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terça-feira, 7 de agosto de 2018

As notas da pré-temporada do Benfica


A pré-temporada acabou e os jogos oficiais estão prestes a começar. E há notas que devem ser tiradas. E Benfica mexeu-se com tempo no mercado, colmatando algumas das lacunas no plantel. Temos mais profundidade na defesa com Conti, Lema e Yuri Ribeiro; e no meio-campo com Gedson Fernandes e Alfa Semedo. Vlachodimos também parece dar garantias na baliza, mas ainda é cedo para concluir se será um guarda-redes que garante pontos. Castillo deixou impressões positivas e Ferreyra foi assolado por alguns problemas físicos. Ambos ainda estão a adaptar-se à nossa equipa.

A chegada de jogadores como Lema, Gedson, Alfa Semedo e Castillo também deram mais capacidade/física à equipa do que nas últimas duas épocas. Mas ainda estamos a uns furos abaixo da equipa do FC Porto nesse aspecto. A chegada de um box-to-box iria ajudar muito...

Antes de mais, devo dizer que eu sou do tempo em que o Benfica dos Torneios do Guadiana para matar a fome de títulos. Por isso, o facto do Benfica ganhar ou não troféus na pré-época é-me completamente irrelevante. Em termos de resultados, esta terá sido a melhor pré-temporada do Benfica na era Rui Vitória. Em termos de processo de jogo, também é melhorias em relação à época passada, com a equipa a mostrar sinais positivos, tanto em 4-3-3 como em 4-4-2.

No entanto, esta pré-temporada também me fez perceber que existe um problema que persiste desde o início e que irá sempre perdurar enquanto Rui Vitória estiver no Benfica. É assim: o modelo de jogo de Rui Vitória está muito assente nos aspectos defensivos: a pressão alta sobre o adversário, a linha defensiva subida, o espaço entre linhas, a reacção à perda de bola, a circulação de bola de forma apoiada desde a zona defensiva até à zona de criação.

O problema é que Rui Vitória não treina um modelo de jogo ofensivo. Rui Vitória deixa a manobra ofensiva da equipa entregue à qualidade individual dos seus executantes (principalmente dos extremos) e espera que se faça magia. Isto pode resultar problemas em vários jogos. Em jogos contra equipas que jogam mais fechadas na defesa, pode originar dificuldades em chegar com critério à área contrária, fazendo com que muitas vezes, a solução acaba por ser o chutão para a frente. Em jogos contra equipas grandes ou na Champions, a equipa até pode chegar várias vezes à área contrária, mas na maioria delas, irá mostrar pouca clarividência, seja na tomada de decisão, ou a finalizar.

Outra questão aqui é que se Rui Vitória teima tanto em canalizar a manobra ofensiva da equipa nos extremos, é necessário um extremo completo, que seja desequilibrador (tanto pela ala, como flectindo para zonas interiores), que tinha boa visão de jogo, que seja bom a finalizar e que seja forte física e/ou mentalmente. Nós não temos nenhum extremo na equipa principal que cumpra todos esses requisitos. Cervi é muito fraquinho fisicamente. Salvio toma muitas más decisões. Rafa e Zivkovic são os que estão mais perto disso, mas são fracos a finalizar. Carrillo até poderia ser esse extremo completo, mas para isso precisava de um cérebro. O único extremo completo sénior que temos é João Filipe.

Outra teima de Rui Vitória é a sua insistência em lateralizar o jogo, principalmente quando joga em 4-3-3, onde na época passada se viu a equipa explorar muito as triangulações entre Grimaldo, Cervi e Krovinovic/Zivkovic. E nesta temporada ficou mostrado que o jogo interior neste 4-3-3 é praticamente nulo. Isto porque quando a equipa começa a construir jogo a partir de trás, Pizzi e Gesdon Fernandes (os dois médios mais adiantados) recuam até ao seu meio-campo defensivo para receberem a bola, passando-a depois para os extremos, o que origina um grande buraco entre o meio-campo e o ataque.

Quem deveria receber a bola nessa zona do terreno deveria ser o trinco e os laterais, com Pizzi e Gedson a criarem linhas de passe  em zonas mais adiantados do terreno de jogo, de modo a depois poderem fazer combinações com os extremos (que exploram as zonas interiores do terreno) e os laterais (que ficam encarregues de todo o seu corredor, dando profundidade à equipa). É assim que um 4-3-3 funciona no futebol moderno.

Na defesa também ainda residem alguns problemas, nomeadamente na linha média da equipa que fica sempre desajustada com a linha defensiva, muito graças à pouca disponibilidade defensiva de jogadores como Pizzi e Gedson. Uma linha média desajustada e afastada da linha defensiva é meio caminho andado para os avançados adversários criarem linhas de passe nas suas costas e ao receberem a bola, terem apenas a defesa para enfrentar. Essa situação está melhor explicada aqui:

https://www.lateralesquerdo.com/2018/08/01/no-mar-a-deriva/

https://www.lateralesquerdo.com/2018/08/02/linha-media-do-benfica-a-nao-defender/


Resumindo, estes problemas fazem de Rui Vitória um treinador curto e limitado para o Benfica. Atenção! Eu não estou a dizer que não possamos ser campeões nem chegar à Fase de Grupos da Champions. Já conquistámos 6 títulos a jogar desta forma, e nada garante que não ganhemos mais. No entanto, estes problemas deixam uma coisa bem clara: ganhe os títulos que ganhar, Rui Vitória irá sempre deixar a impressão de que a equipa poderia jogar muito melhor.

Venham de lá os jogos oficiais!


segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Tempo de reflectir


Alguns meses depois, estou de volta ao blog. Acho justo voltar, tendo em conta as publicações que tenho em mente. E depois de um mês bastante inconsistente da nossa equipa de futebol após o nulo no clássico, está na hora de eu falar aqui de cada um dos jogos que o Benfica realizou após a prestação absolutamente vergonhosa na Liga dos Campeões.

SL Benfica 3-1 GD Estoril-Praia
Foi a partir deste jogo que deixei de fazer análises. E começou precisamente neste jogo porque sinceramente, foi um jogo no qual tive alguma dificuldade em perceber o que poderia retirar. Após alguns dias de reflexão e de ler alguns artigos sobre este jogo, a conclusão a que cheguei foi que este jogo mais pareceu um jogo do Brasileirão: um jogo tacticamenter anárquico, onde todos atacavam e ninguém defendia.
Á equipa da Amoreira jogava com uma atitude positiva, mas sem critério. A linha defensiva subida da equipa de Ivo Vieira não fazia pressão sob o portador da bola, o que sabia como mel para o trio ofensivo da nossa equipa. Já o nosso meio-campo era um óasis. Pizzi a defender foi uma nulidade, Krovinovic recua no terreno para buscar jogo e sai na pressão aos centrais, mas ainda falha no timing para recuperar defensivamente. Este buraco no meio campo permitiu a Lucas Evangelista fazer o que queria. Caso houvesse mais acerto na finalização por parte de ambas as equipas, poderíamos aqui assistir a um resultado inédito.

Rio Ave FC 3-2 SL Benfica - Taça de Portugal
Depois do que aconteceu no jogo contra o Estoril, estava bastante apreensivo em relação a este jogo, contra aquela que na minha opinião, é a equipa do campeonato que joga o futebol mais atractivo. Ao ter visto o jogo, posso dizer que, se houve algum jogo nesta época em que podemos dizer que não fomos felizes, foi este. A equipa jogou com atitude, com vontade de vencer e lutou até ao fim. Acabou o jogo em desvantagem numérica e a jogar com apesas 2 defesas de raíz.
Por outro lado, os golos da equipa da casa resultaram de erros clamorosos da nossa defesa. O segundo golo deixou-me particularmente irritado. Estavam quatro jogadores nossos em cima do Rúben Ribeiro, que é o joker da equipa e, sabendo da sua imprevisibilidade, nenhum deles teve tomates para meter o pé à bola. Enfim...

CD Tondela 1-5 SL Benfica
Um dos poucos jogos nesta época em que se viu uma exibição à Benfica. A equipa marcou o primeiro golo, a seguir marcou o segundo, e depois o terceiro... Vimos uma equipa com atitude, que andou continuamente à procura do golo e não adormeceu após ter marcado.
Sem Luisão, a nossa linha defensiva pode jogar mais subida no terreno, encurtanto assim o espaço entre linhas e aumentando as possibilidades de recuperar a bola no meio-campo adversário. Em contra-partida, mais um golo sofrido num erro infantil.

SL Benfica 2-2 Portimonense SC - Taça da Liga
Um jogo que foi um dejá vu daquilo que temos visto tantas e tantas vezes nesta época. Mas desta vez, com as agravantes de termos desperdiçado uma desvantagem de dois golos e de ser num jogo em que a vitória era urgente. Se por um lado, sem Luisão em campo, a equipa joga de forma mais asfixiante, com um menor espaço entre linhas; por outro lado, perdemos capacidade de liderança na defesa, como ficou mostrado pela descoordenação da nossa equipa nos lances de bola parada que resultaram nos dois golos da equipa alvarvia. Lisandro López não é nem nunca será um líder e Rúben Dias ainda é muito jovem para liderar a defesa sozinho.
E assim, mais uma competição foi com os cães, mas como diz o outro, a vida é mesmo assim...



Ora, o que podemos retirar destes úlltimos jogos? Antes demais, devo dizer que nem tudo é mau.

Primeiro que tudo, desde o jogo contra o Vitória FC Para a Taça de Portugal que a equipa tem melhorado o seu desempenho nos lances de bola parada, principalmente nos cantos, onde na era Rui Vitória a equipa sempre tinha sido fraca. Já não está tão previsível nem tão insistente em lançar a bola para o Luisão. Não sei se é coincidência ou não, mas ao menos é sinal que houve treino.

Depois, outras melhorias vieram com a alteração do sistema táctico. A mudança para o 4-3-3 promoveu a entrada tardia de Krovinovic no onze titular. Com isto, a equipa ganhou mais qualidade e critério na definição dos lances. Para além do mais, o médio croata não é um criativo que se limita a distribuir jogo (tipo Djuricic), também o sabe procurar, colocando-se no sítio certo para receber a bola, estabelecendo a ligação entre sectores. Embora, como referi acima, ainda tenha de melhorar no
posicionamento defensivo.

Depois, a principal questão que se colocava quanto à mudança do sistema táctico, seria quanto ao rendimento de Jonas, muitos questionavam se Jonas teria o mesmo rendimento jogando sozinho na frente. As suas exibições falam por si.
Antes de mais, num 4-3-3 dinâmico e bem trabalhado no plano ofensivo, o avançado não está sozinho na frente, a equipa ataca sempte em conjunto. Depois, a ausência de uma referência ofensiva fixa na área faz com que o espaço entre a linha media e a linha ofensiva seja menor. E um jogador como Jonas pode muito bem tirar partido da sua inteligência para fazer combinações com os extremos que desmontem a linha defensiva adversária.
Com isso, a produtividade ofensiva aumentou e jogadores como Salvio melhoraram o seu desempenho.

Já o negativo, para além de passar pelos contantes erros infantis que resultam em golos adversários e pelas deficiências defensivas do nosso miolo, o principal problema resume-se ao gritante défice de atitude que a equipa tem tido na maioria dos jogos desta época, com a equipa adormecer após marcar um golo.
Esta situação é particularmente preocupante. Nesta temporada, o Benfica já deixou escapar vantagens no marcador por seis vezes, três das quais em jogos em casa. E apenas por uma vez conseguimos dar a volta a uma desvantagem no marcador (contra o Portimonense para o campeonato). Esta situação leva-me a acrditar cada vez mais que a equipa não está com o treinador, mas deixarei esse assunto para um post em que falarei exclusivamente de Rui Vitória.

Agora, é rezar para que as férias tenham feito bem à nossa equipa.
Saudações Benfiquistas!

quinta-feira, 15 de junho de 2017

A chegada de um craque e a instalação de um dilema


Filip Krovinovic foi ontem apresentado como reforço do Sport Lisboa e Benfica. A troco de 3 milhões de euros, o médio croata de 21 anos trabalhará sob as ordens de Rui Vitória na próxima época.

Filip Krovinovic era um jogador desejado por muitos benfiquistas, por mim inclusive. Foi uma das figuras de proa de um Rio Ave que se destacava pelo seu bom futebol e foi visto por muitos, como o melhor jogador deste u´ltimo campeonato fora dos 3 grandes. No entanto, esta contratação abre um dilema na equipa: onde é que este jogador irá encaixar?

Começemos pelo início: após o termo da época, numa entrevista que Rui Vitória deu à BTV, o técnico encarnado admitiu que poderia mudar o sistema táctico na próxima época. E na verdade, isso já poderia ter acontecido. Todos nós devemos saber que o 4-4-2 nunca foi o esquema táctico predilecto de Rui Vitória e que tem apostado neste devido a um pormenor: Jonas. É a segundo avançado que Jonas pode mostrar todo o perfume do seu futebol, perfume esse que tem feito toda a diferença.

Na minha opinião, Krovinovic não serve para render Pizzi, pois não tem a maturidade táctica do transmontano, sendo que a sua colocação a 8 resultaria num desequilibrio táctico e num desperdício às quas qualidades. Num 4-4-2, Krovinivic encaixaria como opção para render Salvio a interior direito, funções que desempenhou algumas vezes no Rio Ave.

No 4-3-3 predilecto de Rui Vitória, um trio no meio-campo composto por Fejsa, Pizzi e Krovinovic seria algo muito promissor. No entanto, não podemos olhar para este dilema como algo mau, mas sim como uma oportunidade.

A contratação do médio croata pode ser vista como uma oportunidade de dar à equipa do Benfica outras variantes tácticas, tornando a equipa mais versátil e imprevisível. Tal como se verificou na primeira metade desta última época, onde sem Jonas, a equipa jogou de forma diferente, sem se ressentir da ausência do seu maior craque.

De qualquer maneira, os trabalhos para a nova época só começam no final do mês e aí, Rui Vitória começará a trabalhar com o médio croata e a partir daí, começará a procurar a melhor forma de o encaixar no melhor clube nacional.

Bem-vindo ao maior clube do mundo!

terça-feira, 30 de maio de 2017

Rui das Vitórias


Rui Vitória voltou a ser alvo de alguma contestação nesta época (embora não tanta como na época passada). Já fui crítico dele, e ele conseguiu convencer-me. E da minha parte, ele terá sempre o meu respeito, admiração e gratidão pelo que já deu ao Sport Lisboa e Benfica. Pelo seu respeito, ela sua entrega e pelo seu profissionalismo, pela forma como lidera a nossa equipa, pela forma como celebra os títulos como se fosse uma criança babada, pela forma como olha para o céu e recorda os pais quando tem o troféu na mão, etc.

Nunca foi um treinador consensual no seio dos adeptos, e creio que dificilmente o será. No entanto, os títulos e os recordes que já conseguiu ao serviço do nosso clube não podem deixar ninguém indiferente, nem mesmo os mais cépticos. Como já aqui disse, Rui Vitória não é o melhor treinador do mundo e não acredito que alguma vez o vá ser, mas para o Benfica e para o projecto que o clube está a levar a cabo, não haverá muitos melhores que ele.

Como tal, irei aqui deixar vários dos feitos que Rui Vitória já conseguiu desde que se tornou treinador do Benfica:
- É o treinador da história do clube com mais títulos conquistados nos primeiros 2 anos de águia ao peito: 5. Dos restantes, nenhum conquistou mais de 3 troféus nos primeiros 2 anos, tais como Bélla Guttmann, Jimmy Hagan, Lajos Baroti, Sven-Goran Eriksson e Jorge Jesus;

- Conquistou o seu terceiro troféu de águia ao peito (Supertaça), 13 meses após a sua chegada ao clube. Apenas Lajos Baroti conquistou 3 títulos em menos tempo no Benfica;

- Tornou-se no terceiro treinador a levar o Benfica a fazer um "triplete" (3 troféus numa época), repetindo o feito de Lajos Baroti (1980/1981) e Jorge Jesus (2013/2014);

- Levou duas temporadas a conquistar os 4 troféus nacionais no Benfica. Jorge Jesus levou cinco;

- Nestes dois anos, Rui Vitória tornou-se no melhor treinador Bicampeão, ao conquistar um total de 170 pontos, superando os 168 pontos de José Mourinho (2002/2003 e 2003/2004);

- Em 2015/2016, foi campeão nacional com recorde de pontos e de golos marcados: 88;

- Levou o Benfica a apurar-se para os oitavos-de-final da Champions duas épocas consecutivas, pela primeira vez na história do clube;

- Igualou o record de Jimmy Hagan do maior número de vitórias consecutivas fora de casa: 14. O ciclo iniciou na vitória por 1-0 em Guimarães na 15ª jornada do campeonato 2015/2016, e acabou com a vitória por 2-0 ao Belenenses na 8ª jornada do campeonato 2016/2017.

- Nesta época, chegou à passagem de ano com a Supertaça conquistada, como líder do campeonato e ainda presente em todas as frentes, inclusivé na Champions. Na Europa, apenas o Bayern Munique repetiu o feito esta época;

- Nesta época, dos campeões dos principais campeonatos europeus, o Benfica de Rui Vitória é aquele com o melhor registo defensivo: uma média de 0,52 golos sofridos por jogo, fruto de 18 golos sofridos em 34 jogos. Está à frente das médias de 0,65 do Bayern Munique, 0,71 da Juventus, 0,82 do Mónaco, 0,87 do Chelsea, 0,90 do Spartak Moscovo e 1,08 do Real Madrid.

Ainda há espaço para dúvidas quanto à sua qualidade e competência?

domingo, 23 de abril de 2017

Victor "Sabrosa" Lindelof


Sporting CP 1-1 SL Benfica
Perante o ambiente incendiário instalado no futebol português nos últimos tempos, este derby foi um exemplo de seriedade e profissionalismo, do qual podíamos muito bem ter saído com os 3 pontos.
Perante a aselhice do Ederson e as duas grandes penalidades a que um árbitro ameaçado de morte fez vista grossa, a nossa equipa manteve o controlo emocional. Jogou em equipa, com atitude, seriedade e profissionalismo, conseguindo o empate num golpe surpresa de Lindelof, um empate que era justo perante o que se via em campo. A nossa equipa sempre deu a entender que teve o jogo controlado, defendeu muito bem com excepção dos primeiros 10/15 minutos da segunda parte, conseguindo anular bem jogadores como Alan Ruiz e Bruno César, e manteve o perigo longe do alvo após o empate.
Na recta final, viu-se um Rui Vitória mais conservador ao substituir Mitroglou por Filipe Augusto, a querer conservar o ponto que ficaria assegurado em vez de arriscar. Rui Vitória quis não perder, e conseguiu. Será que poderia ter arriscado mais? Sim, podia, mas alguém garante que isso daria certo? Já vi o Mourinho adoptar esta estratégia vezes sem conta com um futebol irritante, mas que dá títulos.

No final, é também de salientar que os festejos patéticos da equipa azul e branca no clássico há 3 semanas mostraram que eles tinham apostado todas as fichas no Sporting e no final saiu-lhes o tiro pela culatra. Restam-lhes as malas para conseguirem o que querem. Faltam 4 finais. Força Benfica!

sábado, 8 de abril de 2017

Estou contigo Rui Vitória!


A notícia de destaque ligada ao Sport Lisboa e Benfica no dia de ontem foi a renovação de contrato de Rui Vitória com o nosso clube até 2020. Francamente, tenho dúvidas que a fase decisiva da época seja a melhor altura para se renovar o contrato a um treinador, mas isto não aconteceu por acaso.
Com o nosso clube a não atravessar a sua melhor fase e com Rui Vitória a ser atacado com processos por parte de um clube que não tem mais nada que fazer, o nosso presidente deu-lhe uma inequívoca prova de confiança ao renovar-lhe o contrato. Literalmente, deu o mesmo voto de confiança que deu a Jorge Jesus depois deste ter perdido tudo.
E apesar de ter algumas dúvidas quanto ao timing deste anúncio, aproveito a situação para fazer algo que já pretendia há algum tempo: falar do nosso treinador.
É que após a eliminação da Champions, parece que regressámos aos tempos da primeira metade da época passada. Os críticos voltaram a atacar ferozmente, muitos adeptos andam a dar razão ao Carlos Daniel e ao Rui Malheiro. Só falta mesmo voltarem a aparecer aqueles contadores a indicar quanto tempo o nosso treinador irá aguentar no Benfica.
O problema não é a crítica em si, ninguém está imune a ela. O problema é que para muitos, Rui Vitória é simplesmente, um treinador incompetente; ou seja, foi com um treinador incompetente que nos sagrámos campeões nacionais com record de pontos, foi com um treinador incompetente que passámos a Fase de Grupos da Champions por duas épocas consecutivas, etc. etc. Já para não falar dos adeptos conspirosos que dizem que Rui Vitória é a marioneta de Luís Filipe Vieira e Jorge Mendes.
Como cheguei a dizer em tempos, Rui Vitória não é nenhum expert a ler o jogo. Já houve jogos em que errou e falhou na sua abordagem, como foi o caso do último contra o Estoril. Mas ao contrário do que muitos pensam, o futebol vai mais além de desenhar tácticas em quadros interactivos. Com as suas limitações na vertente técnico-táctica, Rui Vitória mostrou no entanto que é um grande motivador e comunicador, e com isso, conseguiu inverter o rumo de uma equipa que parecia perdida e destinada ao abismo.
Como tal, Rui Vitória já mostrou a sua competência enquanto treinador do Benfica, não só pelos títulos que já conquistou, mas também pelos recordes que levou a equipa a bater. E ainda pode bater mais: caso o Benfica vença o Moreirense amanhã, Rui Vitória igualará o recrod de Jimmy Hagan como o treinador mais rápido a conquistar 50 vitória no campeonato de águia ao peito. Depois, se conquistar pelo menos um dos títulos que disputa ainda nesta época, será o treinador da história do clube com mais títulos conquistados nos primeiros 2 anos ao serviço do Benfica.
Ninguém é obrigado a gostar de Rui Vitória, mas também há que saber ser racional. Uma coisa é criticar, outra é enxovalhar qualquer profissional que represente o nosso clube com dignidade. Sei que ele nunca irá ser completamente consensual. Aliás, eu não acredito que exista um treinador 100% consensual, nem mesmo um José Mourinho, um Guardiola, um Ancelloti ou um António Conte.
Mas estamos na fase decisiva da época e nesta altura, aquilo que de a nossa equipa mais precisa é de apoio. Por isso, vamos seguir o exemplo do nosso presidente e dar o nosso voto de confiança a Rui Vitória. Rui Vitória não e o melhor treinador do mundo e não acredito que alguma vez o vá ser. Mas para o nosso clube e acima de tudo, para o projecto que este está a levar a cabo, não haverá muitos melhores que ele. Força Rui!
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