sábado, 20 de maio de 2017

Regresso ao trono!


No último fim-de-semana, concretizou-se o nosso desejo. A nossa equipa de voleibol conquistou o seu 7º campeonato nacional na história da modalidade. Um campeonato que acabou por ser bem mais sofrido do que inicialmente estava previsto para muitos.

Quando fiz a antevisão da época na modalidade, tinha dito que esta equipa tinha qualidade para vencer todas as provas internas e chegar novamente à final da Taça Challenge. Entretanto, na competição europeia, tivemos a infelicidade de nos calhar uma das equipas mais fortes a participar na competição logo nos oitavos-de-final: os franceses do Chaumont VB, equipa que chegou à final da competição e se sagrou campeã francesa. A nossa equipa deu o seu melhor, mas não foi suficiente.

A nível interno, depois de uma fase regular irrepreensível com 22 vitórias em 22 jogos, deu-se início ao calvário. A poucos dias da Final Four da Taça de Portugal, André Lopes e Marc Honoré lesionaram-se com gravidade. Roberto Reis também sofreu uma lesão que levaria o capitão Hugo Gaspar a jogar fora da sua posição de origem. E com isto tudo, o Sporting de Espinho derrotou-se na final da Taça de Portugal de forma incontestável e com todo o mérito.

As lesões dificultaram muito a preparação para esta Final Four e à entrada para os play-offs ainda havia mazelas, que nos levaram à derrota no primeiro jogo contra o AJ Fonte Bastardo. Mas depois a equipa mesmo com duas baixas de vulto e com Roberto Reis, Hugo Gaspar e Vinhedo limitados, a equipa regressou ao seu melhor nível, derrotando a equipa açoriana nos 3 jogos seguintes que nos levaram à final.

A final contra o Sporting de Espinho foi frenética. Confesso que nunca desejei tanto que uma equipa das modalidades do Benfica ganhasse, muito graças à forma porca de jogar da equipa vareira, principalmente do seu capitão Miguel Maia. No entanto, apesar da derrota "viciada" no primeiro jogo, sempre me mostrei convicto de que seríamos campeões.

E o que é facto é que nos jogos em casa, não demos hipóteses. Mostramos que somos os melhores e que temos a equipa melhor e mais homogénea. Mesmo com André Lopes e Honoré lesionados, a nossa equipa era mais homogénea e com alternativas de melhor qualidade. Quanto à equipa do Sporting de Espinho, tinha uma equipa titular muito forte (Hugo Ribeiro, Miguel Maia, Marco Ferreira, João Simões, Kibinho, José Rojas e Valdir Reis), mas as alternativas não estavam ao mesmo nível.

Deixo aqui uma homenagem aos campeões nacionais:
Hugo Gaspar - o nosso Doutor (para quem não sabe, ele tirou o curso de Medicina). Já lá vão sete anos de águia ao peito e sempre destacando-se como um dos melhores jogadores da equipa. Isto, para além de ter sido o MVP na "negra" com 22 pontos.

André Lopes - aos 34 anos, é um dos jogadores mais completos do nosso campeonato. Até à sua lesão, liderava as estatísticas dos ases (pontos no serviço), da recepção e dos pontos na zona 4. A sua grave lesão foi um rude golpe na equipa, mas mesmo de fora, apoiou e sofreu pela nossa equipa. Um sofrimento que valeu a pena.

Flávio Soares (Zelão) - o "Luisão" do voleibol. Já lá vão oito épocas de águia ao peito. Acompanhou o crescimento que a secção tomou e que agora faz do Benfica o principal dominador da modalidade. Um jogador com um currículo invejável e que nunca se cansa de ganhar.

Ivo Casas - um jogador à Benfica. Encara cada lance como se fosse o último. Não dá um lance por perdido. É a partir de jogadores destes que se começam a construir equipas campeãs.

Joan Llanes Díaz (Ché) - é mais um dos que acompanha a hegemonia na modalidade desde o início. No Benfica desde 2011, deu um pouco de sangue latino americano a esta equipa, sendo um jogador de raça, para o qual mais vale quebrar do que torcer. Foi decisivo nos jogos contra o Fonte Bastardo.

Raphael Margarido (Vinhedo) - como se diz no Brasil, é o "pé quente" do Benfica: 3 anos no Benfica, 3 campeonatos. É um jogador que mostra uma grande classe dentro da quadra, a bola "descansa" nas suas mãos. As suas distribuições feitas com pés e cabeça são maus que meio ponto.

Marc Honoré - não é muito comum haver um tobaguenho a jogar em Portugal. No nosso voleibol temos um e de grande qualidade. É claramente o melhor central a jogar em Portugal e um dos melhores bloqueadores do campeonato. E o facto deste ter querido regressar ao Benfica depois de um ano a jogar num dos melhores campeonatos do mundo na modalidade também diz muito.

Tiago Violas - este distribuidor era um desejo meu na época passada para a equipa do Benfica e felizmente concretizou-se. E nem pareceu que era novo no plantel tendo em conta a facilidade e rapidez com que se integrou na equipa. Não tem tanta qualidade na distribuição como o Vinhedo, mas é mais alto, dando assim maior apoio ao bloco da equipa.

Raphael Oliveira (Rapha) - um craque dos pés à cabeça. Chegado ao clube, tornou-se imediatamente numa mais valia, sendo o MVP na Supertaça. Com um serviço agressivo e um ataque poderoso, fez muitos estragos às defesas adversárias. A confirmar-se a sua saída, será uma grande perda.

Mart Van Werkhoven - um jovem que ainda tem muita carreira pela frente. Como já aqui disse, creio que ele podia fazer mais a diferença e que devia evoluir mais nestes dois anos de águia ao peito. Apesar de tudo, não posso deixar de salientar a sua importância neste play-off. Obrigado e boa sorte para o futuro!

João Magalhães - o homem dos match points. Formado no clube encarnado, regressou ao nosso clube após uma experiência na segunda divisão nacional. Benfiquista de coração, é a partir de jogadores destes que se constrói balneários saudáveis.

João Oliveira - a sua vontade e necessidade de jogar com mais regularidade levaram-no a sair do clube a meio da época. Mas mesmo assim, não deixa de fazer parte da equipa campeã.

Roberto Reis - não foi por acaso que o deixei para o fim. Só ele é que sabe o quanto ele sofreu nestes tempos em que jogou lesionado. Mesmo assim, nunca baixou os braços, deu o melhor de si pela sua equipa. E como tal, acho que merece uma dedicatória especial. Por último, só te peço um pequeno favor: Não vás para o Sporting!

José Jardim - um grande treinador e um grande benfiquista. O homem que colocou o Benfica no topo do voleibol português. E nos 4 campeonatos que conquistou, este é aquele onde provavelmente teve mais mérito, pela forma como se viu órfão de duas pedras basilares da equipa e reconstruiu e preparou a mesma para o que restou da temporada. Mais uma grande conquista do nosso treinador.

Obrigado a todos!
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