domingo, 11 de junho de 2017

Regresso ao trono


Na última sexta-feira, o Benfica conquistou o seu 27º campeonato no Basquetebol após derrotar o FC Porto na final do play-off por 3-0. E esta conquista não foi nada fácil.

Antes de mais, devo dizer que este foi certamente o campeonato na modalidade mais competitivo dos últimos anos. Equipas como o Vitória de Guimarães e a Oliveirense morderam os calcanhares aos grandes, enquanto outras equipas como o Galitos e o Illiabum também fizeram épocas bastante positivas.

Quanto à nossa equipa, o começo deixou impressões bastante positivas, ao na pré-eliminatória da Basketball Champions League, termos batido o pé a uma das melhores equipas italianas: o Pallencastro Varese, equipa contra a qual perdemos a eliminatória por um ponto.

A nível interno, a época começou mal com uma derrota copiosa na Supertaça contra o FC Porto. Quando se deu essa derrota, quase todas as páginas de apoio ao Benfica espalhadas pela Internet pediam a demissão de Carlos Lisboa. Como resposta, a equipa ganhou ao FC Porto uma semana depois em pleno Dragão Caixa, a primeira de sete vitória aos dragões esta época.

No entanto, o percurso da equipa na Fase Regular do Campeonato foi inconstante. Ao todo, tivemos 8 derrotas em toda a fase regular, muito graças ao pagamento da factura europeia. Em constaste com a irregularidade no campeonato, tivemos uma prestação acima das expectativas na FIBA Europe Cup, onde pela primeira vez, um clube português conseguiu passar a primeira Fase de Grupos da terceira competição europeia da modalidade.

No entanto, muitos questionavam a qualidade desta equipa. Via-se uma equipa que tinha tanto de qualidade individual como de displicência. A cada derrota, Carlos Lisboa era enxovalhado. Mas havia uma coisa que me deixava confiante para os play-offs. É que tanto na Final 8 da Taça da Liga como na Final 8 da Taça de Portugal, a equipa não falhou na hora H.

E assim foi. Neste terceiro jogo, vimos aquela que foi provavelmente a melhor exibição da época. Uma equipa agressiva na defesa, capaz de anular o jogo exterior dos seus atiradores, e capaz de dar mais luta nas tabelas contra os dois "monstros" do jogo interior azul e branco: Nick Washburn e Sasa Brorvnjak.

Agora, deixo aqui a minha homenagem aos obreiros deste título:

Carlos Morais - um benfiquista angolano, um jogador que gosta dos grandes jogos. Não nos podemos esquecer que este foi o ano de adaptação. O basquetebol angolano é muito diferente do europeu, é um basquetebol mais físico e estático, em contraste com o nosso basquetebol que é mais fluído e em que os jogadores têm de fazer um pouco de tudo e como tal, Carlos Morais aqui tem de defender mais. Já fez uma época muito boa e com mais um ano de contrato, acredito que a próxima seja ainda melhor;

Danian Hollis - um dos melhores estrangeiros que por cá passou nos últimos tempos. Jogador bastante completo e um dos mais regulares da equipa nesta temporada, embora tenha desaparecido um pouco nos play-off devido a problemas físicos. Veremos qual será o seu futuro;

Raven Barber - oriundo da Ovarense, veio para reforçar uma posição deficitária em 2015/2016. Foi também um dos jogadores mais regulares da equipa, sendo raro o jogo em que fez menos de 10 pontos. Foi o MVP do 3º jogo da final, fruto de um duplo-duplo (11 pontos e 13 ressaltos);

Derek Raivio - um dos jogadores mais importantes nos jogos contra o FC Porto com pontos decisivos, principalmente ao ser o autor do último triplo no segundo jogo a 17 segundos do fim. Infelizmente, creio que não o vimos jogar ao seu melhor nível devido a algumas lesões que contraiu ao longo da época. Veremos qual será o seu futuro;

Carlos Andrade - o Rui Águas do basquetebol. Os anos não passam por ele. Aos 39 anos, é dos jogadores mais influentes da equipa e também um dos mais importantes nos play-offs devido à sua agressividade e consistência defensiva. É um jogador à Benfica, daqueles que merece um lugar no clube após a retirada;

Mário Fernandes - é uma formiga dentro da quadra, pequeno em tamanho, mas é um trabalhador incansável. Infelizmente, voltou a ser bastante fustigado por lesões nesta época, mas quando está em forma, é um jogador que faz a diferença, como se verificou na final da Taça da Liga onde foi o MVP;

João Soares - a época da sua afirmação. Aposta regular no 5 inicial, afirmando-se como um bom atirador;

Nuno Oliveira - Contratado como base-extremo, achava este jogador muito fraquinho para o Benfica. Adaptado esta época a base, tem vindo a evoluir gradualmente na posição. Veremos se será aqui que se irá afirmar;

Tomás Barroso - 3 campeonatos em 4 épocas de águia ao peito. Na época em que herdou a braçadeira de capitão, foi adaptado a base-extremo onde mostrou os seus dotes como atirador, para além da raça com que disputa os lances. E não consigo evitar dizer isto: ele joga muito melhor desde que acabou o namoro com a Ana Sofia;

Diogo Carreira - no ano passado, trocou o calção pelo joelho e a blusa de manga cava pelo fato e gravata. 7 campeonatos pelo Benfica, o primeiro como Secretário Técnico;

Carlos Lisboa - esta é especialmente dedicada aos haters: 48 títulos conquistados, 22 como treinador. O homem que mais títulos deu ao Sport Lisboa e Benfica!

Parabéns também aos restantes: Nicolas dos Santos, Marko Loncovic, Cláudio Fonseca, Aliasz Sjutej, Sérgio Silva e Ricardo Monteiro. E também aos adjuntos Nuno Ferreira e o regressado Carlos Seixas.

Para o ano há mais!
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