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sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Antevisão - Andebol 2018/2019


A época eclética oficial do Benfica está prestes a começar, com a nossa equipa de andebol a ser a primeira a entrar em acção. A época oficial vai começar no próximo Domingo com a disputa da Supertaça contra o Sporting em Braga. O campeonato inicia no fim-de-semana seguinte com a recepção ao ADA Maia/ISMAI.

A época passada que terminou com a conquista da Taça de Portugal criou boas expectativas para o futuro, mas também deixou bem claro que aquilo que tínhamos ainda não era suficiente para reconquistar o título. Era preciso mais investimento e maior profundidade.

Ao contrário do que se verificou no ano passado, foram feitas poucas mexidas no plantel. Já garantida desde o ano passado estava a contratação de Carlos Martins do ABC. O ponta-direita de 23 anos é presença assídua na selecção nacional e será um sério concorrente para Davide Carvalho, sendo assim mais um ex-jogador do ABC a juntar-se a Carlos Resende no Benfica.

Mas a grande contratação do ano, não só do Benfica mas também do andebol português, foi o guarda-redes macedónio Borko Ristovski. O guarda-redes de 35 anos conta com uma grande experiência a nível internacional, tenho já representado alguns dos melhores clubes na modalidades, tais como o RK Vardar, o Rhein-Neckar Lowen e o FC Barcelona. Assim, a equipa de Carlos Resende ganha finalmente um guarda-redes estrangeiro de qualidade indiscutível de que precisava. Foi ainda contratado Daniel Neves, jovem de 17 anos oriundo do Sporting CP, e para as promoções dos jovens Pedro Loureiro e de Pedro Côrte-Real.

https://www.youtube.com/watch?v=IOVJNZAmYuA

A permanência de Alexandre Cavalcanti também é algo digno de registo, o jovem lateral-esquerdo formado no Benfica foi o melhor jogador da equipa na época passada e apesar de ter mais um ano de contrato, era um jogador bastante cobiçado por vários clubes na Europa. A verdade é que Cavalcanti já é um jogador de outro campeonato e a sua permanência no plantel pode ser considerada um reforço.

O grande senão da equipa foi o facto de não se ter contratado um lateral-direto. Por opção de Carlos Resende, o clube optou por não ir ao mercado contratar um lateral-direito, optando por dar uma nova oportunidade a Stefan Terzic, que continua a tentar quebrar o calvário de lesões. O lateral-direito sérvio, caso consiga recuperar, será claramente um dos melhores jogadores do campeonato, só que nunca sabemos quando podemos contar com ele. O brasileiro Arthur Patrianova também terá uma nova oportunidade após ter tido poucos minutos na época passada.

https://www.youtube.com/watch?v=1i4f0u2ZXnU

https://www.youtube.com/watch?v=YXBAiX5cPG8

Quanto a saídas, todas elas foram de jovens por empréstimo. Diogo Valério, André Alves, Pedro Santana e Marcos Araújo foram emprestados ao Boa-Hora FC; Gustavo Capdeville, Hugo Lima e Valter Soares foram emprestado ao Madeira SAD, Tiago Ferro foi emprestado ao Belenenses e André Lima foi emprestado ao Sporting da Horta.

Entre os adversários directos, o Sporting CP parte novamente na pole position do campeonato, procurando alcançar o tricampeonato. Do plantel leonino saíram.Pedro Portela, Felipe Borges, Janko Brozovic e Michal Kopcko. Por outro lado chegaram os pontas Valentin Ghionea e Fábio Chiuffa, o lateral-direito Neven Stjepanovic e o jovem pivot Luís Frade. De resto, mantém grande parte da sua espinha dorsal assente em jogadores como Tiago Rocha, Carlos Ruesga, Frankis Carol ou Ivan Nikcevic, bem como nos 3 guarda-redes estrangeiros de grande valia (Cudic, Asanin e Skok).

Quando ao FC Porto, depois do fracasso da época anterior, volta a apostar num novo treinador: o sueco Magnus Andersson, que enquanto jogador fez parte da geração sueca que dominou o andebol mundial nos anos 90, chega aos azuis e brancos oriundo dos alemães do Goppingen, clube onde conquistaria a Taça EHF. Quanto a reforços, destaque para os regressos de Alexis Borges, pivot internacional português que esteve emprestado ao Barcelona; e Yoan Balázquez, lateral-esquerdo que foi o jogador revelação da Liga Asobal ao serviço do SD Teucro. A estes juntam-se o jovem ponta esquerda Leonel Fernandes (ex-ADA Maia/ISMAI), o lateral-esquerdo internacional português Fábio Magalhães  (ex-Chartres) e o lateral-direito Djibril M'bengué (ex-Estugarda). De resto, a equipa manteve grande parte dos seus jogadores influentes tais como Alfredo Quintana, Miguel Martins, Rui Silva, António Areia, Diogo Branquinho e Daymaro Salina.

O ABC de Braga, vencedor da última Supertaça, voltou a abdicar da participação nas competições europeias em prol da estabilidade financeira do clube. Entre os reforços estão o guarda-redes Carlos Oliveira, o central António Ventura, o ponta-direita André Rei, os laterais-direitos José Rolo e Miguel Batista e o jovem pivot Eduardo Mendonça.

O Sport Lisboa e Benfica vai também competir na Taça EHF, onde fruto do segundo lugar conquistado no último campeonato, teremos acesso directo à segunda eliminatória da competição, onde irá defrontar o vencedor da eliminatória entre o RK Dubrava da Croácia e o FH Hafnarfjordur da Islândia, clubes que ficaram em terceiro lugar nos respectivos campeonatos.A meu ver, temos condições para voltar a marcar presença na Fase de Grupos da competição, embora aí os sorteios também possam fazer a diferença.

Fazendo uma pequena previsão, creio que por aquilo que vi no Torneio de Viseu, o Benfica pode muito bem voltar a derrotar o Sporting na Supertaça. No entanto, numa prova de regularidade como é o campeonato, a maior profundidade e qualidade individual de um plantel faz-se sentir. Por isso, considero o Sporting novamente favorito à conquista do título, visto que possui um plantel com uma qualidade e profundidade muito acima da média para o andebol português.

Quanto ao Benfica, Ristovski e Carlos Martins acrescentam qualidade e profundidade à equipa, mas  aquilo onde a nossa equipa poderá chegar vai depender muito da condição física de Terzic. Já o FC Porto também se reforçou bem mas a meu ver, o plantel tem menos profundidade que o dos dois rivais. Aqui, creio que aquilo que o novo treinador será capaz de fazer é que irá determinar o quão longe a equipa azul e branca ode chegar.

Como já disse, acho que a contratação de um lateral-direito é a peça que falta para termos plantel para ombrear com o Sporting. No entanto, com aquilo que temos actualmente, creio que aquilo que poderá ser a chave para o sucesso é a gestão da equipa nas transições defesa-ataque.
Na época passada, o sistema defensivo mais utilizado por Carlos Resende foi o 5-1 com Pedro Seabra a ser o elemento mais adiantado. No entanto, nesta pré-temporada tem sido mais habitual ver a equipa a defender com dois pivots, com a linha defensiva composta por Cavalcanti, Pesqueira, Moreno/Âles e Grilo/Patrianova. A estes jogadores podem juntar-se João da Silva e Francisco Pereira quando recuperarem. Se este sistema defensivo for o principal, jogadores como Pedro Seabra e Belone Moreira vão ter menos minutos de jogo, o que significa que terão mais frescura e disponibilidade ofensiva, o que principalmente no caso do Seabra, poderá fazer a diferença.

Esta época temos condições para fazer melhor que na época passada (principalmente na Europa) e espero que já no Domingo tragam mais um troféu para o nosso museu.

Guarda-redes: Hugo Figueira, Borko Ristovski (ex-FC Barcelona) e Miguel Espinha

Universal: Daniel Neves (ex-Sporting CP)

Pontas-direitos: Davide Carvalho e Carlos Martins (ex-ABC)

Laterais-direitos: Stefan Terzic, Belone Moreira e Gonçalo Nogueira

Centrais: João da Silva, Pedro Seabra e Francisco Pereira

Laterais-esquerdos: Arthur Patrianova, Nuno Grilo e Alexandre Cavalcanti´

Pontas-esquerdos: João Pais, Pedro Côrte-Real e Fábio Vidrago

Pivots: Paulo Moreno (capitão), Ricardo Pesqueira, Pedro Loureiro e Âles Silva

sábado, 2 de junho de 2018

Análise da época - Andebol 2017/2018


A nossa equipa de andebol terminou mais uma temporada e ainda não foi desta que matámos o borrego.

Numa época que ficou marcada pela substituição de Mariano Ortega por Carlos Resende, a contratação de uma das maiores referências do andebol nacional para orientar a nossa equipa deixou os adeptos com elevadas expectativas.

E a verdade, é que o arranque da época oficial foi muito bom, com a equipa a estar na liderança isolada da Fase Regular durante algumas jornadas e a praticar um andebol de qualidade que há muito não se via, com principal destaque para a vitória sobre o FC Porto por 28-25.

Porém, mesmo nessa altura eu sempre disse que o plantel precisava de ser mais reforçado. Que para aquela altura da época dava para desenrascar, mas para quando começássemos a alternar jogos do campeonato com a Taça EHF não iria ser suficiente.

A verdade, é que a Taça EHF deixaria de ser uma "preocupação". Ainda decorria o mês de Outubro quando fomos eliminados das competições europeia pelos polacos do Gwardia Opole. Apesar de não sermos favoritos, conseguimos uma vitória por 28-24 na primeira mão na Luz, mas na segunda mão na Polónia a nossa equipa não foi capaz de derrubar o "armário" que estava na baliza polaca. Acabaríamos afastados pela equipa que ficou esta época em 4º lugar na Superliga polaca, tendo sido eliminada nas meias-finais do play-off pelo Wisla Plock, clube onde actua o internacional português Gilberto Duarte.

Voltando à nossa equipa, o campeonato prosseguiu e nos jogos contra os adversários directos eram expostas as insuficiências do nosso plantel. Entretanto o Sporting tinha tido um início de época aos solavancos devido a várias lesões que assolaram o plantel, aproveitou o mau arranque do FC Porto (um empate e duas derrotas nas três primeiras jornadas) e os deslizes do Benfica para se colocar na frente da Fase Regular e assumir-se novamente como o grande favorito à conquista do título.

Na Fase de Apuramento do Campeão, acabaríamos por ser novamente os bobos da festa. No entanto, uma vitória categórica sobre o FC Porto por 34-27 e os desaires inesperados doa azuis e brancos contra o AA Avanca acabaram por fazer com que consolidássemos o segundo lugar, classificação que nos dá o acesso à 2ª eliminatória da Taça EHF.

O Sporting CP foi um justo campeão. Um aspecto positivo da nossa equipa foi o facto de não termos perdido pontos contra equipas de outro "campeonato", algo frequente nas últimas épocas. Por outro lado, como já aqui referi, nos jogos contra os adversários directos as nossas limitações ficavam à vista de todos. Em vários jogos, tivemos apenas quatro jogadores disponíveis nas posições da 1ª linha (Belone, Seabra, Cavalcanti e João Silva); André Alves é também um concorrente muito curto para Davide Carvalho, sem falar de Miguel Espinha. Se por um lado, isto permitiu que alguns jogadores tivessem mais competição e evoluíssem, também a equipa ficou a perder em profundidade.

Já na Taça de Portugal, a história foi bem diferente. Sempre disse que, apesar de perder a confiança em relação ao campeonato, a Taça estava perfeitamente ao nosso alcance. Carlos Resende já mostrou saber gerir muito bem a equipa em jogos a eliminar e essa capacidade valeu-lhe a sua terceira Taça de Portugal nas últimas quatro épocas.

A verdade é que aquilo que temos tido nas últimas épocas não é suficiente para conseguirmos conquistar o título de campeão nacional que nos foge desde 2009. Os elevadíssimos investimentos que o Sporting CP tem feito na modalidade colocaram a fasquia a um nível muito alto. Não precisamos de fazer um investimento ao nível deles, mas existem coisas que devem ser mudadas. Em Fevereiro falei aqui de alguns pontos que não foram devidamente abordados na preparação desta época, de maneira que não me irei debruçar muito sobre eles. Deixarei aqui o link desse post para quem estiver interessado...

https://catedralvermelha1904.blogspot.com/2018/02/mais-uma-epoca-em-branco.html

No entanto, irei aqui referir outras coisas considero relevantes. Antes de mais, começo pela típica análise individual aos jogadores:

Pedro Seabra - chegou para colmatar a saída de Tiago Pereira e o seu impacto na equipa foi imediato. Dono de uma visão de jogo fora do comum, consegue encontrar espaços onde poucos conseguem encontrar. Fez uma exibição de encher o olho na final da Taça, onde mostrou tudo aquilo que um central moderno deve ter: liderança, velocidade, inteligência e agilidade. É o cérebro de Resende dentro da quadra;

Davide Carvalho - um dos jogadores que mais evoluiu nesta temporada. Quando assumiu a titularidade há dois anos após a saída polémica de António Areia, o ponta-direita já mostrava potencial, mas pecava muito na finalização. Esta época cresceu bastante nesse aspecto, conseguindo finalizar da ponta, em contra-ataque e em livres de 7 metros. Ainda não está no ponto, mas já está bem melhor do que era;

Fábio Vidrago - após uma época de adaptação ao clube, à cidade de Lisboa e ao andebol profissional, esperava-se que com a chegada de Carlos Resende ele iria mostrar todo o seu valor. Dito e acertado. O ponta-esquerdo internacional português foi uma das principais armas ofensivas da equipa. Beneficiado por um estilo de jogo que privilegia muito o contra-ataque, Fábio Vidrago foi um dos melhores marcadores da equipa até deslocar o ombro no jogo contra o AC Fafe, lesão que o afastaria o resto da temporada;

João da Silva - chegou rotulado de craque, e pelo seu currículo prometia mesmo sê-lo. Veio dos franceses do Chambery Savoie (5º classificado na Starligue 16/17), com 23 anos já era o central titular da selecção brasileira com participação nos Mundiais de 2015 e 2017, tinha passado por um dos melhores clubes espanhóis (Ademar Léon) e tinha já uma vasta experiência na Taça EHF. E de facto, teve um início de época muito prometedor, mas com a lesão de Terzic, tornou-se na aposta de Resende para ocupar a sua vaga como lateral improvisado, prejudicando o seu desempenho e perdendo minutos de jogo, principalmente no plano ofensivo. Caso permaneça na equipa, espero que seja melhor aproveitado, porque a qualidade está lá, e não é pouca;

Alexandre Cavalcanti - claramente, o jogador que mais evoluiu nos últimos dois anos. Já era uma mais valia no aspecto defensivo, mas nos últimos dois anos, depois de juntar alguma massa muscular àquela altura toda (1,99m), também começou a dar garantias no ataque. Nesta temporada assistiu-se
à sua explosão, afirmando-se como um atirador de elite. Aos 21 anos, tem meia Europa atrás dele. Veremos o que acontece;

Paulo Moreno e Ricardo Pesqueira - a posição de pivot passa muitas vezes despercebida, visto que são jogadores que por norma, não têm muita bola. Mas ao contrário do que muitas vezes parece, a posição de pivot é fundamental na manobra da equipa, tanto a defender como a atacar. O novo capitão do Benfica é outro jogador que tem crescido de forma notável nos últimos dois anos, principalmente e nível físico e a nível da finalização. Já o pivot contratado ao ABC é uma autêntica dor de cabeça para os adversários na defesa, disputando cada lance como se fosse o último, e revela uma boa inteligência sem a bola, que no ataque lhe permite abrir espaços para os jogadores da primeira linha aproveitarem. Duas pedras basilares nesta equipa;

Stefan Terzic e Arthur Patrianova - estes dois atletas já foram em tempos grandes promessas do andebol mundial, mas as lesões impediram-nos de se tornarem certezas. O que o Benfica pretendia fazer ao contratá-los era utilizar os serviços médicos do futebol para os recuperar e assim, a equipa de andebol poder usufruir de dois jogadores de classe mundial. E se a ideia parecia ser brilhante no papel, a verdade é que não teve efeitos práticos.
Stefan Terzic assinou pelo Benfica em 2016, concluiu a sua recuperação na Luz, e iniciou a época 2016/2017. Em Dezembro, numa altura em que estava a começar a afirmar-se como uma mais-valia, contraiu a sua segunda ruptura de ligamentos num jogo contra o FCP. Só recuperou no início desta época, ainda fez alguns jogos em Outubro e Novembro até voltar a lesionar-se com gravidade e falhar o resto da temporada.
Arthur Patrianova contraiu na época passada a sua terceira ruptura de ligamentos, concluiu a sua recuperação no Benfica, assinou contrato e foi inscrito já numa fase um pouco avançada da temporada. E, muito graças ao andamento já elevado que o campeonato já levava, o internacional brasileiro foi muito pouco utilizado.
Estes dois jogadores têm tudo para serem os melhores a jogar em Portugal, mas enquanto não quebrarem a mala-pata com as lesões não acrescentarão nada à equipa e permanecerão com o futuro incerto. É possível que pelo menos um deles deixe o clube no final da época.


Agora, quero falar de outra questão. Quero falar do que levou Carlos Resende a vir para o Benfica. Para quem não sabe, na época passada, Carlos Resende (então treinador do ABC) era pretendido pelos três grandes. O Benfica tinha ficado arredado cedo da luta pelo título, o Sporting tinha mudado de treinador a meio da época e o FC Porto não se exibia ao nível das épocas anteriores, que fez com que os três grandes se virassem de armas e bagagens para o treinador que estava a fazer um trabalho extraordinário no clube de Braga.

No entanto, a maioria dos acompanhantes da modalidade acharam surpreendente o facto dele ter escolhido o Benfica. Recusou uma proposta do Sporting, desperdiçando assim a oportunidade de regressar ao clube que o deu a conhecer ao andebol nacional e onde podia voltar a competir na Champions tendo ao seu dispor um orçamento muito superior ao de qualquer outra equipa do campeonato; e recusou uma proposta do FC Porto, desperdiçando a oportunidade de regressar ao clube do seu coração e onde atingiu o estatuto de lenda.

Quando a imprensa começou a avançar que Carlos Resende seria o novo treinador do Benfica, muito adeptos ficaram entusiasmados com a notícia. E parte dos adeptos achou que com ele no Benfica, o clube iria deixar de parte a aposta na formação e começar a investir forte, de modo a dar-lhe condições para ter sucesso. Nada mais falso! Foi precisamente a formação, ou mais precisamente, o bicampeonato nacional de juniores que o Benfica detinha que levou Carlos Resende a juntar-se a nós.

Carlos Resende encarou o Benfica como um desafio aliciante na sua carreira, ao deixar a vida que tinha no norte do país (para além de treinador do ABC, era também professor na Faculdade de Desporto do Porto e no ISMAI) e abraçar um projecto no Benfica assente na formação, em que o treinador poderia aplicar nos nossos jogadores o seu vasto conhecimento na modalidade e com isso, recolocar o Benfica no topo do andebol português e fazer dos nossos jovens futuras referências nacionais na modalidade.

Ao fim de um ano ao serviço do Benfica, já se mostram alguns resultados, principalmente pelas evoluções notáveis de Davide Carvalho, Paulo Moreno e Alexandre Cavalcanti, bem como pela aposta noutros jovens que começam a mostrar-se no andebol nacional como Francisco Pereira e André Alves. E ao longo dos próximos anos, muitos mais hão-de vir.

Porém, como disse aqui várias vezes ao longo da época, só formação não chega. Para que o projecto que o andebol encarnado arrancou nos últimos anos dê resultados desportivos, é necessário dosear a aposta na formação com a contratação de jogadores estrangeiros de qualidade indiscutível. Mas afinal, de que perfil são estes jogadores?

O andebol do Benfica começou a olhar mais para a formação a partir do ano de 2014, quando Mariano Ortega chegou ao comendo técnico da equipa, mas desde esse período, também foram contratados alguns jogadores estrangeiros. A maioria dos estrangeiros que por cá passaram desde então eram jogadores banais/medianos de países de topo na modalidade, referindo aqui os casos:
Javier Borrágan, Albert Pujol e António Asier (Espanha), Dragan Vrgoc e Luka Rakovic (Croácia), Nikola Mtrevski (Macedónia) e Jernej Papez (Eslovénia). Destes todos, o Borrágan e o Mitrevski são os únicos que me deixam saudades.

A meu ver, a própria política no recrutamento de atletas estrangeiros também precisa de mudar. Em vez de contratarmos atletas "defeituosos" ou de buscarmos jogadores medianos a países de topo. Na minha opinião, a política que mais se ajustaria ao projecto e à realidade do andebol encarnado, passaria por recrutar jovens jogadores a países com um andebol de qualidade, mas cujos campeonatos são tão ou mais modestos que o nosso.

Neste perfil, encaixam países como a Sérvia, a Roménia, a Ucrânia, a Bielorússia, entre outros... Nestes países certamente haverá jovens de grande potencial que poderão ver no Benfica uma oportunidade para crescerem enquanto jogadores e tendo a Taça EHF como montra para ganharem experiência internacional.

Há alguns anos atrás, o andebol era visto como a ovelha negra do ecletismo encarnado. Nos últimos 3 anos, a secção tem vindo aos poucos a limpar essa imagem, conseguindo fazer muito com pouco (em comparação aos rivais). Nos últimos 3 anos, conquistámos 2 Taças de Portugal, 1 Supertaça, chegámos a uma final da Taça Challenge e a uma Fase de Grupos da Taça EHF (a qual não conseguimos passar por dois golos), o que mostra que o andebol encarnado tem crescido.
Agora, resta dar continuidade a este projecto com um investimento mais sério e criterioso. Se assim for, temos tudo para sermos campeões na próxima época.


sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Mais uma época em branco?


Como devem ter reparado, não publiquei na Catedral o resultado do último derby em andebol disputado na última quarta-feira, que terminou com a vitória do Sporting CP por 33-29. O Benfica fez uma boa exibição nos primeiros 20 minutos, mas daí para a frente, a maior qualidade individual do plantel leonino fez-se sentir, chegando mesmo a estar a ganhar por oito golos de diferença.

E acabei por utilizar este jogo para fazer já um balanço à época da nossa equipa de andebol até ao momento. Sinceramente, estou cada vez menos confiante na conquista do título. A verdade, é que ter só Carlos Resende não chega. É necssário ter um plantel mais amplo e com maior profundidade, que seja capaz de se equiparar ao dos rivais, principalmente ao do clube leonino.

Como tal, quero aqui apontar vários factores que foram mal medidos na preparação desta época:

1) Treinadores
Antes de mais, devo dizer que na minha opinião, Carlos Resende é o melhor treinador nacional na modalidade. Mas o Sporting possui um plantel de luxo que lhe permite actualmente ser campeão "sem treinador". Carlos Resende é o homem que mais percebe de andebol em Portugal e o facto eventual do Sporting revalidar o título de campeão não irá mudar isso, nem fará de Hugo Canela melhor treinador que Carlos Resende. Nada disso.
No entanto, a questão que aqui me preocupa é que eu sei de fonte segura que é o próprio Carlos Resende que acha que este plantel é suficiente para alcançar os objectivos. Carlos Resende mostrou no ABC ser um grande gestor de recursos humanos e um bom "espremedor" de talento, mas isso parece não ser suficiente perante uma fasquia bem mais elevada do que estava quando foi campeão no ABC.
Volto a dizer, Carlos Resende é o melhor treinador nacional. Mas acho que tanto a nossa equipa como ele próprio não perderiam nada se ele fosse menos teimoso;

2) Guarda-redes
Aqui vou ser franco e claro, e sei que muitos benfiquistas não irão concordar com isto. Numa equipa do Benfica que fosse realmente candidata ao título, Hugo Figueira seria suplente. Um suplente de luxo, mas seria suplente.
Hugo Figueira é um dos grandes guarda-redes nacionais, mas já tem 38 anos. Miguel Espinha serve para jogos contra equipas de segunda linha, mas não para jogos grandes. Ficaríamos mais bem servidos com Mitrevski, ou até mesmo com Capdeville.
Nesta posição, precisamos de um guarda-redes estrangeiro de qualidade indiscutível. O Sporting no seu plantel tem três;

3) Laterais
Ter três laterais-esquerdos e apenas um lateral-direito no plantel é patético. Desde a saída do Borrágan que nos falta um lateral completo, que marque muitos golos, que defenda bem e tenha um grande porte físico. E como se não bastasse, os nossos melhores atiradores são lesionados crónicos.
Também não seria mal pensado resgatar o Hugo Lima ao ABC, para o Pedro Seabra não se desgastar tanto. E na ponta-direita, acho que Davide Carvalho tem evoluído bastante nesta época (embora ainda não esteja ao nível do Vidrago), mas falta-lhe um comcorrente a sério;

4) Capacidade física
O andebol é um desporto anaeróbio em que se trabalha todo o corpo humano. Como tal, é uma modalidade bastante exigente do ponto de vista físico (e uma mas mais propensas a lesões graves).
As diferenças em termos de peso e altura entre os plantéis do Benfica e do Sporting são gritantes, principalmente nos laterais. Alexandre Cavalcanti é o único com um porte físico capaz de se bater com as "torres" do Sporting. O plantel do FC Porto também é fisicamente mais forte que o nosso, muito graças aos atletas cubanos;

5) Jogadores estrangeiros
Chegado ao clube, Carlos Resende mostrou desde logo ter um critério muito rigoroso com os atletas estrangeiros. Ele explicou que para apostar num jogador estrangeiro, este teria de ser obrigatoriamente de ser um jogador que fizesse a diferença. Se fosse um estrangeiro que estivesse ao mesmode um jogador português, ele iria sempre apostar no português, mesmo que fosse um jovem da formação.
Isto é um aspecto bastante positivo, visto que promove a potencialização e a valorização do jogador português, e houve alguns jogadores nossos que ficaram a ganhar com isso. Mas esse critério também tem o seu reverso da medalha, que é que há jogadores estrangeiros que passaram recentemente pelo nosso clube, que mesmo não sendo reais mais-valias, seriam melhores alternativas que alguns jogadores do actual plantel, como o Mitrevski ou o Rakovic.
Temos quatro jogadores estrangeiros no nosso plantel, curiosamente, todos eles são extra-comunitários (jogadores pertencentes a países fora da União Europeia): João da Silva, Ales Silva, Stefan Terzic e Arthur Patrianova. João da Silva é neste momento o único capaz de fazer a diferença. Terzic e Patrianova têm um currículo preocupante em lesões. Se conseguirem ficar a 100%, serão certamente mais-valias, mas até lá..... Já Ales Silva está longe de fazer a diferença para um jogador estrangeiro, sendo o menos utilizado dos três pivots do plantel;

6) Investimento
Há 2/3 aninhos atrás, este plantel era mais que suficiente para atacar o título. Eu não sou apologista de grandes investimentos, mas a "concorrência desleal" praticada pelos rivais colocou a fasquia a um nível muito alto, nunca antes visto no andebol português. Passo a explicar:
6a) De um lado, temos um clube que tem feito investimentos estratosféricos nos últimos dois anos, pagando balúrdios para obter jogadores com contrato e pagandolhes ordenados ao nível de jogadores de futebol. Asanin, Skok, Tiago Rocha, Carlos Ruesga e Nikicevic são alguns desses casos;
6b) Do outro lado, temos um clube que possui ligações privilegiadas com a Federação Cubana de Andebol, que lhe permite ser o único clube em Portugal a contratar e a inscrever atletas cubanos sem que estes contem como extra-comunitários (cada clube só pode inscrever no máximo quatro jogadores extra-comunitários). E ainda vai contratar jogadores com contrato sem indemenizar os clubes a que estes pertencem, como se sucedeu con as contratações de André Gomes e Diogo Branquinho ao ABC. E tudo isto é feito com a Federação a assobiar para o lado.

Sendo assim, não me parece que haja volta a dar. Eu acredito que conseguimos fazer um investimento sério e criterioso sem cometer as loucuras dos rivais. Quanto ao que resta da época, como já disse, estou cada vez menos confiante de que seja desta que iremos matar o borrego. Acredito sim, na conquista da Taça de Portugal, visto que Carlos Resende já mostrou que sabe gerir muito bem a equipa nestes jogos a eliminar, ao contrário de Hugo Canela, que com o plantel que tem, perdeu duas das três finais que já disputou (Taça de Portugal e Supertaça).
De resto, espero que os dirigentes do andebol tenham aprendido como aprenderam os do futsal e façam um investimento sério, criterioso e SEM cometer loucuras.

domingo, 27 de agosto de 2017

Andebol 2017/2018


Finalmente estou de regresso ao blog. Estou aqui de volta para fazer a antevisão da temporada 2017/2018 da nossa equipa de andebol. Depois de feita a pré-temporada, o campeonato começa no próximo fim-de-semana.

E o que é facto é que, após uma época inconstante e um campeonato à quem das expectativas, houve grandes mudanças na secção neste defeso, de modo a atacar o título na nova época. Antes de mais, houve mudança de treinador, com o espanhol Mariano Ortega a deixar o clube e a ser substituído por Carlos Resende, um treinador cuja chegada deixou a maioris dos benfiquistas felizes e expectantes.

No entanto, não posso falar disto sem deixar uma palavra de apreço a Mariano Ortega. Nos 3 anos ao serviço do Benfica, o técnico espanhol soube dar rumo a uma modalidade que se encontrava com uma grande crise de identidade. O treinador espanhol devolveu a alma à equipa, reolocou a secção na rota dos títulos e levoua às melhores prestações da história nas competições europeias (uma final da Challenge e a fase de grupos da Taça EHF), acabou com as vacas sagradas na secção (Pedrosos, Carneirinhos e afins)

No entanto, acredito que Carlos Resende seja mais indicado para dar continuidade ao projecto que tem levado o andebol encarnado a um novo rumo. Não só pelo seu profundo conhecimento do andebol português, mas também pelo trabalho extraordinário feito no ABC, onde com recursos bastante limitados, conseguiu ganhar todas as provas nacionais e a Taça Challenge.

Entretanto, o plantel também sofreu várias mudanças. Três saídas foram anunciadas ainda antes do final da época passada: Tiago Pereira e Eledy Semedo assinaram por clubes franceses (no entanto, Eledy Semedo acabou por rescindir devido a razões pessoais e assinou pelo Madeira SAD). E o brasileiro Uéllington da Silva transferiu-se para o andebol húngaro. De resto, saíram também Nikola Mitrevski, Luka Rakovic, Jernej Papez e os jovens formados no clube João Ferreira e David Pinto.

Destaque ainda por algumas saídas por empréstimo, três delas ao Madeira SAD: o central Hugo Lima, o ponta-esquerda Tiago Ferro e o guarda-redes Gustavo Capdeville. O ponta-direita André Lima foi emprestado ao Boa-Hora e o pivot Valter Soares e o lateral-esquerdo Marcos Araújo foram emprestados ao Belenenses. Destaque ainda para algumas renovações de contrato, como foi o caso do pivot Paulo Moreno que foi inclusive promovido a capitão de equipa.

A nível de entradas, dois internacionais portugueses seguiram as pisadas de Carlos Resende e traçaram o caminho de Braga a Lisboa: o central Pedro Seabra, melhor jogador do campeonato 2015/2016; e Ricardo Pesqueira, um pivot que se destaca no aspeto defensivo do jogo. Mas o reforço mais sonante foi o central João da Silva, oriundo do Chambery Savoie (5º classificado da última liga francesa). Este internacional brasileiro de 23 anos possui já uma vasta a experiência a nível internacional, com participações na Champions, na Taça EHF e em dois mundiais.

O guarda-redes Miguel Espinha também regressou ao Benfica após duas épocas emprestado ao Belenenses. Destaque ainda para a promoçãr de quatro jogadores ampeões nacionais de júniotes: o ponta-direita André Alves, o lateral-esquerdo Pedro Santana, o central Francisco Pereira e o guarda-redes Diogo Valério. Os últimos dois referidos estiveram em destaque no Mundial de sub-19 disputado neste mês na Croácia, onde a selecção nacional conseguiu um fantástico sétimo lugar. Destaque ainda para a contratação do lateral-direito Gonçalo Nogueira, um jovem de 16 anos oriundo do Alto do Moinho que também fez a pré-temporada pela equipa principal.

Quanto aos rivais:
O Sporting renovou contrato com o treinador Hugo Canela, que enquanto interino conquistou o campeonato e a Taça Challenge na última temporada. De modo a atacar a Champions, o Sporting manteve a sua expinha dorsal composta por jogadores de craveira internacional tais como o guarda-redes Asanin, o central Carlos Ruesga, o ponta-esquerda Nikicevic e o lateral-direito Brozovic.
Não só manteram a sua estrutura-base, como se reforçaram ainda mais a equipa com jogadores de gabarito. O principal destaque vai para a contratação do pivor Tiago Rocha, o capitão da selecção nacional que está de regresso ao nosso país após 3 temporadas nos polacos do Wisla Plock. Contrataram também o lateral-esquerdo Pedro Valdés ao Avanca e o ponta-esquerda internacional brasileiro Felipe Borges.

Já no FC Porto, que vem de duas épocas a seco após o histórico heptacampeonato, o principal destaque vai também para a mudança de treinador: Ricardo Costa foi substituído por Lars Walther, técnico dinamarquês que teve passagens pelo Sporting e pelo Marítimo enquanto jogador. Entre jogadores, o capitão Ricardo Moreira retirou-se após 13 anos ao serviço dos Dragões, passando a ser o treinador da equipa de júniores. E o pivot luso-cubano Alexis Borges foi emprestado ao Barcelona.
A nível de entradas, o destaque vai para duas polémicas contratações ao ABC: o lateral-direito André Gomes e o ponta-esquerda Diogo Branquinho, dois atletas que ainda tinham contrato com o emblema de Braga (Diogo Branquinho tinha inclusive renovado) e os diferendos de ambos ainda estão por resolver.

Quanto ao ABC, que conquistou a Taça de Portugal na última temporada, Carlos Resende foi substituído por Jorge Rito. E o clube está em estado de alerta. Primeiro, devido à perda de vários jogadores influentes: Para além dos atletas já referidos para o Benfica e o FC Porto, o clube bracarense perdeu ainda Nuno Grilo e José Costa para o andebol francês e Pedro Spínola para o andebol suíço; segundo; pelos problemas financeiros que o clube atravessa, que levaram mesmo à decisão de abdicar da participação nas competições europeias até recuperar o dinheiro do investimento feito pela participação na Champions na última temporada.
Quando a reforços, há a entrada de Belmiro Alves, oriundo do AC Fafe; e do central Nuno Silva e do lateral Hugo Rosário, ambos oriundos do Madeira SAD. De resto, a equipa mantém ainda alguns jogadores influentes como o guarda-redes e capitão Humberto Gomes, o ponta-direita Carlos Martins e o lateral-esquerdo Hugo Rocha.

Os dados estão lançados e as expectativas estão elevadas. Carlos Resende deixou os objectivos bem definidos: vencer o campeonato e a Taça e passar a fase de grupos da Taça EHF. No entanto, apesar de termos colmatado algumas lacunas da época passada, acho que este plantel ainda não é suficiente.

Tendo em conta que a secção optou por não contratar um guarda-redes estrangeiro com provas dadas, creio que deveríamos fazer um esforço para contratar um ou dois laterais com provas dadas, de preferência com grande capacidade física.

Gonçalo Nogueira e Pedro Santana são dois miúdos, enquanto que o sérvio Stefan Terzic acabou de recuperar de uma lesão grave e deverá regresar ao activo em Setembro. Se conseguir recuperar a sua melhor forma, será certamente uma mais-valia, mas não sabemos quanto tempo isso vai levar. Sem querer coloar em causa o valor e potencial destes três jogadores, acho que estas soluções são curtas para um clube que joga na EHF.

De qualquer maneira, a nova época está à porta e todo o apoio será necessário. A época oficial começa no próximo fim-de-semana com a 1ª eliminatória da Taça EHF contra os sérvios do Dínamo Pancevo. O campeonato começa com a recepção ao Madeira SAD e aproveito também para apelar aos adeptos que marquem mais presença nos pavilhões, e que não o façam apenas nos jogos mais importantes. Força Benfica!

Plantel andebol 2017/2018:
Nº 1 - Hugo Figueira
Nº 3 - Davide Carvalho
Nº 4 - João da Silva
Nº 7 - Pedro Seabra
Nº 8 - João Pais
Nº 9 - Stefan Terzic
Nº 10 - André Alves
Nº 11 - Belone Moreira
Nº 12 - Diogo Valério
Nº 13 - Paulo Moreno (capitão)
Nº 14 - Ricardo Pesqueira
Nº 18 - Pedro Santana
Nº 21 - Gonçalo Nogueira
Nº 24 - Alexandre Cavalcanti´
Nº 34 - Fábio Vidrago
Nº 35 - Miguel Espinha
Nº 50 - Francisco Pereira
Nº 86 - Ales Silva

sábado, 3 de junho de 2017

Virá aí uma mudança?


A época da nossa equipa de andebol acabou.

Depois de uma época em que superámos as expectativas, sabíamos que a responsabilidade e a pressão eram maiores, principalmente depois dos investimentos brutais e descabidos do Sporting e do FCP. E o que é facto, é que esta época foi decepcionante a nível interno. As nossas aspirações no campeonato ficaram hipotecadas com dois resultados impensáveis: as derrotas contra o ISMAI e o Avanca.

Na Fase Final, entrámos com um empate caseiro contra o Águas Santas que complicou ainda mais as contas. Apesar disso, a nossa prestação na Fase Final até foi positiva. No entanto, já era tarde, Quanto à Taça de Portugal, tivemos a infelicidade de nos calhar uma deslocação a casa do Sporting nos quartos-de-final, onde imperou a lei do mais forte.

Para além da conquista da Supertaça contra o ABC, o outro ponto alto da temporada foi a prestação na Taça EHF. O primeiro grande destaque na competição foi quando na segunda eliminatória eliminámos os polacos do KS Azoty-Pulawy, um clube de um dos melhores campeonatos da modalidade, depois de trazermos uma desvantagem de 5 golos da primeira mão. Depois na Fase de Grupos, batemos o pé aos alemães do Meltsungen e aos espanhóis do Helevetia Anaitasuna, dois clubes dos melhores campeonatos da modalidade, com orçamentos consideravelmente superiores e que jogam num patamar competitivo mais elevado. Vencemos todos os jogos em casa e não passámos aos quartos-de-final por 2 golos.

Agora que a época acabou, há-que verificar o que correu mal. E tenho a dizer que esta época, os jogadores estrangeiros foram um problema. Uéllington esteve muito abaixo do nível da época passada. Mitrevski foi bastante fustigado por lesões. Papez podia e devia fazer mais a diferença. Luka Rakovic fez uma boa temporada, mas entre ele e o Augusto Aranda (jovem emprestado ao Madeira SAD) não vejo grandes diferenças, e o Augusto é 10 anos mais novo que ele. Stefan Terzic voltou a lesionar-se com gravidade numa altura em que começava a afirmar-se. Ales Silva é de longe, o estrangeiro que mais faz a diferença, mas às vezes abusa da agressividade e sofre exclusões desnecessárias à conta disso.

Entre os jogadores nacionais, Belone Moreira foi claramente o melhor jogador da equipa: um bom atirador, mas também sabe distribuir e penetrar pela defesa, embora seja um jogador franzino para a posição onde joga. Fábio Vidrago fez uma boa época de estreia no Benfica, mas acredito que possa fazer anda melhor. Destaque também para os jogadores da cantera Paulo Moreno e Alexandre Cavalcanti, que tiveram uma evolução notável nesta temporada, sem esquecer Davide Carvalho que também fez uma boa época. Hugo Figueira e João Pais são as principais referências da equipa, pela experiência e pela raça que demonstram, são jogadores à Benfica.

Agora, o que é preciso mudar?
Primeiro que tudo, acho que precisados de mais jogadores que dêem maior poderio físico à equipa. Nos jogos contra os rivais, a falta de centímetros e quilos na nossa equipa foi notória. Só os pivots e o Cavalcanti não chegam. Depois, creio que é preciso haver um critério mais rigoroso na contratação de jogadores vindos de fora, mas com isto, coloco uma questão:

Faltam-nos jogadores que façam a diferença, mas será que esses jogadores têm necessariamente de ser estrangeiros? Devo lembrar que na época passada, o ABC venceu o campeonato e a Taça Challenge com um plantel 100% nacional. E isto, sem esquecer a nossa formação. A nossa equipa de júniores não perde um jogo há dois anos e pode sagrar-se bicampeã nacional amanhã caso vença o Águas Santas. E há jogadores nesta equipa que acredito que tenham capacidade para integrar a equipa principal brevemente.

Para além disto, veremos se a notícia que surgiu há umas semanas e da qual cheguei a falar sempre se irá confirmar. Já foram oficializadas 6 saídas do plantel e certamente que nas próximas semanas haverá mais novidades. Agora, mais uma questão:

Será que estamos no caminho certo para colocar a secção na rota do sucesso? Eu acredito que sim. Um projecto destes não se concretiza de um ano para o outro, é algo que deve ser feito com paciência e saber. A nossa equipa de hóquei em patins também esteve vários anos sem ganhar nada e actualmente é uma das 5 melhores equipas do mundo.

Veremos o que o futuro nos reserva...
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