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quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Futsal - Antevisão 2018/2019


Esta semana, a nossa equipa de futsal irá iniciar a sua época oficial. No próximo sábado às 19h, a nossa equipa irá iniciar a Liga SportZone, com uma deslocação ao reduto dos Leões de Porto Salvo, terreno tradicionalmente muito complicado para a nossa equipa. E aí, poderemos ver a doer do que é que esta equipa será capaz de fazer.

O último campeonato ficou marcado por uma particularidade surreal: a equipa que ganhou a final do play-off foi aquela que venceu menos jogos no tempo regulamentar. Como tal, a secção não teve mãos a medir e começou a preparar a nova época.

Ao contrário do que se verificou na época passada, foram feitas poucas alterações no plantel. Uma semana após o termo do campeonato, seria anunciada a contratação de Rafael Nogueira da Silva, conhecido no mundo do futsal por Fits. O pivot brasileiro de 26 anos chega dos italianos do Kaos Futsal, onde marcou 26 golos em 29 jogos.


Mais tarde seria anunciada a contratação do fixo Marc Tolrá. O internacional espanhol rescindira contrato com o FC Barcelona e assinou pelas águias, cumprindo assim a sua primeira experiência no estrangeiro. Seriam ainda promovidos os jovens Martim Figueira (guarda-redes), Silvestre Ferreira (fixo) e Bruno Graça (ala).


A imprensa chegou a falar na contratação de um guarda-redes, que foi a posição mais visada pelos adeptos após a perda do terceiro campeonato consecutivo: tanto no jovem Cristiano, pelas suas exibições na final, como em Diego Roncaglio pela sua atitude irresponsável na meias-final do play-off, que ainda lhe valeu um castigo por parte de Joel Rocha. Apesar de todos os rumores, não houve alterações na posição, com a secção do futsal a manter a confiança em Roncaglio e Cristiano.

A continuidade do treinador Joel Rocha também esteve posta em cima da mesa. A saída de Joel Rocha do comando técnico da equipa era vista pela imprensa como uma possibilidade. Apesar da nossa equipa ter ficado três épocas consecutivas sem ser campeã nacional na modalidade, Joel Rocha continua a ser o treinador do Benfica, cumprindo o ano de contrato que lhe resta.

No final, foram feitas contratações cirúrgicas no plantel. Com Fits, a equipa ganha o pivot de referência que nos faltou na última época. Com Marc Tolrá, a equipa ganha mais um fixo de grande estampa física para marcar os pivots adversários. Ao todo, o plantel conta com sete jogadores não-formados localmente, o que significa que dois deles terão de ficar de fora em cada jogo das competições internas.

Em termos de saídas, Deives Moraes foi o único jogador a sair a título definitivo. O pivot brasileiro marcou 26 golos na Fase Regular mas a sua quebra de forma no play-off mostrou que ele não é o pivot de que a equipa precisa nos jogos grandes Deives Moraes acabaria por regressar ao Brasil, ingressando no Corinthians. 

De resto, houve apenas saídas por empréstimo: Bruno Pinto e Yulián Díaz foram emprestados ao Belenenses, Jacaré foi emprestado ao Futsal Azeméis/Noxae e Tiago Fernandes permanece emprestado ao SC Braga/AAUM. Alípio Matos, coordenador do futsal do Benfica desde 2013, também deixou o clube, com o cargo a ser novamente ocupado por Armindo Cordeiro.

Já o Sporting, após se ter sagrado tricampeão nacional ganhando apenas um jogo na final, rejuvenesceu o plantel. Marcão, Caio Japa, Djô, Diogo, Divanei e Fortino deixaram o clube, todos eles acima dos 30 anos. A nível de entradas, resgatou o fixo Erik Mendonça ao AD Fundão, e voltou a contratar o ala Léo Jaraguá, desta vez a título definitivo. De resto, contratou o guarda-redes Guitta e o ala Alex ao Corinthians, e o pivot Rocha ao Magnus Futsal.

Em relação às restantes equipas, o SC Braga/AAUM continuará a ser aquela que mas irá morder os calcanhares aos grandes, embora a meu ver, o fosso entre os academistas e os rivais lisboetas seja maior este ano. De resto, existe um vasto leque de equipas que irão disputar as restantes vagas de acesso ao play-off, tais como Módicus, AD Fundão, Futsal Azeméis, CCDR Burinhosa, Belenenses e CR Leões de Porto Salvo. Em termos de aquisições, dou mesmo destaque às duas últimas equipas: o clube do concelho de Oeiras contratou Paulinho e Djô, que se juntam aos internacionais portugueses Bebé, Ré e Fábio Aguiar; o clube da Cruz de Cristo apostou no regresso do treinador Alípio Matos e do guarda-redes Marcão.

Nesta temporada, o Benfica irá também disputar aquela actualmente denominada de UEFA Futsal Champions League, indo disputar a Main Round em Outubro, estando integrado no Grupo 1 junto com os espanhóis do FC Barcelona, os franceses do Kremlin-Bicêtre United e os belgas do Halle-Gooik. 

Enquanto o vice-campeão espanhol dispensa quaisquer apresentações, os restantes adversários também são equipas de respeito. Dou destaque para a equipa belga e anfitriã do grupo, que contratou o nosso antigo pivot Alessandro Patías e o ala Diogo ao Sporting CP. Os três primeiros classificados do grupo apuram-se para a Ronda de Elite.

O meu veredicto é que as finais do play-off neste ano prometem ser as melhores de sempre. Ambos os clubes possuem plantéis de luxo, sendo ainda sérios candidatos a marcar presença na Final Four da UEFA Futsal Champions League. Ao todo foram 13 vitórias em 13 jogos na pré-temporada, com destaque para as exibições de gala contra o Inter Movistar e o Magnus Futsal. Na futsal Masters Cup ficou mostrado que o nosso plantel não é minimamente inferior ao do Sporting. Esta época, a margem de erro de Joel Rocha está abaixo de zero. É ganhar ou ganhar!

Guarda-redes: Diego Roncaglio, Cristiano Marques, André Correia e Martim Figueira

Fixo: André Coelho, Marc Tolrá e Afonso Jesus

Fixo-ala: Fábio Cecílio e Slvestre Ferreira

Ala: Bruno Coelho, Tiago Brito, Rafael Henmi, Robinho, Miguel Ângelo e Bruno Graça

Ala-pivot: Fernandinho e Raúl Campos

Pivot: Fits


terça-feira, 17 de julho de 2018

Análise da época - Futsal 2017/2018


Pela primeira vez na curta história da modalidade, ficamos três épocas consecutivas sem sermos campeões nacionais. Naquela que foi provavelmente a melhor final de sempre no futsal português, caímos, mas caímos de pé. No entanto, existem coisas que não podem passar impunes e que têm de ser urgentemente corrigidas, mas já lá vamos.

A época de 2016/2017 tinha sido retirada de um quadro surrealiata. Depois de termos conquistado a Taça de Portugal e a Supertaça e de não termos perdido nenhum dos quatro jogos contra o Sporting, tínhamos conseguido a proeza de sermos eliminados nas meias-finais do play-off pelo Sporting de Braga/AAUM.

Depois do final de época vergonhoso, a secção não teve mãos a medir e fez uma revolução no plantel. Vários elementos saíram, entre os quais o guarda-redes Bebé ao fim de 11 épocas de águia ao peito e o capitão Gonçalo Alves, que iria passar a ser o team manager da equipa, com a braçadeira de capitão a ser herdada por Bruno Coelho. Por outro lado, a direcção investiu fortemente no plantel, contratando vários jogadores de renome como o guarda-redes Diego Roncaglio, os futuros campeões europeus André Coelho e Tiago Brito, o internacional espanhol Raúl Campos e o pivot brasileiro Deives Moraes. Destaque também para as promoções de três jovens campeões nacionais de júniores: o guarda-redes André Correia, o fixo Afonso Jesus e o pivot Jacaré.

Com este investimento, sempre disse e continuo a dizer que em termos de qualidade individual, o nosso plantel estava ao nível do plantel do Sporting, até porque a equipa leonina tinha de deixar 3 jogadores não-formados localmente em cada jogo. Porém, a equipa do Sporting estava muito mais rodada, visto que a maioria dos seus jogadores jogavam juntos há vários anos.

Mas as mudanças não ficaram por aqui. As contratações do Benfica tambem ditaria uma alteração no sistema táctco da equipa, que na era Joel Rocha jogava quase sempre em 3-1 com um pivot fixo, mas com as chegadas de Raúl Campos e Deives, que são dos "falsos pivots" que são mais móveis e que descaem muito para as alas, a equipa passaria a jogar mais em 4-0.

Na época anterior, a forma de jogar da equipa de Joel Rocha era muito previsível e tacticamente anárquica, muito assente nas bolas longas para o pivot para este finalizar. Essa previsibilidade custou-nos a eliminação nas meias-finais do play-off, em dois jogos em que a equipa bracarense tinha estudado a nossa equipa ao pormenor. Nesta temporada, a equipa apresentou uma maior dinâmica e fluidez de jogo mas em contrapartida, também houve momentos do jogo em que sentiu a falta de uma referência fixa na área, mas explicarei melhor essa questão mais adiante.

O modelo de jogo as equipa estava assente em dois quartetos de campo: o quarteto A, aquele que normalmente iniciava os jogos, composto por Fábio Cecílio, Bruno Coelho, Robinho e Deives; e o quarteto B composto por André Coelho, Tiago Brito, Rafael Henmi/Fernandinho e Raúl Campos; havendo ainda outros jogadores a entrar na rotação tais como Miguel Ângelo, Bruno Pinto e Afonso Jesus. Jogue quem jogasse, não havia grandes oscilações no rendimento da equipa ao longo de um jogo, o que mostrava bem a qualidade e profundidade do plantel.

No dia 2 de Setembro deu-se o jogo da Supertaça, onde como seria de esperar, a diuferença de entrosamento entre ambas as equipas faria a diferença com os leões a vencerem por 3-2, num jogo em que a nossa equipa ainda não pode contar com o guarda-redes Roncaglio pelo facto do Kairat Almaty se ter atrasado na emissão do seu certificado internacional.

Já com o campeonato a decorrer, teríamos mais dois confrontos com a equipa leonina, sendo que esta levaria novamente a melhor em ambos. Como se não bastasse, pelo meio Chaguinha lesionou-se com gravidade, não podendo dar o seu contributo à equipa durante vários meses.

Entretanto, a equipa foi crescendo à medida que a competição avançava. Aos poucos, fui mostrando aquela atitude e aquela entrega que caracterizou a primeira época de Joel Rocha no Benfica, o que me foi fazendo acreditar que este ano era possível quebrar o ciclo vitorioso leonino. Em Janeiro chegou o reforço internacional brasileiro Fernandinho. O ala de 34 anos acabara de se sagrar campeão brasileiro pelo Joinville e chegara a tempo de acompanhar a equipa no ponto alto da época: a conquista da Taça da Liga com uma vitória por 5-2 e uma exibição irrepreensível contra o Sporting. Este podia ser o ponto de viragem da época.

Seguiu-se o Campeonato da Europa na Eslovénia com quatro jogadores nossos a serem coroados com o titulo europeu, e mais de um mês depois o campeonato retomava com chave d'ouro: um derby no Pavilhão da Luz, num jogo onde os leões foram felizes e que acabaria com empate a duas bolas, ficando assim o 1º lugar da Fase Regular entregue ao Sporting CP.

Após o término da Fase Regular, chegou a Final 8 da Taça de Portugal. Nos quartos-de-final, tivemos uma vitória difícil contra o CCDR Burinhosa, num jogo marcado pela polémica expulsão de André Coelho; seguiu-se a meia-final contra o Sporting CP, num jogo onde a felicidade voltou a não estar do nosso lado com a lesão de Roncaglio e nova derrota por 4-2.

Com isto, focava-mo-nos definitivamente no campeonato, com os play-off pela frente. Depois de eliminar o Quinta dos Lombos nos quartos-de-final e o SC Braga/AAUM nas meias-finais, seguiu-se mais uma final contra o Sporting. Tal como se sucedeu no voleibol, não ganhou a melhor equipa da final, mas sim a melhor equipa da Fase Regular, tendo inclusive acontecido o feito inédito da equipa campeã ter ganho menos jogos no tempo regulamentar. Apesar disso, alguns erros e decisões técnicas também marcaram esta final para o nosso lado e ninguém pode ficar indiferente a isso. Vamos para uma análise individual a alguns dos jogadores:

André Coelho e Tiago Brito - eram dois antigos desejos meus. No futsal sempre achei muito importante que a equipa tivesse o máximo de jogadores possíveis da selecção nacional e com a chegada destes dois jogadores vindos de Braga o lote aumentou para cinco. André Coelho é um fixo puro que deu uma estabilidade defensiva que já não se via há algum tempo, para além da sua capacidade física ser essencial para fazer pressão alta sobre o adversário e de possuir um potente remate. Tiago Brito tem um pé esquerdo de excelência, um dos melhores do nosso campeonato que deu profundidade à nossa equipa;

Raúl Campos - o ala/pivot internacional espanhol foi uma das armas que o Benfica contratou para atacar as balizas adversárias. Teve um início de época discreto, com apenas 2 golos marcados nas primeiras seis jornadas (ambos ao Fabril), mas depois de se adaptar tornou-se numa das principais armas ofensivas da nossa equipa, sendo um dos jogadores em melhor forma no play-off, tendo marcado nos cinco jogos da final;

Robinho - foi o reforço que deixou os adeptos mais entusiasmados. Também teve um início de época algo discreto, visto que os seus novos colegas tinham de se habituar à sua forma de jogar. Mas assim que a equipa começou a ficar entrosada ele tornou-se no joker da equipa, no jogador que pode desbloquear um jogo com um simples gesto técnico. É daqueles jogadores que por si só vale o bilhete para o jogo;

Deives Moraes - chegou rotulado de goleador e rapidamente mostrou os dotes. Compensava a sua baixa estatura para um pivot com um grande sentido de oportunismo, sendo um jogador bastante perigoso nos nas segundas bolas. Marcou 26 golos na Fase Regular mas infelizmente, decaiu de forma no play-off, marcando apenas um golo.

Guarda-redes - a gestão dos guarda-redes revelou-se bastante incoerente ao longo da época. Foi contratado o brasileiro Diego Roncaglio ao Kairat Almaty, que rapidamente se assumiu como uma mais-valia devido à sua presença entre os postes e à sua habilidade a jogar com os pés. Como alternativas estavam os jovens Cristiano e André Correia. Roncaglio teve algumas lesões e castigos ao longo da época, mas quando esteve disponível, jogou os 40 minutos em quase todos os jogos, mesmo em jogos contra equipas do fundo da tabela e/ou em jogos que ganhávamos confortavelmente. Uma expulsão completamente irresponsável afastou-o dos três primeiros jogos da final, com Cristiano a assumir a baliza, sendo que o jovem de 21 anos também seria opção no 4º jogo, com Roncaglio já disponível. Até a este final, Cristiano tinha-se saído muito bem nas poucas oportunidades que teve, mas acabaria por ser apontado pelos adeptos como um dos principais responsáveis pela perda desta final. Eu não entro nesse lote de adeptos, mas não posso deixar de achar que ele acusou o peso da responsabilidade no 4º jogo. Como tal, acho que deveria rodar para jogar com mais regularidade e ganhar calo.

Joel Rocha - sempre disse desde o início da época que se não fossemos campeões este ano, seria o fim da linha para ele. E a verdade é que a sua prestação não foi vergonhosa como foram as de Pedro Nunes e de José Ricardo. No entanto, o acumular de insucessos e algumas decisões técnicas tomadas por si esgotaram o seu crédito de vez.

Deverão ser feitas poucas mexidas no plantel. Entre os reforços já anunciados, acho que a chegada do pivot brasileiro Fits será particularmente importante, porque sendo ele um pivot fixo na área, irá conferir à nossa equipa um modelo de jogo mais variável. Falarei melhor dos reforços ña antevisão da nova época.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

O que o título europeu poderá dar ao Benfica?


No último sábado, o desporto nacional voltou a fazer história. A selecção nacional sagrou-se campeã europeia de futsal e esta foi uma vitória para todo o desporto português. E, após ter reflectido e ter lido algumas coisas sobre esta conquista, eu acredito que este título europeu irá dar muito a ganhar ao Benfica no futuro. Mas vamos por partes:

1) Tal como aconteceu no futebol de onze, a selecção nacional de futsal conquisria um título internacional já depois da chamada "Geração de Ouro", ou seja, da geração que colocou Portugal na rota do futsal mundial. Essa geração era constituída por jogadores como André Lima, João Benedito, Pedro Costa, Arnaldo Pereira, Gonçalo Alves, Ivan, Joel Queriós, Israel... Todos eles apadrinharam Ricardinho na sua chegada à selecção nacional;

2) Ao contrário do que se verificou no Europeu de 2016, esta selecção nacional mostrou que há mais equipa para além de Ricardinho. E é aqui que, em termos clubísticos, a balança começa a pender a nosso favor. A equipa portuguesa marcou 23 golos em toda a competição, 10 deles foram marcados por jogadores do Benfica (6 de Bruno Coelho, 2 de André Coelho, 1 de Tiago Brito e 1 de Fábio Cecílio) e 5 por jogadores do Sporting (4 de Pedro Cary e 1 de Anilton);

3) Dos 14 jogadores seleccionados para representar a equipa das Quinas, apenas 6 têm menos de 30 anos. Três deles são jogadores do Benfica: André Coelho, Tiago Brito e Fábio Cecílio. Os restantes são Anilton (Sporting CP), Nilson (SC Braga/AAUM) e Márcio Moreira (AD Fundão);

4) Passando agora para os clubes propriamente ditos, o plantel do Sporting tem uma média de idades bem mais elevada que o do Benfica. Dos 17 jogadores que compõem o plantel leonino, apenas 4 têm menos de 30 anos: Anilton, Dieguinho, Edgar Varela e Gonçalo Portugal (3º guarda-redes). Já o Benfica, apesar de também ter alguns jogadores na casa dos 30 anos como Bruno Coelho, Robinho, Fernandinho e Deives, tem uma série de jogadores portugueses que têm tudo para serem apostas válidas na selecção nacional durante muitos e bons anos. Para além dos já campeões europeus, temos ainda Miguel Ângelo, Cristiano Marques, Afonso Jesus, Tiago Fernandes (actualmente emprestado ao SC Braga/AAUM), existindo também a possibilidade do Jacaré se naturalizar português;

5) Ao observarmos o historial do nosso campeonato, verificamos que uma espinha dorsal de jogadores da selecção nacional num clube, está associada ao domínio desse mesmo clube na modalidade:
5a) O Benfica dominou o futsal português na segunda metade da última década. Entre 2005 e 2010, conquistou 4 campeonatos, 3 Taças de Portugal, 3 Supertaças e uma UEFA Futsal Cup, tendo vários jogadores da selecção nacional nas suas fileiras: André Lima, Ricardinho, Pedro Costa, Gonçalo Alves, Arnaldo, Bebé, Zé Maria...
5b) O Sporting começou a assumir o domínio do título na modalidade quando se sagrou campeão nacional em 2009/2010, quebrando um jejum de 4 anos. Na altura, já tinha nas suas fileiras alguns jogadores de selecção nacional como João Benedito, Cristiano, João Matos e Djô e foi apetrechando o plantel com mais internacionais tais como Cardinal, Paulinho, Pedro Cary, Leitão...

Esta questão da média de idades pode fazer com que o Benfica possa muito bem ser campeão nacional esta época numa final à melhor de cinco com o Sporting, sem esquecer que o clube leonino terá de abdicar de três dos seus jogadores não-formados localmente em cada jogo. Mas mais importante que isso, eu acredito seriamente que a conquista deste título europeu pode muito bem ser um pronúncio de que o Benfica retome o domínio na modalidade num curto/médio prazo.

Para já, é acompanhar o que resta da temporada...

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Futsal 2017/2018


No próximo sábado, arranca a época oficial da nossa equipa de futsal. Equipa essa que está com a alma renovada após uma época que acabaou em fracasso.

Na época passada, apesar das conquistas da Taça de Portugal e da Supertaça, e de não termos perdido nenhum dos quatro confrontos contra o Sporting, o campeonato acabou com uma precoce e inesperada eliminação nas meias-finais do play-off aos pés do SC Braga/AAUM. 

Com isto, acentua-se mais o domínio do Sporting na modalidade, com o clube encarnado a conquistar apenas dois campeonatos nesta década. Aliando a isto o chocante final da época passada, tornou-se urgente avaliar a situação do nosso futsal e tentar perceber o que estava de errado. Como tal, a secção foi submetida a uma autentica revolução, com algumas mudanças na estrutura, e também uma limpeza de balneário.

Elisandro foi claramente o melhor jogador do Benfica na época passada. E a grande valia mostrada pelo pivot brasileiro valeu uma transferência para o campeão espanhol e europeu Inter Movistar. O também pivot Alessandro Patías quis regressar a Itália após 3 épocas de bom nível ao serviço do Benfica.

Houve ainda houtras saídas, desde jogadores que mostraram não estar a altura das exigências (Jefferson e Mário Freitas), reforços que foram autênticos flops (Cristian e Franklin) e outros jogadores mais experientes como Ré e Fernando Wilhelm, bem como outros já com muitos anos de casa como Bebé e Gonçalo Alves (com o ex-capitão a passar a ser team manager), seja pela simples necessidade de rejuvenescer o plantel, ou quiçá pelo excessivo poder que tivessem no balneário.

A nível de reforços, foram contratadas duas pedras basilares do SC Braga/AAUM que já são presença assídua na selecção nacional: o ala Tiago Brito e o fixo André Coelho. Assim, a equipa ganha finalmente um fixo que dá garantias. Destaque ainda para a chegada do guarda-redes Diego Roncaglio, um guarda-redes dotado de grandes reflexos e habilidoso a jogar com os pés; e do russo-bresileiro Robinho, um ala fortíssimo no 1 vs 1.

Para os lugares de Patías e Elisandro, foram contratados outros dois pivtos internacionais: o espanhol Raúl Campos, um dos goleadores da Liga espanhola oriundo do El Pozo Murcia; e o brasileiro Deives Moraes, considerado o 9º melhor jogador do mundo no ano passado, e que conquistiou recentemente a Taça dos Libertadores (onde foi melhor jogador e melhor marcador) ao serviço do Carlos Barbosa.

Destaque também para o regresso do ala Bruno Pinto após um ano emprestado ao CCDR Burinhosa (onde foi o melhor marcador da equipa) e para a promoção de dois júniores campeões nacionais na época passada: o guarda-redes André Correia e o fixo Afonso Jesus. O pivot brasileiro Jacaré também fez a pré-temporada na equipa principal.

Quanto à equipa do Sporting CP, não sofreu muitas alterações no seu plantel, mas aumentou a sua qualidade com os regressos de Cardinal e de Divanei. Por outro lado, saíram os alas Paulinho e Léo Jaraguá. Com isto, o Sporting continua com um plantel fortíssimo e com capacidade de vencr em todas as frentes.

Já o SC Braga/AAUM irá estrear-se esta época na UEFA Futsal Cup e sofreu algumas alterações no plantel, entre as quais, a ontratação de dois jovens jogadores emprestados pelo Benfica: o universal Tiago Fernandes e o pivot Ludgero, tendo contratado também o pivot Cássio que já jogou no Sporting. A equipa bracarense irá ter uma equipa competitiva, onde doseia a experiência de jogadores internacionais como Vítor Hugo e Marinho, com a juventude de jogadores em ascensão no futsal português como Bruno Cintra e Nilson.

Quanto a outras equipas da Liga Sport Zone, dou destaque a uma que vejo ter potencial para morder os calcanhares aos grandes: os Leões de Porto Salvo, que para além de terem "resgatado" Bebé e Ré ao Benfica, contrataram ainda o ala internacional português Teka ao AD Fundão. Têm certamente equipa para voltarem a estar entre os 8 primeiros classificados da liga.

Passando novamente para a nossa equipa, acredito que esta época se assistirá a uma mudança no sistema táctico e a uma nova forma de jogar na equipa. Nesta década, as equipas de futsal do Benfica sempre tiveram pivots de grande qualidade. Para além dos já referidos Elisandro e Patías, também houve outros como Joel Queirós e César Paulo.

Como tal, a táctica preferencial das equipas encarnadas tem sido o 3-1 com um pivot puro. No entanto, essa táctica tem estado a ficar ultrapassada no tempo, e actualmente é mais utilizada por equipas por procuram um jogo mais directo, como por exemplo, o caso da selecção russa. Nos últimos dois anos (principalmente no último) temos visto a nossa equipa presa a uma anarquia táctica, com o jogo a passar muito pelos atrasos ao guarda-redes e pelos pontapés longos para a zona do pivot.

Como tal, acho que a mudança dos pivots irá ditar a mudança do sistema táctico da equipa. Isto, porque Deives e Raúl Campos são pivtos de características diferentes de Patías e Elisandros, são pivots que descaiem mais para as alas e não se fixam tanto na sua zona de acção. Sendo assim, são pivots que enaixam bem numa táctia de 4-0 como aquela que o Sporting usa.

Um 4-0 é um modelo de jogo mais flúido e dinâmico, que tanto exige um forte sentido colectivo, como dá mais liberdade à qualidade individual de jogadores como Robinho, Chaguinha ou Rafael Henmi. Tiago Brito e André Coelho também estão habituados a este modelo no SC Braga/AAUM. E a contratação de Diego Roncaglio também pode ser um sinal dessa mudança, devido ao que ele pode acrescentar à equipa no 5x4 (como o Sporting faz com Marcão).

A equipa deixou boas impressões na pré-temporada, mas todos sabem que estes jogos valem o que valem. A partir do próximo fim-se-semana será a doer e nesta época a margem de erro é ZERO! Falhar não é opção. Força Benfica!

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Uma vénia a estas guerreiras!


Se há uma equipa que merece destaque, é a nossa equipa de futsal feminino, que nesta época ganhou tudo o que havia para ganhar.

Sempre tivemos equipas de qualidade nesta secção, com as quais conquistámos alguns troféus. Mas faltava a regularidade necessária para conquistar a principal prova nacional. Esta espera de 7 anos acabou no último fim-de-semana com uma vitória esmagadora sobre o CR Golpilheira por 11-0.

Numa equipa vasta de soluções, o maior destaque vai para as 3 principais jóias da coroa: A goleadora Sara Ferreira, a segunda melhor guarda-redes do mundo Ana Catarina Pereira e a capitã Inês Fernandes. A estas podemos juntar duas grandes promessas no futsal mundial: Janice Silva de 20 anos e Ana Sofia Gonçalves (Fifó) de 16 anos.

Para além destas atletas que por norma, compunham o 5 inicial da equipa a cada jogo, existe ainda um vasto leque de atletas que, não tendo a proponderância das outras 5, também se afirmaram como apostas válidas para a equipa, tais como Cláudia Pereira (Nina), Débora Lavrador, Kátia Tavares, Maria Pereira, Margarida Alves (Guidinha) e a guarda-redes Bety Delgado, que foi decisiva nas conquistas da Taça de Honra e da Supertaça.

E isto, sem esquecer da pivot brasileira Rafaela Del'Mas, que após uma lesão grave que a deixou quase um ano no estaleiro, também se revelou como uma peça importante na equipa. Houve também as atletas ainda júniores como Raquel Santos, Cláudia Costa (Claudinha) e Patrícia Mexia, que também deram o seu contributo à equipa quando tiveram oportunidade para tal.

Destaque também para o grande trabalho do treinador Bruno Fernandes, que é um treinador que considera todas as atletas importantes, e sempre soube gerir o plantel de forma exemplar, perante as muitas lesões que houve ao longo da época. Desta união de grupo, resultou uma equipa com um espírito de entre-ajuda notável, que luta do primeiro ao último segundo de cada jogo.

Mas como diz o ditado, é difícil chegar ao topo, mas é muito mais difícil manter-se lá em cima. E há-que trabalhar ainda mais duro para levar a melhor sobre os adversários, já que agora somos o alvo a abater.

PS: para quando uma UEFA Futsal Cup feminina?

quinta-feira, 15 de junho de 2017

A culpa não pode morrer solteira


Terminou de forma conturbada a época da nossa equipa de futsal. Ainda me custa muito a engolir o que aconteceu, mas agora que a época acabou, há que analisar o que correu mal.

Fazendo o balanço geral da época, acho que esta equipa foi muito bipolar, tanto em termos de resultados, como em termos de exibições. Na Taça de Honra da AF Lisboa, fomos eliminados nas meias-finais pelos Leões de Porto Salvo, mas nessa altura ainda não contávamos com os jogadores internacionais que estavam a preparar o Mundial.

Na Taça da Liga, fomos novamente eliminados nos quartos-de-final pelo Fundão. No entanto, conseguiríamos conquistar a Taça de Portugal e a Supertaça. Não deixa de ser uma época que também teve aspectos positivos, mas isso não pode encobrir os problemas desta modalidade.

Antes de mais, devo dizer que Joel Rocha falhou redondamente na gestão emocional da sua equipa. No último jogo, a equipa estava nervosa e os nossos jogadores reagiam a quente. A expulsão ridícula do Henmi é um sinal de falta de controlo emocional. Faltou serenidade e sangue frio à nossa equipa para conseguir vencer o jogo.

Mas, dadas as circunstâncias, será que o principal priblema do futsal do Benfica será Joel Rocha? Sinceramente, não me parece. Devo lembrar que, nos dois anos antecedentes à sua chegada, o Benfica ganhou apenas uma Supertaça. E com Joel Rocha no comando técnico da equipa, o nosso futsal já conquistou 6 troféus: 1 campeonato, 2 Taças de Portugal (e finalista vencido na outra), 2 Supertaças e uma Taça de Honra da AF Liaboa, e chegou ainda a uma Final Four da Uefa Futsal Cup. E isto, jogando contra as melhores equipas do Sporting da história da modalidade.

Para mim, o problema da secção está para além do treinador (Alípio Matos e companhia). Depois, acho também que a equipa precisa de ser um pouco rejuvenescida e que deve haver mais critério na contratação de jogadores, principalmente nos estrangeiros.

Elisandro foi craque. Provavelmente, o melhor jogador a passar pelo nosso futsal a seguir ao Ricardinho. Foi craque, ao ponto de ter sido vendido. Não, não é para criticar. Não é muito comum nas modalidades vermos um clube disposto a pagar para contratar um jogador. Renderá 70 mil euros aos cofres das águias. Restará à secção aproveitar o dinheiro para investir de forma séria e rigorosa.

Cristian e Franklin foram dois flops. Esperava muito mais de ambos. Jefferson e Mário Freitas também pouco ou nada acrescentam à equipa. Fernando Wilhelm também teve um desempenho irregular nestes dois anos de águia ao peito, esperava-se mais e melhor do capitão da selecção campeã mundial,

Os jovens Cristiano e Tiago Fernandes têm de começar a ser mais vezes lançados aos leões. E, tendo em conta que fomos campeões nacionais de júniores, o futuro também pode passar por aqui. Não no imediato mas sim a médio prazo. Jogadores como André Corrreia, Afonso Jesus, Jair Varela e o brasileiro Jacaré prometem dar que falar.

Quanto a reforços, já se falaram em muitos nomes, mas de momento só está um confirmado: o fixo do SC Braga André Coelho. É claramente um jogador de grande qualidade, mas é preciso mais. Acredito que haja granves mudanças nesta secção, mas o futuro confirmará isso.
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