, não quiseram abdicar dos 30% restantes porque assim, iriam lucrar muito mais com a venda do próprio jogador do que vendendo os restantes 30% do passe ao Benfica. É tão simples quanto isso!

Bem, por este andar, não há de faltar muito tempo para vermos bloggers que se auto-intitulam como defensores dos valores do Sport Lisboa e Benfica a viram com histórias da Carochinha de que o Luís Filipe Vieira anda a enganar os sócios e adeptos. Aguardemos os próximos capítulos.

Obrigado por tudo Ederson! Serás sempre um dos nossos!


terça-feira, 4 de abril de 2017

Empréstimos obrigacionistas: qual a sua finalidade?

Uma das notícias do dia de ontem relacionadas ao Benfica foi o anúncio de um novo empréstimo obrigacionista (o terceiro em simultâneo e o sétimo da história do clube), por parte do CEO do Benfica Domingos Soares Oliveira.
Ora, como este assunto foi pouco abordado pelas páginas de apoio ao Benfica em geral, e como há adeptos que não pescam nada desde tipo de assuntos, venho aqui explicar qual a finalidade destes empréstimos obrigacionistas. Tentarei explicar isto da melhor forma possível, visto que não percebo nada de gestão financeira, como muitos falam como se percebessem.
Com isto, o Sport Lisboa e Benfica terá três empréstimos obrigacionistas em simultâneo, todos eles com duração de três anos: o primeiro de 2015-2018, o segundo de 2016-2019 e este novo com duração até 2020. Ou seja, o Benfica voltou a recorrer a estes empréstimos obrigacionistas a partir do momento em que a relação com o BEs começou a ficar pouco saudável.
Este novo empréstimo obrigacionista renderá um financiamento de 50 milhões de euros e terá uma taxa de juro de 4%. Segundo o nosso CEO, este novo empréstimo irá servir essencialmente para pagar empréstimos bancários (50% da dívida do clube corresponde a empréstimos bancários).
Devo também referir que estes empréstimos obrigacionistas não são empréstimos bancários mas sim empréstimos de investidores privados. Com isto, o Benfica tem 142,8 milhões de euros de exposição a empréstimos obrigacionistas, e terá de liquidar os três empréstimos nos próximos três anis. Mas em contra partida, o clube ficará menos exposto à banca. Depois, há também que ter em conta que estes investidores privados funcionam como parceiros do Benfica, e se as receitas do clube continuarem a subir, este será certamente um bom parceiro para os investidores.
No geral, este novo empréstimo obrigacionista é uma boa medida para o nosso clube por duas razões: primeiro, porque irá baixar os juros da dívida renumerada, que no primeiro semestre rondaram os 8,1% (13% mais baixos em relação ao primeiro semestre da época passada. Depois, este os empréstimos obrigacionistas que decorrem actualmente têm taxas de juro entre os 4% e os 4,75%. Enquanto o empréstimo que decorreu entre 2012 e 2015 tinha taxas de juro superiores a 7%.

E segundo, este empréstimo obrigacionista também irá fazer com que o Benfica perca dependência da banca, que está cada vez mais instável e menos disponível a emprestar dinheiro. E consequentemente, irá contribuir para a redução gradual da dívida que tem vindo a ser levada a cabo.
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