A época já acabou e o principal objectivo foi cumprido. Fizemos história e sagrá-mo-nos Tetracampeões nacionais. Mas alguns períodos de menor fulgor da nossa equipa ao longo da época colocaram algumas questões na mesa, principalmente, quanto à qualidade e competitividade da nossa equipa.
Bem me lembro que, aquando do mercado do Verão passado e víamos os jogadores que entravam na nossa equipa, muitos adeptos ficaram entusiasmados com os reforços. Muitos já enchiam o peito e diziam que esta época íamos limpar tudo. Mas, agora que as contas estão feitas, afinal temos ou não temos um bom plantel.
Já aqui o disse, temos um plantel de grande qualidade, mas falta-lhe algum músculo. Se repararem, a grande maioria dos jogadores que contratámos para esta época destacam-se sobretudo pela sua qualidade técnica mas eram jogadores franzinos. Ficou-nos a faltar a presença de um ou dois jogadores que dessem uma maior disponibilidade física à equipa e com a saída do Gonçalo Guedes também ficámos mais fracos nesse aspecto. Espero que esta lacuna seja corrigida neste mercado.
Entretanto, existe um nome que define esta temporada da nossa equipa: lesões. A nossa equipa foi assolada por um número anormalmente elevado de lesões ao longo da época. E mesmo assim, o Benfica conseguiu assegurar a liderança isolada do campeonato desde a quinta jornada e nunca mais a largar. Só mesmo com um plantel de grande qualidade e acima de tudo, com um treinador com uma grande serenidade conseguiria algo assim nestas circunstâncias. Apesar de tudo, de não fosse a chegada de um homem no decorrer da época, esta situação das lesões passaria os limites do sustentável, mas já lá vamos...
Primeiro, porque houve tantas lesões nesta temporada?
Acredito seriamente que tenha sido devido à preparação física implementada por Rui Vitória. Devo lembrar que na pré-temporada 2015/2016, Rui Vitória não pode preparar fisicamente os jogadores à sua maneira devido à digressão na América do Norte, que submeteu a equipa a viagens constantes e a um clima e a um fuso horário a que não estavam habituados. Nesta temporada, essa situação já não se verificou e o nosso Departamento Médico não estava habituado a estes métodos de preparação física.
Segundo, como é que as lesões afectaram o rendimento da nossa equipa?
Ora, na primeira metade da época, as lesões não foram muito sentidas. A equipa liderava o campeonato, passou a Fase de Grupos da Champions e a maioria das vitórias foram conseguidas sem grandes dificuldades. E isto sem Jonas, sem Rafa, sem Jardel, sem Grimaldo (a partir de Novembro), etc. Sem esquecer que chegou a haver jogos^em que os nossos três avançados estavam todos lesionados e em que jogou o Gonçalo Guedes a ponta-de-lança e com o José Gomes no banco.
No entanto, embora a equipa não se ressentisse muito das várias ausências devido às lesões, estas já estavam a causar moça. Mas essa moça só se começaria a fazer-se sentir a partir de Janeiro, na altura em que o rendimento da equipa começou a quebrar. Mas porquê nesta altura?
Porque na segunda metade da época, as equipas já devem ter um onze-base definido e estabilizado. E a nossa equipa ainda não tinha, porque as lesões não permitiram a estabilização do tal onze-base e consequentemente, a estabilização da forma de jogar da equipa. E essas lesões conferiram instabilidade em algumas posições da equipa. Por exemplo, se a extremo-direito Salvio foi dono e senhor da posição, a extremo-esquerdo houve alternância entre Cervi, Rafa, Carrillo e Zivkovic. Rafa também jogou várias vezes a segundo avançado. E Fejsa, para não variar, voltou a ser atormentado por lesões.
Nessa altura, valeram-nos os golos do Mitroglou a permitirem-nos conservar a liderança do campeonato (dos 16 golos marcados pelo grego na liga, 8 foram marcados nos meses de Janeiro e Fevereiro) e a seguir em frente na Taça de Portugal.
Seria já em Março que seria revelada a fórmula para nos livrar desta "maldição" das lesões. Essa fórmula foi a contratação de um homem para liderar o nosso departamento médico: Lluís Til Pérez, ex-director clínico do FC Barcelona.
Na fase inicial da época, chegámos a ter 10 jogadores lesionados em simultâneo. Até Março, também foi rara a ocasião em que tivemos menos de 4 jogadores lesionados. A partir do mês de Abril, já com o médico espanhol a suceder o Dr Bento Leitão, a equipa teve apenas 3 jogadores lesionados (2 em simultâneo): Jardel, Jonas e Jiménez.
Já com o dedo do Dr Til Pérez, o plantel ficou mais livre de lesões e isso permitiu a Rui Vitória apostar naquele que em circunstâncias normais, seria o onze-base da equipa:
Ederson; Nelson Semedo; Luisão, Lindelof, Grimaldo; Salvio, Fejsa, Pizzi, Cervi; Jonas e Mitroglou
Creio que este seria o onze base da equipa, com excepção do ponta-de-lança, onde Mitroglou e Jiménez poderiam alternar entre si consoante a forma de cada um. E sabem qual foi o jogo em que tivemos estes 11 jogadores disponíveis em simultâneo? No jogo da 28ª jornada em casa do Moreirense FC, dia 9 de Abril deste ano, a menos de 2 meses do final da temporada.
E foi daí para a frente que o rendimento da equipa subiu e voltou a ser o que era (tirando aqueles 15 minutos de terror contra o Estoril). Agora pensem: quantas equipas no mundo é que conseguiriam fazer a Dobradinha nestas circunstâncias. E imaginem: onde poderíamos chegar na Champions se a nossa equipa não estivesse "amaldiçoada"?
Creio que isto diz tudo quanto à qualidade do nosso plantel e do nosso treinador.


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