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sábado, 19 de janeiro de 2019

Entre a identidade e a estratégia


Dupla missão superada na cidade-berço. Em dois jogos que foram tudo menos fáceis, a nossa equipa conseguiu passar com distinção, apurando-se para as meias-finais da Taça de Portugal e mantendo a distância para o FC Porto no campeonato.

Terça-feira, Bruno Lage manteve o mesmo onze em relação ao jogo nos Açores, excepto na baliza, com Svilar a voltar a assumir a titularidade na Taça. A equipa do Benfica entrou muito bem no jogo da Taça de Portugal, conseguindo controlar o jogo bom bola, jogando no meio-campo adversário. Criou a primeira ocasião logo aos 2 minutos com Zivkovic a obrigar o guarda-redes vitoriano a uma defesa atenta, mas seria com alguma naturalidade que viria a inaugurar o marcador aos 14 minutos, numa jogada que costuma ser bastante aplicada em equipas como o Chelsea e o Manchester City: o defesa-central com a bola controlada no meio-campo adversário, faz um passe longo em profundidade para a área adversária, com o avançado a explorar as costas da defesa. Neste caso, Rúben Dias lançou João Félix (não é Félis, sr Bruno Prata), com este a receber primorosamente a bola, acabando por levar a melhor sobre o guarda-redes João Miguel Silva. Depois do jogo, a equipa vitoriana equilibrou o jogo, estando perto de conseguir o empate aos 19 minutos num remate ao lado de Alexandre Guedes. O jogo permaneceu bastante dividido e disputado, não havendo mais golos até ao intervalo.

Na segunda parte vimos a equipa da casa com uma postura diferente: mais agressiva, mais pressionaste, jogando no nosso meio-campo, fazendo com que o espaço entre linhas na nossa equipa fosse maior, o que nos causou bastantes dificuldades na construção de jogo. Apesar do maior ascendente da equipa de Luís Castro, este traduziu-se em apenas numa ocasião de perigo, num remate cruzado de Davidson aos 66 minutos. De modo a dar uma melhor resposta às constantes alterações de dinâmica da equipa da casa, Bruno Lage procedeu a alterações na estrutura táctica da equipa no momento defensivo, passando a defender em 4-5-1 (João Félix recuou para a linha média, deixando Seferovic sozinho na frente), conseguindo assim estancar a pressão dos vitorianos.

No final, a equipa conseguiu uma suada, mas justa vitória. Svilar esteve bastante seguro, entre e a sair dos postes. Pizzi e Zivkovic sentiram-se particularmente desconfortáveis com a pressão da equipa da casa e estiveram muito discretos, principalmente na segunda parte. Gabriel foi a meu ver, o melhor em campo pela forma como liderou o meio-campo, apesar de não ter sido muito eficaz no passe, graças ao maior espaço entre linhas da nossa equipa.

A meu ver, houve duas mudanças que se destacaram neste jogo: primeiro, os nossos defesas-centrais procuram assumir mais o jogo com bola, saindo a jogar com ela controlada. Jardel ainda se sente muito desconfortável neste papel, visto aos 32 anos (fará 33 no dia 29 de Março), está provavelmente a desempenhar estas funções pela primeira vez na carreira. Segundo, uma maior ligação entre jogadores e adeptos, que se verificou tanto no final do jogo, como no treino aberto aos adeptos no dia seguinte em Fafe.


Seguiu-se o jogo de sexta-feira, desta feita para o campeonato, com Bruno Lage a fazer cinco alterações na equipa titular em relação ao jogo da Taça, com destaque para as presenças de Samaris e Castillo no onze inicial. Já do lado vimaranense, destaque para os regressos de Tozé e de André André

Neste jogo, a equipa do Vitória voltou a entrar em campo com as linhas subidas e a procurar dominar o jogo com bola, montando uma estrutura de 3-4-3 em organização ofensiva. A equipa encarnada, na tentativa de ser mais bem sucedida na construção de jogo a partir de trás, jogou com um duplo pivot no miolo composto por Samaris e Gabriel, mas a pressão exercida pelos médios interiores do Vitória (André André e Amoah) dificultou muito a nossa tarefa. Por outro lado, a nossa equipa explorou as transições ofensivas, revelando verticalidade e objectividade, conseguindo aí duas boas ocasiões de perigo à entrada da área, por intermédio de João Félix e Pizzi.

Já a equipa da casa, apesar de a espaços conseguir jogar no nosso meio-campo, continuava a mostrar bastantes dificuldades em chegar à nossa área com a bola controlada. Com isso, as primeiras ocasiões de perigo também surgiram através de remates de meia-distância, primeiro por André André a rematar à meia volta com a bola a sair ligeiramente por cima, e depois por intermédio de Tozé após um pontapé de canto, obrigando Vlachodimos a uma grande defesa. Já perto do intervalo, o guarda-redes internacional grego voltou a ser chamado a intervir após um remate rasteiro de Alex Guedes, na única ocasião em que os vitorianos conseguiram chegar à nossa área com critério. As duas defesas de Odysseas acabaram por se mostrar decisivas.

Na segunda parte, viu-se o pior Benfica da era Bruno Lage. A equipa da casa começou a fazer uma pressão sufocante sobre a nossa equipa, impedindo-a completamente de construir jogo a partir de trás, tirando ainda partido da falta de ritmo de Conti e Samaris. No entanto, permaneciam as dificuldades em criar ocasiões de perigo. Apesar das dificuldades, a nossa equipa não se deixou levar pelo desespero de mandar chutões para a frente e numa das raras ocasiões em que conseguiu jogar no meio-campo adversário, Gabriel encontra um espaço para explorar em profundidade, para o qual faz um passe a rasgar as linhas adversárias a partir do qual André Almeida fez a assistência para Seferovic encostar. Depois do golo, a equipa da casa foi-se abaixo emocionalmente e a nossa equipa soube gerir o jogo até ao final.


Gabriel voltou a ser dono e senhor do nosso meio campo. Conti também esteve muito bem, apesar d alguns erros forçados pela pressão do adversário. Samaris entrou algo nervoso, mas acalmou com o passar do tempo, realizando uma exibição segura. Cervi passou mais tempo no chão do que a jogar à bola.

Como Bruno Lage falou numa das conferências de imprensa, não é fácil implementar uma nova identidade e modelo de jogo e ter de preparar tantos jogos ao mesmo tempo. E com isso, estes dois jogos deram-nos uma lição muito importante: nem sempre é possível jogar da forma como a equipa quer, mas mesmo quando a equipa está fora da sua zona de conforto, esta tem de mostrar competência. E nesse aspecto, a nossa equipa passou com distinção. Sobretudo, devido à lealdade de Bruno Lage na sua estratégia, que consistia em jogar com um bloco coeso no momento defensivo em vez de sair na pressão ao portador da bola, impedindo assim a criação de espaços na zona central do terreno que a equipa do Vitória de Guimarães poderia explorar. 

Dadas as circunstâncias, deve-se dizer que este resultado é injusto para a equipa de Luís Castro, que nos submeteu a dificuldades que já não víamos há algum tempo. No entanto, devo relembrar três factos: primeiro, com estas duas vitórias, o Benfica atingiu o melhor registo sempre em vitórias consecutivas contra o clube da cidade-berço com 12 vitórias;  segundo; esta equipa vimaranense já derrotou os rivais nesta época; terceiro, antes desta semana, o Vitória SC só tinha uma derrota em casa nesta época (contra o Feirense na 2ª jornada do campeonato).

Segue-se mais uma semana no Minho, desta vez em Braga com a Taça da Liga. Carrega Benfica!

segunda-feira, 28 de maio de 2018

O futuro está assegurado!


No último dia 19 de Maio, a nossa equipa de júniores conquistou o seu 24º título de campeão nacional no escalão, título esse que foi consumado com uma vitória sobre o Leixões SC por 3-1, na antepenúltima jornada da Fase de Apuramento do Campeão nacional.

Este título foi conseguido cinco anos após o último campeonato ganho no escalão, em 2012/2013, com aquela que ainda hoje é uma das melhores gerações de sempre do Caixa de Futebol Campus, que contava com Bruno Varela, João Cancelo, Fábio Cardoso, João Teixeira, Bernardo Silva, Hélder Costa e Sancidino Silva.

Daí para a frente, a política dos escalões jovens mudou, principalmente da equipa de júniores. Daí para a frente, a conquista do título de sub-19 deixou de ser uma prioridade. A partir dessa altura, o clube começou a dar uma maior importância à evolução individual de cada jogador, promovendo-lhes a competição necessária para que pudessem continuar a evoluir. Com isso, os jogadores de uma certa geração com maior potencial "queimavam etapas" e eram promovidos aos escalão seguinte.

Com esta nova política, a equipa de júniores foi a que mais ficou prejudicada, porque tendo em conta que a equipa B era a etapa de formação em que os nossos jovens jogadores estabeleciam o primeiro contacto com a realidade do futebol sénior profissional, os juniores de maior potencial eram promovidos para a equipa B e jogavam apenas pelo seu escalão nos jogos da Youth League e num ou noutro jogo do campeonato.

Nesta temporada, que ficou marcada por mudanças na direcção do CFC, com Nuno Gomes a ser substituído por Pedro Mil-Homens, a política mudou. Na Fase de Apuramento do Campeão, João Tralhão fez regressar João Félix, João Filipe e Nuno Santos da equipa B e mais tarde, Florentino Luís e Gedson Fernandes seguiram o mesmo caminho. Isto, numa temporada em que os adversários directos começaram a adoptar a mesma política: o FC Porto promoveu Diogo Costa, Diogo Dalot, Diogo Leite e Diogo Queirós; o Sporting CP promoveu Tiago Djaló, Miguel Luís e Rafael Leão; o Sporting de Braga promoveu Francisco Trincão.

Na 1ª fase da Zona Sul, a política manteve-se. João Tralhão acolheu a talentosa geração de 2000, que contava com jogadores como Pedro Álvaro, Gonçalo Loureiro, Diogo Capitão, Tiago Dantas, Rodrigo Conceição, Kevin Csobooth, Luís Lopes e o ainda juvenil Úmaro Embaló, bem como o montenegrino Vukotic, recrutado ao Vitória de Setúbal.

Sem João Félix e companhia, a espinha dorsal da equipa de júniores na Zona Sul era maioritariamente constituída por júniores de primeiro ano. E apesar de termos perdido os dois jogos contra o Sporting (0-2 no Seixal e 2-1 em Alcochete), terminámos a Zona Sul como líderes isolados (algo que não tinha acontecido nas últimas duas temporadas), muito graças aos 16 golos marcados por Luís Lopes.

Já na Fase de Apuramento de Campeão tivemos um percurso praticamente irrepreensível, que nos valeu o título nacional a duas jornadas do fim. Farei agora aqui uma análise a alguns dos jogadores e posições desta equipa:

Diogo Garrido e Celton Biai - Diogo Garrido foi um dos poucos júniores de 2º ano titulares na Zona Sul. No entanto, problemas com lesões acabariam por entregar as nossas redes a Celton Biai, ainda júnior de 1º ano. Mas a verdade é que a meu ver, nem um num o outro mostram o potencial necessário para aspirarem por um lugar na equipa principal no futuro. Foram o elo mais fraco da equipa;

Luís Pinheiro e Nuno Tavares - ambos júniores de primeiro ano, foram os donos das laterais direita e esquerda, respectivamente. Ambos mostraram ser jogadores bastante competentes ao longo da época, sólidos a defender e eficientes a atacar. São dois jogadores a observar num futuro próximo;

Pedro Álvaro, Gonçalo Loureiro e Miguel Nóbrega - os três ainda são júniores de primeiro ano. O primeiro já foi habitual titular nos júniores na época passada e já se estreou na equipa B. Os três alternaram entre si as duas vagas no centro da defesa. Ambos mostram boas qualidades a nível físico e técnico. Porém, na posição em que jogam precisam de ser mais agressivos. Essa lacuna foi particularmente visível nos jogos da Youth League, mas o talento e o potencial estão lá;

Diogo Capitão - foi o pronto-socorro da equipa. é médio-defensivo de origem, mas também tem sido aposta a defesa-central e lateral-direito, mostrando ser um jogador bastante seguro em ambas as posições. Outro jogador a observar;

Ilija Vukotic - um achado. Não tem muita qualidade técnica, mas é inteligente a ler o jogo, sabendo colocar-se no sítio certo para recuperar a bola. Também foi um grande auxilio à defesa, devido à sua grande estampa física e agressividade. Poderá estar aqui o derradeiro sucessor de Ljubomir Fejsa;

Tiago Dantas - teve o infortúnio de se lesionar com gravidade já na fase de apuramento do campeão. Comecei a observá-lo na época passada quando ainda era juvenil e vi que está ali um nº 10 puro. Tem aquele toque de bola que só pertence aos craques e é capaz de resolver um jogo com um simples gesto técnico. Se evoluir fisicamente como Bernardo Silva evoluiu, tem tudo para se tornar num caso muito sério no futebol português;

David Tavares - foi resgatado ao Sporting e na época passada, foi um dos poucos jogadores que sobressaiu no campeonato, destacando-se como um extremo tecnicista e desequilibrador. Nesta temporada, parecia estar a perder-se ao ter sido apenas duas vezes titular até Janeiro, sendo que numa dessas vezes foi expulso aos 15 minutos de jogo. No entanto, já nesta segunda fase ele apareceu no onze titular no meio-campo. Dono de uma capacidade física acima da média para a sua idade, David Tavares alia a qualidade técnica e uma grande entrega ao jogo, tornando-se num dos jogadores mais importantes na conquista do título. Excelente trabalho de João Tralhão ao transformar este extremo num box-to-box;

Luís Lopes - chegou ao Benfica a meio da época passada e rapidamente mostrou os seus dotes de goleador. Foi o artilheiro da Zona Sul, mostrando-se como um avançado bastante completo. Um avançado bastante móvel, tecnicista, bom no jogo aéreo e também um bom executante de livres directos;

João Felix - dos jogadores que vieram da equipa B, é o único de que irei falar. Isto porque antes, ele tinha jogado preferencialmente a médio ofensivo ou a extremo, onde já mostrava um grande potencial. Mas ao regressar aos juniores assumiu-se como a principal referência ofensiva da equipa, e de que maneira! O menino de 18 anos é um autêntico quebra-cabeças para as defesas adversárias com a sua técnica inteligência de jogo acima da média e a sua capacidade de progredir no terreno de jogo com a bola coladinha ao pé não deixa ninguém indiferente. Na próxima época, no mínimo fará a pré-temporada na equipa principal.


Agora, há aqui outra coisa que quero falar. Como referi acima, nesta temporada, os juniores que jogavam na equipa B foram despromovidos para disputar a Fase do Apuramento de Campeão. Mas afinal, o que é que levou o clube a reverter essa política?

A resposta é simples: Youth League. Ao contrário do campeonato, a Youth League tem sido uma competição onde a nossa equipa de júniores tem apostado forte. Em cinco edições disputadas, a nossa equipa foi finalista vencida em duas e chegou aos quartos-de-final noutras duas. Só nesta temporada a equipa não conseguiu passar a Fase de Grupos devido a um golo mal anulado no jogo da última jornada.

Como todos devem saber, cada clube cuja equipa senior consegue apurar-se para a Fase de Grupos da Champions, a sua equipa de júniores entra automaticamente na Youth League, jogando contra os mesmos adversários da equipa sénior. O que muitos ainda não sabem, é que existe uma ronda
"alternativa" da Youth League, onde se disputam os campeões de juniores dos respectivos países.


Esta ronda foi criada a partir da temporada 2015/2016, sendo apelidada de Caminho dos campeões nacionais. A ronda funciona da seguinte forma:

Este caminho dos campeões nacionais é composto pelos clubes campeões nacionais de júniores dos 32 países melhor classificados no ranking da UEFA. Caso uma desses clubes já tenha conseguido o apuramento para a competição através da sua equipa sénior, esses clubes irão disputar o caminho da UEFA Champions League, ou seja, irá disputar a Fase de Grupos; sendo que a sua vaga será ocupada pelo campeão nacional júnior do país seguinte mais bem classificado (se houver uma equipa campeã na Fase de Grupos, irá o campeão do júnior do 33º classificado do ranking e assim sucessivamente).

Estas 32 equipas que entram no Caminho dos Campeões disputam-se em eliminatórias a duas mãos. Sendo o Caminho dos Campeões composto por duas eliminatórias, no final das mesmas irão sobrar oito equipas.

Posteriormente, as oito equipas que sobreviveram ao Caminho dos Campeões irão disputar um play-off contra os segundos classificados da Fase de Grupos. Esse play-off é decidido em apenas uma mão e é sempre disputados em casa das equipas que passaram pelo Caminho dos Campeões.

No final, as equipas que saírem vencedoras desse play-off irão disputar os oitavos-de-final com um dos primeiros classificados da Fase de Grupos.


Ora, como todos também devemos saber, Portugal teve recentemente uma queda no ranking da UEFA que fez com que nesta temporada, apenas o campeão nacional tenha acesso directo à Fase de Grupos. Ora, tendo em conta queda no ranking e também a época menos conseguida que a nossa equipa principal vinha a fazer, o clube decidiu precaver-se desta forma de modo a conseguir apurar-se para a Youth League.

Como tal, a nossa equipa de júniores já tem a vaga garantida através do Caminho dos Campeões, mas caso a nossa equipa sénior consiga carimbar o apuramento para a Fase de Grupos da Champions no início da próxima época, a nossa equipa de juniores disputará a Fase de Grupos e a sua vaga será atribuída a um campeão nacional júnior de outro país.

E se as coisas correrem bem, muitos destes campeões nacionais de juniores irão disputar a UEFA Champions League daqui a uns aninhos...


quarta-feira, 23 de maio de 2018

A essência das equipas B



A Segunda Liga acabou e a nossa equipa B terminou o campeonato no 12º lugar. Apesar da manutenção só ter sido assegurada nesta última jornada, a equipa nunca esteve numa situação realmente alarmante que tornasse a despromoção num cenário muito provável.

Há umas semanas atrás, a imprensa noticiou que Hélder Cristóvão estaria de saída do Benfica no final da temporada. Pouco depois, o próprio confirmou a sua saída numa entrevista ao jornal "A BOLA", considerando que está na hora de fechar este ciclo e de dar o passo seguinte na sua carreira.
Como tal, sintome na necessidade de falar aqui da política das equipas B, visto que este é um assunto que está longe de gerar consensualidade, e também porque Hélder Cristóvão era provavelmente, o treinador do Benfica que mais adeptos queriam que fosse escorraçado do clube.

Quem me conhece, sabe que não sou um fã incondicional dele no aspecto técnico-táctico e que já defendi a sua saída. Porém, após a época vergonhosa em que a nossa equipa B quase desceu de divisão, aprendi também a perceber a essência das equipas B e que acima de tudo, na formação, os resultados colectivos são importantes, mas não são imprescindíveis. E como tal, quero esclarecer aqui uns pontos quanto à equipa B e ao Hélder.

1) Política
Uma coisa que muitos adeptos teimam em entender, apesar desta já estar inserida no escalão sénior, a equipa B é uma etapa de formação. É uma etapa que permite aos nossos jovens jogadores terem um primeiro contacto com o futebol profissional, que lhes permita continuarem o seu crescimento, e também servir de rampa de lançamento para patamares competitivos mais elevados.
Ora, quem acompanha a nossa equipa B desde o seu início na temporada de 2012/2013, deve ter percebido logo que o principal objectivo desta equipa era o desenvolvimento e potencialização dos nossos jogadores, como se verificou pelo facto de jogadores como João Concelo e Fábio Cardoso na altura ambos com idade de júnior) fizeram mais de 20 jogos pela equipa B nessa época.
Isto mostra que a política de formação do nosso clube passa por promover aos nossos jovens patamares competitivos que lhes permitam crescer e evoluir, daí promoverem os jogadores de maior potencial de cada escalão para o escalão seguinte. Outra coisa a verificar é que época após época, a média de idades da nossa equipa B tem vindo a ser cada vez mais baixa;

2) Saída de Hélder
Se Hélder Cristóvão saísse do Benfica pelos reulstados, era sinal que o nosso presidente estaria a ser extremamente incoerente. Se houvesse uma altura certa para ele sair por esse motivo, seria há duas épocas atrás quando a equipa B quase desceu de divisão.
Hélder revelou na entrevista que recebeu uma convite de fora para abraçar um novo desafio e este convite é um sinal de reconhecimento do seu trabalho, pelo desenvolvimento e potencialização dos jovens que estão agora a dar cartas na equipa principal e até no estrangeiro e que renderam milhões aos cofres do clube;

3) Critérios de avaliação
Outra coisa que muitos benfiquistas teimam em entender, é que os critérios de avaliação de um treinador de um escalão de formação são diferentes dos critérios de avaliação de um treinador de uma equipa sénior.
Um treinador de uma equipa principal é avaliado pelo desempenho desportivo da sua equipa, tal como se sucede com Rui Vitória, José Ricardo, Pedro Nunes, Joel Rocha, José Jardim, Carlos Resende, Paulo Almeida, Bruno Fernandes...
Já um treinador de formação é avaliado pela evolução dos atletas que recebe e que treina na sua equipa. Assim também se verifica com João Tralhão, Renato Paiva, Luís Nascimento, etc. E é nesse critério que Hélder Cristóvão tem nota máxima;

4) Trabalho de uma equipa B
Hélder Cristóvão é provavelmente, o treinador de futebol do Benfica com o trabalho mais dificultado. O próprio Hélder Cristóvão referiu na entrevista que um quem treina uma equipa B tem de lidar com constantes entradas e saídas de jogadores. Hélder sempre lidou com isso, e nesta temporada, esse cenário acentuou-se nesta segunda metade da temporada. Com o regresso de João Félix, João Filipe, Nuno Santos e Gedson Fernandes aos júniores, as constantes chamadas de Keaton Parks e Willock ao plantel principal, chamadas de jogadores para treinarem com a equipa principal e também algumas lesões, fizeram com que Hélder Cristóvão tivesse trabalhado ultimamente com um grupo de jogadores mais restrito. E em parte, a quebra de rendimento da equipa nesta segunda volta também se deve a isso;

5) "Ah e tal se eles já eram bons nas camadas jovens é normal que também sejam nos séniores."
Quem acompanha futebol sabe perfeitamente que infelizmente, as coisas não são assim tão lineares. Se assim fosse, não haveriam as chamadas promessas adiadas no futebol mundial. Refiro aqui dois exemplos no Benfica:
Diego Lopes foi uma das primeiras pérolas do Caixa de Futebol Campus. Foi craque em todos os escalões onde passou, até que no seu segundo ano de júnior, foi emprestado ao Rio Ave e nem chegou a passar pela equipa B. Actualmente, regressou ao Rio Ave em Janeiro após passagens pela Grécia e pela Turquia. Em contra-partida, Bernardo Silva só começou a dar nas vistas no seu último ano de júnior e após um ano na equipa B, convenceu um clube francês a pagar 15 milhões de euros por ele;

6) "Qualquer treinador da Primeira Liga consegue fazer o que o Hélder está a fazer."
Outro mito que não passa de um autêntico disparate. O futebol que melhor explora as potencialidades dos jovens jogadores e faz com que estes evoluam é aquele futebol de posse e apoiado, que permite aos jogadores que consigam recriar-se com a bola nos pés.
Existem treinadores na Primeira Liga que implementam essa ideia de jogo, como o Luís Castro e o Miguel Cardoso. No entanto, também existem os apologistas do autocarro e do anti-jogo. E quem acha que os jovens jogadores conseguem crescer e evoluir com uma táctica de autocarro percebe tanto de futebol como eu de física quântica.

7) A importância dos resultados
a) FC Porto B 2015/2016
Como muitos se devem lembrar, a equipa B do FC Porto treinada por Luís Castro venceu a Segunda Liga em 2015/2016. Analisemos a época de 17/18 de alguns jogadores dessa equipa:

- Raúl Gudiño => 7 jogos no APOEL Nicosia (2 no campeonato)*
- Víctor García => 21 jogos no Vitória de Guimarães (13 no campeonato)
- Maurício => depois de 48 jogos e três golos no Marítimo, joga agora nos japoneses do Urawa Reds (30 jogos e 4 golos)*
- Rafa Soares => 3 jogos no Fullham mais 11 jogos no Portimonense*
- Chidozie => 23 jogos e um golo no Nantes (22 no campeonato)
- Diogo Verdasca => 29 jogos no Saragoça (27 no campeonato)
- Pité => 7 jogos no Tondela (6 no campeonato)
- Francisco Ramos => 23 jogos no Vitória de Guimarães (14 no campeonato)
- João Graça => 12 jogos no Feirense (9 no campeonato)
- Tomás Podstawski => 32 jogos e um golo no Vitória de Setúbal (25 no campeonato)
- Omar Govea => 36 jogos e 4 golos no Mouscron
- André Silva => 39 jogos e 10 golos no AC Milan (23 jogos e 2 golos no campeonato)
- Ismael Díaz => 12 jogos e 6 golos no Deportivo B
- Leonardo Ruiz => 21 jogos e um golo no Boavista (19 no campeonato)
*saiu a equipa B do FC Porto a meio da época

Estes eram os jogadores mais influentes da equipa B que conquistou a Segunda Liga há duas épocas atrás. E como se pode ver, nem todos jogam futebol ao mais alto nível nem jogam com regularidade nos respectivos clubes.

b) Real Madrid Castilla 2006/2007




A equipa B do Real Madrid desceu da segunda para a terceira divisão espanhola na temporada 2006/2007. Aqui deixo alguns jogadores que pertenciam a essa equipa e onde se encontram actualmente:

- Juan Manuel Mata => actualmente no Manchester United. 41 internacionalizações e 10 golos pela selecção espanhola. Conquistou o Mundial em 2010, A Champions League e o Campeonato da Europa em 2012, e a Liga Europa em 2013;
- Álvaro Negredo => actualmente no Besiktas. 31 internacionalizações e 10 golos pela selecção espanhola. Conquistou o Campeonato da Europa em 2012 e a Premier League em 2014;
- Javi Garcia => actualmente no Real Betis. Duas internacionalizações pela selecção espanhola. Foi campeão português em 2010, campeão inglês em 2014 e campeão russo em 2015;
- Esteban Granero => actualmente no Espanyol. Campeão espanhol em 2012;
- Borja Valero => actualmente no Inter de Milão. Uma internacionalização pela selecção espanhola;
- Daniel Parejo => capitão do Valência. Uma internacionalização pela selecção espanhola;
- José Callejón => actualmente no Nápoles. Cinco internacionalizações pela selecção espanhola. Campeão espanhol em 2012;
- Kiko Casilla => actual suplente de Keylor Navas no Real Madrid após quatro épocas ao serviço do Espanyol. 1 internacionalização pela selecção espanhola.

Como podem verificar, nenhum deste jogadores conseguiu mais do que ser uma segunda linha na equipa principal merengue (casos de Casilla, Granero e Callejón). No entanto, esta descida de divisão que consumaram quando começaram as suas carreiras séniores, não os impediu de construírem carreiras sólidas no futebol espanhol e europeu, fazendo carreira em campeonatos de topo e sendo internacionais pela roja.


Moral da história: não existe nenhuma correlação directa entre a evolução de um jovem jogador e os resultados desportivos que a sua equipa obtém. Na formação, os resultados são importantes, mas não são imprescindíveis. E a prova viva disso é que o Cristiano Ronaldo nunca foi campeão nacional na sua formação e isso não o impediu de chegar onde chegou. E eu apoio a 100% a política de meter os nossos jovens de maior potencial a jogar num escalão superior para terem um estímulo competitivo que lhes permita crescer e evoluir.




domingo, 23 de abril de 2017

Não há prémio do Dubai que resista


Amanhã, os nossos miúdos têm mais uma oportunidade para concretizar o sonho europeu. Depois da chegada à final na primeira edição da Youth League em 13/14 , agora há uma nova oportunidade para conquistar o ceptro europeu, desta vez contra um outsider: o Red Bull Salzburgo.
As aparências iludem. A equipa austríaca participou na Youth League porque foi a campeã doméstica no escalão e tem surpreendido a Europa pela forma como joga. Eliminando o Manchester City no play-off, o PSG (vice-campeões europeus) nos oitavos-de final por 5-0, o Atlético de Madrid nos quartos-de-final e o Barcelona nas meias-finais. No seu percurso, marcou 27 golos e sofreu apenas quatro.
Esta equipa do RB Salzburgo faz uma pressão muito alta e é muito rápida a circular a bola e há que ter muito cuidado, principalmente com os avançados Hannes Wolf e Mergim Berisha. Por outro lado, a sua linha defensiva subida pode ser muito bem explorada pelo nosso tridente do meio-campo ofensivo: Diogo Gonçalves, João Félix e João Filipe.
Esta prestação tem sido menos deslumbrante que a de 2013/2014, mas mesmo assim, temos visto uma equipa a melhorar de jogo para jogo. E existem feitos quanto à nossa equipa de juniores que acho que merecem ser mencionados.
A equipa de sub-19 do Benfica é aquele com mais golos marcados (88) e mais jogos disputados na história da competição, tendo vencido 22 dos 36 jogos disputados, todos eles sob o comando técnico de João Tralhão. Diogo Gonçalves é de momento, o jogador encarnado com mais golos marcados na competição. O avançado alentejano tem onze tentos apontados na competição, estando a quatro do record que pertence ao espanhol Borja Mayoral.
Depois, passando para esta época em particular, há algo que também quero referir. Em toda a caminhada nesta competição, João Tralhão utilizou apenas 2 jogadores estrangeiros: o defesa-central Kalaica e o avançado Vinícius Ferreira. A equipa do Real Madrid jogou de início contra a nossa com 3 estrangeiros e utilizou mais um como suplente. E a equipa do RB Salzburgo jogou de início contra o Barcelona entrou de início com 5 jogadores estrangeiros, e o autor do golo da vitória (que saltou do banco de suplentes) também é estrangeiro.
Assim, dá também para perceber o grande contributo que o nosso clube tem dado para o crescimento do futebol jovem em Portugal. E, independentemente do resultado da final de amanhã, ninguém pode retirar este mérito à nossa equipa. Força miúdos!


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