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terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

O derrube da fortaleza avense


O Sport Lisboa e Benfica encerrou a 22ª jornada da Liga NOS depois da longa deslocação a Istambul, contra um Desportivo das Aves que sob o comando técnico de Augusto Inácio, tinha ganho três dos últimos quatro jogos, e que mostrou desde o início que pretendia complicar a nossa tarefa ao máximo. Como tal, Bruno Lage não arriscou e apostou no melhor onze que tinha à disposição para este jogo.

O CD Aves tem apresentado um modelo de jogo bastante defensivo, com marcações homem-a-homem em todo o campo, e jogando num sistema com 5 defesas: Diego Galo, Carlos Ponck e Jorge Felipe no centro, e Rodrigo Soares e Victor Costa nas alas; seguindo com Vítor Gomes e Braga no miolo, Mama Baldé e Luquinhas a extremos e Derley a ponta-de-lança.

A estratégia do Benfica para contrariar o sistema defensivo avense passava por fazer uma circulação de bola paciente, de modo a atrair os médios do Aves e abrir mais o espaço entre linhas, depois com Rafa, Pizzi e João Félix a fazer trocas posicionais de modo a causar desequilíbrios à equipa adversária no seu momento defensivo.

A equipa do Benfica inauguraria o marcador logo aos 3 minutos, com Samaris a assistir Seferovic com maestria e o avançado suíço a fazer um amortie sobre o guarda-redes Bernardeau. Estava inaugurado o marcador na Vila das Aves. Aos 9 minutos, Rafa é lançado em profundidade e, marcado por Jorge Felipe, assiste para João Félix que remata contra as malhas laterais. Aos 15 minutos, surgiu nova ocasião de perigo com João Félix a obrigar Bernardeau a aplicar-se, com as recargas de Seferovic e Rafa a embaterem no muro defensivo da equipa da casa.

No momento ofensivo, a equipa de Augusto Inácio procurava bombear bolas longas de modo a explorar a profundidade das "motas" Luquinhas e Mama Baldé. Já a nossa equipa jogava com índices de agressividade mais baixos, quiiçá em gestão de esforço após o jogo na Turquia, permitindo à equipa da casa chegar com a bola jogável no nosso meio-campo. Aos 28 minutos, a equipa avense teve a primeira ocasião de perigo num livre lateral de Victor Costa a testar a atenção de Vlachodimos.

Numa altura em que a equipa avense tinha mais posse de bola, a nossa equipa acabou por aumentar a vantagem. Aos 36 minutos, numa combinação entre Pizzi, Grimaldo, João Félix e Rafa, o extremo ribatejano acabou por rematar colocado, deixando a nossa equipa partir para o intervalo com um resultado mais tranquilo. Ainda antes do término da primeira parte, Vlachodimos seria novamente chamado a intervir a um remate de meia-distância de Rodrigo Soares.

A abrir a segunda parte, o Benfica podia ter logo aumentado a vantagem, com João Félix a testar os reflexos de Bernardeau. Seria aos 59 minutos que o Benfica marcaria o terceiro golo através de um pontapé-de-canto. Após uma saída em falso do guarda-redes adversário, Ferro marcaria golo num chapéu às três tabelas, marcando assim o segundo golo no seu segundo jogo no campeonato. Logo no minuto seguinte, a nossa equipa poderia ter marcado o quarto, com Pizzi a fazer um chapéu que saiu ligeiramente ao lado do poste direito da baliza avense.

Aos 64 minutos, após um passe a isolar Derley, o antigo ponta-de-lança do Benfica acaba por ser travado à entrada da área por Ferro, num lance em que o árbitro Hugo Miguel não hesitou e mostrou cartão vermelho directo (e bem) ao central formado no Benfica. Foi a imaturidade a falar mais alto. No livre que serviu para cobrar a falta, Rodrigo Soares voltou a não conseguir bater Vlachodimos.

Apesar da desvantagem numérica, a nossa equipa manteve o controlo das operações, jogando com serenidade e rapidez nos processos, dispondo de uma nova oportunidade para aumentar a vantagem aos 82 minutos, com João Félix a rematar ligeiramente ao lado, instantes antes deste ser substituído por Zivkovic.

Em terrenos complicados, a eficácia diz tudo. E a nossa equipa soube ser competente e objectiva, marcando golo nas alturas certas, conseguindo aqui uma vitória tranquila sem carregar muito no acelerador, terminando o jogo com 60% de posse de bola. Samaris foi na minha opinião, o jogador em maior evidência. Formando uma dupla cada vez mais sólida com Gabriel, o internacional grego fez a sua melhor exibição desde que regressou ao onze titular, contabilizando 11 recuperações de bola e uma assistência primorosa para Seferovic. Vlachodimos mostrou elevados índices de concentração nas três ocasiões em que foi chamado a intervir. E João Félix voltou a ser essencial a jogar entre linhas.

Seguem-se dois jogos seguidos em casa, a anteceder a deslocação ao Dragão. Carrega Benfica!




quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Regresso de mão cheia


Aguardava este jogo com alguma expectativa. Não só por ser o primeiro jogo em casa em mais de três semanas, mas também porque, em quase um mês a treinar a equipa principal, este seria o jogo que Bruno Lage teria mais tempo para preparar. Do outro lado, estava uma equipa que tinha acabado de sofrer uma chicotada psicológica, com Jorge Couto a assumir o comando técnico da equipa axadrezada antes da chegada de Lito Vidigal.

A nossa equipa entrou com vontade de pegar e assumir o jogo, mas seria o Boavista FC a criar a primeira ocasião flagrante de perigo aos sete minutos, com Tahar a rematar ao poste após um brinde de Gabriel. Tudo não passou de um grande susto, até porque dois minutos depois, os encarnados iriam inaugurar o marcador, com João Félix a finalizar de cabeça após um livre batido por Pizzi.

O golo galvanizou a equipa encarnada, que daí para a frente assumiu o controlo do jogo, procurando três momentos de jogo: ou explorando os cruzamentos devido às fragilidades dos axadrezados no jogo aéreo. ou explorando os momentos de transição ofensiva ou as bolas longas em profundidade, explorando o espaço nas costas da defesa adversária. Os lances de bola parada também tiveram um papel importante, com Rúben Dias a cabecear uma bola à barra a meio da primeira parte, após mais um livre lateral batido por Pizzi.

Acabaria por ser com naturalidade que a equipa de Bruno Lage chegaria com naturalidade aos 28 minutos, num momento de transição ofensiva em que Seferovic foi isolado com um passe em trivela de Rafa e a rematar para defesa de Helton Leite e com Pizzi a encostar para o segundo golo. Daí para a frente, o Benfica continuou a dominar o jogo, destacando-se sobretudo pela pressão sufocante após a perda da bola, fazendo com que a equipa axadrezada não conseguisse sair da zona de pressão para partir em transição ofensiva.

Já a equipa do Boavista, sendo incapaz de dar três toques seguidos na bola, era forçada a recorrer ao chuveirinho para conseguir chegar com a bola ao meio-campo adversário. Num desses lances, acabaria por conseguir sacar uma falta. Através desse livre, conseguiu um canto. E nesse pontapé de canto, a má coordenação da nossa equipa permitiu aos axadrezados reduzir a desvantagem aos 42 minutos por intermédio de Talocha, um golo marcado às três tabelas.

O golo da equipa visitante a fechar a primeira parte confirmou o resultado enganador que se verificava ao intervalo. Contudo, este golo sofrido deixou-me chateado, mas não preocupado. Pois estava convicto de que se a equipa se mantivesse fiel à sua estratégia, mantendo a dinâmica e a agressividade, estaria sempre mais perto de marcar um golo do que de sofrer.

No início da segunda parte viu-se um Boavista com mais atitude e mais presença no nosso meio-campo. No entanto aos 54 minutos, numa das poucas vezes que conseguem enviar a bola para a área, a transição ofensiva dos encarnados voltou a fazer estragos. Após a recuperação de bola, Pizzi para para João Félix, que faz uma arrancada fenomenal e tira um passe a régua e esquadro para Seferovic finalizar.

Depois do 3-1, Bruno Lage começou a mexer na equipa. Aos 61 minutos, Zivkovic rendeu Rafa, com este a ser reconfortado por Rui Costa após a sua saída. Aos 73 minutos viria o quarto golo, com os protagonistas do segundo a trocarem de papéis: Pizzi a rematar para defesa do guarda-redes e Seferovic e encostar na recarga. Se é que ainda houvesse dúvidas, a vitória já não fugia mais. Aos 86 minutos, chegaria a mão cheia com Alex Grimaldo a marcar um daqueles golos de levantar o Estádio, com um remate de fora da área a fazer um arco, contornando o guarda-redes adversário. Até ao final, ainda houve tempo para Vlachodimos ser herói, ao defender uma grande penalidade cobrada pelo veterano Mateus após falta de Samaris.

Foi uma vitória de mão cheia no regresso ao Estádio da Luz, naquela que foi a exibição mais bem conseguida desde a promoção de Bruno Lage, com João Félix e Pizzi em particular evidência. Seferovic marcou dois golos e desperdiçou outros tantos. Tratando-se de um avançado com pouca qualidade técnica, muitas vezes precisa de mais um toque para ter a bola controlada. E muitas vezes, esse toque a mais pode ser o suficiente para um golo certo se transformar numa oportunidade desperdiçada, principalmente contra um guarda-redes com grande envergadura e sentido posicional como Helton Leite. No entanto, o suíço não deixa de ser um jogador preponderante na equipa, pela forma como abre espaços na defesa adversária com as suas movimentações.

Outro aspecto positivo foi a melhoria do comportamento da equipa nos lances de bola parada, que se deve a dois aspectos: primeiro, Pizzi bate as bolas de forma muito mais tensa, ao contrário da forma amorfa como batia os lances, fazendo com que a bola chegasse "morta" à área, tornando-se numa presa fácil para os adversários; segundo, enquanto antes os jogadores mais perigosos no jogo aério ficavam "presos" no coração da área, agora aparecem de trás para ganhar balanço. Reparem no posicionamento do Félix no início do lance do primeiro golo.

Seguem-se dois jogos seguidos contra o Sporting CP, que darão para ver onde esta equipa podrá realmente chegar. Carrega Benfica!

sábado, 19 de janeiro de 2019

Entre a identidade e a estratégia


Dupla missão superada na cidade-berço. Em dois jogos que foram tudo menos fáceis, a nossa equipa conseguiu passar com distinção, apurando-se para as meias-finais da Taça de Portugal e mantendo a distância para o FC Porto no campeonato.

Terça-feira, Bruno Lage manteve o mesmo onze em relação ao jogo nos Açores, excepto na baliza, com Svilar a voltar a assumir a titularidade na Taça. A equipa do Benfica entrou muito bem no jogo da Taça de Portugal, conseguindo controlar o jogo bom bola, jogando no meio-campo adversário. Criou a primeira ocasião logo aos 2 minutos com Zivkovic a obrigar o guarda-redes vitoriano a uma defesa atenta, mas seria com alguma naturalidade que viria a inaugurar o marcador aos 14 minutos, numa jogada que costuma ser bastante aplicada em equipas como o Chelsea e o Manchester City: o defesa-central com a bola controlada no meio-campo adversário, faz um passe longo em profundidade para a área adversária, com o avançado a explorar as costas da defesa. Neste caso, Rúben Dias lançou João Félix (não é Félis, sr Bruno Prata), com este a receber primorosamente a bola, acabando por levar a melhor sobre o guarda-redes João Miguel Silva. Depois do jogo, a equipa vitoriana equilibrou o jogo, estando perto de conseguir o empate aos 19 minutos num remate ao lado de Alexandre Guedes. O jogo permaneceu bastante dividido e disputado, não havendo mais golos até ao intervalo.

Na segunda parte vimos a equipa da casa com uma postura diferente: mais agressiva, mais pressionaste, jogando no nosso meio-campo, fazendo com que o espaço entre linhas na nossa equipa fosse maior, o que nos causou bastantes dificuldades na construção de jogo. Apesar do maior ascendente da equipa de Luís Castro, este traduziu-se em apenas numa ocasião de perigo, num remate cruzado de Davidson aos 66 minutos. De modo a dar uma melhor resposta às constantes alterações de dinâmica da equipa da casa, Bruno Lage procedeu a alterações na estrutura táctica da equipa no momento defensivo, passando a defender em 4-5-1 (João Félix recuou para a linha média, deixando Seferovic sozinho na frente), conseguindo assim estancar a pressão dos vitorianos.

No final, a equipa conseguiu uma suada, mas justa vitória. Svilar esteve bastante seguro, entre e a sair dos postes. Pizzi e Zivkovic sentiram-se particularmente desconfortáveis com a pressão da equipa da casa e estiveram muito discretos, principalmente na segunda parte. Gabriel foi a meu ver, o melhor em campo pela forma como liderou o meio-campo, apesar de não ter sido muito eficaz no passe, graças ao maior espaço entre linhas da nossa equipa.

A meu ver, houve duas mudanças que se destacaram neste jogo: primeiro, os nossos defesas-centrais procuram assumir mais o jogo com bola, saindo a jogar com ela controlada. Jardel ainda se sente muito desconfortável neste papel, visto aos 32 anos (fará 33 no dia 29 de Março), está provavelmente a desempenhar estas funções pela primeira vez na carreira. Segundo, uma maior ligação entre jogadores e adeptos, que se verificou tanto no final do jogo, como no treino aberto aos adeptos no dia seguinte em Fafe.


Seguiu-se o jogo de sexta-feira, desta feita para o campeonato, com Bruno Lage a fazer cinco alterações na equipa titular em relação ao jogo da Taça, com destaque para as presenças de Samaris e Castillo no onze inicial. Já do lado vimaranense, destaque para os regressos de Tozé e de André André

Neste jogo, a equipa do Vitória voltou a entrar em campo com as linhas subidas e a procurar dominar o jogo com bola, montando uma estrutura de 3-4-3 em organização ofensiva. A equipa encarnada, na tentativa de ser mais bem sucedida na construção de jogo a partir de trás, jogou com um duplo pivot no miolo composto por Samaris e Gabriel, mas a pressão exercida pelos médios interiores do Vitória (André André e Amoah) dificultou muito a nossa tarefa. Por outro lado, a nossa equipa explorou as transições ofensivas, revelando verticalidade e objectividade, conseguindo aí duas boas ocasiões de perigo à entrada da área, por intermédio de João Félix e Pizzi.

Já a equipa da casa, apesar de a espaços conseguir jogar no nosso meio-campo, continuava a mostrar bastantes dificuldades em chegar à nossa área com a bola controlada. Com isso, as primeiras ocasiões de perigo também surgiram através de remates de meia-distância, primeiro por André André a rematar à meia volta com a bola a sair ligeiramente por cima, e depois por intermédio de Tozé após um pontapé de canto, obrigando Vlachodimos a uma grande defesa. Já perto do intervalo, o guarda-redes internacional grego voltou a ser chamado a intervir após um remate rasteiro de Alex Guedes, na única ocasião em que os vitorianos conseguiram chegar à nossa área com critério. As duas defesas de Odysseas acabaram por se mostrar decisivas.

Na segunda parte, viu-se o pior Benfica da era Bruno Lage. A equipa da casa começou a fazer uma pressão sufocante sobre a nossa equipa, impedindo-a completamente de construir jogo a partir de trás, tirando ainda partido da falta de ritmo de Conti e Samaris. No entanto, permaneciam as dificuldades em criar ocasiões de perigo. Apesar das dificuldades, a nossa equipa não se deixou levar pelo desespero de mandar chutões para a frente e numa das raras ocasiões em que conseguiu jogar no meio-campo adversário, Gabriel encontra um espaço para explorar em profundidade, para o qual faz um passe a rasgar as linhas adversárias a partir do qual André Almeida fez a assistência para Seferovic encostar. Depois do golo, a equipa da casa foi-se abaixo emocionalmente e a nossa equipa soube gerir o jogo até ao final.


Gabriel voltou a ser dono e senhor do nosso meio campo. Conti também esteve muito bem, apesar d alguns erros forçados pela pressão do adversário. Samaris entrou algo nervoso, mas acalmou com o passar do tempo, realizando uma exibição segura. Cervi passou mais tempo no chão do que a jogar à bola.

Como Bruno Lage falou numa das conferências de imprensa, não é fácil implementar uma nova identidade e modelo de jogo e ter de preparar tantos jogos ao mesmo tempo. E com isso, estes dois jogos deram-nos uma lição muito importante: nem sempre é possível jogar da forma como a equipa quer, mas mesmo quando a equipa está fora da sua zona de conforto, esta tem de mostrar competência. E nesse aspecto, a nossa equipa passou com distinção. Sobretudo, devido à lealdade de Bruno Lage na sua estratégia, que consistia em jogar com um bloco coeso no momento defensivo em vez de sair na pressão ao portador da bola, impedindo assim a criação de espaços na zona central do terreno que a equipa do Vitória de Guimarães poderia explorar. 

Dadas as circunstâncias, deve-se dizer que este resultado é injusto para a equipa de Luís Castro, que nos submeteu a dificuldades que já não víamos há algum tempo. No entanto, devo relembrar três factos: primeiro, com estas duas vitórias, o Benfica atingiu o melhor registo sempre em vitórias consecutivas contra o clube da cidade-berço com 12 vitórias;  segundo; esta equipa vimaranense já derrotou os rivais nesta época; terceiro, antes desta semana, o Vitória SC só tinha uma derrota em casa nesta época (contra o Feirense na 2ª jornada do campeonato).

Segue-se mais uma semana no Minho, desta vez em Braga com a Taça da Liga. Carrega Benfica!

sábado, 12 de janeiro de 2019

Festa nos Açores


Esta temporada ficou marcada pelo regresso do Santa Clara à Primeira Liga. Como tal, pela primeira vez em muito tempo, a equipa principal do Benfica voltou a jogar em São Miguel (a última vez tinha sido em Novembro de 2002), sendo recebida na ilha em clima de grande festa. Por isso, era uma obrigação que a equipa de Bruno Lage desse uma boa resposta a um grupo de adeptos que esperou muito tempo para os voltar a ver em acção ao vivo e a cores.

Quanto ao jogo, a equipa do Benfica apresentou-se novamente em 4-4-2, mas desta vez com Gabriel a oito e descaído para a ala direita, e com Zivkovic na ala esquerda no lugar de Cervi, mas já falarei melhor dessas mudanças. No início do jogo, a equipa mostrou algumas dificuldades em penetrar no bloco adversário, que jogava com as linhas muito juntas, sendo que o vento e a chuva também dificultavam a prática de um futebol mais apoiado. Com isso, a equipa vestida de preto e branco explorou mais as transições e as bolas longas numa fase inicial do jogo. Foi daí que resultou a primeira ocasião de perigo, num pontapé de ressaca de Seferovic por cima, e foi por aí que o Benfica marcou o primeiro golo aos 22 minutos, com André Almeida a recuperar a bola e fazer um passe longo em profundidade, onde uma má abordagem dos centrais Fábio Cardoso e César Martins permitiu a Seferovic aproveitar o espaço nas suas costas e a mostrar frieza no cara-a-cara com o guarda-redes Serginho. Estava inaugurado o marcador nos Açores.

A equipa do Santa Clara sempre mostrou bastantes dificuldades na construção de jogo, muito graças à coesão da nossa equipa, que jogava com uma estrutura defensiva em 4-4-2 clássico mais junta e com um curto espaço entre sectores. Aí, a equipa de Bruno Lage optou por controlar o jogo do adversário fechando o espaço central, de modo a não desmontar o posicionamento defensivo da equipa, criando aberturas que o adversário poderia explorar. Esta situação forçou a equipa de João Henriques a encaminhar o jogo para as alas, onde a nossa equipa já fazia uma alta pressão sobre o adversário.

A primeira parte ficaria ainda marcada pela expulsão de Fábio Cardoso por vermelho directo, num lance polémico onde o VAR entendeu que a falta do defesa-central sobre Pizzi foi feita fora da área. Devo também assinalar que o árbitro João Capela demorou sete minutos a retomar o jogo após o lance. Não é de admirar que o nosso campeonato seja aquele com menos tempo útil de jogo na Europa.

A segunda parte abriu com o segundo golo da nossa equipa por intermédio do capitão Jardel. Num pontapé de canto, Jardel apareceu por trás e balanceado, cabeceou certeiro à baliza defendida por Serginho. Depois deste golo, a equipa ganhou confiança e jogou com uma maior dinâmca e fluidez no ataque, beneficiando também da sua vantagem numérica, criando várias situações de perigo que podiam ter dilatado margem no marcador.

Como referi acima, a equipa do Santa Clara teve muitas dificuldades em explorar o espaço central devido à coesão da nossa estrutura defensiva. As únicas ocasiões em que os açorianos criaram perigo foram em lances de bola parada ou em jogadas em profundidade, explorando aí sobretudo o corredor direito através das incursões de Ukra e Pineda.

Aos 70 minutos, Bruno Lage fez a primeira substituição no jogo ao trocar Zivkovic por Salvio numa mexida que a meu ver, se deveu a um erro de leitura de jogo do treinador. Ao fazer esta substituição, Pizzi passou a ficar descaído na esquerda, com Grimaldo a tomar conta de todo o corredor, sendo que era por esse lado que a equipa do Santa Clara atacava e procurava criar perigo. Para além disso, houve várias ocasiões em que Salvio não acompanhou a equipa na pressão ao portador da bola. Não sei se isto são ainda os velhos hábitos da era Rui Vitória, ou acomodamento pela renovação de contrato, mas Bruno Lage precisa de lhe dar um puxão de orelhas.




Após essa substituição, a equipa não deixou de criar oportunidades de golo, mas revelou maior dificuldade em controlar o jogo com bola, situação que deixou a nossa equipa numa situação um pouco delicada, mas que em nada comprometeu o desfecho do jogo. Destaque ainda para a entrada de Castillo, após durante a semana este ter sido dado como certo no América do México.


Terminado o encontro, o Benfica consegue uma vitória justa e uma exibição bem conseguida. A reedição da táctica que levou o Benfica ao Tricampeonato deu outra solidez e estabilidade táctica à equipa. Gabriel foi o jogador com mais passes certos e recuperações de bola, sendo que a sua capacidade física também assume particular evidência em jogos disputados em relvados pesados. Já Pizzi descaído na ala direita, teve liberdade para flectir para espaços interiores sem grande marcação, oferecendo à equipa outra variante na construção de jogo no último terço do terreno.

É verdade que jogámos uma parte inteira contra dez jogadores e desperdiçámos muitas ocasiões, mas convém também lembrar que apesar da vantagem de dois golos, a equipa manteve a atitude em busca de mais golos e mais importante que isso, teve a dinâmica necessária de modo a chegar à área com vários elementos, coisa que não se via há muito tempo. No final, regressámos ao segundo lugar, e fomos apenas a terceira equipa nesta época a não sofrer golos do Santa Clara.

Na conferência de imprensa após o jogo, o treinador Bruno Lage voltou a fazer referência aos aspectos negativos da equipa que precisam de ser melhorados, nomeadamente os últimos 20 minutos do jogo em que a equipa perdeu algum controlo no jogo, enaltecendo também a reacção fantástica que os adeptos tiveram ao ver a equipa.

A equipa continua a mostrar sinais positivos que nos fazem acreditar em dias melhores no futuro, mas ainda há muito trabalho a fazer. Vêm aí testes mais exigentes nos próximos tempos e a equipa terá de responder a altura. Mas certamente, estamos mais perto disso do que há 10 das atrás.

Carrega Benfica!


segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Tempo de reflectir


Alguns meses depois, estou de volta ao blog. Acho justo voltar, tendo em conta as publicações que tenho em mente. E depois de um mês bastante inconsistente da nossa equipa de futebol após o nulo no clássico, está na hora de eu falar aqui de cada um dos jogos que o Benfica realizou após a prestação absolutamente vergonhosa na Liga dos Campeões.

SL Benfica 3-1 GD Estoril-Praia
Foi a partir deste jogo que deixei de fazer análises. E começou precisamente neste jogo porque sinceramente, foi um jogo no qual tive alguma dificuldade em perceber o que poderia retirar. Após alguns dias de reflexão e de ler alguns artigos sobre este jogo, a conclusão a que cheguei foi que este jogo mais pareceu um jogo do Brasileirão: um jogo tacticamenter anárquico, onde todos atacavam e ninguém defendia.
Á equipa da Amoreira jogava com uma atitude positiva, mas sem critério. A linha defensiva subida da equipa de Ivo Vieira não fazia pressão sob o portador da bola, o que sabia como mel para o trio ofensivo da nossa equipa. Já o nosso meio-campo era um óasis. Pizzi a defender foi uma nulidade, Krovinovic recua no terreno para buscar jogo e sai na pressão aos centrais, mas ainda falha no timing para recuperar defensivamente. Este buraco no meio campo permitiu a Lucas Evangelista fazer o que queria. Caso houvesse mais acerto na finalização por parte de ambas as equipas, poderíamos aqui assistir a um resultado inédito.

Rio Ave FC 3-2 SL Benfica - Taça de Portugal
Depois do que aconteceu no jogo contra o Estoril, estava bastante apreensivo em relação a este jogo, contra aquela que na minha opinião, é a equipa do campeonato que joga o futebol mais atractivo. Ao ter visto o jogo, posso dizer que, se houve algum jogo nesta época em que podemos dizer que não fomos felizes, foi este. A equipa jogou com atitude, com vontade de vencer e lutou até ao fim. Acabou o jogo em desvantagem numérica e a jogar com apesas 2 defesas de raíz.
Por outro lado, os golos da equipa da casa resultaram de erros clamorosos da nossa defesa. O segundo golo deixou-me particularmente irritado. Estavam quatro jogadores nossos em cima do Rúben Ribeiro, que é o joker da equipa e, sabendo da sua imprevisibilidade, nenhum deles teve tomates para meter o pé à bola. Enfim...

CD Tondela 1-5 SL Benfica
Um dos poucos jogos nesta época em que se viu uma exibição à Benfica. A equipa marcou o primeiro golo, a seguir marcou o segundo, e depois o terceiro... Vimos uma equipa com atitude, que andou continuamente à procura do golo e não adormeceu após ter marcado.
Sem Luisão, a nossa linha defensiva pode jogar mais subida no terreno, encurtanto assim o espaço entre linhas e aumentando as possibilidades de recuperar a bola no meio-campo adversário. Em contra-partida, mais um golo sofrido num erro infantil.

SL Benfica 2-2 Portimonense SC - Taça da Liga
Um jogo que foi um dejá vu daquilo que temos visto tantas e tantas vezes nesta época. Mas desta vez, com as agravantes de termos desperdiçado uma desvantagem de dois golos e de ser num jogo em que a vitória era urgente. Se por um lado, sem Luisão em campo, a equipa joga de forma mais asfixiante, com um menor espaço entre linhas; por outro lado, perdemos capacidade de liderança na defesa, como ficou mostrado pela descoordenação da nossa equipa nos lances de bola parada que resultaram nos dois golos da equipa alvarvia. Lisandro López não é nem nunca será um líder e Rúben Dias ainda é muito jovem para liderar a defesa sozinho.
E assim, mais uma competição foi com os cães, mas como diz o outro, a vida é mesmo assim...



Ora, o que podemos retirar destes úlltimos jogos? Antes demais, devo dizer que nem tudo é mau.

Primeiro que tudo, desde o jogo contra o Vitória FC Para a Taça de Portugal que a equipa tem melhorado o seu desempenho nos lances de bola parada, principalmente nos cantos, onde na era Rui Vitória a equipa sempre tinha sido fraca. Já não está tão previsível nem tão insistente em lançar a bola para o Luisão. Não sei se é coincidência ou não, mas ao menos é sinal que houve treino.

Depois, outras melhorias vieram com a alteração do sistema táctico. A mudança para o 4-3-3 promoveu a entrada tardia de Krovinovic no onze titular. Com isto, a equipa ganhou mais qualidade e critério na definição dos lances. Para além do mais, o médio croata não é um criativo que se limita a distribuir jogo (tipo Djuricic), também o sabe procurar, colocando-se no sítio certo para receber a bola, estabelecendo a ligação entre sectores. Embora, como referi acima, ainda tenha de melhorar no
posicionamento defensivo.

Depois, a principal questão que se colocava quanto à mudança do sistema táctico, seria quanto ao rendimento de Jonas, muitos questionavam se Jonas teria o mesmo rendimento jogando sozinho na frente. As suas exibições falam por si.
Antes de mais, num 4-3-3 dinâmico e bem trabalhado no plano ofensivo, o avançado não está sozinho na frente, a equipa ataca sempte em conjunto. Depois, a ausência de uma referência ofensiva fixa na área faz com que o espaço entre a linha media e a linha ofensiva seja menor. E um jogador como Jonas pode muito bem tirar partido da sua inteligência para fazer combinações com os extremos que desmontem a linha defensiva adversária.
Com isso, a produtividade ofensiva aumentou e jogadores como Salvio melhoraram o seu desempenho.

Já o negativo, para além de passar pelos contantes erros infantis que resultam em golos adversários e pelas deficiências defensivas do nosso miolo, o principal problema resume-se ao gritante défice de atitude que a equipa tem tido na maioria dos jogos desta época, com a equipa adormecer após marcar um golo.
Esta situação é particularmente preocupante. Nesta temporada, o Benfica já deixou escapar vantagens no marcador por seis vezes, três das quais em jogos em casa. E apenas por uma vez conseguimos dar a volta a uma desvantagem no marcador (contra o Portimonense para o campeonato). Esta situação leva-me a acrditar cada vez mais que a equipa não está com o treinador, mas deixarei esse assunto para um post em que falarei exclusivamente de Rui Vitória.

Agora, é rezar para que as férias tenham feito bem à nossa equipa.
Saudações Benfiquistas!

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Há que saber distinguir as coisas


Uma das cenas marcantes do jogo da última jornada do campeonato no último sábado, foi o facto da direcção do Boavista ter proibido a entrada de adereços do Sport Lisboa e Benfica nas bancadas destinadas aos adeptos axadrezados, barrando assim muitos adeptos do Benfica do estádio, situação que deixou muitos benfiquistas revoltados.

Antes de mais, devo dizer que isto é recorrente em jogos do Benfica nos estádios das equipas históricas (Alvalade, Restelo, Guimarães, etc.). E no entanto, acho que esta situação é dramatizada por muitos benfiquistas, e passo a explicar porquê.

Como devem saber, esta interdição é aplicada somente nas bancadas destinadas aos adeptos das equipas visitadas. E eu parto do princípio que, os stewards mandam os adeptos do Benfica com bilhetes para essas bancadas retirarem os seus adereços ligados ao clube, com o intuito de evitar que estes pudessem ser abordados no interior do estádio por adeptos adversários mal intencionados.

Como tal, acho esta interdição uma atitude compreensível. Por outro lado, a atitude do clube axadrezado também foi de muita má fé. Porque, tendo em conta que ele avisaram da interdição dos adereços assim que divulgaram a venda dos bilhetes, eles poderias ter o bom senso de aconselhar os adeptos do Benfica a não comprarem bilhetes para as bancadas destinadas aos adeptos axadrezados.

O problema é que o Boavista não tem adeptos suficientes para encher aquelas bancadas. E como tal, tal como muitos clubes pequenos fazem. aproveitaram-se da dimensão do Benfica para fazerem dinheiro. Como resultado, houve muitos adeptos (crianças inclusive) que pagaram 50/60 euros pelo bilhete e que se viram forçados e livrarem-se das suas camisolas e cachecóis.

Moral da história: acho esta situação da interdição dos adereços compreensível. O que me revoltou nesta situação foi a garganeirice dos dirigentes do Boavista. É nestas alturas que eu desejo que pudessem descer 10 equipas de divisão.

domingo, 21 de maio de 2017

Saúdem as nossas hoquistas de salto alto!


Uma equipa que não se cansa de ganhar. É o que tenho a dizer desta extraordinária equipa de hóquei em patins. Desde que foi criada na época de 2012/2013, tem limpado tudo no hóquei em português. Com isto, é de esperar que haja alguns engraçadinhos que se metem a dizer que não temos adversários a altura. Mas quem tem acompanhado este campeonato, deve ter percebido que este campeonato foi mais competitivo que os últimos.

Na 1ª Fase da Zona Sul, o HC Turquel e o Stuart Massamá fizeram-nos suar bastante. Na recepção à equipa da "Aldeia do Hóquei", liderada pelas irmãs Vicente (Cláudia, Inês e Sofia, as duas últimas duas já jogaram no Benfica), perdíamos por 3-2 ao intervalo e só um golo nos últimos 10 minutos nos deu uma vitória muito suada.

A equipa do Stuart Massamá, 4ª classificada na época passada, também se apetrechou bem para esta temporada, com a contratação da internacional portuguesa Ana Catarina Ferreira à Académica, e também da espanhola Carla Masclanes, e conseguiram arrancar um empate a duas bolas na Luz na 1ª Fase.

Na Zona Norte, a Académica é tradicionalmente um osso duro de roer e desta vez não foi excepção. E também destaque para a equipa do CH Carvalhos, que se afirmou como o outsider do campeonato ao terminar a 1ª fase da Zona Norte na liderança.

Entretanto, na Fase do Apuramento de Campeão, o Benfica colocou-se na liderança isolada apenas na sétima jornada (a última da primeira volta) após derrotar o seu adversário directo, o Stuart Massamá por 3-1. Na segunda volta, a nossa equipa subiu de rendimento e conseguiu garantir o Penta ainda na antepenúltima jornada, muito graças a um período de grande forma da nossa Marlene Sousa.

Começam a faltar adjectivos para a descrever. Depois de ter sido considerada a melhor jogadora do Mundial do ano passado, esta época tem feito uma época extraordinária. Com uma jornada por disputar, já leva 62 golos marcados neste campeonato. E tudo isto com apenas 22 anos! Certamente que ainda terá muito para dar ao Benfica e ao hóquei português.

Uma palavra de apreço também para o nosso treinador Paulo Almeida. Membro de uma geração dourada do hóquei encarnado, está habituado à exigência do Sport Lisboa e Benfica. É um treinador que jamais se contenta com o segundo lugar e acima de tudo, é um treinador que não se contenta em simplesmente ganhar. Quer ganhar, jogando bem. Um bom exemplo disso mesmo, foi aquando da vitória sobre a Académica por 2-1 na 3ª jornada da Fase de Apuramento de Campeão, ele estava insatisfeito com o resultado como se de uma derrota se tratasse. Tomara que todos os treinadores do Benfica fossem assim!

E época não fica por aqui, ainda há uma Taça de Portugal para ganhar. E tenho que dizer uma coisa: esta equipa de hóquei feminino não será a mesma sem estas jogadoras: sem a Marlene Sousa, sem a Maria Celeste, sem as gémeas Lopes, sem a Macarena Ramos, etc... Mas com certeza que quando elas deixarem de envergar o Manto Sagrado, haverá outras guerreiras a darem continuidade ao legado.


Festa no Norte


Boavista FC 2-2 SL Benfica

O dia da consagração, que serviu para dar as faixas aos quatro jogadores que ainda não tinham somado qualquer minuto neste campeonato. Ora, o Boavista jogou com 10 habituais titulares e o Benfica jogou com apenas um (Mitroglou). Jogámos também com uma linha defensiva que nunca tinha jogado junta na vida. Como tal, é natural que, para além da descompressão típica destes jogos, a equipa também se tenha ressentido da falta de ritmo e de entrosamento entre os jogadores.

Depois de uma desvantagem natural ao intervalo perante a fraca primeira parte da nossa equipa, Rafa entrou na segunda parte e agitou o jogo, mas a equipa axadrezada marcou o 2-0 contra a corrente do jogo. Rui Vitória substituiu então Filipe Augusto por Raúl Jiménez e com o regresso ao 4-4-2, a equipa começou a reagir e a assumir o jogo.

Depois da redução para 2-1 e já com Paulo Lopes em campo, a equipa procurou o empate, com o estreante Kalaica a consegui-lo com um cabeceamento exemplar já nos minutos finais do jogo.

O central croata ainda com idade de júnior foi mesmo o homem do jogo. Para além de ter marcado o golo que anulou uma desvantagem de 2 golos, fazendo o seu primeiro jogo ao mais alto nível, fez uma exibição muito melhor que o seu parceiro no centro da defesa, que é 9 ou 10 mais velho que ele.

Um empate "in-extremis" no Bessa a fechar o campeonato, com uma grande moldura humana a apoiar a equipa. Para o ano há mais. Agora, que venha a Taça. Força Benfica!

sábado, 20 de maio de 2017

Regresso ao trono!


No último fim-de-semana, concretizou-se o nosso desejo. A nossa equipa de voleibol conquistou o seu 7º campeonato nacional na história da modalidade. Um campeonato que acabou por ser bem mais sofrido do que inicialmente estava previsto para muitos.

Quando fiz a antevisão da época na modalidade, tinha dito que esta equipa tinha qualidade para vencer todas as provas internas e chegar novamente à final da Taça Challenge. Entretanto, na competição europeia, tivemos a infelicidade de nos calhar uma das equipas mais fortes a participar na competição logo nos oitavos-de-final: os franceses do Chaumont VB, equipa que chegou à final da competição e se sagrou campeã francesa. A nossa equipa deu o seu melhor, mas não foi suficiente.

A nível interno, depois de uma fase regular irrepreensível com 22 vitórias em 22 jogos, deu-se início ao calvário. A poucos dias da Final Four da Taça de Portugal, André Lopes e Marc Honoré lesionaram-se com gravidade. Roberto Reis também sofreu uma lesão que levaria o capitão Hugo Gaspar a jogar fora da sua posição de origem. E com isto tudo, o Sporting de Espinho derrotou-se na final da Taça de Portugal de forma incontestável e com todo o mérito.

As lesões dificultaram muito a preparação para esta Final Four e à entrada para os play-offs ainda havia mazelas, que nos levaram à derrota no primeiro jogo contra o AJ Fonte Bastardo. Mas depois a equipa mesmo com duas baixas de vulto e com Roberto Reis, Hugo Gaspar e Vinhedo limitados, a equipa regressou ao seu melhor nível, derrotando a equipa açoriana nos 3 jogos seguintes que nos levaram à final.

A final contra o Sporting de Espinho foi frenética. Confesso que nunca desejei tanto que uma equipa das modalidades do Benfica ganhasse, muito graças à forma porca de jogar da equipa vareira, principalmente do seu capitão Miguel Maia. No entanto, apesar da derrota "viciada" no primeiro jogo, sempre me mostrei convicto de que seríamos campeões.

E o que é facto é que nos jogos em casa, não demos hipóteses. Mostramos que somos os melhores e que temos a equipa melhor e mais homogénea. Mesmo com André Lopes e Honoré lesionados, a nossa equipa era mais homogénea e com alternativas de melhor qualidade. Quanto à equipa do Sporting de Espinho, tinha uma equipa titular muito forte (Hugo Ribeiro, Miguel Maia, Marco Ferreira, João Simões, Kibinho, José Rojas e Valdir Reis), mas as alternativas não estavam ao mesmo nível.

Deixo aqui uma homenagem aos campeões nacionais:
Hugo Gaspar - o nosso Doutor (para quem não sabe, ele tirou o curso de Medicina). Já lá vão sete anos de águia ao peito e sempre destacando-se como um dos melhores jogadores da equipa. Isto, para além de ter sido o MVP na "negra" com 22 pontos.

André Lopes - aos 34 anos, é um dos jogadores mais completos do nosso campeonato. Até à sua lesão, liderava as estatísticas dos ases (pontos no serviço), da recepção e dos pontos na zona 4. A sua grave lesão foi um rude golpe na equipa, mas mesmo de fora, apoiou e sofreu pela nossa equipa. Um sofrimento que valeu a pena.

Flávio Soares (Zelão) - o "Luisão" do voleibol. Já lá vão oito épocas de águia ao peito. Acompanhou o crescimento que a secção tomou e que agora faz do Benfica o principal dominador da modalidade. Um jogador com um currículo invejável e que nunca se cansa de ganhar.

Ivo Casas - um jogador à Benfica. Encara cada lance como se fosse o último. Não dá um lance por perdido. É a partir de jogadores destes que se começam a construir equipas campeãs.

Joan Llanes Díaz (Ché) - é mais um dos que acompanha a hegemonia na modalidade desde o início. No Benfica desde 2011, deu um pouco de sangue latino americano a esta equipa, sendo um jogador de raça, para o qual mais vale quebrar do que torcer. Foi decisivo nos jogos contra o Fonte Bastardo.

Raphael Margarido (Vinhedo) - como se diz no Brasil, é o "pé quente" do Benfica: 3 anos no Benfica, 3 campeonatos. É um jogador que mostra uma grande classe dentro da quadra, a bola "descansa" nas suas mãos. As suas distribuições feitas com pés e cabeça são maus que meio ponto.

Marc Honoré - não é muito comum haver um tobaguenho a jogar em Portugal. No nosso voleibol temos um e de grande qualidade. É claramente o melhor central a jogar em Portugal e um dos melhores bloqueadores do campeonato. E o facto deste ter querido regressar ao Benfica depois de um ano a jogar num dos melhores campeonatos do mundo na modalidade também diz muito.

Tiago Violas - este distribuidor era um desejo meu na época passada para a equipa do Benfica e felizmente concretizou-se. E nem pareceu que era novo no plantel tendo em conta a facilidade e rapidez com que se integrou na equipa. Não tem tanta qualidade na distribuição como o Vinhedo, mas é mais alto, dando assim maior apoio ao bloco da equipa.

Raphael Oliveira (Rapha) - um craque dos pés à cabeça. Chegado ao clube, tornou-se imediatamente numa mais valia, sendo o MVP na Supertaça. Com um serviço agressivo e um ataque poderoso, fez muitos estragos às defesas adversárias. A confirmar-se a sua saída, será uma grande perda.

Mart Van Werkhoven - um jovem que ainda tem muita carreira pela frente. Como já aqui disse, creio que ele podia fazer mais a diferença e que devia evoluir mais nestes dois anos de águia ao peito. Apesar de tudo, não posso deixar de salientar a sua importância neste play-off. Obrigado e boa sorte para o futuro!

João Magalhães - o homem dos match points. Formado no clube encarnado, regressou ao nosso clube após uma experiência na segunda divisão nacional. Benfiquista de coração, é a partir de jogadores destes que se constrói balneários saudáveis.

João Oliveira - a sua vontade e necessidade de jogar com mais regularidade levaram-no a sair do clube a meio da época. Mas mesmo assim, não deixa de fazer parte da equipa campeã.

Roberto Reis - não foi por acaso que o deixei para o fim. Só ele é que sabe o quanto ele sofreu nestes tempos em que jogou lesionado. Mesmo assim, nunca baixou os braços, deu o melhor de si pela sua equipa. E como tal, acho que merece uma dedicatória especial. Por último, só te peço um pequeno favor: Não vás para o Sporting!

José Jardim - um grande treinador e um grande benfiquista. O homem que colocou o Benfica no topo do voleibol português. E nos 4 campeonatos que conquistou, este é aquele onde provavelmente teve mais mérito, pela forma como se viu órfão de duas pedras basilares da equipa e reconstruiu e preparou a mesma para o que restou da temporada. Mais uma grande conquista do nosso treinador.

Obrigado a todos!

terça-feira, 16 de maio de 2017

Perfeição rima com Tetracampeão


SL Benfica 4-0 Vitória de Guimarães

Creio que o título diz tudo. No jogo do título, vimos um Benfica perfeito! Mas desengane-se quem pensa que isto foi meramente uma questão de alinhamento de astros ou de um dia bom para nós e/ou um dia mau para os vitorianos. Houve muito trabalho por detrás daquela que foi claramente a melhor exibição deste ano civil de 2017.

Creio que houve três chaves para a primeira parte acutilante da nossa equipa:

Primeiro, uma exímia organização defensiva, com uma elevada concentração e um espaço muito curto entre as duas linhas com Jiménez a estabelecer a ligação. Depois, uma grande fluidez e variedade de opções nas jogadas de ataque, procurando combinações curtas de modo a conseguir vantegem numérica em todas zonas do terreno de jogo, e procurando ganhar espaço no corredor central e desequilibrar por aí através dos passes a rasgar de Lindelof.

Segundo, a forma como a equipa entrava em organização ofensiva, atacando com 8 elementos, com apenas os centrais recuados e Fejsa a fazer a cobertura. A fluidez ofensiva da nossa equipa conseguir desfazer uma das imagens de marca das equipas do Pedro Martins: a organização táctica. E isso resultou numa tremenda dificuldade da equipa vimaranense em controlar o espaço entre linhas.

Terceiro, a pressão alta feita pela equipa, uma das imagens de marca do Benfica de Rui Vitória. Pressão essa que fez com que a equipa adversária fosse incapaz de sair a jogar de forma curta, e que anulou por completo o jogador mais influente na fase de construção da equipa: Rafael Miranda.

Na segunda parte, a equipa baixou o ritmo de jogo, mas manteve a concentração e o domínio de jogo, jogando de forma apoiada e fazendo com que a equipa vimaranense corresse atrás da bola. E com isso, marcou o quinto golo e podiam ainda ter vindo mais.

E com uma exibição de gala, fechou-se mais um capítulo da história do Sport Lisboa e Benfica com chave de ouro: o Tetracampeonato.

Vivó Benfica!

domingo, 14 de maio de 2017

Nada mais importa!


Ainda não me encontro em condições de fazer análises ao jogo de ontem e também a todo o campeonato. Ainda estou a recuperar do êxtase. Para já, venho só aqui deixar uma pequena reflexão.

Depois de tantas críticas feitas ao longo da época, principalmente nesta segunda metade, foi feita história! Liderámos o campeonato desde a quinta jornada e com o número anormalmente elevado de lesões ao longo da época que só foi atenuado nas últimas semanas.

Ora, é legítimo que nós, enquanto adeptos, queiramos sempre que o Benfica nos brinde sempre com golos, Vi muitas críticas ao longo da época, umas feitas de cabeça quente, e outras com a convicção de certezas absolutas. E agora que nos sagrámos Tetracampeões, provavelmente serão poucos os benfiquistas que se lembram das críticas que fizeram.

E não censuro ninguém. Porque no final de contas, nada disso importa. Como disse Rui Vitória num vídeo de consagração na época passada: "Nas conversas de café ganham todos e não ganha ninguém. No em dia em que estivermos todos de acordo, acabou-se o futebol."

Se jogámos bem ou mal, se jogámos muito ou pouco... não sei. Só há uma coisa certa nisto tudo: se nos sagrámos campeões, foi porque jogámos mais que os outros. De resto, como diz a música dos Metallica, nada mais importa!

terça-feira, 9 de maio de 2017

Aí está Jiménez!


Aguardava este jogo com muita ansiedade, contra uma das equipas que joga um futebol mais atractivo neste campeonato.

A nossa equipa entrou no jogo de forma algo tremida e uma saída em falso de Ederson poderia dar resultado em golo do Rio Ave logo a abrir o jogo. Mas com o tempo, a nossa equipa entrou no jogo e começou a chegar à área contrária. Criou algumas ocasiões de perigo, mas sem fazer abanar as redes da baliza defendida por Cássio. Ao intervalo, o empate aceitava-se. Estava a ser um jogo equilibrado com a nossa equipa a reagir bem ao início tremido do jogo, mas era preciso mais
.
A nossa equipa entrou de forma determinada na segunda parte, a mostrar que queríamos resolver este jogo o mais depressa possível, com o árbitro a não dar-nos a lei da vantagem, travando escandalosamente uma situação iminente de perigo da nossa equipa. Depois disso, a equipa vila-condense voltou a entrar no jogo e a criar ocasiões de perigo.

Até que numa grande jogada de contra-ataque, a nossa equipa chegou ao tão desejado golo. Um toque subtil de Jonas a afastar dois adversários da jogada, uma arrancada de Salvio, a tomar a decisão certa na hora exacta, e a frieza finalizadora de Jiménez a tratar do resto. Foi o 21º golo do mexicano de águia ao peito e o 3º apontado ao Rio Ave.

Depois, ainda houve tempo para uma situação de maior aperto, com o remate de Gonçalo Paciência ao poste e a recarga de Adama Traoré a sair por cima. Foi um lance em que a estrelinha de campeão fez a diferença.

Foi uma vitória à Benfica! Se foi um jogo deslumbrante? Não, não foi. Mas foi um jogo em que mostrámos que temos estofo de campeão, que merecemos realmente ganhar este campeonato após tantas dúvidas que tanta gente colocou. Destaque também para a perfeita sintonia entre equipa e adeptos, sem otários a assobiar.

Ainda não ganhámos nada. Existem 90 minutos que temos de encarar com a máxima seriedade e profissionalismo. Força Benfica!


segunda-feira, 1 de maio de 2017

Bala com Xanax


SL Benfica 2-1 GD Estoril Praia

Creio que todos estávamos alertados que tanto a equipa do Estoril, como o treinador Pedro Emanuel já fizeram suar bastante a nossa equipa. Como tal, neste jogo tínhamos a obrigação de passar por menos aflições que no jogo da Taça de Portugal.

Tivemos uma primeira parte à imagem dos dois jogos anteriores. Apesar do início descontraído e atrevido da equipa estorilista, a seu tempo, a nossa equipa começou a assumir o jogo e a controlar a bola no meio campo-adversário, conseguindo assim chegar à área adversária, mas só uma grande penalidade nos daria a desejada vantagem no marcador. Depois disso, ainda tivemos oportunidades para aumentar a vantagem, mas em vão.

Na segunda parte a equipa do Estoril entrou renovada. A fazer um jogo bastante personalizado e a chegar com bastante perigo à nossa área. Como tem sido habitual esta época, a nossa equipa entrou a dormir na segunda parte e cada situação de perigo só a deixava mais nervosa, até que o Estoril chegou finalmente ao empate, que já merecia tendo em conta a forma como entrou na segunda parte e que castigou a anemia da nossa equipa.

No entanto, esta igualdade no marcador durou apenas 6 minutos, até que um golpe de génio do nosso pistoleiro nos devolveu a vantagem. Esta bala de Jonas Pistolas acabou por surtir um “efeito Xanax” em todo o estádio. Este golo acalmou os adeptos e a equipa, que daí para a frente conseguiu controlar o jogo, não permitindo que a equipa da linha criasse mais ocasiões de perigo, podendo inclusive ter aumentado a vantagem em três ocasiões. Resumindo, conseguimos uma vitória que podia muito bem ter sido menos suada, tendo em conta as oportunidades que tivemos para aumentar a vantagem.

Agora segue-se uma deslocação muito complicada a Vila do Conde onde é preciso muita serenidade e concentração para levar de vencida a equipa de Luís Castro, que ainda tem uma palavra a dizer na luta pelo acesso às competições europeias.

E acabo a análise com uma questão: do que é que serve ter casa cheia e bater recordes de assistência se boa parte dos adeptos só lá estão para assobiar?
Força Benfica!


domingo, 23 de abril de 2017

Victor "Sabrosa" Lindelof


Sporting CP 1-1 SL Benfica
Perante o ambiente incendiário instalado no futebol português nos últimos tempos, este derby foi um exemplo de seriedade e profissionalismo, do qual podíamos muito bem ter saído com os 3 pontos.
Perante a aselhice do Ederson e as duas grandes penalidades a que um árbitro ameaçado de morte fez vista grossa, a nossa equipa manteve o controlo emocional. Jogou em equipa, com atitude, seriedade e profissionalismo, conseguindo o empate num golpe surpresa de Lindelof, um empate que era justo perante o que se via em campo. A nossa equipa sempre deu a entender que teve o jogo controlado, defendeu muito bem com excepção dos primeiros 10/15 minutos da segunda parte, conseguindo anular bem jogadores como Alan Ruiz e Bruno César, e manteve o perigo longe do alvo após o empate.
Na recta final, viu-se um Rui Vitória mais conservador ao substituir Mitroglou por Filipe Augusto, a querer conservar o ponto que ficaria assegurado em vez de arriscar. Rui Vitória quis não perder, e conseguiu. Será que poderia ter arriscado mais? Sim, podia, mas alguém garante que isso daria certo? Já vi o Mourinho adoptar esta estratégia vezes sem conta com um futebol irritante, mas que dá títulos.

No final, é também de salientar que os festejos patéticos da equipa azul e branca no clássico há 3 semanas mostraram que eles tinham apostado todas as fichas no Sporting e no final saiu-lhes o tiro pela culatra. Restam-lhes as malas para conseguirem o que querem. Faltam 4 finais. Força Benfica!

sábado, 22 de abril de 2017

Hoje é o dia!


Hoje é dia de derby! É o dia de mais um jogo importante na nossa caminhada. Sim, é isso mesmo. Não é um jogo de vida ou de morte como muitos teimam em dizer, é apenas mais um jogo que temos de ultrapassar para conseguirmos o nosso objectivo.
E em jogos deste calibre, paira sempre a questão de que se vai ou não haver alguma surpresa táctica. Sinceramente, neste jogo tenho algumas dúvidas nisso. Quanto à equipa leonina, Marvin Zeeglaar falha o derby por castigo e a imprensa avança que será Bruno César quem ocupará a sua vaga na lateral-esquerda. Sinceramente, acho pouco provável. Tendo em conta que o brasileiro é dos jogadores mais influentes na manobra ofensiva da equipa, não me parece que Jorge Jesus o vá recuar para a defesa.
Quanto à nossa equipa, tendo em conta a nossa situação, creio que caso o Jonas não esteja em condições de jogar de início, creio que seria uma boa oportunidade para reforçar o meio-campo. Tendo em conta que o meio-campo é o ponto forte do sistema táctico de Jorge Jesus, creio que se poderia apostar num meio-campo de 3 homens com Fejsa, Pizzi e Filipe Augusto. Com o médio brasileiro a jogar como interior esquerdo, este para além de dar presença no miolo, também poderia dar apoio a Grimaldo na marcação a Gelson Martins.
Depois, acredito que Rafa será o grande trunfo da nossa equipa. Todos nós devemos saber que Jorge Jesus gosta de meter a sua equipa a fazer pressão alta, com um bloco bem subido. Esse estilo de jogo favorece bastante as características de Rafa, podendo aproveitar a subida da linha defensiva para explorar o espeço nas suas costas e fazer as transições rápidas de que tanto gosta.

Seja como for, temos de jogar com raça, querer e ambição e com a força dos nossos adeptos, poderemos levar a melhor. Força Benfica! 

sábado, 15 de abril de 2017

Ressuscitação antecipada


SL Benfica 3-0 CS Marítimo
Em plena semana santa, o Benfica ressuscitou. Ontem assistimos à exibição mais bem conseguida da nossa equipa nos últimos tempos. Mas, para ser franco, já estava à espera de algo assim.
Não só pelo facto de jogarmos em casa, mas também porque a equipa insular teve condições muito limitadas para preparar este jogo. O Marítimo jogou na segunda-feira à noite e viajou para o continente na quinta-feira, tendo assim três dias para preparar este jogo. Mas isso não retira mérito à nossa vitória.
A nossa equipa realizou uma primeira parte de grande nível e uma segunda parte em gestão de esforço. Rafa fez de longe, a sua melhor exibição de águia ao peito. Com Grimaldo em campo (que ontem voltou ao seu nível normal), a equipa aproveita melhor as suas qualidades. E esta dupla na ala esquerda promete fazer mais estragos no que resta da temporada. Fejsa e Pizzi também regressaram ontem ao seu nível habitual.
Com o jogo de ontem, colocou-se uma questão. Será que o sexto classificado deste campeonato se colocou a jeito? Sinceramente, não me parece. Se podiam ter arriscado mais? Sim, podiam. Mas quem tem acompanhado o campeonato, sabe que esta equipa do Marítimo joga “à Leicester”.
É uma equipa que não tem muita posse de bola e que gosta de entregar a iniciativa de jogo ao adversário, procurando recuperar a bola e realizar transições rápidas para o ataque, sendo por norma, uma equipa que não precisa de circular muito a bola para chegar à área adversária e criar ocasiões de perigo. Isto, para além de ser uma das equipas deste campeonato que marca mais golos em lances de bola parada, situação em que a nossa equipa defendeu de forma exemplar.

Com esta exibição, a nossa equipa mostrou que está viva e bem viva. Não sabemos que este nível será para manter ou se será apenas sol de pouca dura, mas uma coisa é certa. Com este resultado, a nossa equipa partirá para o derby em Alvalade com a motivação em alta. Para eles, será o jogo da vida deles. Para nós, será apenas mais um jogo rumo ao nosso objectivo. Força Benfica! 

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Assim não vamos a lado nenhum


Ninguém pode negar que o jogo de ontem foi muito pobrezinho. A nossa equipa fez um jogo muito fraco e já mostrou muito melhor. Muita indefinição e pouco critério na fase de construção e muitas jogadas sem pés nem cabeça. E quando a fluidez de jogo não existe, tem de ser um lance de bola parada a decidir o jogo. Felizmente, foi o que aconteceu. O nosso melhor marcador e o nosso melhor assistente resolveram um jogo em que a nossa equipa voltou a acabar o jogo com o coração nas mãos.

Começa a ser hábito termos jogos tão suados na fase decisiva da época. Bem como foi na época passada até ao jogo contra o Marítimo, bem como foi há duas épocas na maioria dos jogos fora de casa na segunda volta. Isto, sem falar nos campeonatos de 1993
/1994 e 2004/2005. O que vale é que os jogadores e nós, adeptos, já estamos habituados a sofrer.

Outro facto é que, regra geral, os jogos contra o Moreirense têm sido muito complicados. Na minha memória está o 3-2 em 2002/2003, no primeiro confronto entre ambas as equipas na história do futebol português. Há também dois empates caseiros a uma bola em 2002/2003 e 2003/2004. Mais recentemente, há o 3-2 em casa na época passada e há também os 3-1 em 2014/2015 (em casa e fora) e em 2012/2013 em casa, todos eles com a nossa equipa em desvantagem ao intervalo. Salvam-se o 4-1 e o 6-1 (Taça da Liga) da época passada e o 4-1 em 2003/2004. Curiosamente, estas goleadas foram todas fora de casa

Depois, o estádio Comendador Joaquim de Almeida Freitas está a afirmar-se como um terreno muito complicado para os grandes. Antes da vitória arrancada a ferros de ontem, já tinham ganho ao FC Porto na Taça da Liga e feito suar bastante o Sporting no jogo da 21ª jornada.

Temos a obrigação de fazer mais e melhor. No entanto, há também uma coisa que quero deixar bem claro. Entre o clássico da semana passada e o jogo de ontem, eu prefiro claramente o jogo de ontem, pois foi o que nos deu os 3 pontos. É que pelas conversas que tenho visto desde ontem, duvido que haja muitos benfiquistas que pensem como eu. Se alguém me pudesse garantir que venceremos os jogos que restam por 1-0, eu assinava já por baixo. Quem prefere o com futebol às vitórias, pode arranjar uma máquina do tempo e recuar aos tempos do Camacho e do Koeman.

E já agora, quero aqui deixar uma questão aos benfiquistas que teimam em dizer que o André Horta e o Jiménez foram encostados: o que têm a dizer do facto do Quim Machado ter deixado o Miguel Rosa e o Maurides no banco no jogo contra o FC Porto?

Voltando à nossa equipa, a continuar assim não vamos a lado nenhum… a continuar assim, vamos ficar no mesmo sítio onde estamos há 7 meses: na liderança do campeonato. Força Benfica!


domingo, 9 de abril de 2017

Está na hora de regressar às vitórias!


Hoje é o dia da desforra. Passaram cerca de 2 meses e meio após aquele resultado surpreendente no Algarve. Na minha opinião, foi o pior momento da época até ao momento. No entanto, quem acompanha o futebol, certamente irá perceber que este jogo será disputado em circunstâncias muito diferentes.
Ora vejamos, o Moreirense conquistou a Taça da Liga com todo o mérito e justiça. No entanto, daí para a frente, a equipa minhota disputou 9 jogos para o campeonato e não venceu nenhum e se não fosse as sequências igualmente péssimas do Nacional e do Tondela, o clube estaria abaixo da linha de água. E as saídas do Francisco Geraldes e do Podence não podem justificar tudo.
Como disse na análise ao jogo contra o Estoril, as equipas pequenas arriscam muito mais nos jogos a eliminar, e a possibilidade destas poderem disputar uma final deixa-as bastante motivadas. E para além disso, na conferência de imprensa de antevisão, Augusto Inácio tinha deixado bem claro que para ele, a Taça da Liga não era uma prioridade. E essas declarações acabaram por aliviar a pressão aos jogadores, embora isso não sirva de desculpa para a paragem cerebral que a nossa equipa teve na segunda parte.
E o jogo de hoje não é a eliminar nem discute o acesso a uma final. Eu sei que a equipa de Moreira de Cónegos está numa situação aflitiva e que necessita urgentemente de pontos para fugir aos lugares de despromoção, mas não é a mesma coisa, longe disso. E depois, espero também que Luisão e Fejsa regressem hoje à titularidade.
Espero que hoje a nossa equipa entre com a mesma atitude do clássico e que tenha a objectividade e o esclarecimento que não teve em Paços de Ferreira. E nós enquanto adeptos, também temos de fazer a nossa parte. Força Benfica!

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Clássico empatado. E agora?

O clássico de sábado terminou com um empate, o que deixou tudo praticamente na mesma. Antes de tudo, há duas coisas a reter: primeiro, com dois empates a uma bola, Benfica e FCP estão empatados no confronto directo, o que significa que caso haja igualdade pontual na última jornada, o critério de desempate será a diferença de golos marcados a sofridos; segundo, depois deste jogo, o Benfica passou a ser a única equipa a depender de si própria para ser campeã nacional.
No entanto, tal como os treinador de ambas as equipas referiram, o clássico não foi decisivo. Ainda há mais sete jogos pela frente. E, como se pode verificar na imagem acima, tanto o Benfica como o FC Porto têm três jogos em casa e quatro fora. Depois, o Benfica joga primeiro em três jornadas e o FC Porto noutras três.
E, antes de tirar as minhas conclusões quando à nossa equipa, há outra coisa que gostaria de referir: eu acredito que esta época é a melhor oportunidade para o FC Porto ser campeão nacional nos próximos anos.
Vejamos: regressando ao mercado, verificamos que desde o último Verão, o FCP vendeu apenas um jogador: Evandro ao Hull City pela quantia “simbólica” de 2 milhões de euros. Depois, do plantel da época passada, o ponta-de-lança Aboubakar foi o único jogador influente a sair do clube (emprestado ao Besiktas).
Desde o último Verão, o FC Porto gastou cerca de 30 milhões de euros em contratações (Layun, Felipe, Alex Telles, Depoitre, Boly e Soares), fora ainda os 20 milhões de euros que vão gastar no final da época para comprar o passe do Oliver Torres. E também há ainda os casos do Casillas e do Maxi Pereira
Depois, o FC Porto vem de 3 anos em que não ganhou nada e fez investimentos avultados que não têm sido rentabilizados. Investimentos esses, que levaram ao incumprimento das regras de fair-play financeiro no ano passado. Com isto, o clube azul e branco está obrigado a facturar pelo menos 115 milhões de euros em receitas para são sofrer sanções por parte da UEFA.
Com isto tudo, acredito que o FC Porto terá de vender vários jogadores influentes no próximo mercado para equilibrar as contas. E como tal, acredito que o FC Porto irá dar tudo o que tem para recuperar o trono.
Quanto à nossa equipa: sendo o Benfica a equipa tricampeã nacional, já está habituada à pressão de ter os adversários directos a morderem-lhe os calcanhares. E na verdade, já estamos a lidar com esta pressão desde que perdemos em Setúbal há dois meses atrás. Mas o mesmo não posso dizer da equipa azul e branca caso esta salte para a liderança ainda no decorrer do campeonato, visto que o único jogador do seu plantel que sabe ser campeão nacional é o Maxi (só de nome) Pereira.

Quantos aos jogos, o FC Porto terá por exemplo de jogar em casa do Marítimo num estádio onde não ganham há quatro anos. Para o nosso lado, também será muito difícil vencer os sete jogos que restam. No entanto, devo lembrar que na época passada tivemos 12 vitórias consecutivas até ao título, 5 das quais contra adversários que nos resta defrontar. Há razões para acreditar que vamos fazer história. Carrega Benfica!

O campeonato da bazófia está ao rubro

Estas duas semanas que antecederam o clássico ficaram marcadas pela enorme quantidade de bazófia que houve em torno do futebol português e sobretudo, em torno do clássico do último fim-de-semana.
Desde a posse de Red Pass e cartões de sócio do Benfica por parte de adeptos portistas, a venda de bilhetes nas Casas do Benfica a adeptos azuis e brancos, à promessa do Macaco em fazer a maior invasão de sempre, tudo não passou de fumaça. A caixa de segurança reservada aos adeptos do FCP até tinha lugares vazios. E depois no clássico, bem se viu uma equipa que supostamente queria controlar e dominar o jogo a ser inferior à nossa durante grande parte do tempo de jogo.
No final de contas, tudo isto serviu para uma coisa: para desviar as atenções do facto do FC Porto ter desperdiçado uma oportunidade soberana para saltar para a liderança do campeonato. Mas esta manobra de diversão também teve o reverso da medalha e consequentemente, com todo o mediatismo que foi dado à capela (conjunto de macacos) dos Super Dragões, a nossa imprensa também se esqueceu um pouco do Benfica e assim, a nossa equipa pode preparar o clássico de forma mais serena após o deslize em Paços de Ferreira.
No entanto, com tudo o que se tem passado, parece que a equipa azul e branca também quer disputar outros campeonatos. Principalmente, o campeonato da bazófia onde disputa o título com um clube que adultera o número de espectadores no estádio e que esta época decidiu do nada que afinal tinha 22 campeonatos.
Aliás, esse clube também deu um ar da sua graça no clássico, com o humorista João Quadro a postar um tweet a fazer referência ao facto do nosso presidente dever mil milhões de euros ao BES e ter assistido ao clássico ao lado do António Costa e do Mário Centeno. O que está em causa não é a veracidade da questão mas sim o facto do autor do tweet ser um ilustre adepto do clube que viu parte da sua dívida ser perdoada pela banca, que se viu forçado a renegociar a mesma e a recorrer a VMOCs para a pagar, e que também tem uma dívida com juros a um fundo de investimento, dívida essa que não paga por pura teimosia.

Resumindo e concluindo, a moral que os sportinguistas têm para falar de dívidas é a mesmo que os portistas têm para falar de arbitragens: bola!!! Podem continuar com as macacadas enquanto a equipa do Benfica trabalha para conquistar o campeonato que realmente interessa.
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