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quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Antevisão - Voleibol 2018/2019


Esta semana, há mais uma equipa do Benfica a entrar oficialmente em acção. A nossa equipa de voleibol irá disputar a Supertaça na próxima sexta-fera dia 5 de Outubro às 19 horas. No Domingo dia 7, dá-se a primeira jornada do campeonato com uma recepção ao Vitória de Guimarães.

Aquando das finais do play-off do último campeonato, já era notícia um facto que iria ser um ponto de viragem no voleibol do Benfica: Ao fim de mais de 20 anos, o Professor José Jardim deixava o comando técnico da equipa. Foi o fim de um ciclo com muitos altos e baixos, mas que elevavam o Professor como a maior figura do voleibol encarnado. No entanto, não é uma saída definitiva. José Jardim permanece ligado ao voleibol do Benfica como director desportivo, trabalhando tanto com a equipa masculina como com a feminina. Assim, José Jardim afirma-se como dos profissionais que melhor sabe o que é servir o Sport Lisboa e Benfica.

Voltando ao banco, a escolha para o timoneiro deste novo ciclo recaiu no brasileiro Marcel Matz. Um jovem treinador de 38 anos que tem um percurso assinalável como treinador-adjunto, passando pela selecção sub-21 brasileira e também por alguns dos maiores clubes do mundo na modalidade como o SESI de São Paulo ou os japoneses do Suntory Sunbirds. Na época passada teve a sua primeira experiência como treinador principal ao serviço do Vólei Canoas, levando o clube ao play-off da Superliga Brasileira.

A limpeza no plantel também não tardou. Ary Neto, Guilherme Gentil, Miroslav Gradinarov e Dusan Stojsavljevic foram os primeiros a receber guia de marcha. Dusan e Gentil não acrescentaram nada à equipa, Gradinarov não fez a diferença que se esperava e Ary Neto teve o infortúnio de se lesionar com gravidade no seu primeiro jogo oficial, falhando o resto da época. Raphael Vinhedo também deixou a nossa equipa após ter realizado a sua época mais discreta de águia ao peito. Mais tarde, foi oficializada a saída do oposto Milija Mrdak.

Em termos de contratações, a primeira aquisição era já um namoro antigo do clube: o distribuidor Nuno Pinheiro. O ex-internacional português de 33 anos conta com uma vasta experiência a nível internacional, com passagens por França, Bélgica e Itália. Fez parte da selecção nacional que ficou em 8º lugar no Mundial de 2002, tendo na altura com 17 anos sido considerado o 3º melhor distribuidor da competição. É visto por muitos como o melhor distribuidor português deste século.

https://www.youtube.com/watch?v=bPi1QCJCN8I

A nível nacional, também foi contratado o zona 4 Bernardo Martins ao Sporting das Caldas. O jogador de 23 anos será a quarta opção na posição, correspondendo assim ao perfil para essa função: um jogador português, jovem, que seja opção essencialmente nos jogos de menor grau de dificuldade e também quando haver lesões. Pode também actuar na posição de líbero.

Pouco depois seria confirmado o regresso de Rapha Oliveira. O zona 4 brasileiro foi uma das principais figuras da equipa que foi campeã nacional em 16/17 está de regresso ao nosso voleibol após uma curta experiência no voleibol turco. Irá acrescentar qualidade e profundidade à posição de zona 4.

Mais tarde, seria anunciada a contratação do oposto Théo Lopes. Este jogador brasileiro de 34 anos conta com um vasto currículo a nível internacional, no qual constam duas Superligas Brasileiras, um Campeonato do Mundo e uma Liga Mundial. Este reforço tem tudo para ser a "bola de segurança" da equipa.

https://www.youtube.com/watch?v=U8nLyabHEbY

O último reforço a chegar foi o central austríaco Peter Wohlfahrstatter. Chega dos franceses do Tourcoing Lille Metropole, clube que venceu a Taça de França na época passada. Com 2,03m de altura, espera-se que seja mais uma arma a fazer a diferença no nosso bloco. Destaque ainda para a promoção dos jovens João Simões (líbero) e Manuel Tavares (distribuidor).

https://youtu.be/7DjFdGl5vAo

Resumindo, neste mercado verificou-se um doseamento entre a aposta na continuidade, segurando a maioria dos jogadores com mais anos de casa, ajudando assim na integração do novo treinador; e uma subida da fasquia a nível das contratações, contratando jogadores de maior tarimba internacional, construindo assim um plantel de maior qualidade e profundidade.

Quanto ao Sporting, o actual campeão nacional, sofreu grandes alterações no seu plantel, mas em termos de qualidade individual, este está tão bom ou melhor que o da época passada. Em termos de saídas, saiu o jovem internacional português Lourenço Martins e todos os jogadores estrangeiros com excepção do cubano Angél Dennis.

Os primeiros reforços a serem anunciados foram o distribuidor espanhol Guillermo Hérman, oriundo do campeão francês do Tours; e dois dos principais jogadores do Sporting de Espinho: o central Hélio Sanches e o zona 4 Roberto Reis, nosso antigo jogador. Posteriormente, vriam outros jogadores de grande renome internacional: o oposto Lionel Marshall, os centrais Andre Brown e Nikolay Nikolov e os zona 4 Wallace Martins e Todor Aleksiev.

Já o Sporting de Espinho, ainda hoje o clube mais titulado no voleibol nacional, destacou-se sobretudo pela contratação do treinador Alexandre Afonso, técnico que levou o Fonte Bastardo à conquista do campeonato em 2011/2012 e 2015/2016. Em termos de reforços, trouxeram três internacionais portugueses: o central Phelipe Martins e os zona 4 Afonso Guerreiro e Lourenço Martins.

Os açorianos do AJ Fonte bastardo, voltariam a fazer grandes alterações no seu plantel após mais uma época decepcionante. Contrataram o treinador João Coelho ao Castelo da Maia e este levou consigo três jogadores do emblema maiato: o central Hélder Spencer e os zona 4 Rui Moreira e Renan Purificação, bem como os distribuidores Angél Melean (ex-clube Kairos) e Francisco Pombeiro (ex-vitória SC). A nível contrataram ainda os brasileiros Guilherme Kachel (libero) e Alexandre Monteiro (zona 4), o norte-americano Kevin Rakestraw (central) e o ucraniano Vitalii Sukhinin (oposto).

O Vitória de Guimarães ficou em lugar de descida na época passada, mas recorreu ao sistema de pontos da FPV para assegurar a manutenção. O cumprimento deste sistema baseou-se na contratação de uma série de jogadores venezuelanos, bem como de um espanhol e um mexicano. No torneio das Vindimas, a equipa treinada por Adriano Paço mostrou ser bastante competitiva e promete lugar pelo acesso ao play-off

A minha previsão é que Benfica e Sporting partem na pole position do campeonato, com Sporting de Espinho, Fonte Bastardo e Vitória de Guimarães na disputa pelos restantes lugares de acesso ao play-off.

Este ano, também temos a Taça Challenge pela frente, juntamente com o Sporting, Fonte Bastardo e Sporting das Caldas. Tendo em conta as prestações das últimas épocas, o Benfica já tem reputação nesta competição e é uma equipa de respeito. O Benfica irá entrar em acção contra os cipriotas do Pafiakos Pafos. Será uma eliminatória bastante acessível.

O Benfica já é um clube com aspirações nesta competição, sendo que em três das últimas quatro edições, seria eliminado pelo clube que venceria a competição. E a verdade é que existem mais adversários poderosos, entre os quais, dou destaque aos russos do Belogerie Belgorod, clube que na época passada conquistou a Taça CEV (segunda competição europeia).



Sexta-feira começa a Supertaça e espero que a equipa posso iniciar oficialmente a época com o pé direito. E que este novo ciclo, seja um passo em frente dado no voleibol do Benfica.

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Análise da época - Voleibol 2017/2018


Mais uma época no voleibol chegou ao fim e infelizmente, não houve muitas razões para sorrir. No entanto, está na hora de deixar as emoções de lado e analisar esta época, que foi uma época que teve os seus altos e baixos.

O grande destaque na temporada de 2017/2018 foi para o regresso do Sporting CP à modalidade, que após a forma polémica como foi directamente promovido à 1ª divisão, construiu um plantel com grande experiência a nível nacional (Miguel Maia, Hugo Ribeiro, João Simões...) e internacional (Robinho, Angél Dennis, Ivan Márquez...).

O início da época não foi fácil para os nossos lados, com a derrota contra o Sporting de Espinho na Supertaça e duas derrotas contra o Sporting: uma no Tormeio das Vindimas e outra na primeira jornada do campeonato. A equipa parecia não estar a conseguir fazer esquecer Rapha e Roberto Reis e como se não bastasse, o internacional brasileiro Ary Neto, um dos principais reforços da época, lesionou-se gravemente na primeira jornada do campeonato.

A equipa mostrou depois sinais de recuperação: venceu em casa do Fonte Bastardo por 3-0, venceu na Luz o Sporting de Espinho por 3-1, eliminou os campeões romenos do Zalau na 1ª eliminatória da Taça Challenge (vitórias por 3-1 na Luz e 2-3 na Roménia) e o Sporting da Taça de Portugal com uma vitória por 3-1 na Luz. No entanto, depois seguiu-se uma derrota por 3-2 em Espinho em mais um jogo polémico e na jornada seguinte consentiram uma derrota caseira com o Sporting depois de estarem a vencer por 2-0, um resultado que nos tirou a liderança da Fase Regular.

Na segunda metade da época, a equipa voltou a mostrar sinais de crescimento. Nos oitavos-de-final da Taça Challenge eliminámos os romenos do Steua Bucareste (vitórias por 2-3 na Roménia e por 3-1 na Luz), que até então se encontrava invicta na época e ainda não tinha perdido qualquer set em sua casa. Nos quartos-de-final calho-nos aquela que era vista por muitos como a maior candidata a vencer a competição: os italianos do Buinge Ravenna, a mesma equipa que eliminámos nas meias-finais da competição há três épocas. A derrota por 3-1 em Itália tinha-nos deiado uma réstia de esperança. Na Luz, a nossa equipa deu o seu melhor, mas a maior rodagem competitiva dos italianos acabaria por fazer a diferença. Derrota por 3-2 e adeus às competições europeias, enquanto o Ravenna acabaria por vencer a competição derrotando o Olympiakos na final.

Logo a seguir deu-se o início dos play-off contra o Sporting de Espinho. E numa primeira mão muito polémica (para não variar) a nossa equipa acabaria por se transcender e vencer o jogo por 3-1. A situação ficaria resolvida no fim-de-semana seguinte com duas vitórias por 3-0. Três semanas mais tarde, a equipa carimbou o acesso à Final Four da Taça de Portugal, vencendo por 3-0 o Fonte Bastardo, que realizou mais uma época decepcionante.

No fim-de-semana de 14/15 de Abril, disputou-se a Final Four da Taça de Portugal em Sines. Depois de despacharmos o Académico de Espinho nas meias-finais por 3-0, seguiu-se o Castelo da Maia na final. A equipa maiata ainda venceu o primeiro set, mas a nossa equipa não deu hipóteses nos sets seguintes. Estava assim conquistado o primeiro troféu da época. Restava então a final dos play-off, numa altura em que a equipa tinha um rendimento claramente superior ao da primeira metade da época.

O Sporting, que entretanto já estava mais reforçado com as chegadas do internacional norte-americano Muagatutuia e o internacional colombiano Agamez, acabou por nos levar a melhor numa negra completamente surreal. No entanto, quando se luta até ao fim, não há razões para ter vergonha. A nossa equipa lutou até ao fim.

A meu ver, não foi nesta final que perdemos o campeonato, mas sim na derrota caseira contra o Sporting por 2-3 na Fase Regular, que nos tirou a liderança do campeonato e consequentemente, o factor casa na final do play-off. O Sporting não foi a melhor equipa da final, mas foi a melhor equipa ao longo da época e como tal, é um justo campeão.

Agora, farei aqui uma breve análise individual aos jogadores do Benfica. Não farei de todos, visto que alguns deles tiveram muito poucos minutos de jogo ao longo da época:

Hugo Gaspar - o capitão e o "Doutor" da equipa. Está no Benfica desde 2010 e a sua experiência e capacidade de liderança era certamente uma mais-valia no balneário. É claramente um dos elementos agredadores do plantel uma das maiores figuras da história do voleibol encarnado;

Ivo Casas - esteve irreconhecível no início da época, cometendo erros que não são habituais da sua parte. Com a contratação de Guilherme Gentil, o líbero da selecção nacional ganhou um concorrente directo e subiu o seu rendimento, tendo sido um dos jogadores da equipa mais regulares no play-off. Num jogo de voleibol, a posição de líbero passa muitas vezes despercebida, mas Ivo Casas tem mostrado ser uma das figuras do voleibol do Benfica nos últimos anos;

Raphael Vinhedo - um dos melhores distribuidores da história do clube. No entanto, realizou a sua época mais discreta de águia ao peito. A sua baixa estatura, aliada à sua idade avançada, faz com que este tivesse cada vez mais dificuldades em conseguir distribuir correctamente bolas que iam muito próximas da rede. No entanto, isso não o impede de ser uma das lendas do clube na modalidade;

Tiago Violas - certamente, o jogador que mais evoluiu nesta temporada. Um dos distribuidores da selecção nacional sentou o experiente Vinhedo já numa fase avançada da temporada e de que maneira. Foi um dos jogadores que esteve mais associado à subida de rendimento da equipa, quer pela sua qualidade a distribuir, como pela sua utilidade no bloco;

André Lopes e Zelão - ambos com 35 anos, são dos jogadores com mais anos de casa do plantel. No entanto, tanto um como outro não mostram sinais da idade. O central brasileiro é um poço de energia inesgotável, disputando cada jogada como se fosse a última, seja no remate ou no bloco. Já o zona 4 internacional português é um jogador completo, sendo muito forte em todos os aspectos do jogo: a servir, a receber, a rematar e a bloquear;

Marc Honoré - depois da lesão grave contraída no final da época passada, regressou e mostrou que ainda está aí pronto para as curvas. Juntamente com André Lopes e Zelão, foram os jogadores mais regulares da equipa. É dono de um serviço flutuante muito traiçoeiro e é provavelmente, o melhor bloqueador do nosso campeonato;

Filip Cveticanin - uma das grandes promessas do voleibol nacional. Chegou ao Benfica estando tapado por duas pedras basilares da equipa. No entanto, sempre deu bem conta do recado quando foi opção, principalmente na fase inicial da época em que Zelão teve uma lesão e Honoré teve compromissos com a selecçaão tobaguenha. Será um jogador a observar nos próximos anos;

Milija Mrdak - a meio da época, já era visto por muitos adeptos (por mim inclusive) como um dos jogadores a despachar no final da época. No entanto, na recta final da temporada, o oposto sérvio começaria finalmente a justificar a sua contratação, destacando-se pela sua potência no serviço e no remate. Aí encostou o capitão Hugo Gaspar no banco e foi dos que mais contribuiu para a subida de rendimento da equipa; Em contrapartida, é um jogador emocionalmente instável e que perde facilmente a confiança quando o adversário está pico bom.

Miroslav Gradinarov - o zona 4 titular da selecção da Bulgária foi uma das principais aquisições da época, cabendo-lhe a difícil tarefa de fazer esquecer Rapha. Não cumpriu com a tarefa, nem de perto nem de longe. O que tinha de forma no serviço e no remate, também tinha de fraco na recepção e na defesa, fazendo dele um jogador capaz do melhor e do pior. Não é propriamente um flop, mas também não fez a diferença que eu esperava que fizesse. Segundo a imprensa, está de saída para o Zalau;

Dusan Stojsavljevic - não se deu por ele ao longo da época e não acrescentou nada à equipa. Mesmo com 38 anos, o Roberto Reis seria mais útil à equipa do que ele. Na minha opinião, o quarto zona 4 do plantel deve ser um jogador português, de preferência jovem;

Ary Neto - apesar de não conhecer nada deste jogador, tinha um currículo que o apontava como um dos principais reforços da temporada, tendo já sido campeão da Superliga Brasileira e já tendo representado a selecção brasileira. No entanto, o polivalente jogador brasileiro (pode jogar a zona 4 e a líbero) teve o infortúnio de se lesionar no ombro no primeiro remate que fez na época, falhado o resto da temporada;

Fredric Winters - chegou já no decorrer da temporada para substituir o lesionado Ary Neto e foi o reforço em que criei mais expectativas, tendo em conta a sua experiência em várias ligas de topo e a sua carreira enquanto capitão de uma das selecções mais fortes da modalidade. A verdade é que as suas primeiras exibições foram muito discretas, mas à medida que que foi ganhando ritmo e confiança, foi aos poucos mostrando o seu valor. Até que na mesma altura que Mrdak e Violas, o zona 4 internacional canadiano encostou Gradinarov no banco e rubricou excelentes exibições, mostrando-se como um jogador bastante completo, mas também com muita inteligência e serenidade dentro da quadra.

Por último, queria só referir dois pontos que eu considero importantes na escolha dos reforços para a nova época:
Primeiro, antes do regresso do Sporting ao voleibol, não havia muitos em Portugal que se destacavam pelo seu serviço. Porém, com o regresso da equipa leonina isso mudou. A equipa do Sporting apresentou vários jogadores que são capazes de fazerem a diferença no serviço tais como Dennis, Agaméz, Muigututia e Ivan "La Bomba" Márquez. Espero que a secção de voleibol encarnada tenha isso em conta.
Segundo, a nossa aposta no mercado da Europa de Leste não tem sido muito feliz. Há duas temporadas, o búlgaro Ivan Kolev foi um flop, Gradinarov fez uma época inconstante e Mrdak é bom jogador, mas também ferve em pouca água. Como tal, acho que no ataque ao mercado, a secção do voleibol encarnado deveria virar-se mais para outras paragens, principalmente para o mercado latino-americano, que tem dado frutos em Portugal.

Aguardam-se novidades nas próximas semanas. Veremos o que vai acontecer...

sábado, 20 de maio de 2017

Regresso ao trono!


No último fim-de-semana, concretizou-se o nosso desejo. A nossa equipa de voleibol conquistou o seu 7º campeonato nacional na história da modalidade. Um campeonato que acabou por ser bem mais sofrido do que inicialmente estava previsto para muitos.

Quando fiz a antevisão da época na modalidade, tinha dito que esta equipa tinha qualidade para vencer todas as provas internas e chegar novamente à final da Taça Challenge. Entretanto, na competição europeia, tivemos a infelicidade de nos calhar uma das equipas mais fortes a participar na competição logo nos oitavos-de-final: os franceses do Chaumont VB, equipa que chegou à final da competição e se sagrou campeã francesa. A nossa equipa deu o seu melhor, mas não foi suficiente.

A nível interno, depois de uma fase regular irrepreensível com 22 vitórias em 22 jogos, deu-se início ao calvário. A poucos dias da Final Four da Taça de Portugal, André Lopes e Marc Honoré lesionaram-se com gravidade. Roberto Reis também sofreu uma lesão que levaria o capitão Hugo Gaspar a jogar fora da sua posição de origem. E com isto tudo, o Sporting de Espinho derrotou-se na final da Taça de Portugal de forma incontestável e com todo o mérito.

As lesões dificultaram muito a preparação para esta Final Four e à entrada para os play-offs ainda havia mazelas, que nos levaram à derrota no primeiro jogo contra o AJ Fonte Bastardo. Mas depois a equipa mesmo com duas baixas de vulto e com Roberto Reis, Hugo Gaspar e Vinhedo limitados, a equipa regressou ao seu melhor nível, derrotando a equipa açoriana nos 3 jogos seguintes que nos levaram à final.

A final contra o Sporting de Espinho foi frenética. Confesso que nunca desejei tanto que uma equipa das modalidades do Benfica ganhasse, muito graças à forma porca de jogar da equipa vareira, principalmente do seu capitão Miguel Maia. No entanto, apesar da derrota "viciada" no primeiro jogo, sempre me mostrei convicto de que seríamos campeões.

E o que é facto é que nos jogos em casa, não demos hipóteses. Mostramos que somos os melhores e que temos a equipa melhor e mais homogénea. Mesmo com André Lopes e Honoré lesionados, a nossa equipa era mais homogénea e com alternativas de melhor qualidade. Quanto à equipa do Sporting de Espinho, tinha uma equipa titular muito forte (Hugo Ribeiro, Miguel Maia, Marco Ferreira, João Simões, Kibinho, José Rojas e Valdir Reis), mas as alternativas não estavam ao mesmo nível.

Deixo aqui uma homenagem aos campeões nacionais:
Hugo Gaspar - o nosso Doutor (para quem não sabe, ele tirou o curso de Medicina). Já lá vão sete anos de águia ao peito e sempre destacando-se como um dos melhores jogadores da equipa. Isto, para além de ter sido o MVP na "negra" com 22 pontos.

André Lopes - aos 34 anos, é um dos jogadores mais completos do nosso campeonato. Até à sua lesão, liderava as estatísticas dos ases (pontos no serviço), da recepção e dos pontos na zona 4. A sua grave lesão foi um rude golpe na equipa, mas mesmo de fora, apoiou e sofreu pela nossa equipa. Um sofrimento que valeu a pena.

Flávio Soares (Zelão) - o "Luisão" do voleibol. Já lá vão oito épocas de águia ao peito. Acompanhou o crescimento que a secção tomou e que agora faz do Benfica o principal dominador da modalidade. Um jogador com um currículo invejável e que nunca se cansa de ganhar.

Ivo Casas - um jogador à Benfica. Encara cada lance como se fosse o último. Não dá um lance por perdido. É a partir de jogadores destes que se começam a construir equipas campeãs.

Joan Llanes Díaz (Ché) - é mais um dos que acompanha a hegemonia na modalidade desde o início. No Benfica desde 2011, deu um pouco de sangue latino americano a esta equipa, sendo um jogador de raça, para o qual mais vale quebrar do que torcer. Foi decisivo nos jogos contra o Fonte Bastardo.

Raphael Margarido (Vinhedo) - como se diz no Brasil, é o "pé quente" do Benfica: 3 anos no Benfica, 3 campeonatos. É um jogador que mostra uma grande classe dentro da quadra, a bola "descansa" nas suas mãos. As suas distribuições feitas com pés e cabeça são maus que meio ponto.

Marc Honoré - não é muito comum haver um tobaguenho a jogar em Portugal. No nosso voleibol temos um e de grande qualidade. É claramente o melhor central a jogar em Portugal e um dos melhores bloqueadores do campeonato. E o facto deste ter querido regressar ao Benfica depois de um ano a jogar num dos melhores campeonatos do mundo na modalidade também diz muito.

Tiago Violas - este distribuidor era um desejo meu na época passada para a equipa do Benfica e felizmente concretizou-se. E nem pareceu que era novo no plantel tendo em conta a facilidade e rapidez com que se integrou na equipa. Não tem tanta qualidade na distribuição como o Vinhedo, mas é mais alto, dando assim maior apoio ao bloco da equipa.

Raphael Oliveira (Rapha) - um craque dos pés à cabeça. Chegado ao clube, tornou-se imediatamente numa mais valia, sendo o MVP na Supertaça. Com um serviço agressivo e um ataque poderoso, fez muitos estragos às defesas adversárias. A confirmar-se a sua saída, será uma grande perda.

Mart Van Werkhoven - um jovem que ainda tem muita carreira pela frente. Como já aqui disse, creio que ele podia fazer mais a diferença e que devia evoluir mais nestes dois anos de águia ao peito. Apesar de tudo, não posso deixar de salientar a sua importância neste play-off. Obrigado e boa sorte para o futuro!

João Magalhães - o homem dos match points. Formado no clube encarnado, regressou ao nosso clube após uma experiência na segunda divisão nacional. Benfiquista de coração, é a partir de jogadores destes que se constrói balneários saudáveis.

João Oliveira - a sua vontade e necessidade de jogar com mais regularidade levaram-no a sair do clube a meio da época. Mas mesmo assim, não deixa de fazer parte da equipa campeã.

Roberto Reis - não foi por acaso que o deixei para o fim. Só ele é que sabe o quanto ele sofreu nestes tempos em que jogou lesionado. Mesmo assim, nunca baixou os braços, deu o melhor de si pela sua equipa. E como tal, acho que merece uma dedicatória especial. Por último, só te peço um pequeno favor: Não vás para o Sporting!

José Jardim - um grande treinador e um grande benfiquista. O homem que colocou o Benfica no topo do voleibol português. E nos 4 campeonatos que conquistou, este é aquele onde provavelmente teve mais mérito, pela forma como se viu órfão de duas pedras basilares da equipa e reconstruiu e preparou a mesma para o que restou da temporada. Mais uma grande conquista do nosso treinador.

Obrigado a todos!
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