quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Antevisão - Voleibol 2018/2019


Esta semana, há mais uma equipa do Benfica a entrar oficialmente em acção. A nossa equipa de voleibol irá disputar a Supertaça na próxima sexta-fera dia 5 de Outubro às 19 horas. No Domingo dia 7, dá-se a primeira jornada do campeonato com uma recepção ao Vitória de Guimarães.

Aquando das finais do play-off do último campeonato, já era notícia um facto que iria ser um ponto de viragem no voleibol do Benfica: Ao fim de mais de 20 anos, o Professor José Jardim deixava o comando técnico da equipa. Foi o fim de um ciclo com muitos altos e baixos, mas que elevavam o Professor como a maior figura do voleibol encarnado. No entanto, não é uma saída definitiva. José Jardim permanece ligado ao voleibol do Benfica como director desportivo, trabalhando tanto com a equipa masculina como com a feminina. Assim, José Jardim afirma-se como dos profissionais que melhor sabe o que é servir o Sport Lisboa e Benfica.

Voltando ao banco, a escolha para o timoneiro deste novo ciclo recaiu no brasileiro Marcel Matz. Um jovem treinador de 38 anos que tem um percurso assinalável como treinador-adjunto, passando pela selecção sub-21 brasileira e também por alguns dos maiores clubes do mundo na modalidade como o SESI de São Paulo ou os japoneses do Suntory Sunbirds. Na época passada teve a sua primeira experiência como treinador principal ao serviço do Vólei Canoas, levando o clube ao play-off da Superliga Brasileira.

A limpeza no plantel também não tardou. Ary Neto, Guilherme Gentil, Miroslav Gradinarov e Dusan Stojsavljevic foram os primeiros a receber guia de marcha. Dusan e Gentil não acrescentaram nada à equipa, Gradinarov não fez a diferença que se esperava e Ary Neto teve o infortúnio de se lesionar com gravidade no seu primeiro jogo oficial, falhando o resto da época. Raphael Vinhedo também deixou a nossa equipa após ter realizado a sua época mais discreta de águia ao peito. Mais tarde, foi oficializada a saída do oposto Milija Mrdak.

Em termos de contratações, a primeira aquisição era já um namoro antigo do clube: o distribuidor Nuno Pinheiro. O ex-internacional português de 33 anos conta com uma vasta experiência a nível internacional, com passagens por França, Bélgica e Itália. Fez parte da selecção nacional que ficou em 8º lugar no Mundial de 2002, tendo na altura com 17 anos sido considerado o 3º melhor distribuidor da competição. É visto por muitos como o melhor distribuidor português deste século.

https://www.youtube.com/watch?v=bPi1QCJCN8I

A nível nacional, também foi contratado o zona 4 Bernardo Martins ao Sporting das Caldas. O jogador de 23 anos será a quarta opção na posição, correspondendo assim ao perfil para essa função: um jogador português, jovem, que seja opção essencialmente nos jogos de menor grau de dificuldade e também quando haver lesões. Pode também actuar na posição de líbero.

Pouco depois seria confirmado o regresso de Rapha Oliveira. O zona 4 brasileiro foi uma das principais figuras da equipa que foi campeã nacional em 16/17 está de regresso ao nosso voleibol após uma curta experiência no voleibol turco. Irá acrescentar qualidade e profundidade à posição de zona 4.

Mais tarde, seria anunciada a contratação do oposto Théo Lopes. Este jogador brasileiro de 34 anos conta com um vasto currículo a nível internacional, no qual constam duas Superligas Brasileiras, um Campeonato do Mundo e uma Liga Mundial. Este reforço tem tudo para ser a "bola de segurança" da equipa.

https://www.youtube.com/watch?v=U8nLyabHEbY

O último reforço a chegar foi o central austríaco Peter Wohlfahrstatter. Chega dos franceses do Tourcoing Lille Metropole, clube que venceu a Taça de França na época passada. Com 2,03m de altura, espera-se que seja mais uma arma a fazer a diferença no nosso bloco. Destaque ainda para a promoção dos jovens João Simões (líbero) e Manuel Tavares (distribuidor).

https://youtu.be/7DjFdGl5vAo

Resumindo, neste mercado verificou-se um doseamento entre a aposta na continuidade, segurando a maioria dos jogadores com mais anos de casa, ajudando assim na integração do novo treinador; e uma subida da fasquia a nível das contratações, contratando jogadores de maior tarimba internacional, construindo assim um plantel de maior qualidade e profundidade.

Quanto ao Sporting, o actual campeão nacional, sofreu grandes alterações no seu plantel, mas em termos de qualidade individual, este está tão bom ou melhor que o da época passada. Em termos de saídas, saiu o jovem internacional português Lourenço Martins e todos os jogadores estrangeiros com excepção do cubano Angél Dennis.

Os primeiros reforços a serem anunciados foram o distribuidor espanhol Guillermo Hérman, oriundo do campeão francês do Tours; e dois dos principais jogadores do Sporting de Espinho: o central Hélio Sanches e o zona 4 Roberto Reis, nosso antigo jogador. Posteriormente, vriam outros jogadores de grande renome internacional: o oposto Lionel Marshall, os centrais Andre Brown e Nikolay Nikolov e os zona 4 Wallace Martins e Todor Aleksiev.

Já o Sporting de Espinho, ainda hoje o clube mais titulado no voleibol nacional, destacou-se sobretudo pela contratação do treinador Alexandre Afonso, técnico que levou o Fonte Bastardo à conquista do campeonato em 2011/2012 e 2015/2016. Em termos de reforços, trouxeram três internacionais portugueses: o central Phelipe Martins e os zona 4 Afonso Guerreiro e Lourenço Martins.

Os açorianos do AJ Fonte bastardo, voltariam a fazer grandes alterações no seu plantel após mais uma época decepcionante. Contrataram o treinador João Coelho ao Castelo da Maia e este levou consigo três jogadores do emblema maiato: o central Hélder Spencer e os zona 4 Rui Moreira e Renan Purificação, bem como os distribuidores Angél Melean (ex-clube Kairos) e Francisco Pombeiro (ex-vitória SC). A nível contrataram ainda os brasileiros Guilherme Kachel (libero) e Alexandre Monteiro (zona 4), o norte-americano Kevin Rakestraw (central) e o ucraniano Vitalii Sukhinin (oposto).

O Vitória de Guimarães ficou em lugar de descida na época passada, mas recorreu ao sistema de pontos da FPV para assegurar a manutenção. O cumprimento deste sistema baseou-se na contratação de uma série de jogadores venezuelanos, bem como de um espanhol e um mexicano. No torneio das Vindimas, a equipa treinada por Adriano Paço mostrou ser bastante competitiva e promete lugar pelo acesso ao play-off

A minha previsão é que Benfica e Sporting partem na pole position do campeonato, com Sporting de Espinho, Fonte Bastardo e Vitória de Guimarães na disputa pelos restantes lugares de acesso ao play-off.

Este ano, também temos a Taça Challenge pela frente, juntamente com o Sporting, Fonte Bastardo e Sporting das Caldas. Tendo em conta as prestações das últimas épocas, o Benfica já tem reputação nesta competição e é uma equipa de respeito. O Benfica irá entrar em acção contra os cipriotas do Pafiakos Pafos. Será uma eliminatória bastante acessível.

O Benfica já é um clube com aspirações nesta competição, sendo que em três das últimas quatro edições, seria eliminado pelo clube que venceria a competição. E a verdade é que existem mais adversários poderosos, entre os quais, dou destaque aos russos do Belogerie Belgorod, clube que na época passada conquistou a Taça CEV (segunda competição europeia).



Sexta-feira começa a Supertaça e espero que a equipa posso iniciar oficialmente a época com o pé direito. E que este novo ciclo, seja um passo em frente dado no voleibol do Benfica.

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Antevisão - Basquetebol 2018/2019


A época oficial da nossa equipa de basquetebol está prestes a começar. Começará na próxima quarta-feira, dia 3 de Outubro com a disputa da pré-eliminatória da FIBA Europe Cup, contra o Dínamo Sassari, 10º classificado da última liga italiana. A primeira mão será disputada em Itália e a segunda será disputada uma semana mais tarde no Pavilhão da Luz. Já a Liga Placard começa no sábado dia 6 de Outubro, com a nossa equipa a receber os açorianos do Terceira Basket.

Depois do Benfica ter falhado o acesso à final do play-off pela primeira vez em dez anos, a direcção do clube não teve mãos a medir e submeteu o plantel a uma autêntica revolução, começando no banco.

Apesar de ter mais um ano de contrato, José Ricardo recebeu guia de marcha da direcção do Benfica após uma temporada decepcionante. Para o seu lugar seria contratado o espanhol Arturo Álvarez. O técnico de 41 anos treinou o Barreirense em 2010/2011 e conta também com passagens pelo Brasil e Paraguai, mas o seu trabalho mais relevante foi na época passada ao serviço do CB Prat, levando o clube à sua melhor prestação de sempre na Liga LEB Oro (Segunda Divisão Espanhola), tendo sido considerado o treinador revelação da prova. Assim, o Benfica mudou de treinador na modalidade pela segunda época consecutiva.

O cargo de Team Manager também sofreu alterações. Diogo Carreira, antigo capitão do Benfica deixou o clube, sendo substituído por João Nuno Crespo, oriundo do Illiabum e já com uma vasta experiência nestas funções.

Passando para o plantel, houve uma revolução de balneário. Começando pelos estrangeiros que chegaram em Fevereiro Damier Pitts e Miroslav Todic; Raven Barber aceitou uma proposta do Iberojet Palma (Liga LEB Oro); Nicolas Dos Santos e Carlos Morais também receberam guia de marcha. Os jovens Diogo Gameiro, Sérgio Silva e Ricardo Monteiro também se desvincularam do clube.

Mas uma das principais bombas do mercado nacional foi a saída de João Soares. O extremo rescindiu contrato com o Benfica (pagando a cláusula de rescisão do próprio bolso). O internacional português assinaria depois pelo CB L'Hospitalet da Liga LEB Plata (Terceira Divisão Espanhola), sendo depois emprestado ao FC Porto. João Soares utilizou este mecanismo porque o seu contrato no Benfica tinha uma cláusula que o impedia de se transferir directamente para os azuis e brancos. Mais tarde, já depois de anunciados os reforços, seria  anunciada a rescisão de contrato do base Nuno Oliveira.

Seria ainda anunciada a saída do jovem Neemias Queta. O poste contratado no ano passado ao Barreirense e que actuou sobretudo pela equipa B, exibiuse a um grande nível na Divisão B do Europeu de sub-20, despertando bastante cobiça por parte de academias amaricanas. Acabou por assinar pela Universidade do Utah.

Em termos de aquisições, o Benfica encarregou-se de contratar alguns dos melhores jogadores nacionais da última temporada. O extremo Fábio Lima foi o primeiro a ser assegurado. O extremo de 30 anos já tinha representado o nosso clube em 2015 e regressou aos encarnados após duas épocas de grande nível ao serviço do CAB Madeira, tendo na época passada sido o MVP Português da Fase Regular.

https://www.youtube.com/watch?v=2nhL2BL_OXc&t=69s

Arnette Hallman foi o segundo reforço a chegar. O extremo-poste com nacionalidade portuguesa foi uma das principais figuras da equipa da UD Oliveirense na conquista do título na época passada, tendo sido o MVP da final do play-off. Está assim de regresso ao clube que representou entre 2006 e 2008.

https://www.youtube.com/watch?v=r0xXItfM1pI

Chegaria também o base internacional português Miguel Maria Cardoso. Chegado do Vitória de Guimarães, o base de 25 anos conta com experiências em França e na Alemanha, tendo sido na época passada o rei das assistências e o sexto melhor jogador da Liga Placard.

https://www.youtube.com/watch?v=v8iWgMdQxKY

Passando para o mercado internacional, foi visível um aumento da fasquia. A primeira contratação foi o poste espanhol Xavi Rey. O jogador de 31 anos conta com uma vasta experiência na Liga ACB, é internacional espanhol, tendo representado o seu país no Eurobasket em 2013, ficando em terceiro lugar. Com 2,10m de altura, promete ser um monstro na luta nas tabelas no nosso campeonato.

https://www.youtube.com/watch?v=iPg5qmAQ0uQ

Haveria mais um espanhol a juntar-se à nossa equipa. Trata-se se Aléx Suárez. Este extremo-poste de 2,06m é uma promessa adiada do basquetebol espanhol. Internacional pelas camadas jovens de Espanha, estreou-se na Liga ACB com apenas 16 anos, ao serviço do histórico Joventud Badalona. Aos 21 anos transferiu-se para o Real Madrid, mas não se conseguiu afirmar, tendo sido emprestado ao Bilbao Basket e ao Tecnyconta Zaragoça (onde foi colega de equipa de Xavi Rey). Agora aos 25 anos, vê no Benfica uma possibilidade de relançar a carreira.

https://www.youtube.com/watch?v=esJ1cFrc4Lg

Pouco depois viria mais um a juntar-se às lides nacionais: Leandro Jaques da Conceição. O filho da antiga glória do basquetebol encarnado Jean Jaques já tinha representado o Galitos do Barreiro entre 2015 e 2017 e decidiu seguir as pisadas do pai após uma temporada no seu país ao serviço do 1º de Agosto, onde conquistaria a Dobradinha.

https://www.youtube.com/watch?v=VjXWhZ1kWYU

Quanto aos atletas norte-americanos, houve uma surpresa. Para a posição de base, a direcção do Benfica acabou por recrutar um atleta directamente do college. Trata-se de Quentin Snider: base de 23 anos oriundo da Universidade de Louisville. Esta ideia de recrutar jovens jogadores às academias americanas pode ser muito interessante, visto que se tratam de jogadores com uma maior margem de progressão que podem ver no nosso campeonato uma possibilidade de se projectarem no basquetebol Europeu e darem o salto para campeonatos de maior tarimba.

https://www.youtube.com/watch?v=PnIcJ81MFFI

Para a última vaga de estrangeiro, estava inicialmente contratado o extremo Kris Joseph. No entanto, uma lesão grave contraída pelo jogador canadiano já na pré-temporada fez com que este fosse dispensado e levasse o clube à procura de um substituto. Trata-se de Micah Downs. O extremo de 32 anos defrontou a nossa equipa na época passada ao serviço dos russos do Avtodor Saratov e conta também com passagens com países como França, Espanha e Itália.

https://www.youtube.com/watch?v=lAhI_JpH0UE

Resumindo, permaneceram apenas cinco jogadores em relação à época anterior: Tomás Barroso, José Silva, Cláudio Fonseca, Gonçalo Delgado e Rafael Lisboa.

Já a surpreendente campeã UD Oliveirense, para esta nova época abdicou da participação nas competições europeias, com o objectivo de solidificar o seu projecto a nível interno. Com isso, conseguiram segurar grande parte da espinha dorsal da equipa: José Barbosa, João Balseiro, João Guerreiro, James Ellisor, Travante Williams e Eric Coleman renovaram contrato.Ao todo, fizeram poucas mexidas no plantel: para o lugar do retirado João Abreu, contrataram André Bessa ao FC Porto; para o lugar de Arnette Hallmann, contrataram Marko Loncovic (campeão pelo SL Benfica em 2016/2017) ao Iliabum. E para a última vaga de estrangeiro contrataram Thomas de Thaey, norte-americano com passaporte belga.

O FC Porto, após mais uma época péssima, também decidiu elevar a fasquia. Para além de João Soares, contrataram ainda o jovem Daniel Relvão que jogava em Espanha, e apostaram no regresso de Diogo Araújo, após uma época emprestado ao Illiabum. No plano internacional, seguraram dois estrangeiros da época passada: Will Sheehey e Sasa Borovnjak. Para as duas vagas restantes, contrataram dois internacionais jovens croatas: Toni Prostran (base) e Boris Barac (extremo-poste).

O Vitória de Guimarães, que nos últimos anos mordeu os calcanhares aos grandes. apostou sobretudo em talentos nacionais, tais como o nosso ex-poste Ricardo Monteiro, Carlos Cardoso ao Illiabum e Nuno Morais ao Terceira Basket. No plano internacional, seguraram o poste sérvio Nikola Tadic, e contrataram os americanos Nicchaeus Doaks, D'Marques Tyson e Nick Novak (base que representou a Ovarense entre 2015 e 2017).

Quanto à minha previsão para o campeonato, creio que vai ser uma luta a três: SL Benfica, FC Porto e UD Oliveirense elevaram a fasquia em relação à época passada e a disputa entre os clubes pode fazer deste campeonato o melhor dos últimos anos. Já o Vitória SC, sem ter os mesmos recursos que as restantes três equipas, parte ligeiramente atrás, mas não deixa de ser uma equipa a rever. Os restantes lugares de acesso ao play-off deverão ser disputados por clubes como o Illiabum, CAB, Ovarense, Galitos e Lusitânia.

Quanto à FIBA Europe Cup, devo desde já dizer que o sorteio para a pré-eliminatória não fo nada simpático para connosco, visto que nos calhou uma das equipas mais complicadas pela frente. Mas também posso desde já dizer que, mesmo que percamos esta eliminatória, é possível que cheguemos à Fase de Grupos na mesma. E isto porquê?
Para quem não sabe, os grupos são constituídos por quatro equipas: uma proveniente desta pré-eliminatória, e as outras três relegadas de cada uma das pré-eliminatórias de acesso à Basketball Champions League. No entanto, algumas destas equipas que participam nas pré-eliminatórias da Champions e depois são eliminadas, não têm interesse em competir na FIBA Europe Cupe acabam por abdicar da sua vaga. Por isso, é possível que as equipas derrotadas nesta pré-eliminatória onde o Benfica participa sejam posteriormente repescadas. Depois na Fase de Grupos, os sorteios irão fazer a diferença.

Acredito que o plantel que construímos para esta época pode ser o melhor da década. Depois de impressoes positivas deixadas numa pré-época com alguns sobressaltos, os jogos a doer vão começar e eu espero que esta equipa mostre o que vale e que Arturo Álvarez mostre ser um treinador a altura do Sport Lisboa e Benfica.

Base: Quentin Snider, Miguel Maria Cardoso e Aliasz Sjutej

Base-extremo: Tomás Barroso (capitão), Jaques da Conceição e Rafael Lisboa

Extremos: Micah Downs, José Silva e Fábio Lima

Extremo-poste: Aléx Suárez, Arnette Hallman e Gonçalo Delgado

Poste: Xavi Rey e Cláudio Fonseca

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Futsal - Antevisão 2018/2019


Esta semana, a nossa equipa de futsal irá iniciar a sua época oficial. No próximo sábado às 19h, a nossa equipa irá iniciar a Liga SportZone, com uma deslocação ao reduto dos Leões de Porto Salvo, terreno tradicionalmente muito complicado para a nossa equipa. E aí, poderemos ver a doer do que é que esta equipa será capaz de fazer.

O último campeonato ficou marcado por uma particularidade surreal: a equipa que ganhou a final do play-off foi aquela que venceu menos jogos no tempo regulamentar. Como tal, a secção não teve mãos a medir e começou a preparar a nova época.

Ao contrário do que se verificou na época passada, foram feitas poucas alterações no plantel. Uma semana após o termo do campeonato, seria anunciada a contratação de Rafael Nogueira da Silva, conhecido no mundo do futsal por Fits. O pivot brasileiro de 26 anos chega dos italianos do Kaos Futsal, onde marcou 26 golos em 29 jogos.


Mais tarde seria anunciada a contratação do fixo Marc Tolrá. O internacional espanhol rescindira contrato com o FC Barcelona e assinou pelas águias, cumprindo assim a sua primeira experiência no estrangeiro. Seriam ainda promovidos os jovens Martim Figueira (guarda-redes), Silvestre Ferreira (fixo) e Bruno Graça (ala).


A imprensa chegou a falar na contratação de um guarda-redes, que foi a posição mais visada pelos adeptos após a perda do terceiro campeonato consecutivo: tanto no jovem Cristiano, pelas suas exibições na final, como em Diego Roncaglio pela sua atitude irresponsável na meias-final do play-off, que ainda lhe valeu um castigo por parte de Joel Rocha. Apesar de todos os rumores, não houve alterações na posição, com a secção do futsal a manter a confiança em Roncaglio e Cristiano.

A continuidade do treinador Joel Rocha também esteve posta em cima da mesa. A saída de Joel Rocha do comando técnico da equipa era vista pela imprensa como uma possibilidade. Apesar da nossa equipa ter ficado três épocas consecutivas sem ser campeã nacional na modalidade, Joel Rocha continua a ser o treinador do Benfica, cumprindo o ano de contrato que lhe resta.

No final, foram feitas contratações cirúrgicas no plantel. Com Fits, a equipa ganha o pivot de referência que nos faltou na última época. Com Marc Tolrá, a equipa ganha mais um fixo de grande estampa física para marcar os pivots adversários. Ao todo, o plantel conta com sete jogadores não-formados localmente, o que significa que dois deles terão de ficar de fora em cada jogo das competições internas.

Em termos de saídas, Deives Moraes foi o único jogador a sair a título definitivo. O pivot brasileiro marcou 26 golos na Fase Regular mas a sua quebra de forma no play-off mostrou que ele não é o pivot de que a equipa precisa nos jogos grandes Deives Moraes acabaria por regressar ao Brasil, ingressando no Corinthians. 

De resto, houve apenas saídas por empréstimo: Bruno Pinto e Yulián Díaz foram emprestados ao Belenenses, Jacaré foi emprestado ao Futsal Azeméis/Noxae e Tiago Fernandes permanece emprestado ao SC Braga/AAUM. Alípio Matos, coordenador do futsal do Benfica desde 2013, também deixou o clube, com o cargo a ser novamente ocupado por Armindo Cordeiro.

Já o Sporting, após se ter sagrado tricampeão nacional ganhando apenas um jogo na final, rejuvenesceu o plantel. Marcão, Caio Japa, Djô, Diogo, Divanei e Fortino deixaram o clube, todos eles acima dos 30 anos. A nível de entradas, resgatou o fixo Erik Mendonça ao AD Fundão, e voltou a contratar o ala Léo Jaraguá, desta vez a título definitivo. De resto, contratou o guarda-redes Guitta e o ala Alex ao Corinthians, e o pivot Rocha ao Magnus Futsal.

Em relação às restantes equipas, o SC Braga/AAUM continuará a ser aquela que mas irá morder os calcanhares aos grandes, embora a meu ver, o fosso entre os academistas e os rivais lisboetas seja maior este ano. De resto, existe um vasto leque de equipas que irão disputar as restantes vagas de acesso ao play-off, tais como Módicus, AD Fundão, Futsal Azeméis, CCDR Burinhosa, Belenenses e CR Leões de Porto Salvo. Em termos de aquisições, dou mesmo destaque às duas últimas equipas: o clube do concelho de Oeiras contratou Paulinho e Djô, que se juntam aos internacionais portugueses Bebé, Ré e Fábio Aguiar; o clube da Cruz de Cristo apostou no regresso do treinador Alípio Matos e do guarda-redes Marcão.

Nesta temporada, o Benfica irá também disputar aquela actualmente denominada de UEFA Futsal Champions League, indo disputar a Main Round em Outubro, estando integrado no Grupo 1 junto com os espanhóis do FC Barcelona, os franceses do Kremlin-Bicêtre United e os belgas do Halle-Gooik. 

Enquanto o vice-campeão espanhol dispensa quaisquer apresentações, os restantes adversários também são equipas de respeito. Dou destaque para a equipa belga e anfitriã do grupo, que contratou o nosso antigo pivot Alessandro Patías e o ala Diogo ao Sporting CP. Os três primeiros classificados do grupo apuram-se para a Ronda de Elite.

O meu veredicto é que as finais do play-off neste ano prometem ser as melhores de sempre. Ambos os clubes possuem plantéis de luxo, sendo ainda sérios candidatos a marcar presença na Final Four da UEFA Futsal Champions League. Ao todo foram 13 vitórias em 13 jogos na pré-temporada, com destaque para as exibições de gala contra o Inter Movistar e o Magnus Futsal. Na futsal Masters Cup ficou mostrado que o nosso plantel não é minimamente inferior ao do Sporting. Esta época, a margem de erro de Joel Rocha está abaixo de zero. É ganhar ou ganhar!

Guarda-redes: Diego Roncaglio, Cristiano Marques, André Correia e Martim Figueira

Fixo: André Coelho, Marc Tolrá e Afonso Jesus

Fixo-ala: Fábio Cecílio e Slvestre Ferreira

Ala: Bruno Coelho, Tiago Brito, Rafael Henmi, Robinho, Miguel Ângelo e Bruno Graça

Ala-pivot: Fernandinho e Raúl Campos

Pivot: Fits


sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Antevisão - Andebol 2018/2019


A época eclética oficial do Benfica está prestes a começar, com a nossa equipa de andebol a ser a primeira a entrar em acção. A época oficial vai começar no próximo Domingo com a disputa da Supertaça contra o Sporting em Braga. O campeonato inicia no fim-de-semana seguinte com a recepção ao ADA Maia/ISMAI.

A época passada que terminou com a conquista da Taça de Portugal criou boas expectativas para o futuro, mas também deixou bem claro que aquilo que tínhamos ainda não era suficiente para reconquistar o título. Era preciso mais investimento e maior profundidade.

Ao contrário do que se verificou no ano passado, foram feitas poucas mexidas no plantel. Já garantida desde o ano passado estava a contratação de Carlos Martins do ABC. O ponta-direita de 23 anos é presença assídua na selecção nacional e será um sério concorrente para Davide Carvalho, sendo assim mais um ex-jogador do ABC a juntar-se a Carlos Resende no Benfica.

Mas a grande contratação do ano, não só do Benfica mas também do andebol português, foi o guarda-redes macedónio Borko Ristovski. O guarda-redes de 35 anos conta com uma grande experiência a nível internacional, tenho já representado alguns dos melhores clubes na modalidades, tais como o RK Vardar, o Rhein-Neckar Lowen e o FC Barcelona. Assim, a equipa de Carlos Resende ganha finalmente um guarda-redes estrangeiro de qualidade indiscutível de que precisava. Foi ainda contratado Daniel Neves, jovem de 17 anos oriundo do Sporting CP, e para as promoções dos jovens Pedro Loureiro e de Pedro Côrte-Real.

https://www.youtube.com/watch?v=IOVJNZAmYuA

A permanência de Alexandre Cavalcanti também é algo digno de registo, o jovem lateral-esquerdo formado no Benfica foi o melhor jogador da equipa na época passada e apesar de ter mais um ano de contrato, era um jogador bastante cobiçado por vários clubes na Europa. A verdade é que Cavalcanti já é um jogador de outro campeonato e a sua permanência no plantel pode ser considerada um reforço.

O grande senão da equipa foi o facto de não se ter contratado um lateral-direto. Por opção de Carlos Resende, o clube optou por não ir ao mercado contratar um lateral-direito, optando por dar uma nova oportunidade a Stefan Terzic, que continua a tentar quebrar o calvário de lesões. O lateral-direito sérvio, caso consiga recuperar, será claramente um dos melhores jogadores do campeonato, só que nunca sabemos quando podemos contar com ele. O brasileiro Arthur Patrianova também terá uma nova oportunidade após ter tido poucos minutos na época passada.

https://www.youtube.com/watch?v=1i4f0u2ZXnU

https://www.youtube.com/watch?v=YXBAiX5cPG8

Quanto a saídas, todas elas foram de jovens por empréstimo. Diogo Valério, André Alves, Pedro Santana e Marcos Araújo foram emprestados ao Boa-Hora FC; Gustavo Capdeville, Hugo Lima e Valter Soares foram emprestado ao Madeira SAD, Tiago Ferro foi emprestado ao Belenenses e André Lima foi emprestado ao Sporting da Horta.

Entre os adversários directos, o Sporting CP parte novamente na pole position do campeonato, procurando alcançar o tricampeonato. Do plantel leonino saíram.Pedro Portela, Felipe Borges, Janko Brozovic e Michal Kopcko. Por outro lado chegaram os pontas Valentin Ghionea e Fábio Chiuffa, o lateral-direito Neven Stjepanovic e o jovem pivot Luís Frade. De resto, mantém grande parte da sua espinha dorsal assente em jogadores como Tiago Rocha, Carlos Ruesga, Frankis Carol ou Ivan Nikcevic, bem como nos 3 guarda-redes estrangeiros de grande valia (Cudic, Asanin e Skok).

Quando ao FC Porto, depois do fracasso da época anterior, volta a apostar num novo treinador: o sueco Magnus Andersson, que enquanto jogador fez parte da geração sueca que dominou o andebol mundial nos anos 90, chega aos azuis e brancos oriundo dos alemães do Goppingen, clube onde conquistaria a Taça EHF. Quanto a reforços, destaque para os regressos de Alexis Borges, pivot internacional português que esteve emprestado ao Barcelona; e Yoan Balázquez, lateral-esquerdo que foi o jogador revelação da Liga Asobal ao serviço do SD Teucro. A estes juntam-se o jovem ponta esquerda Leonel Fernandes (ex-ADA Maia/ISMAI), o lateral-esquerdo internacional português Fábio Magalhães  (ex-Chartres) e o lateral-direito Djibril M'bengué (ex-Estugarda). De resto, a equipa manteve grande parte dos seus jogadores influentes tais como Alfredo Quintana, Miguel Martins, Rui Silva, António Areia, Diogo Branquinho e Daymaro Salina.

O ABC de Braga, vencedor da última Supertaça, voltou a abdicar da participação nas competições europeias em prol da estabilidade financeira do clube. Entre os reforços estão o guarda-redes Carlos Oliveira, o central António Ventura, o ponta-direita André Rei, os laterais-direitos José Rolo e Miguel Batista e o jovem pivot Eduardo Mendonça.

O Sport Lisboa e Benfica vai também competir na Taça EHF, onde fruto do segundo lugar conquistado no último campeonato, teremos acesso directo à segunda eliminatória da competição, onde irá defrontar o vencedor da eliminatória entre o RK Dubrava da Croácia e o FH Hafnarfjordur da Islândia, clubes que ficaram em terceiro lugar nos respectivos campeonatos.A meu ver, temos condições para voltar a marcar presença na Fase de Grupos da competição, embora aí os sorteios também possam fazer a diferença.

Fazendo uma pequena previsão, creio que por aquilo que vi no Torneio de Viseu, o Benfica pode muito bem voltar a derrotar o Sporting na Supertaça. No entanto, numa prova de regularidade como é o campeonato, a maior profundidade e qualidade individual de um plantel faz-se sentir. Por isso, considero o Sporting novamente favorito à conquista do título, visto que possui um plantel com uma qualidade e profundidade muito acima da média para o andebol português.

Quanto ao Benfica, Ristovski e Carlos Martins acrescentam qualidade e profundidade à equipa, mas  aquilo onde a nossa equipa poderá chegar vai depender muito da condição física de Terzic. Já o FC Porto também se reforçou bem mas a meu ver, o plantel tem menos profundidade que o dos dois rivais. Aqui, creio que aquilo que o novo treinador será capaz de fazer é que irá determinar o quão longe a equipa azul e branca ode chegar.

Como já disse, acho que a contratação de um lateral-direito é a peça que falta para termos plantel para ombrear com o Sporting. No entanto, com aquilo que temos actualmente, creio que aquilo que poderá ser a chave para o sucesso é a gestão da equipa nas transições defesa-ataque.
Na época passada, o sistema defensivo mais utilizado por Carlos Resende foi o 5-1 com Pedro Seabra a ser o elemento mais adiantado. No entanto, nesta pré-temporada tem sido mais habitual ver a equipa a defender com dois pivots, com a linha defensiva composta por Cavalcanti, Pesqueira, Moreno/Âles e Grilo/Patrianova. A estes jogadores podem juntar-se João da Silva e Francisco Pereira quando recuperarem. Se este sistema defensivo for o principal, jogadores como Pedro Seabra e Belone Moreira vão ter menos minutos de jogo, o que significa que terão mais frescura e disponibilidade ofensiva, o que principalmente no caso do Seabra, poderá fazer a diferença.

Esta época temos condições para fazer melhor que na época passada (principalmente na Europa) e espero que já no Domingo tragam mais um troféu para o nosso museu.

Guarda-redes: Hugo Figueira, Borko Ristovski (ex-FC Barcelona) e Miguel Espinha

Universal: Daniel Neves (ex-Sporting CP)

Pontas-direitos: Davide Carvalho e Carlos Martins (ex-ABC)

Laterais-direitos: Stefan Terzic, Belone Moreira e Gonçalo Nogueira

Centrais: João da Silva, Pedro Seabra e Francisco Pereira

Laterais-esquerdos: Arthur Patrianova, Nuno Grilo e Alexandre Cavalcanti´

Pontas-esquerdos: João Pais, Pedro Côrte-Real e Fábio Vidrago

Pivots: Paulo Moreno (capitão), Ricardo Pesqueira, Pedro Loureiro e Âles Silva

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Não há pior inimigo do Benfica do que o seu próprio adepto!


Hoje venho aqui escrever uma cartilha especialmente dedicada aos especialistas da bola que já andam a rotular o Ferreyra de flop.

Facundo Ferreyra chegou ao Benfica após se ter tornado o melhor marcador do campeonato ucraniano na época passada, com 21 golos marcados, registos que deixam os benfiquistas com expectativas elevadas.

A verdade é que após uma pré-temporada em que o argentino teve alguns problemas físicos e após três jogos oficiais em branco, os entendidos na matérias já andam pelas redes sociais a dizer que ele é um cepo que se irá tornar num barrete. Há também quem diga que ele não rende num sistema táctico de 4-3-3. Nada mais falso!. No Shakhtar Donetsk ele também era a única referência ofensiva da equipa.

Quem percebe de futebol, consegue ver que o problema não está no sistema táctico, mas sim no facto do estilo de jogo da nossa equipa não ser o que mais o favorece. Facundo Ferreyra é um finalizador nato, não é um avançado de transição nem de distribuir jogo. É um avançado mais fixo e posicional na área, que também é inteligente a movimentar-se no campo e a ocupar os espaços, mas não lhe peçam para recuar no terreno e fazer os movimentos que o Jonas faz. As suas características não permitem tal coisa.

Ajustando isso a um modelo de jogo, ele no Shakhtar jogava numa equipa que explorava mais o jogo interior, que explorava mais os espaços abertos e as triangulações entre os avançados (Ferreyra, Bernard e Marlon), tinha muito mais apoio. No Benfica, ele é treinado por um treinador que teima em canalizar o jogo pelas alas e joga num modelo de jogo onde os médios interiores (Pizzi e Gedson) recuam muito no terreno para receber a bola, aumentando mais o buraco entre o meio-campo e o ataque (desde o jogo contra o Vitória SC já houve melhorias nesse aspecto). Eu não estou a dizer que Ferreyra não seja capaz de vingar neste modelo. Simplesmente, tendo em conta o seu perfil e o estilo de jogo da equipa, irá precisar de mais tempo para se adaptar e se entrosar com os novos colegas.

Para quem se quiser dar ao trabalho, aconselho-vos a irem ver os registos do Óscar Cardozo na sua primeira época no Benfica. Ao fim da décima jornada do campeonato 2007/2008, o ponta-de-lança paraguaio tinha apenas três golos marcados, dois deles de penalty. Acabaria a época com 22 golos marcados. E na quarta época se tornaria o melhor marcador estrangeiro da história do clube.  Já agora, podem também ver os registos do Mitroglou nas duas épocas em que cá esteve. Em ambas as época, ele teve um rendimento bem melhor na segunda volta do que na primeira.

Sejam pacientes!


terça-feira, 7 de agosto de 2018

As notas da pré-temporada do Benfica


A pré-temporada acabou e os jogos oficiais estão prestes a começar. E há notas que devem ser tiradas. E Benfica mexeu-se com tempo no mercado, colmatando algumas das lacunas no plantel. Temos mais profundidade na defesa com Conti, Lema e Yuri Ribeiro; e no meio-campo com Gedson Fernandes e Alfa Semedo. Vlachodimos também parece dar garantias na baliza, mas ainda é cedo para concluir se será um guarda-redes que garante pontos. Castillo deixou impressões positivas e Ferreyra foi assolado por alguns problemas físicos. Ambos ainda estão a adaptar-se à nossa equipa.

A chegada de jogadores como Lema, Gedson, Alfa Semedo e Castillo também deram mais capacidade/física à equipa do que nas últimas duas épocas. Mas ainda estamos a uns furos abaixo da equipa do FC Porto nesse aspecto. A chegada de um box-to-box iria ajudar muito...

Antes de mais, devo dizer que eu sou do tempo em que o Benfica dos Torneios do Guadiana para matar a fome de títulos. Por isso, o facto do Benfica ganhar ou não troféus na pré-época é-me completamente irrelevante. Em termos de resultados, esta terá sido a melhor pré-temporada do Benfica na era Rui Vitória. Em termos de processo de jogo, também é melhorias em relação à época passada, com a equipa a mostrar sinais positivos, tanto em 4-3-3 como em 4-4-2.

No entanto, esta pré-temporada também me fez perceber que existe um problema que persiste desde o início e que irá sempre perdurar enquanto Rui Vitória estiver no Benfica. É assim: o modelo de jogo de Rui Vitória está muito assente nos aspectos defensivos: a pressão alta sobre o adversário, a linha defensiva subida, o espaço entre linhas, a reacção à perda de bola, a circulação de bola de forma apoiada desde a zona defensiva até à zona de criação.

O problema é que Rui Vitória não treina um modelo de jogo ofensivo. Rui Vitória deixa a manobra ofensiva da equipa entregue à qualidade individual dos seus executantes (principalmente dos extremos) e espera que se faça magia. Isto pode resultar problemas em vários jogos. Em jogos contra equipas que jogam mais fechadas na defesa, pode originar dificuldades em chegar com critério à área contrária, fazendo com que muitas vezes, a solução acaba por ser o chutão para a frente. Em jogos contra equipas grandes ou na Champions, a equipa até pode chegar várias vezes à área contrária, mas na maioria delas, irá mostrar pouca clarividência, seja na tomada de decisão, ou a finalizar.

Outra questão aqui é que se Rui Vitória teima tanto em canalizar a manobra ofensiva da equipa nos extremos, é necessário um extremo completo, que seja desequilibrador (tanto pela ala, como flectindo para zonas interiores), que tinha boa visão de jogo, que seja bom a finalizar e que seja forte física e/ou mentalmente. Nós não temos nenhum extremo na equipa principal que cumpra todos esses requisitos. Cervi é muito fraquinho fisicamente. Salvio toma muitas más decisões. Rafa e Zivkovic são os que estão mais perto disso, mas são fracos a finalizar. Carrillo até poderia ser esse extremo completo, mas para isso precisava de um cérebro. O único extremo completo sénior que temos é João Filipe.

Outra teima de Rui Vitória é a sua insistência em lateralizar o jogo, principalmente quando joga em 4-3-3, onde na época passada se viu a equipa explorar muito as triangulações entre Grimaldo, Cervi e Krovinovic/Zivkovic. E nesta temporada ficou mostrado que o jogo interior neste 4-3-3 é praticamente nulo. Isto porque quando a equipa começa a construir jogo a partir de trás, Pizzi e Gesdon Fernandes (os dois médios mais adiantados) recuam até ao seu meio-campo defensivo para receberem a bola, passando-a depois para os extremos, o que origina um grande buraco entre o meio-campo e o ataque.

Quem deveria receber a bola nessa zona do terreno deveria ser o trinco e os laterais, com Pizzi e Gedson a criarem linhas de passe  em zonas mais adiantados do terreno de jogo, de modo a depois poderem fazer combinações com os extremos (que exploram as zonas interiores do terreno) e os laterais (que ficam encarregues de todo o seu corredor, dando profundidade à equipa). É assim que um 4-3-3 funciona no futebol moderno.

Na defesa também ainda residem alguns problemas, nomeadamente na linha média da equipa que fica sempre desajustada com a linha defensiva, muito graças à pouca disponibilidade defensiva de jogadores como Pizzi e Gedson. Uma linha média desajustada e afastada da linha defensiva é meio caminho andado para os avançados adversários criarem linhas de passe nas suas costas e ao receberem a bola, terem apenas a defesa para enfrentar. Essa situação está melhor explicada aqui:

https://www.lateralesquerdo.com/2018/08/01/no-mar-a-deriva/

https://www.lateralesquerdo.com/2018/08/02/linha-media-do-benfica-a-nao-defender/


Resumindo, estes problemas fazem de Rui Vitória um treinador curto e limitado para o Benfica. Atenção! Eu não estou a dizer que não possamos ser campeões nem chegar à Fase de Grupos da Champions. Já conquistámos 6 títulos a jogar desta forma, e nada garante que não ganhemos mais. No entanto, estes problemas deixam uma coisa bem clara: ganhe os títulos que ganhar, Rui Vitória irá sempre deixar a impressão de que a equipa poderia jogar muito melhor.

Venham de lá os jogos oficiais!


sexta-feira, 3 de agosto de 2018

O caminho eclético do Benfica


O Sport Liaboa e Benfica realizou a sua pior época desde 2010/2011. Pela primeira vez desde essa temporada, nenhuma equipa masculina sénior do Benfica se sagrou campeã nacional. No futebol, na época em que podíamos ter feito história, a equipa e a estrutura mostraram estar longe de estarem a altura das exigências, mas nas modalidades a final da história não foi diferente, mas cada uma com os seus motivos.

No andebol, estamos a dar continuidade ao projecto que iniciámos há uns anos atrás. No primeiro ano de Carlos Resende ao leme, a equipa mostrou pormenores muito interessantes, mas ainda faltam algumas peças para termos uma equipa realmente capaz de lutar pelo título. No basquetebol e no hóquei em patins tivemos um bom começo de época e tudo dava a entender que éramos favoritos ao título, mas acabémos por sucumbir de forma vergonhosa. As equipas de voleibol e futsal deram o seu melhor, mas acabou por ser infeliz na hora H.

É preciso perceber que existem lacunas na estrutura das modalidades. Na minha opinião, a saída do Tiago Pinto devia ter sido devidamente preparada e colmatada e a sua ausência fez-se sentir ao longo desta época. No entanto, também não é menos verdade que a estrutura das modalidades do Benfica, principalmente no sistema da contratação de jogadores atravessa um período em que precisa de ser reestruturada e actualizada.

Antes de mais, é preciso dizer que esta última época não apaga o facto desta ser uma das melhores, se não mesmo a melhor década da história do clube a nível eclético. Uma década em que chegámos a conquistar 4 campeonatos de pavilhão numa só época, em que conquistámos títulos internacionais, em que construímos equipas femininas que já dão muitas alegrias ao clube, etc.

Mas a verdade, é que este sistema já não tem a mesma eficácia. Entre 2012/2013 e 2014/2015, o Benfica conquistou oito campeonatos de pavilhão masculinos. Entre 2015/2016 e 2017/2018 conquistou apenas três, o que mostra que este sistema já não é suficiente. Na minha opinião, em vez de haver um ou dois homens que giram as cinco modalidades de pavilhão, acho que cada modalidade deveria ser gerida individualmente por um expert na respectiva modalidade.



Este sistema deixou de produzir resultados muito graças ao facto de nos últimos anos ter aparecido um clube cuja estrutura é o dinheiro. Nos últimos anos, o Sporting tem aparecido com mais dinheiro nas modalidades, que lhe permite contratar jogadores de classe mundial a receberem ordenados ao nível de um futebolista. Esta capacidade fez com que o Sporting nesta época fosse campeão nas quatro modalidades de pavilhão em que participa.

E este ano, Bruno de Carvalho pretendeu subir a parada, contratando Raúl Marín no hóquei em Patins, dois internacionais búlgaros no voleibol (a Bulgária é um dos 7 melhores países da Europa na modalidade), e mostrando intenções de contratar Ricardinho e Ortiz no futsal. Bruno de Carvalho tinha o plano muito bem delineado para as modalidades antes da sua destituição. Depois do que aconteceu em Alcochete, com a saída iminente de vários dos jogadores mais influentes da equipa de futebol, a SAD ganharia um prejuízo enorme, mas também pouparia muito dinheiro em salários. Com isso, Bruno de Carvalho pretendia pegar nesse dinheiro para investir mais nesse dinheiro, mas revalidar o título nas quatro modalidades, e também a apostar forte em três das competições europeias em que irá participar (UEFA Champions Cup no futsal, Liga Europeia no hóquei e Taça Challenge no voleibol). Tudo isto, porque Bruno de Carvalho sabia melhor que ninguém que só uma época extraordinária nas modalidades o iria salvar.

Dadas as circunstâncias, muitos benfiquistas queriam que o clube optasse pelo mesmo caminho louco e irrealista. Ao longo dos últimos anos, tenho ouvido dizer frases do tipo: "Gastamos milhões em jogadores que nunca jogam pela equipa principal. Porque não pegamos nesse dinheiro para investir a sério nas modalidades?".

As coisas não são assim tão lineares. Antes de mais, gastar dois milhões de euros num jogador de futebol não é a mesma coisa que gastar dois milhões de euros num jogador de futebol, longe disso, mas a principal questão nem está aí. A principal questão aqui é que o futebol é gerido pela SAD do Benfica, enquanto as modalidades são secções independentes, completamente alheias à SAD. Como tal, comparar os investimentos no futebol com os investimentos nas modalidades é como tentar misturar água com azeite. Aquilo que o Sporting faz é desviar dinheiro da SAD para investir fortemente nas modalidades, algo que é ilegal. E, mais tarde ou mais cedo, a "torneira" da Holdimo há-de fechar, visto que os investimentos nas modalidades não têm retorno financeiro.

No meio disto tudo, qual é o plano que o Benfica tem para as modalidades? Para os mais distraídos, a equipa nesta última temporada teve resultados fantásticos na formação em todas as modalidades. E é por aí que passa o nosso caminho. Fazer com que jovens jogadores cresçam dentro do Benfica, aprendam a viver e a sentir o nosso clube. E depois, é dosear a aposta nesse miúdos com a contratação de jogadores estrangeiros de qualidade indiscutível.

O que é que este caminho irá trazer? No imediato, é possível que a próxima época seja igual a esta, mas num prazo de 5/10 anos, teremos condições para dominar as cinco modalidades de pavilhão. Quer gostem desta política ou não, é este o caminho que o clube escolheu e nós vamos ter de o aceitar. É claro que eu quero ganhar, isso faz parte do ADN de qualquer benfiquista. Mas pessoalmente, eu não quero ganhar a qualquer custo. Não quero que o futuro do meu clube seja sacrificado em prol do sucesso imediato. Isso já foi feito no durante a presidência do João Santos e à conta disso, ficámos mais de 10 anos sem sermos campeões em cada modalidade de pavilhão.


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