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segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Antevisão - Basquetebol 2018/2019


A época oficial da nossa equipa de basquetebol está prestes a começar. Começará na próxima quarta-feira, dia 3 de Outubro com a disputa da pré-eliminatória da FIBA Europe Cup, contra o Dínamo Sassari, 10º classificado da última liga italiana. A primeira mão será disputada em Itália e a segunda será disputada uma semana mais tarde no Pavilhão da Luz. Já a Liga Placard começa no sábado dia 6 de Outubro, com a nossa equipa a receber os açorianos do Terceira Basket.

Depois do Benfica ter falhado o acesso à final do play-off pela primeira vez em dez anos, a direcção do clube não teve mãos a medir e submeteu o plantel a uma autêntica revolução, começando no banco.

Apesar de ter mais um ano de contrato, José Ricardo recebeu guia de marcha da direcção do Benfica após uma temporada decepcionante. Para o seu lugar seria contratado o espanhol Arturo Álvarez. O técnico de 41 anos treinou o Barreirense em 2010/2011 e conta também com passagens pelo Brasil e Paraguai, mas o seu trabalho mais relevante foi na época passada ao serviço do CB Prat, levando o clube à sua melhor prestação de sempre na Liga LEB Oro (Segunda Divisão Espanhola), tendo sido considerado o treinador revelação da prova. Assim, o Benfica mudou de treinador na modalidade pela segunda época consecutiva.

O cargo de Team Manager também sofreu alterações. Diogo Carreira, antigo capitão do Benfica deixou o clube, sendo substituído por João Nuno Crespo, oriundo do Illiabum e já com uma vasta experiência nestas funções.

Passando para o plantel, houve uma revolução de balneário. Começando pelos estrangeiros que chegaram em Fevereiro Damier Pitts e Miroslav Todic; Raven Barber aceitou uma proposta do Iberojet Palma (Liga LEB Oro); Nicolas Dos Santos e Carlos Morais também receberam guia de marcha. Os jovens Diogo Gameiro, Sérgio Silva e Ricardo Monteiro também se desvincularam do clube.

Mas uma das principais bombas do mercado nacional foi a saída de João Soares. O extremo rescindiu contrato com o Benfica (pagando a cláusula de rescisão do próprio bolso). O internacional português assinaria depois pelo CB L'Hospitalet da Liga LEB Plata (Terceira Divisão Espanhola), sendo depois emprestado ao FC Porto. João Soares utilizou este mecanismo porque o seu contrato no Benfica tinha uma cláusula que o impedia de se transferir directamente para os azuis e brancos. Mais tarde, já depois de anunciados os reforços, seria  anunciada a rescisão de contrato do base Nuno Oliveira.

Seria ainda anunciada a saída do jovem Neemias Queta. O poste contratado no ano passado ao Barreirense e que actuou sobretudo pela equipa B, exibiuse a um grande nível na Divisão B do Europeu de sub-20, despertando bastante cobiça por parte de academias amaricanas. Acabou por assinar pela Universidade do Utah.

Em termos de aquisições, o Benfica encarregou-se de contratar alguns dos melhores jogadores nacionais da última temporada. O extremo Fábio Lima foi o primeiro a ser assegurado. O extremo de 30 anos já tinha representado o nosso clube em 2015 e regressou aos encarnados após duas épocas de grande nível ao serviço do CAB Madeira, tendo na época passada sido o MVP Português da Fase Regular.

https://www.youtube.com/watch?v=2nhL2BL_OXc&t=69s

Arnette Hallman foi o segundo reforço a chegar. O extremo-poste com nacionalidade portuguesa foi uma das principais figuras da equipa da UD Oliveirense na conquista do título na época passada, tendo sido o MVP da final do play-off. Está assim de regresso ao clube que representou entre 2006 e 2008.

https://www.youtube.com/watch?v=r0xXItfM1pI

Chegaria também o base internacional português Miguel Maria Cardoso. Chegado do Vitória de Guimarães, o base de 25 anos conta com experiências em França e na Alemanha, tendo sido na época passada o rei das assistências e o sexto melhor jogador da Liga Placard.

https://www.youtube.com/watch?v=v8iWgMdQxKY

Passando para o mercado internacional, foi visível um aumento da fasquia. A primeira contratação foi o poste espanhol Xavi Rey. O jogador de 31 anos conta com uma vasta experiência na Liga ACB, é internacional espanhol, tendo representado o seu país no Eurobasket em 2013, ficando em terceiro lugar. Com 2,10m de altura, promete ser um monstro na luta nas tabelas no nosso campeonato.

https://www.youtube.com/watch?v=iPg5qmAQ0uQ

Haveria mais um espanhol a juntar-se à nossa equipa. Trata-se se Aléx Suárez. Este extremo-poste de 2,06m é uma promessa adiada do basquetebol espanhol. Internacional pelas camadas jovens de Espanha, estreou-se na Liga ACB com apenas 16 anos, ao serviço do histórico Joventud Badalona. Aos 21 anos transferiu-se para o Real Madrid, mas não se conseguiu afirmar, tendo sido emprestado ao Bilbao Basket e ao Tecnyconta Zaragoça (onde foi colega de equipa de Xavi Rey). Agora aos 25 anos, vê no Benfica uma possibilidade de relançar a carreira.

https://www.youtube.com/watch?v=esJ1cFrc4Lg

Pouco depois viria mais um a juntar-se às lides nacionais: Leandro Jaques da Conceição. O filho da antiga glória do basquetebol encarnado Jean Jaques já tinha representado o Galitos do Barreiro entre 2015 e 2017 e decidiu seguir as pisadas do pai após uma temporada no seu país ao serviço do 1º de Agosto, onde conquistaria a Dobradinha.

https://www.youtube.com/watch?v=VjXWhZ1kWYU

Quanto aos atletas norte-americanos, houve uma surpresa. Para a posição de base, a direcção do Benfica acabou por recrutar um atleta directamente do college. Trata-se de Quentin Snider: base de 23 anos oriundo da Universidade de Louisville. Esta ideia de recrutar jovens jogadores às academias americanas pode ser muito interessante, visto que se tratam de jogadores com uma maior margem de progressão que podem ver no nosso campeonato uma possibilidade de se projectarem no basquetebol Europeu e darem o salto para campeonatos de maior tarimba.

https://www.youtube.com/watch?v=PnIcJ81MFFI

Para a última vaga de estrangeiro, estava inicialmente contratado o extremo Kris Joseph. No entanto, uma lesão grave contraída pelo jogador canadiano já na pré-temporada fez com que este fosse dispensado e levasse o clube à procura de um substituto. Trata-se de Micah Downs. O extremo de 32 anos defrontou a nossa equipa na época passada ao serviço dos russos do Avtodor Saratov e conta também com passagens com países como França, Espanha e Itália.

https://www.youtube.com/watch?v=lAhI_JpH0UE

Resumindo, permaneceram apenas cinco jogadores em relação à época anterior: Tomás Barroso, José Silva, Cláudio Fonseca, Gonçalo Delgado e Rafael Lisboa.

Já a surpreendente campeã UD Oliveirense, para esta nova época abdicou da participação nas competições europeias, com o objectivo de solidificar o seu projecto a nível interno. Com isso, conseguiram segurar grande parte da espinha dorsal da equipa: José Barbosa, João Balseiro, João Guerreiro, James Ellisor, Travante Williams e Eric Coleman renovaram contrato.Ao todo, fizeram poucas mexidas no plantel: para o lugar do retirado João Abreu, contrataram André Bessa ao FC Porto; para o lugar de Arnette Hallmann, contrataram Marko Loncovic (campeão pelo SL Benfica em 2016/2017) ao Iliabum. E para a última vaga de estrangeiro contrataram Thomas de Thaey, norte-americano com passaporte belga.

O FC Porto, após mais uma época péssima, também decidiu elevar a fasquia. Para além de João Soares, contrataram ainda o jovem Daniel Relvão que jogava em Espanha, e apostaram no regresso de Diogo Araújo, após uma época emprestado ao Illiabum. No plano internacional, seguraram dois estrangeiros da época passada: Will Sheehey e Sasa Borovnjak. Para as duas vagas restantes, contrataram dois internacionais jovens croatas: Toni Prostran (base) e Boris Barac (extremo-poste).

O Vitória de Guimarães, que nos últimos anos mordeu os calcanhares aos grandes. apostou sobretudo em talentos nacionais, tais como o nosso ex-poste Ricardo Monteiro, Carlos Cardoso ao Illiabum e Nuno Morais ao Terceira Basket. No plano internacional, seguraram o poste sérvio Nikola Tadic, e contrataram os americanos Nicchaeus Doaks, D'Marques Tyson e Nick Novak (base que representou a Ovarense entre 2015 e 2017).

Quanto à minha previsão para o campeonato, creio que vai ser uma luta a três: SL Benfica, FC Porto e UD Oliveirense elevaram a fasquia em relação à época passada e a disputa entre os clubes pode fazer deste campeonato o melhor dos últimos anos. Já o Vitória SC, sem ter os mesmos recursos que as restantes três equipas, parte ligeiramente atrás, mas não deixa de ser uma equipa a rever. Os restantes lugares de acesso ao play-off deverão ser disputados por clubes como o Illiabum, CAB, Ovarense, Galitos e Lusitânia.

Quanto à FIBA Europe Cup, devo desde já dizer que o sorteio para a pré-eliminatória não fo nada simpático para connosco, visto que nos calhou uma das equipas mais complicadas pela frente. Mas também posso desde já dizer que, mesmo que percamos esta eliminatória, é possível que cheguemos à Fase de Grupos na mesma. E isto porquê?
Para quem não sabe, os grupos são constituídos por quatro equipas: uma proveniente desta pré-eliminatória, e as outras três relegadas de cada uma das pré-eliminatórias de acesso à Basketball Champions League. No entanto, algumas destas equipas que participam nas pré-eliminatórias da Champions e depois são eliminadas, não têm interesse em competir na FIBA Europe Cupe acabam por abdicar da sua vaga. Por isso, é possível que as equipas derrotadas nesta pré-eliminatória onde o Benfica participa sejam posteriormente repescadas. Depois na Fase de Grupos, os sorteios irão fazer a diferença.

Acredito que o plantel que construímos para esta época pode ser o melhor da década. Depois de impressoes positivas deixadas numa pré-época com alguns sobressaltos, os jogos a doer vão começar e eu espero que esta equipa mostre o que vale e que Arturo Álvarez mostre ser um treinador a altura do Sport Lisboa e Benfica.

Base: Quentin Snider, Miguel Maria Cardoso e Aliasz Sjutej

Base-extremo: Tomás Barroso (capitão), Jaques da Conceição e Rafael Lisboa

Extremos: Micah Downs, José Silva e Fábio Lima

Extremo-poste: Aléx Suárez, Arnette Hallman e Gonçalo Delgado

Poste: Xavi Rey e Cláudio Fonseca

sábado, 23 de junho de 2018

Análise da época - Basquetebol 2017/2018


Dia 6 de Junho, a temporada da nossa equipa de basquetebol terminou de forma precoce. E devo dizer que esta temporada da equipa de basket desiludiu-me profundamente. Pala primeira vez em 10 anos, falhámos o apuramento para a final do play-off. A forma como iniciámos a época, bem como o clube se movimentou no mercado, em nada fazia prever um desfecho destes. Ainda para mais, quando esta é a única modalidade de pavilhão em que não há rivais a fazerem investimentos astronómicos nem a terem direito a certos privilégios.

Devo dizer que este campeonato foi o mais competitivo dos últimos anos. Porém, mesmo assim acho que o nosso plantel era claramente o melhor. O plantel do FC Porto era mais fraco que o da época passada: dos jogadores portugueses, o Pedro Pinto e o Miguel Queirós são os únicos que se aproveitam; dos jogadores estrangeiros, só o Will Shehhey e o Sasa Borovnjak fazem realmente a diferença. Já a UD Oliveirense mostrou ter uma equipa coesa, equilibrada e bem orientada por Norberto Alves, mas em termos de qualidade individual, o plantel deles não me parecia ser superior ao nosso.

A época começou bem com a conquista da Supertaça contra o CAB Madeira. Nas competições europeias, fomos eliminados na 2ª pré-eliminatória da Basketball Champions League pelos búlgaros do Lukoil Academic, caindo assim para a Fase de Grupos da FIBA Europe Cup, onde caiu num dos grupos mais complicados da competição, com um clube russo e outro lituano e acabaríamos por ficar no último lugar com apenas uma vitória em seis jogos.

Entretanto no campeonato, a nossa equipa cedo conquistou a liderança isolada na Fase Regular e apesar de alguns deslizes, ia praticando um basquetebol de qualidade, que culminou com a conquista da Taça da Liga com uma vitória categórica sobre a UD Oliveirense. A saída repentina de Antyane Robinson e a grave lesão de Jesse Sanders acabariam por ser o início do precipício.

Primeiro, deu-se a derrota humilhante na final da Taça de Portugal para o Illiabum e posteriormente, a perda da liderança da Fase Regular para a UD Oliveirense, que vinha a denotar um crescimento de forma notável. Nos quartos-de-final do play-off, tivemos duas vitórias suadas em casa contra o Galitos, em dois jogos em que a nossa equipa acabou com o credo na boca. Estes dois jogos não me deixaram um bom pronúncio para o que restava da competição.

No final confirmou-se o pior dos cenários, e há muita coisa que tem de mudar no nosso basquetebol. Apesar de considerar que este plantel era o melhor a nível nacional, acho que ainda tem muita margem para melhorar, não só para cimentar o domínio a nível interno, mas também para chegar mais longe na FIBA Europe Cup (caso lá cheguemos este ano). Para lá chegarmos, existem aspectos em que temos de melhorar muito:



1) José Ricardo
O treinador natural da Póvoa do Varzim foi a minha maior desilusão no ecletismo encarnado. Tinha muito boas impressões dele após o seu trabalho no BC Barcelos e na UD Oliveirense e quando este foi anunciado, falei que este seria a melhor opção a nível nacional para suceder Carlos Lisboa.
E de facto, não duvido que José Ricardo perceba muito de basquetebol, mas mostrou não ter a força e a estabilidade mental necessária para a dimensão e a realidade do Benfica. Quando as coisas correm mal, ele é o primeiro a perder a cabeça e transmite essa insegurança à equipa.

2) Antywane Robinson => Miroslav Todic
Antyane Robinson estava a ser o nosso melhor jogador. O extremo poste contratado ao Pau-Orthez era um jogador fundamental em todos os aspectos do jogo, a atacar e a defender. Até que uma proposta milionária da Turquia o tirou de cá. Se eu acho que o clube devia fazer um esforço para o segurar até ao final da época? Sim, acho. Mas mesmo que assim fosse, não sei se valeria a pena, visto que não é qualquer jogador (seja em que modalidade for) que é capaz de dizer não a uma proposta para jogar num clube e/ou campeonato de topo.
A questão aqui é que, visto que o clube turco pagou para contratar o Robinson, podíamos aproveitar o dinheiro para contratar um estrangeiro de um calibre acima da média para o basket português, como o FC Porto contratou Troy de Vries, base norte-americano que fez toda a diferença na conquista do título azul e branco em 2015/2016. Em vez disso, fomos buscar um jogador à reforma...
Confesso que estava com grandes expectativas quanto a Miroslav Todic. Afinal de contas, tratava-se de um jogador com experiência na Euro League e que tinha passado por alguns dos melhores campeonatos da Europa. No final, o poste sérvio-bósnio mostrou estar muito longe da condição física desejada, fazendo dele um dos maiores flops da história do basquetebol encarnado;

3) Jesse Sanders => Damier Piits
Jesse Sanders foi o base norte-americano contratado para esta temporada. Jesse Sanders destacava-se por ser um base à antiga, daqueles que gostava de pegar na bola e fazê-la circular pelo campo, pautando o ritmo de jogo da equipa. Com essas característica, o base recrutado ao basquetebol alemão meteu a equipa a jogar com uma organização e liderança que nunca tinha visto no nosso basquetebol, até que uma fractura num dedo do pé afastou-o das quadras até agora.
Para o seu lugar seria contratado Damer Piits, que representava os finlandeses do Kataja Basket, e que nesta época já tinha defrontado o FC Porto na FIBA Europe Cup. Damier Piits não é mau jogador, mas possui características muito diferentes de Sanders. Damier Pitts não é um base organizador, é um base atirador adaptado, é um jogador que gosta mais de assumir o jogo em vez de trabalhar para a equipa. E se houve jogos em que a sua iniciativa foi decisiva, também houve outros em que só resultou em penetrações mal feitas e turnovers ridículos. É um bom jogador a executar, mas péssimo a definir. Mas o mais importante no meio disto tudo, é que tendo em conta as características diferentes dos dois jogadores numa posição tão importante como a de base, isso fez com que a equipa fosse forçada a mudar a sua forma de jogar numa fase já avançada da época.
E já agora, deixo aqui outro pormenor: antes da lesão do Sanders, o Benfica tinha três derrotas no campeonato. Em Guimarães, no Dragão Caixa e em casa contra o Lusitânia. O Jesse Sanders jogou apenas na derrota no Dragão (estava castigado no jogo em Guimarães e lesionado aquando da recepção aos açoreanos);
E digo mais: caso os dois bases americanos saiam, por mim não íamos buscar nenhum americano para o seu lugar. Prefiro antes sacar o José Barbosa à UD Oliveirense e ocupar a vaga de estrangeiro com outro poste, posição onde estamos mais carenciados.

4) Carlos Morais
Carlos Morais veio para o Benfica dizendo que queria regressar à NBA (já esteve ligado aos Toronto Raptors). Depois do típico período de adaptação, o base-extremo angolano realizou uma primeira época de muito bom nível no nosso clube. Como tal, esperava-se que a segunda época fosse ainda melhor. Nada mais falso!
Há quem diga (e com razão, verdade seja dita), que Carlos Morais decidiu tirar férias este ano, mas porque o terá feito. Simples: devido ao sistema de rotação do treinador José Ricardo. No que é que este consiste?  Quando o jogador está a atravessar um pico bom num jogo em que está a fazer muitos pontos e a ajudar melhor a equipa, José Ricardo decide substituí-lo para o fazer descansar e deixar fresco para a fase decisiva do jogo.
Este sistema de rotação abalou muito a confiança do angolano, e está longe de ser o mas indicado para um clube grande. Esse sistema de rotação pode resultar num Barcelos qualquer, mas não no Benfica, muito menos em jogos grandes.



5) Nicolas dos Santos e Cláudio Fonseca
Estes dois jogadores são os postes suplentes do Benfica que entram na rotação da equipa. Com excepção destes dois jogadores, qualquer jogador do plantel do Benfica seria um craque no FC Porto. Nicolas dos Santos é um bom atirador da área dos três pontos, mas nunca vi um poste com tanta dificuldade em controlar a área pintada.
Quanto a Cláudio Fonseca, a situação é mais delicada. Nunca foi um jogador muito apreciado pelos adeptos porque, verdade seja dita, é muito limitado tecnicamente e está longe de ser um craque. No entanto, a nível de postes portugueses, é o melhor que se pode arranjar. O problema é que ele só é opção para alguns jogos, independentemente do adversário. Não sei se poderá ser devido aos problemas de saúde que o afectaram na época passada, mas se ele só é opção técnica para alguns jogos, mais valia ser despachado.
Para a posição nº 4, o ideal seria trazer o Jeremiah Wilson de volta, agora que ele já tem a nacionalidade portuguesa. Como segunda hipótese, podíamos sacar o Arnette Halmann à Oliveirense, ele que está no auge da carreira e fez formação no Benfica. Para a posição nº5, ou faziam aquilo que referi no ponto 3, ou então começávamos a apostar no Ricardo Monteiro e no Neemias Queta.

6) Estrangeiros/FIBA Europe Cup
Nas últimas quatro temporadas, o Benfica jogou na FIBA Europe Cup, a quarta competição europeia de clubes atrás da EuroLeague, a EuroCup e a Basketball Champions League. A FIBA Europe Cup é composta por duas Fases de Grupos, onde depois das quais sobram oito equipas, às quais se juntarão as oito equipas que ficaram em 3º lugar na Fase de Grupos da Basketball Champions League. De seguida, existe uma fase com elimnatórias com oitavos, quartos, meias-finais e final, todas elas disputadas a duas mãos.
Nas quatro vezes em que participou, em três delas o Benfica não passou da primeira Fase de Grupos e na única em que passou (15/16) perdeu todos os jogos na segunda fase. A FIBA Europe Cup já tem um nível avançado para os clubes portugueses, mas o Benfica se investir de forma séria e criteriosa tem condições para no mínimo, chegar à fase a eliminar.
Como pode chegar até lá? Seguindo políticas semelhantes às que seguem clubes como os Bakken Bears (Dinamarca) ou o Donar Groningen (Holanda), que são clubes que dominam os seus respectivos campeonatos em países que tal como Portugal, têm pouca expressão na modalidade. A Holanda está em 45º lugar no ranking da FIBA (26º na Europa), Portugal está em 61º (33º na Europa) e a Dinamarca está em 73º (35º na Europa). No entanto, o Donar Groningen e os Bakken Bears conseguiram nesta época chegar às meias-finais da FIBA Europe Cup.
Como poderemos seguir as suas pisadas? A meu ver, se descobríssemos onde estes clubes recrutam os seus atletas estrangeiros, poderíamos construir um plantel competitivo nestas andanças. Temos é de ter os observadores certos para tal...

7) Carlos Lisboa vs José Ricardo
O melhor basquetebolista português de sempre estava longe de ser um treinador excepcional do ponto de vista técnico-táctico. O que lhe valia muito enquanto treinador foi o estatuto que alcançou enquanto jogador, o que lhe conferia um grande respeito por parte dos jogadores. Estes olhavam para ele e pensavam: "Epá, eu não chego aos calcanhares deste tipo..". À conta disso, Carlos Lisboa sabia impor respeito ao balneário e tinha-o sempre na mão.
Já José Ricardo não foi jogador e apesar de perceber muito de basquetebol, não consegue cativar o balneário. E depois, a sua instabilidade mental e emocional também não ajuda nada. Ele é como aqueles alunos que tiram boas notas na faculdade mas que depois na vida real, não conseguem aplicar os seus conhecimentos.

8) Formação
Assim que chegou ao Benfica, José Ricardo recrutou duas das maiores promessas do basquetebol nacional: os postes Gonçalo Delgado e Neemias Queta. Estes dois jogadores fizeram a pré-temporada, juntamente com o base-extremo Rafael Lisboa (filho do lendário Carlos Lisboa) carregaram a equipa B às costas, ajudando-a a chegar à Final Four da Proliga. Para mim, podiam já começar a lançá-los aos leões. Para quem acha que ainda é cedo, aconselho-vos a irem ao youtube e colocarem "Luka Doncic" na caixa de pesquisa.
José Ricardo não tem as capacidades mentais necessárias para ser treinador da equipa principal do Benfica. No entanto, a nível da formação, é provavelmente o treinador mais habilitado em Portugal. Como tal, o que eu acho que deveria acontecer era o José Ricardo passar a ser o coordenador do basquetebol de formação do Benfica e para treinador principal, contratar um estrangeiro com currículo. e preferência, com escola na Antiga Jugoslávia ou na Antiga União Soviética.


Se o basquetebol do Benfica fizer as coisas de forma correcta, tem condições para dominar o basquetebol português nos próximos anos e chegar mais longe na Europa. Ao que tudo indica, irá haver uma revolução no plantel, visto que apenas três jogadores do plantel têm contrato (Nuno Oliveira, José Silva e João Soares). Como tal, espero que sejam feitos os acertos necessários para regressar ao topo na próxima época.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Basquetebol 2017/2018


Está prestes a arrancar mais uma época no basquetebol do Sport Lisboa e Benfica. Depois de uma época muito bem sucedida, onde passámos a 1ª Fase de Grupos da FIBA Europe Cup e a nível interno, falhámos apenas a conquista da Supertaça. Na preparação da nova época, foram várias as mudanças a efectuar.

Começando pelo corpo técnico: com a promoção de Tiago Pinto para a estrutura do futebol do Benfica, Carlos Lisboa deixou o comando técnico da equipa de basquetebol, passando a dedicar-se exclusivamente ao cargo de Director Geral das Modalidades. Para o seu lugar veio aquele que era provavelmente o treinador mais desejado pelos adeptos (por mim inclusive, embora fosse defensor de Carlos Lisboa): José Ricardo. O treinador de 52 anos assinou pelo clube do seu coração após ter mostrado bons serviços no BC Barcelos e na UD Oliveirense.

Quanto a jogadores, saíram Mário Fernandes, Marko Loncovic, Velkjo Stankovic, Derek Raivio e Damian Hollis, e o jovem Sérgio Silva foi emprestado ao Barreirense. Quanto a reforços, o primeiro a chegar foi o extremo de 28 anos José Silva. O capitão da selecção nacional assinou pelo Benfica após ter recusado uma proposta para renovar contrato pelo FC Porto. Foi uma situação de "double-win."

A nível de estrangeiros, veio o base Jesse Sanders, após duas épocas a jogar na Alemanha; e o extremo-poste Antywane Robinson, um jogador com carreira feita no basquetebol francês. Foram ainda contratadas duas jovens promessas do basquetebol português: os postes Neemias Queta e Gonçalo Delgado. Destaque ainda para a promoção definitiva dos jovens formados Aliasz Slutej e Ricardo Monteiro.

Quanto ao nosso adversário direto FC Porto, para além de perder José Silva, ainda perdeu João Galina para o CAB e os estrangeiros Jeff Xavier, Brad Tinsley e Nick Washburn. Os primeiros reforços a chegar foram o base internacional português Pedro Pinto e o extremo-poste António Monteiro. Como a qualidade dos jogadores portuguezes é limitada, o clube decidiu dar equilibrio à equipa com a contratação de três norte-americanos com experiência em grandes ligas europeias: Marcus Gilbert (com experiência em Itália), William Sheehey (com experiência na França e na Grécia) e William Hanley, que na época passada conquistou a Basketball Champions League ao serviço da Iberostar Tenerife.

Em relação a outras equipas, creio que o Vitória de Guimarães seja aquela que dará mais luta aos grandes, pois reforçou-se com jogadores de grande qualidade. Foi buscar o internacional português Miguel Cardoso ao Karlsruhe e Eduardo Coelho à Oliveirense. Contratou também dois dos melhores estrangeiros a actuar em Portugal na época passada: Nicola Tadic ao Illiabum e Stefan Djukic (já naturalizado português) ao CAB. Um dos três norte-americanos que contrataram já jogou no Benfica. Lace Dunn. Não foi por acaso que a nossa equipa teve bastantes dificuldades em derrotá-los num dos jogos de pré-época.

Daqui a uma semana, começa a época oficial da equipa, com a disputa nas pré-eliminatórias da Basketball Champions League (3ª competição europeia na modalidade). Serão disputadas 3 pré-eliminatórias até à fase de grupos da competição, sendo que a eliminação em qualquer uma destas eliminatórias ditará a relegação para a FIBA Europe Cup.

Nesta semana disputaremos a pimeira eliminatória contra os campeões austríacos: o Kapfenberg Bulls. Embora não tenha grandes conhecimentos do basquetebol europeu, este parece-me ser um adversário acessível, até porque o Benfica era cabeça de série no sorteio. Em caso de apuramento defrontaremos os búlgaros do Lukoil Academic, equipa que defrontámos na época passada na 2ª Fase de Grupos da FIBA Europe Cup. Na altura mostrou ser um oso duro de roer, mas com um colectivo forte acredito que seremos capazes de levar a melhor.

Em caso de apuramento para a 3ª eliminatória, defrontaremos os lituanos da Juventus Utena, clube que defrontou o FC Porto na pré-eliminatória da época passada. Esta equipa já está num patamar superior. Na época passada passou a fase de grupos da Champions e ficou em 5º lugar num dos mais poderosos campeonatos da modalidade. Isto com apenas três estrangeiros.

A pré-época já acabou. Vencemos quatro dos cinco jogos, e devo dizer que gostei bastante do que vi. Já se nota o "dedo" de José Ricardo na forma de jogar da equipa: mais organização táctica e mais sentido coletivo. com excepção de Carlos Andrade que esteve lesionado e de Carlos Morais que representou a selecção angolana no Afrobasket, todos os jogadores tiveram uma boa quantidade de minutos para ganharem ritmo competitivo e mostrarem o seu valor.

Nesse aspecto, dou principal destaque aos jovens jogadores na equipa principal que têm tido oportunidade de se mostrar: Aliasz Slutej, Ricardo Monteiro e os reforços Neemias Barbosa e Gonçalo Delgado. José Rciardo é um treinador com tradição em apostar em jovens jogadores e acredito que os potenciará e os tornará em bons valores nacionais. O basquetebol português precisa disso, e muito.

Todos sabemos que estes jogos valem o que valem. A partir de amanhã será a doer. Acredito que esta época somos favoritos a conquistar as quatro competições nacionais e acho que também podemos fazer uma gracinha na Europa. Veremos o que o futuro nos traz quanto a esta equipa.

Plantel 2017/2018:
Nº 4 - José Silva
Nº 5 - Aliasz Slutej
Nº 6 - Carlos Morais
Nº 8 - Gonçalo Delgado
Nº 10 - Neemias Queta
Nº 11 - Nuno Oliveira
Nº 15 - Cláudio Fonseca
Nº 17 - João Soares
Nº 21 - Tomás Barroso (capitão)
Nº 23 - Carlos Andrade
Nº 24 - Antywane Robinson
Nº 25 - Josse Sanders
Nº 35 - Raven Barber
Nº 37 - Ricardo Monteiro
Nº 77 - Nicolas dos Santos

domingo, 11 de junho de 2017

Regresso ao trono


Na última sexta-feira, o Benfica conquistou o seu 27º campeonato no Basquetebol após derrotar o FC Porto na final do play-off por 3-0. E esta conquista não foi nada fácil.

Antes de mais, devo dizer que este foi certamente o campeonato na modalidade mais competitivo dos últimos anos. Equipas como o Vitória de Guimarães e a Oliveirense morderam os calcanhares aos grandes, enquanto outras equipas como o Galitos e o Illiabum também fizeram épocas bastante positivas.

Quanto à nossa equipa, o começo deixou impressões bastante positivas, ao na pré-eliminatória da Basketball Champions League, termos batido o pé a uma das melhores equipas italianas: o Pallencastro Varese, equipa contra a qual perdemos a eliminatória por um ponto.

A nível interno, a época começou mal com uma derrota copiosa na Supertaça contra o FC Porto. Quando se deu essa derrota, quase todas as páginas de apoio ao Benfica espalhadas pela Internet pediam a demissão de Carlos Lisboa. Como resposta, a equipa ganhou ao FC Porto uma semana depois em pleno Dragão Caixa, a primeira de sete vitória aos dragões esta época.

No entanto, o percurso da equipa na Fase Regular do Campeonato foi inconstante. Ao todo, tivemos 8 derrotas em toda a fase regular, muito graças ao pagamento da factura europeia. Em constaste com a irregularidade no campeonato, tivemos uma prestação acima das expectativas na FIBA Europe Cup, onde pela primeira vez, um clube português conseguiu passar a primeira Fase de Grupos da terceira competição europeia da modalidade.

No entanto, muitos questionavam a qualidade desta equipa. Via-se uma equipa que tinha tanto de qualidade individual como de displicência. A cada derrota, Carlos Lisboa era enxovalhado. Mas havia uma coisa que me deixava confiante para os play-offs. É que tanto na Final 8 da Taça da Liga como na Final 8 da Taça de Portugal, a equipa não falhou na hora H.

E assim foi. Neste terceiro jogo, vimos aquela que foi provavelmente a melhor exibição da época. Uma equipa agressiva na defesa, capaz de anular o jogo exterior dos seus atiradores, e capaz de dar mais luta nas tabelas contra os dois "monstros" do jogo interior azul e branco: Nick Washburn e Sasa Brorvnjak.

Agora, deixo aqui a minha homenagem aos obreiros deste título:

Carlos Morais - um benfiquista angolano, um jogador que gosta dos grandes jogos. Não nos podemos esquecer que este foi o ano de adaptação. O basquetebol angolano é muito diferente do europeu, é um basquetebol mais físico e estático, em contraste com o nosso basquetebol que é mais fluído e em que os jogadores têm de fazer um pouco de tudo e como tal, Carlos Morais aqui tem de defender mais. Já fez uma época muito boa e com mais um ano de contrato, acredito que a próxima seja ainda melhor;

Danian Hollis - um dos melhores estrangeiros que por cá passou nos últimos tempos. Jogador bastante completo e um dos mais regulares da equipa nesta temporada, embora tenha desaparecido um pouco nos play-off devido a problemas físicos. Veremos qual será o seu futuro;

Raven Barber - oriundo da Ovarense, veio para reforçar uma posição deficitária em 2015/2016. Foi também um dos jogadores mais regulares da equipa, sendo raro o jogo em que fez menos de 10 pontos. Foi o MVP do 3º jogo da final, fruto de um duplo-duplo (11 pontos e 13 ressaltos);

Derek Raivio - um dos jogadores mais importantes nos jogos contra o FC Porto com pontos decisivos, principalmente ao ser o autor do último triplo no segundo jogo a 17 segundos do fim. Infelizmente, creio que não o vimos jogar ao seu melhor nível devido a algumas lesões que contraiu ao longo da época. Veremos qual será o seu futuro;

Carlos Andrade - o Rui Águas do basquetebol. Os anos não passam por ele. Aos 39 anos, é dos jogadores mais influentes da equipa e também um dos mais importantes nos play-offs devido à sua agressividade e consistência defensiva. É um jogador à Benfica, daqueles que merece um lugar no clube após a retirada;

Mário Fernandes - é uma formiga dentro da quadra, pequeno em tamanho, mas é um trabalhador incansável. Infelizmente, voltou a ser bastante fustigado por lesões nesta época, mas quando está em forma, é um jogador que faz a diferença, como se verificou na final da Taça da Liga onde foi o MVP;

João Soares - a época da sua afirmação. Aposta regular no 5 inicial, afirmando-se como um bom atirador;

Nuno Oliveira - Contratado como base-extremo, achava este jogador muito fraquinho para o Benfica. Adaptado esta época a base, tem vindo a evoluir gradualmente na posição. Veremos se será aqui que se irá afirmar;

Tomás Barroso - 3 campeonatos em 4 épocas de águia ao peito. Na época em que herdou a braçadeira de capitão, foi adaptado a base-extremo onde mostrou os seus dotes como atirador, para além da raça com que disputa os lances. E não consigo evitar dizer isto: ele joga muito melhor desde que acabou o namoro com a Ana Sofia;

Diogo Carreira - no ano passado, trocou o calção pelo joelho e a blusa de manga cava pelo fato e gravata. 7 campeonatos pelo Benfica, o primeiro como Secretário Técnico;

Carlos Lisboa - esta é especialmente dedicada aos haters: 48 títulos conquistados, 22 como treinador. O homem que mais títulos deu ao Sport Lisboa e Benfica!

Parabéns também aos restantes: Nicolas dos Santos, Marko Loncovic, Cláudio Fonseca, Aliasz Sjutej, Sérgio Silva e Ricardo Monteiro. E também aos adjuntos Nuno Ferreira e o regressado Carlos Seixas.

Para o ano há mais!
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