quinta-feira, 17 de maio de 2018

Análise da época - Voleibol 2017/2018


Mais uma época no voleibol chegou ao fim e infelizmente, não houve muitas razões para sorrir. No entanto, está na hora de deixar as emoções de lado e analisar esta época, que foi uma época que teve os seus altos e baixos.

O grande destaque na temporada de 2017/2018 foi para o regresso do Sporting CP à modalidade, que após a forma polémica como foi directamente promovido à 1ª divisão, construiu um plantel com grande experiência a nível nacional (Miguel Maia, Hugo Ribeiro, João Simões...) e internacional (Robinho, Angél Dennis, Ivan Márquez...).

O início da época não foi fácil para os nossos lados, com a derrota contra o Sporting de Espinho na Supertaça e duas derrotas contra o Sporting: uma no Tormeio das Vindimas e outra na primeira jornada do campeonato. A equipa parecia não estar a conseguir fazer esquecer Rapha e Roberto Reis e como se não bastasse, o internacional brasileiro Ary Neto, um dos principais reforços da época, lesionou-se gravemente na primeira jornada do campeonato.

A equipa mostrou depois sinais de recuperação: venceu em casa do Fonte Bastardo por 3-0, venceu na Luz o Sporting de Espinho por 3-1, eliminou os campeões romenos do Zalau na 1ª eliminatória da Taça Challenge (vitórias por 3-1 na Luz e 2-3 na Roménia) e o Sporting da Taça de Portugal com uma vitória por 3-1 na Luz. No entanto, depois seguiu-se uma derrota por 3-2 em Espinho em mais um jogo polémico e na jornada seguinte consentiram uma derrota caseira com o Sporting depois de estarem a vencer por 2-0, um resultado que nos tirou a liderança da Fase Regular.

Na segunda metade da época, a equipa voltou a mostrar sinais de crescimento. Nos oitavos-de-final da Taça Challenge eliminámos os romenos do Steua Bucareste (vitórias por 2-3 na Roménia e por 3-1 na Luz), que até então se encontrava invicta na época e ainda não tinha perdido qualquer set em sua casa. Nos quartos-de-final calho-nos aquela que era vista por muitos como a maior candidata a vencer a competição: os italianos do Buinge Ravenna, a mesma equipa que eliminámos nas meias-finais da competição há três épocas. A derrota por 3-1 em Itália tinha-nos deiado uma réstia de esperança. Na Luz, a nossa equipa deu o seu melhor, mas a maior rodagem competitiva dos italianos acabaria por fazer a diferença. Derrota por 3-2 e adeus às competições europeias, enquanto o Ravenna acabaria por vencer a competição derrotando o Olympiakos na final.

Logo a seguir deu-se o início dos play-off contra o Sporting de Espinho. E numa primeira mão muito polémica (para não variar) a nossa equipa acabaria por se transcender e vencer o jogo por 3-1. A situação ficaria resolvida no fim-de-semana seguinte com duas vitórias por 3-0. Três semanas mais tarde, a equipa carimbou o acesso à Final Four da Taça de Portugal, vencendo por 3-0 o Fonte Bastardo, que realizou mais uma época decepcionante.

No fim-de-semana de 14/15 de Abril, disputou-se a Final Four da Taça de Portugal em Sines. Depois de despacharmos o Académico de Espinho nas meias-finais por 3-0, seguiu-se o Castelo da Maia na final. A equipa maiata ainda venceu o primeiro set, mas a nossa equipa não deu hipóteses nos sets seguintes. Estava assim conquistado o primeiro troféu da época. Restava então a final dos play-off, numa altura em que a equipa tinha um rendimento claramente superior ao da primeira metade da época.

O Sporting, que entretanto já estava mais reforçado com as chegadas do internacional norte-americano Muagatutuia e o internacional colombiano Agamez, acabou por nos levar a melhor numa negra completamente surreal. No entanto, quando se luta até ao fim, não há razões para ter vergonha. A nossa equipa lutou até ao fim.

A meu ver, não foi nesta final que perdemos o campeonato, mas sim na derrota caseira contra o Sporting por 2-3 na Fase Regular, que nos tirou a liderança do campeonato e consequentemente, o factor casa na final do play-off. O Sporting não foi a melhor equipa da final, mas foi a melhor equipa ao longo da época e como tal, é um justo campeão.

Agora, farei aqui uma breve análise individual aos jogadores do Benfica. Não farei de todos, visto que alguns deles tiveram muito poucos minutos de jogo ao longo da época:

Hugo Gaspar - o capitão e o "Doutor" da equipa. Está no Benfica desde 2010 e a sua experiência e capacidade de liderança era certamente uma mais-valia no balneário. É claramente um dos elementos agredadores do plantel uma das maiores figuras da história do voleibol encarnado;

Ivo Casas - esteve irreconhecível no início da época, cometendo erros que não são habituais da sua parte. Com a contratação de Guilherme Gentil, o líbero da selecção nacional ganhou um concorrente directo e subiu o seu rendimento, tendo sido um dos jogadores da equipa mais regulares no play-off. Num jogo de voleibol, a posição de líbero passa muitas vezes despercebida, mas Ivo Casas tem mostrado ser uma das figuras do voleibol do Benfica nos últimos anos;

Raphael Vinhedo - um dos melhores distribuidores da história do clube. No entanto, realizou a sua época mais discreta de águia ao peito. A sua baixa estatura, aliada à sua idade avançada, faz com que este tivesse cada vez mais dificuldades em conseguir distribuir correctamente bolas que iam muito próximas da rede. No entanto, isso não o impede de ser uma das lendas do clube na modalidade;

Tiago Violas - certamente, o jogador que mais evoluiu nesta temporada. Um dos distribuidores da selecção nacional sentou o experiente Vinhedo já numa fase avançada da temporada e de que maneira. Foi um dos jogadores que esteve mais associado à subida de rendimento da equipa, quer pela sua qualidade a distribuir, como pela sua utilidade no bloco;

André Lopes e Zelão - ambos com 35 anos, são dos jogadores com mais anos de casa do plantel. No entanto, tanto um como outro não mostram sinais da idade. O central brasileiro é um poço de energia inesgotável, disputando cada jogada como se fosse a última, seja no remate ou no bloco. Já o zona 4 internacional português é um jogador completo, sendo muito forte em todos os aspectos do jogo: a servir, a receber, a rematar e a bloquear;

Marc Honoré - depois da lesão grave contraída no final da época passada, regressou e mostrou que ainda está aí pronto para as curvas. Juntamente com André Lopes e Zelão, foram os jogadores mais regulares da equipa. É dono de um serviço flutuante muito traiçoeiro e é provavelmente, o melhor bloqueador do nosso campeonato;

Filip Cveticanin - uma das grandes promessas do voleibol nacional. Chegou ao Benfica estando tapado por duas pedras basilares da equipa. No entanto, sempre deu bem conta do recado quando foi opção, principalmente na fase inicial da época em que Zelão teve uma lesão e Honoré teve compromissos com a selecçaão tobaguenha. Será um jogador a observar nos próximos anos;

Milija Mrdak - a meio da época, já era visto por muitos adeptos (por mim inclusive) como um dos jogadores a despachar no final da época. No entanto, na recta final da temporada, o oposto sérvio começaria finalmente a justificar a sua contratação, destacando-se pela sua potência no serviço e no remate. Aí encostou o capitão Hugo Gaspar no banco e foi dos que mais contribuiu para a subida de rendimento da equipa; Em contrapartida, é um jogador emocionalmente instável e que perde facilmente a confiança quando o adversário está pico bom.

Miroslav Gradinarov - o zona 4 titular da selecção da Bulgária foi uma das principais aquisições da época, cabendo-lhe a difícil tarefa de fazer esquecer Rapha. Não cumpriu com a tarefa, nem de perto nem de longe. O que tinha de forma no serviço e no remate, também tinha de fraco na recepção e na defesa, fazendo dele um jogador capaz do melhor e do pior. Não é propriamente um flop, mas também não fez a diferença que eu esperava que fizesse. Segundo a imprensa, está de saída para o Zalau;

Dusan Stojsavljevic - não se deu por ele ao longo da época e não acrescentou nada à equipa. Mesmo com 38 anos, o Roberto Reis seria mais útil à equipa do que ele. Na minha opinião, o quarto zona 4 do plantel deve ser um jogador português, de preferência jovem;

Ary Neto - apesar de não conhecer nada deste jogador, tinha um currículo que o apontava como um dos principais reforços da temporada, tendo já sido campeão da Superliga Brasileira e já tendo representado a selecção brasileira. No entanto, o polivalente jogador brasileiro (pode jogar a zona 4 e a líbero) teve o infortúnio de se lesionar no ombro no primeiro remate que fez na época, falhado o resto da temporada;

Fredric Winters - chegou já no decorrer da temporada para substituir o lesionado Ary Neto e foi o reforço em que criei mais expectativas, tendo em conta a sua experiência em várias ligas de topo e a sua carreira enquanto capitão de uma das selecções mais fortes da modalidade. A verdade é que as suas primeiras exibições foram muito discretas, mas à medida que que foi ganhando ritmo e confiança, foi aos poucos mostrando o seu valor. Até que na mesma altura que Mrdak e Violas, o zona 4 internacional canadiano encostou Gradinarov no banco e rubricou excelentes exibições, mostrando-se como um jogador bastante completo, mas também com muita inteligência e serenidade dentro da quadra.

Por último, queria só referir dois pontos que eu considero importantes na escolha dos reforços para a nova época:
Primeiro, antes do regresso do Sporting ao voleibol, não havia muitos em Portugal que se destacavam pelo seu serviço. Porém, com o regresso da equipa leonina isso mudou. A equipa do Sporting apresentou vários jogadores que são capazes de fazerem a diferença no serviço tais como Dennis, Agaméz, Muigututia e Ivan "La Bomba" Márquez. Espero que a secção de voleibol encarnada tenha isso em conta.
Segundo, a nossa aposta no mercado da Europa de Leste não tem sido muito feliz. Há duas temporadas, o búlgaro Ivan Kolev foi um flop, Gradinarov fez uma época inconstante e Mrdak é bom jogador, mas também ferve em pouca água. Como tal, acho que no ataque ao mercado, a secção do voleibol encarnado deveria virar-se mais para outras paragens, principalmente para o mercado latino-americano, que tem dado frutos em Portugal.

Aguardam-se novidades nas próximas semanas. Veremos o que vai acontecer...

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